🌹_Lost; Little; Lonely_少し寂しい_🌹

Adrien, como sempre, se encontrava na floricultura.

Mesmo que o trabalho não rendesse muito ele apreciava estar lá, era um lugar aconchegante, organizado e calmo, a maioria das pessoas que iam até ela eram gentis e possuíam uma personalidade tranquila. A cada segundo que passava ali, pegava mais gosto pelas flores, poderia passar o dia ali, sentindo aqueles encantadores perfumes.

Ria ao pensar em um homem de vinte e dois anos, com aparência de vinte e sete, ombros largos e corpo robusto, apaixonado por flores. Era irônico o destino não? Se isto ocorresse a alguns anos atrás ele simplesmente queimaria tudo...

- Adrien querido - Sabine o chamou - Venha aqui um instante - Ele sorriu para a moça quem atendia e se afastou indo em direção a mulher - Sei que é muito abuso, mas gostaria de saber se poderia me fazer um favor.

- É claro que não é abuso Sabine, sabe que pode me pedir qualquer coisa - A mulher sorriu docemente.

- O que faria sem você Adrien?

- Com certeza continuaria se saindo muito bem - Os dois riram.

- Minha filha chegará dos Estados Unidos em algumas horas, e queria fazer uma surpresa a ela - Ele assentiu - Mas não posso fechar a loja agora, ainda mais com esse movimento todo, então gostaria de saber...

- Se eu posso tomar conta da loja? - Ele complementou e a senhora assentiu - Claro que sim! - Pegou a bolsa dela que estava em cima do balcão e a empurrou até a porta - Pode ir Sra. Cheng, deixe tudo comigo!

- Obrigado querido - Ela riu com a empolgação do rapaz - Aliás, não quer jantar em casa amanhã? Queria muito que conhecesse minha filha, ela é uma pessoa peculiar - A senhora riu - Vai gostar dela.

- Com todo o prazer! - Ele se despediu e a viu sair pela porta.

Estava empolgado para conhecer a filha de Sabine, ela era uma mulher tão bondosa e gentil, mesmo sabendo de todos os seus problemas do passado ela o aceitara sem nem sequer pensar. Com certeza sua filha seria tão doce quanto ela. O sino da porta lembrou a ele que ainda tinha muito trabalho pela frente, sorriu indo em direção aos clientes.

Depois de longas horas de atendimento finalmente poderia fechar a loja, andou em direção a porta de vidro, estava prestes a trancá-la quando algo lhe chamou atenção. Uma garota, da qual ele não conseguia descrever a aparência por estar longe e de costas, parecia discutir com duas crianças, um menino ruivo e outro moreno. Decidiu, por influência da curiosidade, se aproximar a fim de saber do que se tratava a discussão, já a poucos passos de alcança-los ele se surpreendeu quando ela dera um cascudo na cabeça os garotos que estavam prestes a chorar, Adrien não aguentou.

- Com licença! - Correu rapidamente até eles - O que houve? Por que está os machucando?

- Isso não tem nada haver com você, vaza garoto! - Uma voz doce ressoou em sua mente em um tom agressivo. Devia estar com raiva por ter sido respondido daquela grossa maneira, mas parecia estar mais preocupado em admirar o belo som que ela ecoou.

- Bom - Se recompôs - Não acho que eles estão gostando de serem tratados assim - Apontou para os meninos que correram em direção a ele se escondendo em suas costas.

- Senhor por favor nos ajude! Essa velha louca começou a gritar com a gente e nos bater!

- Quem tá chamando de velha seu fedelho?! - Em resposta ela recebeu um mostrar de língua dos dois, que não foi visto por estar ainda de costas.

- Quer dizer que é uma senhora então? - Perguntou o loiro confuso - Enfim, crianças por que não vão para casa? - Os pequenos assentiram e saíram correndo.

- Senhora? - Ela chamou sua atenção - Acha que tá falando com quem seu idiota?! - Adrien assustou-se quando ela de repente se aproximou e puxou a barra de seu avental de trabalho, do qual havia esquecido de tirar, fazendo-o se inclinar para baixo a fim de ficar em sua altura - Olha bem pra minha cara, por acaso já viu uma velha ter vinte anos?! - Ele congelou. Era impossível não abismar-se com tamanha beleza.

Agora com a moça o encarando frente a frente, via perfeitamente seus traços. Com certeza era pequena para uma mulher, por isso julgou que seria uma senhora, mas ela não era nem um pouco velha, na verdade poderia com certeza dizer que ela transbordava juventude. O cabelo curto, escuro com uma luminosidade azul combinavam perfeitamente com os olhos raivosos e brilhantemente azuis que o fuzilavam. E mesmo usando um moletom preto grande e calças extremamente folgadas, Adrien percebeu que ela possuía curvas delicadas e generosas.

- Agora vai ficar calado?! - Ele piscou algumas vezes - Oras faça-me o favor! - Ela o soltou e começou a andar - Primeiro se mete nos assuntos dos outros e agora quer dar uma de santinho?! - Revirou os olhos - Tenho mais o que fazer!

- E-Espere! - Ele instintivamente segurou o braço dela, que achou fino e delicado - Me desculpe, eu não sabia o que realmente estava acontecendo... - A azulada demonstrou recuperar um pouco da calma - Mas se puder me explicar o que aconteceu, posso talvez ver se estava errada ou - Ela puxou o braço do alcance do loiro.

- É sério isso?! Você talvez possa julgar que estava certa?!

- Não foi isso - O loiro foi cortado por ela novamente.

- E se eu simplesmente quisesse aliviar o estresse naqueles pirralhos?! - Adrien adquiriu uma expressão irritada - Agora pode me deixar em paz?!

- Acha que é certo descontar em crianças sua raiva?

- Foda-se o que é certo - Ele se assustou - Tenho mais o que fazer do que ficar aqui discutindo com você, Sr. Certinho - Antes que a mulher pudesse dar mais um passo ele a deteu - Mas que merda! Você é chato cara!

- Não posso permitir que continue a fazer essas coisas, esse tipo de comportamento é -

- Mari? - Adrien ouviu uma grave voz - O que está acontecendo? - Ele se virou para encarar o homem. Um rapaz alto, mais ou menos da sua altura, de cabelos escuros com pontas azuis e olhos na mesma cor. Algumas tatuagens eram visíveis por seu corpo, e o que Adrien achou mais repugnante, ele fumava enquanto segurava uma lata de cerveja - Ei cara, tira a mão dela - Segurou o pulso da azulada e a puxou para perto de si - Mari, ele tava te incomodando? - Encarou o loiro furiosamente.

- Não, deixa pra lá Luka - Ela segurou a mão do moreno - Vamos logo, o pessoal tá esperando a gente - E logo depois de pronunciar essas palavras, ela simplesmente saiu andando com o homem.

- Devia ter adivinhado - Suspirou - Esse tipo de pessoa é sempre assim - Voltou para a loja - Se bem que não posso dar lição de moral - Sorriu frio - Afinal, somos farinha do mesmo saco...

Tratou de fechar tudo e arrumar suas coisas, e assim que terminou pegou sua moto verde e traçou o caminho para o apartamento.

Abriu a porta e foi recebido com um caloroso abraço e mãos pequeninas.

- Bem vindo de volta irmão! - O pequeno menino de cabelos claros sorria para ele, que instantaneamente retribuiu.

- Estou de volta, Félix - Ele afastou - Então, o que quer para o jantar? - O pequeno correu até a cozinha com os braços abertos, como se fosse um avião.

- Humm - Ele parou e sentou em uma cadeira - Torta de morango! - Adrien riu.

- Sabe que não sei fazer doces - O pequeno inflou as bochechas - Vamos, outra coisa.

- Frango frito!

- Esse faço com prazer! - O loiro foi até a cozinha e começou os preparativos para o jantar - Então, como foi seu dia hoje?

- Foi incrível! - Ele parecia animado - Sabe, depois da escola eu fui até a praça perto do seu trabalho, alguns meninos começaram a caçoar de mim - Por alguns segundos ele ficou triste - Mas isso não foi nada! Por que conheci um super-herói! - Félix gritou.

- Mesmo?

- Sim! Ela me ajudou! Espantou os meninos! Foi muito legal, ela é muito maneira! - Adrien ria com a empolgação do irmão menor enquanto arrumava a mesa - Ela era tão bonita...

- Quer dizer que era uma menina? - O menino assentiu - Quando a encontrar novamente não esqueça de agradecê-la tudo bem?

- Claro! Sabe, hoje ela me prometeu que estaria no mesmo lugar e me daria um presente! Minha flor favorita!

- Félix, o que acha de começar a fazer karatê? - Ele tombou a cabeça para o lado confuso enquanto Adrien servia a ele o frango - Sabe, você já tem dez anos, já está na hora de aprender a se defender sozinho, ainda mais um menino fraco e magro como você - O loiro riu com a expressão irritada do menor.

- Fraco é você! Não preciso de força física pra ser forte! Sou inteligente - Ele caçoou - Diferente de você, aliás - Provou a comida - Queimou o frango de novo.

- Seu pirralho - Ele andou lentamente até o irmão - É melhor você correr - O garoto levantou e começou a correr pela casa - Se eu te pegar nunca mais vou fazer frango!

- NÃOOOO! - Gritou - Desculpe! Foi brincadeira! Mas o frango queimou mesmo...

- Seu...

- Socorro!!! Meu irmão idiota quer me matar de cócegas! - De repente Adrien parou de correr, ao ouvir a palavra idiota um breve flash de memória passeou por sua mente. Os intensos olhos azuis irritados, o cabelo sedoso... Balançou a cabeça negativamente e voltou a correr atrás de seu irmão.

De manhã tratou de deixar Félix na escola e correu até a floricultura, prometera a Sabine que tomaria conta da loja novamente já que ela não se sentia bem, todavia ele estava atrasado e por culpa de uma certa mulher baixinha que não o deixara dormir. Bom, pelo menos sabia que não a encontraria mais, não tinha certeza se sentia-se aliviado ou desapontado. Suspirou.

Quando estacionou a moto e virou a esquina da loja ele arregalou os olhos, ela estava lá. Encostada na porta de vidro com os braços cruzados. Diferente do dia anterior, a azulada vestia roupas mais leves, uma jardineira curta e rosa e uma simples blusa preta de manga, o cabelo preso em uma fita vermelha combinava perfeitamente com seu batom escuro, e as sapatilhas da cor da camisa realçavam-na, parecia ainda mais encantadora.

- E aí idiota? - Ela descruzou os braços e sorriu - Como vai?

- O que faz aqui? - Perguntou confuso se aproximando.

- Pra ver você que não foi - Ele sentiu uma estranha pontada no peito - Por que acha que as pessoas vem a floricultura? - Ele apressou-se para abrir a porta - Finalmente.

- Poderia me dizer seu nome? - Notou algo que antes não era visível, uma colorida e grande tatuagem de flores. A arte era detalhada e bonita, parecia que as flores estampadas realmente tinham vida.

- Por que eu, uma velha batedora de crianças faria isso? - Ele respirou fundo.

- Olhe, sei que começamos com o pé esquerdo.

- Tá mais pra perna inteira - Ele suspirou frustrado e tratou de colocar o avental amarelo que se encontrava pendurado ao lado do balcão do caixa.

- Que tal tentarmos - Ela o cortou.

- Ser amigos? Sinto muito mas não preciso - Ele suspirou colocando o avental amarelo - Marinette - Ele virou-se para ela e foi pego de surpresa com um sorriso doce - Então ela ainda usa esse avental - Soltou uma meiga risada.

- Perdão, do que fala?

- A-Ah, nada... - Marinette constrangiu-se e Adrien sorriu ao ver suas bochechas esbranquiçadas adquirirem um tom ruborizado.

- Então, o que a senhorita deseja? - O loiro fez uma reverência desajeitada, arrancando um sorriso dos lábios vermelhos da jovem - Nós da floricultura Cheng temos orgulho em dizer que possuímos todas as flores do mundo.

- Bem Sr. Mordomo - Ele respirou aliviado ao finalmente conseguir quebrar o clima ruim entre eles, e ficou ainda mais impressionado pelo fato de ela ter entrado na boba brincadeira - Esta simples dama gostaria de um pequeno buquê de hortênsias azuis, por favor.

- Mas é claro senhorita - O rapaz aproximou-se da estante onde as hortênsias de diversas cores se encontravam - Quantas madame? - Ela riu novamente.

- Quatro - Adrien deixou que seus olhos a acompanhassem enquanto apanhava as flores e as envolvia em um belo papel colorido.

- Vejo que agora já tem jade vine - Passeava os dedos pelas pétalas - Nossa! Até silence tomentosas! Lotus berthelotii, chegaram também orquídeas azuis, que lindas... - De certo que ele se impressionara com o vasto conhecimento que ela tinha sobre as plantas. Os clientes que vinham a loja quase sempre desconheciam flores normais, e ela sabia até os nomes das mais raras regiões do mundo! Adrien precisou estudar meses para aprender o nome de todas - Por acaso as rosas arco-íris já chegaram?

- Ainda não, Sabine - Ele parou e corrigiu a fala - A dona da loja me disse que o novo carregamento chegará em duas semanas - Ela pareceu cabisbaixa.

- Entendo... - Andou até o loiro, que se encontrava atrás do balcão - Aliás, não me disse seu nome Sr. Mordomo - Ele riu.

- Adrien.

- Adrien, quanto lhe devo? - Apontou para o buquê.

- Fica por conta da casa - Ela franziu o cenho - Considere um pedido de desculpas pelo ocorrido.

- Se você diz - Ela sorriu - Mas sabe, isso não é bom pros negócios, se fizer isso cada vez que fizer alguma burrada a floricultura vai falir - Ele inflou as bochechas formando um adorável bico.

- Já lhe pedi desculpas.

- Não lembro de ter ouvido nada.

- Desculpe... - Marinette não resistiu, ela teve de se aproximar e apertar aquelas bochechas vermelhas, mesmo que para isso tivesse de ter ficado na ponta dos pés. Os polegares acariciaram-no gentilmente - E-Errr... - Ele com certeza devia estar parecendo um tomate, sentia o rosto extremamente quente - M-Marinette? - Ela pareceu acordar e se afastou envergonhada.

- Foi mal aí - Coçou a cabeça sem graça - É que você me lembra muito alguém que conheci ontem e - Ela parou e olhou para o relógio - Puta que pariu! - Adrien devia se acostumar com o palavreado dela logo, pelo menos assim não tomaria um susto a cada vez que ela falasse algo daquele tipo - Tô atrasada!

- Aqui - Estendeu o buquê para ela.

- Ah, obrigado - Ela estendeu a mão em direção a ele.

Foram cinco segundos:

Um, os dedos se tocaram,

Dois, as mãos de tamanhos diferentes se encaixaram;

Três, o ar ficou quente;

Quatro, os olhos se encontraram;

Cinco, os corações dispararam;

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