C A P Í T U L O 01
Um mundo abandonado…
Um mundo de trevas…
Sem vida…
Uma terra podre!
São muitas as histórias que ouviu falar daquele lugar e seu ridículo povo. Tudo se mostra verdade ao estar entre eles —, mais uma vez. Mil anos de poluição torna o ar massante. Não havia umidade das árvores e a própria atmosfera pesava morte.
Essa é Paris.
A considerada bela cidade.
Nada mais.
No semáforo, a mulher chama atenção. Sua beleza estonteante é reconhecida por todos os lados. De homem ou mulher, todos tiram minimamente três segundos do dia para apreciar a bela mulher elegante, com cabelos castanhos a altura dos ombros e diamantes brilhando como acessórios nas orelhas.
Não havia segurança.
Não havia esperteza.
Não havia nada exceto a ignorância de uma madame encantada com a arquitetura da cidade do amor.
O semáforo abriu e ela acompanhou a multidão com calma e tempo. A dona da rua! A que tudo pode! Seu andar atraiu ainda mais olhares, mas era sua confiança que impressionava. Uma mulher digna dos maiores concursos de beleza e sem medo de demonstrar seus dotes. O vestido que usa é justo, moderno, escuro nas áreas certas e transparente onde poderia deixar espaço para imaginação.
O relógio de ouro no pulso deveria ser tão caro quanto qualquer relíquia das joalherias mais extravagantes de Paris. Mas o colar de diamantes tintilando a luz do sol implorava para ser roubado.
Apenas velocidade e um canivete podia dar conta. Mas a mulher é tão bonita que torna tentador um sequestro.
Ela permanecia alheia ao risco.
Seguiu seu rumo silenciosamente completamente ignorante de três homens a sua cola. Espelhos de vitrines logo realçaram sua beleza. Seu olhar só se movia para o conteúdo das lojas que se apresentou a sua frente.
Que roupas aquele lugar poderia oferecer?
Ela seguiu a diante.
Logo, eram quatro homens atrás.
E um gato.
A silhueta do felino contornava a multidão com sutileza. Seu reflexo era igualmente contemplado nas vitrines e os olhos azuis estavam firmes no seu caminho.
A mulher então se afasta da multidão.
Frágil como qualquer madame metida, apenas um puxão é o suficiente para introduzi-la num beco. Não demorou até uma faca irritar a pele de sua garganta.
Ela havia esquecido como palavrões em francês poderiam ser tão atraentes…
Eles queriam o que ela mais tinha de valor. E queriam logo. A mulher conheceu a parede asquerosa do beco e as mãos duras dos homens percorrendo seu corpo. Buscavam qualquer carteira e não tinham preocupação em sentir, por exemplo, o tamanho dos seios em suas palmas.
A mulher não gritou.
Não revidou.
Apenas observou… aquele felino branco sentado em cima de uma lata de lixo. Felpudo, fofo e delicado.
"Weon"
Soltou preguiçosamente.
Ela respirou e sentiu a poluição alheia entupir suas narinas. O cheiro de peixe podre estava presente entre os resíduos de um restaurante de luxo.
Aquele mundo é tão asqueroso…
Vento soprou seus cabelos.
A terra é tão morta…
Os homens começaram a ficar nervosos com o fato da mulher não revidar, não gritar ou questionar. Os olhos estavam vagos no chão, nas fezes de ratos. Ela não sentia nada exceto nojo.
Os homens finalmente tiveram sua atenção. Um olhar, foi o que bastou. Um olhar azul, amplo e anormal. Os olhos de um gato na face de uma dama.
E, então, seus corpos foram lançados através do lixo. O estrondo só foi ouvido entre eles. O vento parecia de alguma forma impedir que qualquer ruído escapulisse daquele beco.
— Procuro uma mulher — ela revelou tão preguiçosa quanto o miado do gato.
O felino ronronou, observando.
A mulher não ouvia os xingamentos e o pânico dos homens. Em sua mente, havia apenas o seu propósito:
— Ela é humana. Vive nesse lixo de sociedade. É alienada como vocês. Alguém que parece insignificante, mas… não é.
A gata miou.
A mulher moveu seus saltos pelo lixo sem desviar de nada. Era toda aquela nojeira de comida podre quem se afastava como se ela fosse tão pura que se não a quisessem suja-la.
— Meu nome é Bianca Brown e procuro alguém que, como eu, está ligada ao passado. E para garantir o meu futuro devo encontrá-la e levá-la até o Titã. Encontrem-na ou morram.
Bianca estava com frio.
Já havia esquecido as diferenças térmicas entre o lugar de onde veio e onde está. A Europa sempre foi considerada gelita, mas naquele dia estava um ambiente desconfortável.
As nuvens estavam escuras muito além da poluição presente. O vento estava moderadamente agressivo ao seu cabelo e, mesmo assim, ela não desgrudava o olhar da torre Eiffel à distância.
Bianca estava mais quieta do que costumava ser.
"Encontre-a"
Sua ordem. Sua missão.
Onde encontrá-la nesse lugar vasto? Um continente não é pequeno e esse povo não habita somente um. São trilhões de humanos para apenas uma ser especial entre eles. Única. Como nenhuma outra.
Ela poderia estar no apartamento ao lado, trepando escandalosamente? Ou ela poderia estar fotografando a torre modelo da cidade? Bianca descarta todas essas opções.
Há um motivo para ela entre todos ser a mais eficiente em procurá-la.
Bianca tem uma ligação especial com essa humana. Algo de outra vida. E por isso, pode dizer com clareza que ela não está na Europa.
Mas é onde deve começar, ainda sim.
Tock, tock, tock.
Primeiro o som das batidas e depois o ranger da porta. Os passos dominaram o ambiente, pesadamente. O gato deitado na cama bocejou e piscou para os intrusos no território.
Bianca sentiu as costas queimar com o olhar.
A mulher vestia apenas uma langeriee branca e um roupão de seda da mesma cor cobrindo suas costas como uma capa. Estava descalça e se recusava a aquecer o ambiente de qualquer possível maneira.
Não queria gastar energia, afinal.
Bianca se comportava como uma modelo num ensaio, desde a compostura até a maneira de olhar. Ela conferiu sua aparência através do pouco reflexo da janela que vai do chão até o teto. Por um momento, seus olhos humanos brilharam como os de um gato.
Ela deu a primeira palavra:
— Vocês sabem o que é uma bruma?
— Não, senhorita.
— É uma humana imune a mordidas, por exemplo, de um lobisomem. É uma ninfomaníaca que pode engravidar até mesmo de um gigante, carregar um bebê gigante e parir sem muitos danos — ela deu uma pausa para respirar, tediosa. — Sabem onde elas mais estão surgindo no último milênio?
— Não — responderam em unissoro.
— América do Sul. Brasil.
Bianca rodopiou seus pés até estar de frente para os homens. Toda a pele morena realçada pelas roupas íntimas e o mínimo de pudor exposto em seu rosto completamente livre de maquiagem… mas tão perfeito quanto as mais lindas modelos mundiais.
— Sabem onde há mais casos de reencarnações?
— Não, senhorita.
— América do Sul. Brasil.
Como uma gata, Bianca se aproximou dos homens. Um passo a frente do outro, esfregando as coxas robustas e explicitando seus dotes através da langeriee nada decente. O mamilo estava praticamente explícito e apenas um paninho ligado por linhas cobria as partes mais íntimas entre as pernas.
— Sabem a diferença entre reencarnação e renascimento?
— Não, senhorita…
Bianca sorriu, gentil e suave.
Então ela tombou na cama, preguiçosa e pesada abrindo espaço e enxotando seu gato. O felino saltou para longe com um miado de reclamação. Então empinou as nádegas e se esticou antes de simplesmente deitar e bocejar.
— A mulher que procuro está no Brasil — Revelou, enfim. — Então vão para a rua e descubram quais dos novos turistas são brasileiros.
Bianca tinha um propósito.
E não fracassaria por descuido insignificante de detalhes. Usaria quaisquer métodos necessários, mas conseguiria a garota!
— Descubram quem é brasileiro… — ela sussurrou.
A luz do quarto estava brilhante acima de sua cabeça.
Porque apenas seu sangue, meio brasileiro, não seria o suficiente para encontrá-la.
— Preciso do máximo de brasileiros possíveis… — ela encarou os homens, mais severa. — Encontrem!
Ele a quer. E Bianca precisa entregá-la!
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