(005) criando laços e revelações.

KIM DONGHYUN
point of view.

Depois daquela primeira experiência no clube de arte, comecei a me sentir mais confortável com a ideia de estar ali. Não era apenas o fato de estar criando algo com minhas próprias mãos, mas também o tempo que passava com o Taesan que era até legal. Havíamos nos tornado amigos, cada momento parecia revelar um pouco sobre ele e isso me fazia querer descobrir mais.

No entanto, eu não estava sozinho no clube. Junto com Taesan, haviam outros membros que logo se tornaram pessoas importantes na minha rotina. Sungho, por exemplo, era o presidente do clube. Ele tinha um jeito calmo e autoritário, sempre fazendo o possível pra que todos estivessem focados em suas tarefas, mas com um sorriso acolhedor que fazia qualquer um se sentir confortável.

─── Leehan, se precisar de alguma coisa, é só me chamar. ── ele dizia, sempre prestativo.

Riwoo, por outro lado, era o oposto de Sungho. Sempre cheio de energia e ideias criativas, ele estava constantemente experimentando novas técnicas e cores, criando obras que desafiavam a padrão.

─── A arte é sobre quebrar regras, não seguir. ── ele me disse uma vez, com um sorriso ladino no rosto. Havia também Jungwon, que era um pouco mais reservado. Ele preferia trabalhar sozinho em projetos maiores e mais complexos, mas apesar de sua seriedade, sempre estava disposto a nos dar conselhos ou compartilhar truques de pintura, além de ser muito bom com as palavras.

─── Não se preocupe em ser perfeito, ── o Yang me disse um dia, enquanto ajustava uma tela ─── a beleza está nos erros e em aprender com eles.

E então havia Woonhak, o mais novo do grupo, mas com um talento natural que deixava todo mundo de boca aberta. Ele tinha uma habilidade especial para criar desenhos detalhados, algo que me fez admirar sua dedicação.

─── Mano, eu só sigo o fluxo. ── o outro Kim me respondeu dando de ombros quando perguntei como ele fazia a pintura parecer ser a coisa mais simples do mundo.

Com o tempo, me senti mais à vontade ao lado deles e isso também me aproximou de Dongmin. Nossa amizade começou a se fortalecer e eu comecei a entender melhor o motivo dele tanto gostar do clube de arte. Era um lugar onde Taesan podia ser ele mesmo, longe das expectativas que mantinham sobre ele como um dos alunos mais populares da escola.

Uma tarde, enquanto todos estávamos concentrados em nossos projetos, o Han se aproximou de mim com um sorriso gentil.

─── Leehan, você já experimentou pintar com aquarela?

─── Não, nunca. ── admiti, olhando para a paleta de cores que ele segurava.

─── Então é a hora de tentar. Vou te mostrar como funciona. ── ele se sentou ao meu lado, pegando um pincel e misturando as cores com uma habilidade que eu ainda estava longe de ter ─── A aquarela é criada em camadas, você começa com algo leve e constrói aos poucos. Não tenha medo de errar.

Segui as instruções dele, tentando imitar seus movimentos. Parecia complicado, mas de alguma forma, também era satisfatório. O fato de Taesan estar tão perto guiando minha mão, fazia tudo ficar mais fácil.

─── Você é bom nisso! ── ele comentou orgulhoso, observando meu progresso.

─── Eu tô tentando, mas ainda sinto que não tô fazendo direito. ── falei na intenção de disfarçar o quanto sua proximidade me afetava.

─── Isso é normal. Eu também me sentia assim no começo, mas com o tempo você aprende a confiar mais em si mesmo.

Enquanto isso, Riwoo, que estava ao nosso lado, não pôde deixar de provocar.

─── Olha só, dando aulas particulares? Cuidado, Leehan, ouvi rumores de que umas alunas ficaram caidinhas quando o Taesanie deu dicas desse jeito. ── o baixinho piscou para mim e todos no grupo caíram na risada.

─── Se você tá com ciúmes, posso te dar umas
dicas também. ── Dongmin respondeu com um sorriso, o que fez Riwoo levantar as mãos em rendição.

─── Nah, tô de boa. Vou deixar o Leehan se divertir com o mestre aí.

Eu ri junto com eles, sentindo o peso da tensão dos últimos dias se dissipar um pouco. Estar com eles, rir e aprender, era uma experiência nova e revigorante. No entanto, havia uma coisa que eu não podia ignorar. Chaeryeong continuava me observando de longe, sempre com aquela expressão indecifrável. Eu sabia que precisava falar com ela, resolver de vez aquele mal-entendido, mas a cada dia que passava parecia mais difícil. Algo dentro de mim estava mudando, e eu não sabia se estava pronto para confrontar isso.

Foi durante uma das sessões do clube que finalmente decidi tomar uma atitude. Depois que todos foram embora, me aproximei de Dongmin, que ainda estava guardando suas coisas.

─── Taesanie, posso falar com você? ── perguntei, tentando manter a voz firme.

─── Claro. O que foi?

─── É sobre a Chaeryeong e sobre tudo o que aconteceu com a borracha. Sinto que a gente nunca resolveu isso de verdade.

Ele parou o que estava fazendo e olhou diretamente para mim, como se estivesse tentando ler meus pensamentos.

─── Pensei que a gente já tinha superado isso, não precisa se preocupar.

─── Mas eu me preocupo. ── insisti, sentindo meu coração bater mais rápido ─── Eu sei que te confundi, também confundi a Chaeryeong e talvez até eu mesmo esteja confuso.

Dongmin ficou em silêncio por um momento, seus olhos escaneando meu rosto como se estivesse tentando decifrar algo. Finalmente, ele deu um leve suspiro e respondeu.

─── Eu sei. Mas mesmo que tenha sido um mal-entendido, isso não muda o fato de que estamos envolvidos nisso agora, né?

A honestidade nas palavras dele fez com que eu me sentisse ainda mais culpado. Parte de mim queria desesperadamente negar tudo e voltar pra minha vida normal, mas outra parte, parte que comecei a perceber que existia, não queria isso.

Eu não sabia o que pensar do Taesan, mas sabia que de alguma forma, aquele garoto tinha se tornado importante pra mim.

─── Só quero que as coisas voltem a ser como antes. ── disse sem muita convicção.

Eu sabia que as coisas já tinham mudado, mas queria continuar insistindo que voltariam ao comum.

─── Já pensou que isso pode ter sido o destino? ── Taesan deu um sorriso sem graça ─── Sabe, o fato de ter sido você quem derrubou a borracha e não a Chaeryeong. Acha que é só coincidência?

As palavras de Taesan ficaram na minha mente durante todo o resto do dia. Não consegui me concentrar nas aulas, minha cabeça sempre voltava para a conversa que tivemos. Seria possível que talvez, só talvez, eu estivesse começando a gostar de Dongmin?

Eu? Gostando de outro cara? Era uma ideia que nunca havia considerado antes, mas que agora parecia cada vez mais presente em meus pensamentos.

No final do dia, quando estava pronto pra ir embora, vi Chaeryeong conversando com um garoto da nossa classe de forma bastante amigável, o que foi um choque de realidade. Senti um aperto no peito junto com uma mistura de inveja e tristeza, sempre gostei da Lee, mas agora eu me via cada vez mais envolvido em uma confusão com Taesan e sem tempo pra investir nela como realmente queria.

Ao chegar em casa, me joguei na cama, olhando para o teto. A voz de Dongmin ecoava em minha mente.

─── Acha que foi só coincidência?

Suspirei, sabendo que precisaria de tempo para entender meus sentimentos. Nada parecia simples e eu não sabia o que o futuro reservava, mas minha vida se enrolava cada vez mais nesse emaranhado todo.

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