Capítulo 42
Sou louca nesse homem e não tenho como negar. Entretanto, ao mesmo tempo que me sinto feliz também tenho medo.
Realmente acho que Niko precisa de ajuda psicológica. Mesmo assim, no fim, não consegui dizer não. Meu coração e meu corpo o aceitou como se nunca tivéssemos nos separados, e mesmo não tendo esquecido o que ouvi, eu o perdoei.
O amo, porém não me entregarei tanto desta vez. Eu poderia sim, ficar aqui uma semana, no entanto, mesmo o amando tanto, vou deixar o futuro do nosso relacionamento nas mãos dele e se no caminho eu perceber que nada está mudando, acabo com isso. Mesmo que me traga sofrimento, vou seguir em frente sem me permitir olhar novamente para trás.
Ele segura minha mão e descemos as escadas.
Na sala, jogados bem à vontade no sofá, estão meus amigos e Nicandro. Fico surpresa pois não imaginava vê-los aqui...
— Olá rapazes! — os cumprimento com um sorriso no rosto.
Os rapazes se levantam para nos cumprimentar, todos me olham nos olhos e com exceção de Nicandro, me abraçam forte beijando minha testa em seguida.
— Oi Isabella! Nos desculpem a intromissão, mas estávamos preocupados com Nikolas. - Nicandro se pronuncia depois de me cumprimentar com beijos no rosto.
— Nós não! Viemos por estarmos preocupados com a Bella mesmo —Derick sorri. — Brincadeira Nikolas. Como você está cara?
Sei que na verdade estavam preocupados com nós dois. Vi isso ontem nos olhos de Luke durante o jantar.
— Obrigado amigos! Acho que agora estou bem. — Nikolas agradece, abraçando a todos.
— Bem? Você está ótimo cara, mas certamente devem estar morrendo de fome. — Dominic se pronuncia sorrindo com malícia.
Niko abre um sorrisão, porém quem responde sou eu:
— Na verdade estou sim, engraçadinho.
— Vamos almoçar amor — coloca a mão na minha cintura e andando ao meu lado questiona: — Os empregados voltaram?
Os meninos o olham com surpresa pela forma como ele me chamou. Menos Douglas e Joe, eles já presenciaram Nikolas me tratar assim no passado.
— Os busquei bem cedo no Porto de Angras. — Respondeu Joe.
— Obrigado amigo. Vocês já almoçaram? — Perguntou com um sorriso.
— Ninguém almoçou ainda, praticamente acabamos de chegar. -Explica Nicandro.
— Estão vamos, estou faminta.
Nos sentamos na mesa de fora e a todo instante percebo um deles me olhando com curiosidade.
— Vocês estão bem mesmo? — Erick pergunta sem resistir.
— Não precisa ficar preocupado. Bella me deu uma chance e como todos vocês bem perceberam meses atrás, eu a amo e vou honrar essa chance. — Respondeu todo orgulhoso.
— Acho bom mesmo, ou então quebro essa sua cara de galã. — Ameaça Luke.
— Você já me disse isso ontem Luke. -— Niko retruca aborrecido.
Que horas foi isso?
— Mas nós não. Somos seus amigos, mas temos Bella como uma irmã mais nova e se for preciso à protegeremos de você. — Reforça Dominic olhando sério para Nikolas.
Esses são os meus amigos que eu tanto amo.
— Estou bem meninos, conversamos e vamos tentar.
— É bom saber que minha mulher tem amigos tão fies e agradeço por isso, vou fazer tudo certo dessa vez, eu prometo. — fala mais tranquilo, segurando e beijando minha mão.
Minha mulher?
O almoço chega e com ele duas garrafas de vinho, almoçamos entre brincadeiras e graças a Deus, Niko não bebeu. Porém, comeu feito um cavalo.
Ainda estamos sentados a mesa quando Niko fala:
— Amor, você sabe que temos uma produtora e eu gostaria muito de ver o que você tem de material para te ajudar a produzir o seu filme.
— Ainda não tenho quase nada, apenas umas coisinhas que escrevi no celular mesmo. — respondo super sem jeito.
— Vai ser baseado na sua vida não é isso? — Insistiu.
— É sim, mas é somente uma ideia. A produtora de vocês e muito chic para...
— Pode parar irmãzinha, se você tem a ideia, nos temos o resto. Eu
também quero ver esse material. — Luke fala me cortando.
— Isso mesmo. Passa o celular pra cá bella. — Dominic fala estendendo a mão para mim.
Estou morrendo de vergonha de mostrar para eles o que já escrevi.
— Depois. — tento.
— Depois nada Bella. Cadê o celular? — Reforça Erick.
— Está na minha bolsa, depois eu pego.
— Qual é maninha, escondendo o jogo da gente. — Questiona Derick.
— Claro que não! Isso foi apenas uma ideia, não um projeto pronto.
— Pelo jeito você não terá pra onde correr. Melhor entregar logo cunhadinha. — Completa Nicandro, com um sorriso divertido no rosto.
— Estou percebendo. — sou obrigada a concordar com ele.
Realmente quero que essa parte da minha vida vire um filme e vou sim, aproveitar a oportunidade.
Na sala, depois de destravar meu celular, entreguei para Niko e sai para me sentar na beira da piscina deixando eles lá. Quero que avaliem sem se constrangerem com a minha presença.
Não demorou muito e Nicandro apareceu.
— Posso ficar aqui com você? Não entendo nada de cinema e aqueles caras estão empolgados lá dentro.
Será que realmente estão gostando?
— Claro que pode.
— Obrigado cunhadinha.
— Não por isso. — respondi sorrindo.
— Não é por isso mesmo — Sorriu. — Quero te agradecer por ter vindo e principalmente por dar uma chance ao meu irmão.
— Vamos ver aonde isso vai dar.
— Ele realmente te ama Bella, e esse tempo sem você fez ele perceber melhor isso.
— Veremos. Você sabe bem o que aconteceu aqui.
— Sei sim, mas ele teve problemas, por isso ficou assim.
— Ele me contou.
— Contou? — Não ocultou a surpresa.
— Sim. Sobre a mãe viciada e a bagunça na mídia.
— Realmente ele te ama muito Bella. Meu irmão não fala sobre isso nem comigo. Somos melhores amigos, mas quando o assunto é esse, ele se fecha e nem nossos pais tem entrada.
— Acho que ele vai precisar de um psicólogo.
— Ele já foi em vários, mas nenhum conseguiu o que você mesmo sem saber conseguiu.
— Não consegui nada, ele apenas conversou comigo.
— Não falo disso. Ele te contou sobre o orfanato que visitou depois que vocês brigaram?
— Não.
— Assim que ele voltou para casa, eu fui atrás. Em uma semana ele me chamou e fomos juntos visitar um orfanato.
— E como foi?
— Ele assumiu as dasespesas do lugar que já estava prestes a fechar as portas. Lá tem meninos e meninas de todos os tipos, porém, a maioria está la pelos mesmos motivos que nós.
— Nós?
— Isso. Fui tirado de uma boca de fumo aqui no Rio. Minha mãe também era viciada, mas mesmo assim ela tentou ficar comigo. No entanto, a assistente social não permitiu. Ainda estava esperando para ser adotado quando ela morreu de overdose. Marisa e Richard depois de adotarem Nikolas, passaram a ajudar o orfanato onde ele ficou esperando os papéis ficarem prontos e quando vieram visitar, eu estava chegando. Nikolas já tinha onze anos e eu três. Ele não entrou, ele nunca entrava, sempre ficava no carro com o motorista. No portão fiz uma malcriação e mordi a mão da assistente social. Corri para a rua, só ouvi um grito e Nikolas pulou sobre mim e rolamos para o meio fio. Logo depois o ônibus passou. Ele salvou a minha vida, e somente me soltou quando Marisa pediu, mas ele a fez prometer que cuidaria pessoalmente de mim e aqui estou eu.
— Não sabia que também era adotado, desculpe.
— Não tem o porque se desculpar, Marisa e Richard são os melhores pais do mundo e no fim, fui um menino de muita sorte.
— Foi exatamente isso que falei para ele. Me conta mais sobre o orfanato.
— Isso cunhadinha, um dia ele te conta e se for possível, não diga que te contei. Nem nossos pais sabem disso. Ele não é tão ruim como ele mesmo pensa que é.
— Não falarei nada. Nunca o achei ruim, só racista mesmo.
— Ele também achava que era, até te conhecer e se apaixonar você, mas na época o medo dele falou mas alto.
— Eu entendi os medos dele, mas a forma como ele falou...
— Ele não imaginava que você ouviria, e tenho certeza que mesmo naquela época, se aquilo não tivesse acontecido daquela forma, vocês estariam juntos e felizes até hoje.
— Comigo escondida né?
— Duvido muito. Ele não conseguia desgrudar de você e logo todos saberiam. Mesmo naquele dia, ele continuou dizendo que te amava. Realmente eu acredito que agora ele fará tudo diferente.
— Assim espero! Eu o amo Nicandro, mas não serei humilhada pela minha cor ou posição social.
— Ele não fará isso, acredite.
— Nicandro, você vai comigo buscar seus pais? — Douglas chegou perguntando.
— Vou sim cara. Cunhadinha, sei que não será, mas conte comigo para também te defender se for preciso. Sorrindo, se abaixou e deu um beijo na minha cabeça.
— Obrigada cunhado.
Enquanto eles se afastam, peço a Deus para que realmente não seja preciso. O medo de antes diminuiu, mas ainda está aqui.
Veremos o que o futuro nos reserva.
❤❤❤❤❤
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💋Beijos da Aline💋💋.
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