XVI.
"I'm a sad boy, you know better, please don't make this last forever", (Voices in My Head - Falling in Reverse).
A noite caiu como uma cortina espessa sobre a floresta, apagando as últimas faíscas douradas do horizonte. O silêncio era quase absoluto, quebrado apenas pelo som do rio fluindo preguiçosamente e pelo vento suave que balançava as copas das árvores. Dentro da cabana, o ambiente era iluminado pela fraca luz de uma lamparina a óleo, projetando sombras longas e oscilantes nas paredes de madeira.
Adam entrou carregando uma linha com quatro pequenos peixes pendurados, o brilho prateado das escamas refletindo a luz enquanto eles balançavam com cada passo. Ele colocou-os sobre a bancada, a expressão firme e focada, e começou a preparar o jantar.
Com movimentos precisos, ele pegou uma faca afiada e limpou os peixes um a um. A lâmina brilhava enquanto ele fazia cortes cuidadosos, retirando as entranhas com destreza e jogando-as em uma tigela ao lado. Cada gesto era metódico, quase mecânico, como se ele estivesse acostumado a esse tipo de tarefa, mas havia algo hipnótico na maneira como ele trabalhava. As escamas voavam enquanto ele raspava os peixes com a faca, produzindo um som rítmico que preenchia a cabana.
Depois de limpá-los, ele os enxaguou rapidamente em uma bacia com água que tinha trazido do rio, as mãos grandes, mas hábeis, manuseando os corpos delicados dos peixes com cuidado. Ele secou-os com um pano, adicionou um pouco de sal e temperos improvisados das provisões deixadas por Clarence e começou a preparar uma panela no fogão a lenha.
Enquanto o cheiro de madeira queimada começava a preencher o ar, ele cortou alguns vegetais — batatas, cenouras e cebolas — e os colocou ao lado dos peixes, criando uma mistura simples, mas reconfortante. O estalar da lenha no fogo e o aroma da comida cozinhando lentamente transformaram a atmosfera da cabana em algo quase acolhedor.
Dixie, que estava sentada na cama observando-o em silêncio, se levantou. Seus pés descalços tocaram o chão frio enquanto ela caminhava até ele. Adam não se moveu quando ela se aproximou, mas seus ombros estavam tensos, como se carregassem um peso invisível.
Ela levantou a mão e tocou o ombro dele, seus dedos leves encontrando o tecido áspero da camisa. Sem dizer nada, inclinou-se e beijou o lugar, um gesto tão suave quanto inesperado. Ele parou, a faca ainda na mão, e soltou um suspiro pesado, como se aquele pequeno gesto tivesse quebrado algo dentro dele.
— Você está preocupado com Clarence? — Dixie perguntou, a voz baixa e hesitante, mas cheia de sinceridade.
Adam permaneceu em silêncio por um momento, o olhar fixo no fogo que começava a consumir a madeira.
— Clarence... — Ele finalmente murmurou, sua voz grave e carregada de algo que ela não conseguia identificar completamente. — Ele foi o mais próximo de um pai que eu tive depois que perdi o meu.
Dixie inclinou a cabeça, tentando encontrar os olhos dele, mas ele evitou seu olhar, concentrando-se na panela.
— O homem da foto no seu quarto? — Ela perguntou suavemente.
Adam assentiu, o movimento quase imperceptível.
— Ele morreu alguns meses depois daquele jogo de beisebol. — Sua voz estava baixa, e cada palavra parecia pesar mais que a anterior. — Minha mãe... ela não conseguiu lidar. Afundou na dor, nas dívidas... Tentou consertar tudo com álcool.
Dixie apertou suavemente o ombro dele, incentivando-o a continuar.
— O resto você já sabe. — Ele concluiu, soltando um suspiro profundo.
O silêncio que se seguiu foi carregado de significados. Dixie deslizou a mão pelo braço dele, como se tentasse transmitir alguma forma de conforto através do toque.
— Ele teria orgulho de você. — Ela sussurrou, a voz quase falhando.
Adam finalmente a encarou, os olhos azuis fixos nela com uma intensidade que fazia o ar entre eles parecer eletrificado.
— Ele não teria. — A voz dele era firme, mas havia algo quebrado nela. — Mas você... talvez você tenha um pouco de fé em mim.
Dixie sentiu um nó apertar em sua garganta, mas antes que pudesse responder, o som do fogo estalando e o aroma da comida trouxeram ambos de volta ao momento. Adam afastou o olhar primeiro, voltando-se para mexer na panela.
— Está quase pronto. — Ele disse, a voz voltando ao tom neutro.
Dixie não respondeu, mas permaneceu ao lado dele, o calor do fogo e a presença dele a ancorando no presente, mesmo que o passado ainda pairasse entre os dois como um fantasma.
A cabana parecia ainda mais pequena sob a luz suave do fogo, as sombras oscilando nas paredes de madeira enquanto Adam se movia pelo espaço com uma presença que dominava o ambiente. Ele abriu uma pequena caixinha sobre o balcão, repleta de comprimidos e remédios organizados de maneira quase obsessiva, e pegou um comprimido branco com os dedos, voltando-se para Dixie.
Ela estava sentada à mesa improvisada, o corpo curvado levemente para frente enquanto descansava o braço bom sobre a superfície de madeira desgastada. Quando ele se aproximou, os olhos dela o seguiram, curiosos, mas cautelosos.
— Como está o ombro? — Ele perguntou, a voz grave e direta. — Precisamos refazer as ataduras. Tome.
Adam ergueu a mão, os dedos firmes segurando o comprimido. Em vez de colocá-lo na mesa ou entregar para ela, levou-o diretamente até os lábios de Dixie. Ela o olhou por um momento, mas cedeu àquilo como se fosse natural, abrindo a boca e acomodando os dedos dele em seus lábios de maneira quase automática.
Um sorriso discreto, mas cheio de orgulho, curvou os lábios dele.
— Você não se cansa de ser tão obediente, não é? — Ele provocou, a voz carregada de uma arrogância que fazia o sangue dela ferver e a pele arder.
Dixie revirou os olhos, mas engoliu o comprimido de uma só vez, os lábios ainda formigando pela pressão dos dedos dele.
— O que é isso? — Perguntou, a testa franzindo em desconfiança, mas algo na voz dela ainda carregava um tom de desafio.
Adam cruzou os braços, observando-a com um olhar que parecia penetrar a alma.
— Você tomou algo que eu te dei sem saber o que era? Confia tanto assim em mim?
Dixie bufou, balançando a cabeça enquanto o encarava com uma mistura de exasperação e descrença.
— Sério, Adam. O que é?
— Antibiótico e anti-inflamatório. — Ele respondeu casualmente, inclinando-se ligeiramente para inspecionar as ataduras no ombro dela. — Você passou por uma... cirurgia e tanto.
A palavra pairou no ar, pesada e significativa.
— Cirurgia? — Dixie repetiu, os olhos arregalando ligeiramente enquanto a mão boa subia instintivamente para tocar as bandagens.
Adam suspirou, cruzando a cabana novamente e pegando uma lanterna de um dos cantos. Ele a ligou com um clique, a luz forte cortando a escuridão enquanto ele voltava para ela.
— Tem algo que preciso te mostrar.
O tom dele era baixo, quase sombrio, e os olhos azuis estavam sombrios de uma forma que fez o coração dela bater mais rápido. Algo naquele momento dizia que o que ele tinha para mostrar não era apenas sobre o ferimento. Era algo mais profundo, algo que mudaria tudo.
O ambiente parecia encolher ao redor deles, as sombras oscilando nas paredes da cabana enquanto a tensão crescia. Adam começou a desabotoar a camisa de flanela, cada movimento lento, mas deliberado, como se quisesse prolongar o inevitável. Dixie observava em silêncio, seus olhos fixos nele, mas um nó se formava em sua garganta. O tecido deslizou por seus ombros largos, revelando o tronco coberto de cicatrizes que ela já conhecia — cada uma uma história de dor, resistência, e violência.
Mas o que chamou sua atenção foi a bandagem grossa que cobria o ombro esquerdo dele, manchada de um vermelho escuro.
— Adam... o que é isso? — Ela perguntou, a voz baixa, quase trêmula.
Ele não respondeu, inclinando-se sobre ela, os dedos ásperos trabalhando nas ataduras que protegiam seu próprio ombro ferido. Dixie sentiu a tensão em cada toque, a pressão suave, mas firme, enquanto ele expunha o local que carregava a lembrança do tiro.
Quando a última camada foi removida, a respiração dela falhou.
O ferimento não era o que ela esperava. Onde deveria haver um buraco irregular da bala, havia um pedaço de pele costurado, a carne cor de vinho contrastando com sua pele mais clara. As bordas do enxerto eram ásperas, as suturas grosseiras, ainda inflamadas e úmidas, com pequenos pontos de sangue vazando. Dixie sentiu o pânico tomar conta de si, os olhos arregalados enquanto o cérebro tentava processar a visão grotesca à sua frente.
— O que é isso?! — Ela gritou, a voz aguda quebrando o silêncio.
Adam permaneceu calmo, mas os olhos azuis estavam pesados, como se carregassem o peso do mundo. Ele começou a desatar as próprias bandagens, os movimentos metódicos, sem pressa.
— Eu vou te mostrar.
Dixie mal conseguia respirar, o pânico queimando dentro dela enquanto ele removia o curativo ensanguentado. Assim que ele puxou o último pedaço de gaze, o que estava escondido por baixo fez seu estômago revirar.
O ombro de Adam parecia ter sido esculpido com brutalidade. A carne estava irregular, um pedaço claramente ausente, como se tivesse sido arrancado com uma faca. As bordas do ferimento eram rugosas, um mosaico de carne viva e pontos precariamente alinhados. Sangue seco se misturava a manchas mais frescas, e o cheiro metálico era nauseante.
— Você... — Dixie murmurou, sua voz quase inaudível. Ela olhou para o próprio ombro e depois para o dele, o pânico crescendo como uma maré. — Por quê?
Adam encontrou os olhos dela, a intensidade de seu olhar segurando-a no lugar.
— Por que eu não tiraria mais um pedaço de mim mesmo?
As palavras dele perfuraram o silêncio, pesadas como chumbo. Dixie sentiu o ar faltar em seus pulmões, como se o peso daquela revelação a esmagasse.
— Pra quem já foi retalhado por um urso, o que é tirar mais uma lasca? Mais uma cicatriz?
— Não... — Dixie balançou a cabeça, lágrimas brotando em seus olhos. — Você não devia ter feito isso por mim. Eu causei todas as suas cicatrizes, Adam. Eu... fui a criadora do seu sofrimento.
Adam se ajoelhou na frente dela, os olhos gélidos fixos nos dela, mas havia algo mais lá — algo mais quente, mais humano.
— E vinte anos depois, você curou todas elas. Cada mácula. — Ele ergueu uma das mãos, pousando-a com cuidado no joelho dela, os dedos firmes, mas gentis. — Eu precisava fazer isso.
Dixie hesitou, mas sua mão tremeu enquanto tocava ao redor do ferimento grotesco no ombro dele. Sua pele estava quente sob seus dedos, e Adam se encolheu levemente ao toque, mas não recuou.
— Nunca mais faça isso. — A voz dela quebrou no meio da frase, os olhos marejados enquanto ela o encarava. — Nunca mais se machuque por mim.
Adam segurou o rosto dela entre as mãos, a pressão quase dolorosa, mas reconfortante.
— Eu já matei por você, Dixie. — Ele falou, a voz grave e rouca, as palavras cortando como facas. — E eu morreria por você.
A confissão pairou entre eles como uma sentença, e por um instante, o mundo se reduziu ao som de suas respirações, os corpos tão próximos que ela podia sentir o calor dele se fundindo ao dela.
Adam a encarava com uma intensidade que fazia Dixie perder o fôlego. Seus olhos de gelo, tão duros e impenetráveis antes, estavam agora cheios de algo diferente, algo mais humano, mais vulnerável. Sua respiração era pesada, os lábios entreabertos como se ele estivesse lutando para manter o controle.
Dixie levantou a mão boa e a colocou no rosto dele, os dedos acariciando as cicatrizes que marcavam sua pele. O gesto parecia quebrá-lo. Ele inclinou a cabeça, pressionando o rosto contra a palma dela, como se estivesse buscando refúgio.
— Adam... — Dixie sussurrou, a voz trêmula.
Foi o suficiente.
Ele a puxou com uma urgência crua, seus lábios encontrando os dela em um beijo que não tinha nada de contido ou planejado. Era desesperado, intenso, como se o tempo estivesse prestes a acabar e aquele momento fosse tudo o que eles tinham. A boca de Adam era quente, os movimentos exigentes, mas dessa vez não havia dominação, apenas uma entrega mútua.
Dixie respondeu com a mesma fome, os braços se enlaçando ao redor do pescoço dele enquanto ele a segurava pela cintura, levantando-a ligeiramente. Eles tropeçaram em direção à cama, os corpos colidindo com uma paixão que deixava a mente dela completamente vazia.
Adam a deitou na cama com cuidado, mas não parou de beijá-la, suas mãos deslizando por suas costelas, a pressão suficiente para deixá-la arrepiada. Dixie o puxou mais para perto, como se precisasse senti-lo em cada centímetro de seu corpo.
O cheiro de peixe começava a se espalhar pela cabana, uma lembrança distante e quase cômica em meio àquele momento caótico. Dixie abriu os olhos por um instante e riu contra os lábios dele.
— Você vai queimar a comida.
Adam se afastou ligeiramente, apenas o suficiente para encontrar os olhos dela.
— Que se foda a comida. — Ele disse, a voz rouca e carregada de desejo. — Que a cabana inteira pegue fogo. Eu só quero você.
Ela sorriu, os dedos deslizando pelos cabelos dele, bagunçando ainda mais as mechas escuras.
— Você já me tem. Pra sempre. — Dixie sussurrou, o olhar suave, mas firme. — Agora levanta e vai ver o peixe.
Adam fechou os olhos, soltando um gemido frustrado enquanto se inclinava para encostar a testa na dela.
— Argh, eu te odeio.
— Eu sei.
Ela riu baixinho, os dedos ainda brincando com os cabelos dele, e ele finalmente suspirou, relutante, mas se afastando para se levantar.
Enquanto ele caminhava em direção ao fogão, murmurando algo inaudível, Dixie o observou, o coração ainda acelerado. Ela sabia que o que sentiam era perigoso, mas naquele momento, enquanto o cheiro de comida queimando invadia o ar, não havia espaço para arrependimentos.
A luz da lamparina tremeluzia, lançando sombras móveis nas paredes de madeira da cabana. O cheiro do peixe grelhado ainda pairava no ar, misturado ao aroma defumado do fogão a lenha. Dixie mordeu um pedaço pequeno de peixe, saboreando o gosto simples, mas reconfortante. Ela olhou para Adam, que estava sentado à sua frente, os cotovelos apoiados na mesa enquanto encarava o prato com uma expressão distante.
— Não parece que estamos casados? — Dixie perguntou, um sorriso brincando em seus lábios, o tom de voz leve, quase provocador.
Adam levantou os olhos para ela, as sobrancelhas arqueadas em uma expressão de ceticismo.
— Como se você fosse morar num lugar assim.
Ela riu baixinho, mastigando mais um pedaço de peixe antes de continuar:
— Eu já fantasiei sobre isso? É claro que não. Você não vê uma menina brincando de bonecas e sonhando em morar numa cabana de pesca no meio do nada. Mas... eu gosto.
O canto dos lábios de Adam se ergueu em um sorriso irônico, mas ele não respondeu. Ele pegou seu garfo e mexeu no peixe em seu prato, como se estivesse ponderando algo que não conseguia colocar em palavras.
— É, nem parece que tem um bando de policiais pela mata tentando encontrar a gente. — Ele finalmente murmurou, o sarcasmo pontuando cada palavra.
Dixie o observou por um momento, a expressão suavizando.
— Você acha que estamos a salvo aqui? — Ela perguntou, a seriedade tingindo sua voz.
Adam permaneceu em silêncio, os olhos azuis fixos no peixe em seu prato. O silêncio se arrastou por um momento longo demais, e Dixie sentiu o peito apertar com a ausência de uma resposta.
— Adam...
Ele ergueu o olhar lentamente, a expressão sombria e carregada de algo que a fez se encolher internamente.
— Dixie, enquanto estiver comigo, você não está a salvo em nenhum lugar.
As palavras pairaram no ar como uma sentença, a gravidade delas afundando em sua pele. Dixie abriu a boca para protestar, mas ele continuou, a voz mais baixa, mas tão cortante quanto uma lâmina.
— E se nunca pegarem a gente? Você ainda vai estar com um assassino em série. Todos os dias, o tempo inteiro. Parece seguro pra você?
— Você nunca me faria nada. — Ela afirmou, a confiança na própria voz surpreendendo até a si mesma.
Adam riu, um som seco e quase amargo que ecoou na cabana. Ele empurrou o prato para longe e se inclinou sobre a mesa, os olhos fixos nela como um predador prestes a atacar.
— Eu quero fazer, Dixie. — Ele disse, cada palavra pesada como chumbo. — O tempo todo.
Ela congelou, a respiração ficando presa na garganta enquanto ele continuava, a voz carregada de uma honestidade brutal que parecia cortar o ar entre eles.
— Eu sonho com isso. É esse tipo de pensamento que vem quando eu fecho os olhos e me desligo. Meu corpo, minha mente, tudo... — Ele bateu de leve na própria têmpora, como se estivesse tentando exorcizar os pensamentos. — Implora que eu te fatie como esse peixe no seu prato.
Dixie não desviou o olhar, mesmo quando um arrepio percorreu sua espinha. A intensidade de Adam era sufocante, mas ela não se afastou. O coração dela batia tão forte que parecia ecoar no silêncio da cabana.
— Mas você não faz. — Ela disse, a voz baixa, mas firme. — Porque você escolhe não fazer.
Adam respirou fundo, fechando os olhos por um momento. Quando os abriu, algo em seu olhar parecia despedaçado, dividido entre desejo e tormento.
— E é isso que me assusta. — Ele murmurou, o tom tão suave que parecia uma confissão. — Porque um dia, eu posso não escolher.
A noite era um cenário pintado à mão, salpicado de estrelas e o brilho tênue da lua. A cabana estava envolta em um silêncio reconfortante, mas dentro dela, Dixie se revirava sob os cobertores, a mente inquieta. O pequeno Elliot, aninhado acima de sua cabeça no travesseiro, soltava chiados suaves, como se em sonho.
Dixie suspirou, jogando os cobertores de lado. Não conseguia se acalmar. Adam não havia voltado para dormir e, embora fosse comum ele desaparecer pela noite, algo naquela ausência parecia mais pesado. Descalça, ela se levantou, o chão de madeira fria contra a planta dos pés, e caminhou até a porta da frente.
Ao abri-la, foi recebida por um espetáculo. Um mar de vagalumes flutuava entre as árvores, luzes pulsantes que pareciam seguir o ritmo das estrelas acima. O caminho até as margens do lago estava iluminado por aquela dança etérea. Dixie caminhou devagar, a brisa noturna acariciando sua pele, e então o viu.
Adam estava deitado na grama, o corpo relaxado de um jeito que parecia quase vulnerável, os olhos fixos no céu estrelado. A luz da lua iluminava o rosto dele, destacando as cicatrizes, mas também a serenidade incomum em sua expressão.
— Uma moeda pelos seus pensamentos. — Dixie quebrou o silêncio, a voz suave, mas curiosa.
Adam virou o rosto para ela, um sorriso leve brincando nos lábios. Ele bateu no espaço livre ao lado dele, um convite silencioso.
— Só estou pensando em Clarence. — Ele disse, quando ela se deitou ao lado dele, a cabeça repousando no braço bom. — Ele me trazia muito aqui, depois...
Dixie sabia o que ele não queria dizer. Sentiu a garganta apertar e completou, a voz falhando levemente:
— Depois do que eu te fiz.
Adam não confirmou, mas o silêncio disse tudo. Ele voltou os olhos para o céu, continuando em um tom pensativo.
— Clarence me pedia para olhar meu reflexo na água. — Ele disse, a voz baixa, mas carregada de memórias. — Eu não conseguia olhar para espelhos depois do ataque. Mas ele dizia que a água mostrava apenas a verdade. E, por algum motivo, quando eu encarava o lago... conseguia me ver antes. Antes de ser uma aberração deformada.
— Você não é uma aberração. — Dixie respondeu imediatamente, a voz firme, mas ele soltou uma risada seca, carregada de sarcasmo.
— Só deformado, né? — Ele disse, com um sorriso amargo.
Dixie rolou para o lado, ignorando a dor no ombro costurado que repuxava sob as bandagens. Apoiando a cabeça no braço bom, ela o encarou, o rosto dele iluminado pelo brilho das estrelas.
— Quer jogar um jogo? — Ela perguntou, tentando suavizar o peso do momento.
Adam arqueou uma sobrancelha, desconfiado, mas intrigado.
— Que tipo de jogo?
— A gente imagina como seria se você nunca tivesse... ficado amarrado na trilha.
Ele hesitou, um lampejo de dor cruzando seus olhos.
— Não sei se vou gostar desse jogo.
— Vai, dá uma chance.
Adam respirou fundo, os olhos se voltando para o céu novamente.
— Certo... Eu acho que teria me formado com boas notas, conseguido entrar pra uma boa universidade longe de Ely, e tido uma vida boa.
— No que você se formaria?
— Acredite ou não, eu queria ser professor de literatura. — Ele disse, a voz carregada de um sorriso quase nostálgico.
Dixie piscou, surpresa.
— Nossa, será que você teria me dado aula? Eu sempre quis fazer literatura.
Adam se virou ligeiramente, o olhar debochado e sedutor.
— Você precisa escolher suas fantasias, menina: ou é o cara mau com um bom coração, ou é o professor e a aluna.
Dixie explodiu em risadas, o som ecoando suavemente pela noite, tão leve quanto os vagalumes ao redor deles.
— Então você admite que tem um coração.
Ele a olhou, a intensidade em seus olhos quase palpável.
— Tenho. Quando estou com você. É só nesses momentos que me lembro.
O riso de Dixie diminuiu, e ela sussurrou com um brilho provocador nos olhos:
— Bom... Eu super daria em cima do meu professor de literatura.
Adam gargalhou alto dessa vez, rolando para o lado até ficar de frente para ela. Sua mão, marcada por cicatrizes, deslizou para o quadril dela, puxando-a para mais perto.
— Essa aluna safada ia atentar minha vida?
Dixie mordeu o lábio inferior, um gesto automático que fez o calor subir por todo o corpo de Adam. O olhar dele escureceu com algo primal, algo que fazia o ar ao redor parecer mais denso, mais carregado.
— Talvez. — Ela respondeu, a voz baixa e provocadora.
Adam inclinou a cabeça para ela, o sorriso perigoso nos lábios.
— Você é um perigo, menina.
— Eu sei. — Dixie sussurrou, os olhos fixos nos dele, como se desafiando-o a descobrir exatamente o quão perigosa ela poderia ser.
Ele rolou mais para perto, a mão subindo da cintura dela para traçar círculos lentos na pele exposta de suas costelas.
— Você não sabe no que está se metendo. — A voz dele era rouca, cheia de promessa.
Dixie riu baixinho, mas o som morreu nos lábios quando Adam inclinou-se, o rosto a apenas alguns centímetros do dela.
— E o que você faria comigo? — Ela sussurrou, a voz mal saindo enquanto o coração martelava contra o peito.
Adam inclinou a cabeça ligeiramente, os olhos azuis cravados nela com uma intensidade que a fazia esquecer de respirar.
— Eu faria você se arrepender de cada pensamento sujo que teve sobre o seu professor. — Ele murmurou, os lábios quase roçando os dela. — Eu faria você implorar para parar... e implorar para eu continuar ao mesmo tempo.
Dixie fechou os olhos por um momento, o calor entre eles quase tangível, o mundo ao redor desaparecendo em um borrão de desejo e tensão.
A grama sob eles era macia e úmida, e o cheiro da terra misturava-se com o perfume leve de Dixie, criando um ambiente intoxicante. Adam estava deitado, o corpo grande e firme relaxado contra o chão. Seus olhos azuis brilhavam com uma luz divertida e predatória enquanto observava cada movimento dela.
Mas foi quando Dixie, sem aviso, rolou por cima dele, assumindo o controle, que o jogo mudou.
Adam arqueou as sobrancelhas, o sorriso brincando nos lábios enquanto as mãos dele se moviam automaticamente para pousar na cintura dela. Ele segurava com firmeza, mas sem dominar, deixando-a no controle pela primeira vez.
—Isso é novo. — Ele murmurou, a voz grave e provocativa, a respiração pesada enquanto os olhos viajavam lentamente pelo corpo dela, agora em cima do seu.
— Você não é o único que pode brincar, Adam. — Dixie respondeu, inclinando-se para frente, a boca a milímetros da dele. — Achei que fosse justo experimentar o outro lado.
— Justo? — Ele repetiu, um riso rouco escapando, as mãos subindo lentamente pela curva da cintura dela. — Não começa algo que você não vai terminar.
— Não vou? — Ela desafiou, o rosto aproximando-se ainda mais, os lábios dela quase roçando os dele enquanto um sorriso travesso surgia em sua expressão. — Ou você que está com medo de perder o controle?
Adam soltou uma risada baixa, a cabeça recostando-se na grama por um breve momento antes de voltar o olhar para ela, agora cheio de fogo.
— Eu nunca perco o controle, Dixie. — Ele afirmou, os dedos pressionando de leve na cintura dela, como se estivesse se preparando para reivindicar o comando novamente.
— Veremos. — Dixie retrucou, movendo o quadril levemente, o gesto intencional e carregado de tensão, o suficiente para fazer a respiração dele engasgar momentaneamente.
Adam a encarou, surpreso com a ousadia dela, mas o sorriso que surgiu em seus lábios era carregado de aprovação, misturado com desejo.
— Você está brincando com fogo. — Ele avisou, o tom um pouco mais rouco agora, mas as mãos permaneciam onde estavam, apoiando-a, permitindo que ela continuasse.
— E se eu quiser me queimar? — Dixie respondeu, o olhar intenso enquanto inclinava-se ainda mais, até que os lábios dela roçaram o canto da boca dele, provocando.
Adam soltou um suspiro pesado, os dedos apertando ligeiramente a cintura dela, os olhos azuis agora brilhando com algo mais sombrio.
— Então, eu vou garantir que você sinta cada chama.
Dixie sorriu, um brilho vitorioso nos olhos, antes de finalmente pressionar os lábios contra os dele. O beijo era uma mistura de poder e rendição, ambos lutando pelo controle enquanto a tensão ao redor deles aumentava. As mãos dele deslizaram lentamente pelas costas dela, puxando-a mais para perto, e ela podia sentir o calor do corpo dele irradiando sob o dela.
— Ainda com medo de perder o controle? — Ela murmurou contra os lábios dele, mal contendo o sorriso enquanto ele a puxava para outro beijo, ainda mais intenso.
— Não, menina. — Adam respondeu, a voz grave e cheia de desejo. — Só estou esperando o momento em que você implore para que eu o pegue de volta.
Dixie sentiu o corpo de Adam tenso sob ela, a força e o controle que ele ainda mantinha, mesmo deixando-a experimentar o poder pela primeira vez. A sensação de estar tão perto dele, com suas mãos deslizando por sua pele, provocava um fogo dentro dela que ela não sabia se queria controlar ou se entregaria completamente. O ar entre eles estava carregado de eletricidade, uma dança de querer e resistir, como se cada movimento de um significasse uma rendição ao outro.
— Vai ser um longo jogo, Adam. — Ela murmurou, suas mãos escorregando até o peito dele, os dedos brincando com a linha de seu colarinho. Cada palavra que ela dizia parecia um convite a mais, uma provocação silenciosa.
Ele sorriu de volta, sem um traço de dúvida em seus olhos, apenas uma certeza de que aquela brincadeira ainda estava longe de terminar.
— Eu gosto de desafios. — Ele respondeu, a mão de repente se movendo rápido para segurar os pulsos dela, imobilizando-a por um momento antes de movê-la com uma força controlada. — E você não tem ideia do que é ser desafiada por mim, Dixie.
Dixie sentiu a respiração dele quente contra seu pescoço, os músculos tensos e prontos para se mover, para fazer com que ela perdesse completamente qualquer noção de controle. Mas, em vez de se submeter imediatamente, ela usou o momento para revidar, empurrando as mãos dele para fora do seu caminho e girando o corpo, voltando a ficar por cima dele, desafiadora.
— Eu não sou uma garota qualquer, Adam. Não sou tão fácil assim. — Ela respondeu com um sorriso feroz, seus olhos brilhando com a mesma intensidade que o dele.
Adam riu, um som rouco e cheio de malícia.
— E eu nunca disse que você era. Mas você vai aprender... eu nunca perco.
Adam sorriu contra os lábios de Dixie, aquele sorriso que sempre a desarmava — metade predador, metade homem rendido. Antes que ela pudesse reagir, ele deslizou as mãos pela curva da cintura dela, parando apenas para apertar os dedos contra sua pele em um toque possessivo.
— Então, você quer liderar, não é? — Ele murmurou, a voz baixa e rouca como um trovão distante. — Mostre-me o que sabe fazer, menina.
Dixie arqueou uma sobrancelha, sentindo a provocação em cada sílaba. O calor subia em ondas pelo corpo dela, um fogo alimentado pela expressão desafiadora nos olhos dele.
— Você não vai facilitar para mim, vai? — Ela retrucou, as palavras escapando como um sussurro contra a pele dele, enquanto seus dedos subiam pelo peito dele, traçando as cicatrizes que marcavam sua carne.
— E onde estaria a graça nisso? — Adam respondeu, inclinando-se levemente para frente, mas parando a um fio de distância, os olhos fixos nos dela.
Ela não respondeu, mas permitiu que as mãos descessem, explorando cada linha do abdômen marcado dele, sentindo os músculos tensos sob o toque. Adam deixou escapar um suspiro baixo, o som quase imperceptível, mas ela percebeu. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios enquanto ela se inclinava mais, pressionando os lábios no pescoço dele, onde a pulsação batia forte e rápida.
— Dixie... — Ele sussurrou, o tom grave agora tingido de urgência, as mãos apertando ainda mais a cintura dela, como se ele estivesse se segurando no limite de algo que estava prestes a desmoronar.
Ela ergueu o rosto, olhando para ele com um olhar que misturava inocência e desafio.
— Você disse para eu mostrar o que sei fazer. Estou só começando.
Adam inclinou-se para frente, sua respiração quente contra o pescoço de Dixie, fazendo-a arrepiar. Ele se movia devagar, mas cada toque parecia incendiá-la, a tensão entre eles crescendo a cada segundo. Ela ainda estava sobre ele, mas ele não estava mais passivo — as mãos dele deslizavam pela cintura dela, subindo lentamente pelas costelas, explorando a pele dela com uma reverência inesperada.
— Você é um problema, Dixie. — Ele murmurou contra a pele dela, a voz grave carregada de desejo. — Um problema que eu nunca vou querer resolver.
Ela riu baixinho, mas o som morreu na garganta quando ele a segurou pela nuca, puxando-a para um beijo que a fez esquecer de tudo. Não havia gentileza, apenas necessidade — os lábios dele tomavam os dela, a língua explorando, exigindo, enquanto suas mãos desciam novamente para apertar sua cintura com força, prendendo-a contra ele.
Dixie inclinou-se mais, seus próprios dedos traçando o contorno do peito dele, sentindo as cicatrizes, os músculos tensos, a vida pulsando sob sua pele. Era tão quente, tão real, que parecia quase impossível de conter.
— Você me deixa louco. — Adam disse, os lábios se movendo para o pescoço dela, a mordida suave o suficiente para provocar, mas firme o suficiente para deixá-la sem ar. — Eu deveria me segurar...
Adam sorriu contra a pele dela antes de se inclinar para beijá-la, desta vez com mais suavidade, mas sem perder a intensidade. Ele rolou os quadris contra os dela, e Dixie sentiu cada linha, cada contorno dele contra si, o calor irradiando entre os dois como uma chama impossível de apagar.
Ela deslizou os dedos pelos cabelos dele, puxando levemente enquanto ele descia novamente pelo pescoço dela, seus lábios e dentes criando uma trilha de sensações que a deixavam zonza.
— Você ainda acha que está no controle? — Ele perguntou, o tom desafiador, mas carregado de um humor sombrio.
— Eu nunca estive. — Dixie admitiu, a voz trêmula enquanto as mãos dele deslizavam pela lateral do corpo dela, enviando um arrepio por toda a sua pele.
O canto da boca de Adam se ergueu em um sorriso sombrio, os dedos subindo lentamente pela curva das costas dela, cada toque enviando um arrepio até a base de sua espinha.
— Então, eu vou adorar ver até onde você consegue ir. — Ele murmurou, a voz tão carregada de promessa que fazia o sangue de Dixie correr mais rápido.
Ela respirou fundo, sentindo a coragem crescer em seu peito. Lentamente, seus dedos desceram pelo peito dele, explorando as cicatrizes que marcavam sua pele como mapas de dor e resistência. Ele permaneceu imóvel, mas os olhos dele a seguiam com uma intensidade cortante, como se estivesse permitindo que ela tivesse seu momento — por enquanto.
— Você acha que pode me intimidar com esse olhar? — Ela sussurrou, mordendo levemente o lábio inferior, enquanto os dedos deslizavam pela lateral do torso dele.
— Não estou tentando intimidar você. — Ele respondeu, o tom tão firme quanto um comando, mas algo na maneira como os lábios dele se curvaram denunciava que ele estava gostando de cada segundo. — Estou apenas esperando você perceber onde isso vai dar.
Dixie inclinou-se mais, até que seus lábios roçaram o canto da boca dele, suaves e provocativos. Ela o viu fechar os olhos por um momento, os músculos da mandíbula dele tensionando levemente.
— Talvez eu já saiba onde isso vai dar. — Ela murmurou, os lábios descendo até a linha do maxilar dele, onde ela depositou um beijo lento e deliberado.
Adam não respondeu com palavras. Em vez disso, ele a virou com um movimento fluido, deitando-a sobre a cama improvisada enquanto seus olhos a devoravam. A escuridão ao redor parecia intensificar cada toque, cada suspiro, enquanto ele explorava cada linha do corpo dela como se quisesse memorizá-la.
Ele não hesitou. Seus movimentos eram precisos, controlados, mas carregados de uma urgência que denunciava a intensidade que borbulhava dentro dele. Ele começou lentamente, os lábios traçando o contorno do maxilar de Dixie, descendo pelo pescoço enquanto as mãos exploravam cada linha de seu corpo. Seus dedos ásperos corriam pelas curvas dela, como se ele estivesse tentando memorizar cada detalhe, cada reação que ele arrancava dela.
Dixie arqueou sob o toque dele, os suspiros escapando involuntariamente de seus lábios. Adam estava por toda parte, suas mãos deslizando pelas laterais dela, os lábios deixando uma trilha de calor enquanto desciam pelo ombro, evitando cuidadosamente a área ferida. Ele a tratava como se fosse algo precioso, mesmo que a maneira como a segurava fosse marcada por possessividade.
Ele tirou a camisa dela com um movimento fluido, o tecido deslizando pela pele de Dixie como uma última barreira sendo removida. Seus olhos se fixaram nela, devorando-a, enquanto ele se inclinava para frente, os lábios encontrando os dela novamente em um beijo que era mais profundo, mais desesperado do que antes.
Adam segurou sua cintura com firmeza, inclinando-se para explorar mais dela. Sua boca desceu pelo torso de Dixie, deixando beijos e mordidas suaves, cada uma acompanhada de um arrepio que corria pela espinha dela. Ele não tinha pressa — era como se estivesse tentando gravar cada sensação, cada reação que provocava nela.
Dixie ofegou quando as mãos dele deslizaram por suas pernas, segurando-a com firmeza enquanto ele explorava mais, os toques dele alternando entre suaves e intensos, sempre calculados para deixá-la à beira do controle.
— Você não sabe o que está pedindo, Dixie. — Ele murmurou, a voz baixa enquanto a observava, o rosto dela corado, os olhos semicerrados de prazer.
— Então, me mostre. — Ela desafiou, a voz trêmula, mas firme.
Ele não precisou de mais incentivo. Adam a puxou para si, os corpos colidindo em um movimento que era tanto feroz quanto íntimo. Cada toque, cada beijo era carregado de emoção — desejo, fúria, paixão e algo mais, algo que nenhum deles tinha coragem de nomear.
Eles se moviam como se fossem feitos um para o outro, os corpos sincronizados em uma dança carnal que parecia apagar o mundo ao redor. Dixie sentia tudo — cada toque, cada beijo, cada suspiro que escapava dos lábios dele. O calor entre eles era avassalador, como se nada mais importasse além daquele momento.
Adam segurou o rosto dela entre as mãos, os olhos fixos nos dela enquanto os movimentos deles se intensificavam.
— Você é minha, Dixie. — Ele disse, a voz rouca e grave, cada palavra carregada de algo mais profundo, algo irreversível.
— Sempre fui. — Ela respondeu, sem hesitar, as palavras escapando antes que pudesse pensar.
A tensão entre eles atingiu um ponto de ebulição que parecia impossível de conter. Adam não a soltava, segurando-a com uma possessividade crua que dizia tudo o que as palavras não conseguiam expressar. Seus movimentos eram uma mistura de urgência e reverência, um paradoxo perfeito que deixava Dixie sem fôlego.
Ela segurou os ombros dele, os dedos cavando levemente contra a pele marcada por cicatrizes, como se quisesse ancorar-se à realidade de estar com ele. Adam, por sua vez, explorava cada curva dela, cada linha de seu corpo, como se estivesse desvendando um mistério. Seus toques eram firmes, mas também incrivelmente cuidadosos, como se ele soubesse exatamente onde tocar para deixá-la completamente entregue.
A respiração de Dixie estava pesada, errática, seus suspiros misturando-se aos de Adam, criando uma melodia de desejo que preenchia o silêncio ao redor. A grama sob eles era fria e úmida, mas a sensação contrastava com o calor que emanava de seus corpos, cada vez mais próximos.
— Você... — Ela começou, mas sua voz falhou quando ele a puxou ainda mais contra si, os olhos azuis dele fixos nela com uma intensidade que quase a fez derreter.
— O quê? — Adam murmurou, os lábios curvando-se em um sorriso ligeiramente arrogante enquanto ele se inclinava para roçar a boca contra o pescoço dela. — Diga.
— Você vai me destruir. — Dixie finalmente conseguiu sussurrar, as palavras saindo como uma confissão, mas também como um desafio.
Adam parou por um momento, os olhos encontrando os dela. Havia algo ali, uma mistura de vulnerabilidade e escuridão que ela nunca tinha visto antes.
— Já estamos destruídos, Dixie-Pixie. — Ele respondeu, a voz rouca, cada palavra carregada de emoção. — Só estou arrastando você comigo.
Antes que ela pudesse responder, ele voltou a beijá-la, seus movimentos tornando-se mais intensos, mais desesperados. Era como se ele estivesse tentando apagar todas as dúvidas, todas as cicatrizes que ambos carregavam, com cada toque, cada beijo.
Eles se moveram juntos, um equilíbrio perfeito entre força e rendição. Adam segurava os quadris dela com força, guiando-a, enquanto os dedos dela deslizavam pelos cabelos dele, puxando-o para mais perto, como se ela nunca quisesse deixá-lo ir.
A grama amassava sob eles, o mundo ao redor desaparecendo completamente enquanto se entregavam ao momento. Dixie sentia cada fibra de seu ser queimando, o calor crescendo até que parecia impossível contê-lo por mais um segundo.
Adam gemeu contra os lábios dela, o som baixo e rouco enviando ondas de prazer por todo o corpo dela. E então, como se tivessem atravessado uma linha invisível, ambos alcançaram o clímax juntos, seus corpos colidindo em um movimento que parecia transcender tudo.
Eles caíram contra a grama, exaustos e ofegantes, os corações batendo em sincronia enquanto o calor do momento ainda os envolvia. Dixie deitou-se ao lado dele, o rosto voltado para o céu estrelado acima, tentando recuperar o fôlego.
Adam virou a cabeça para olhar para ela, o brilho selvagem em seus olhos suavizando-se ligeiramente enquanto ele levantava a mão para afastar uma mecha de cabelo do rosto dela.
— Isso foi... — Ele começou, mas parou, como se as palavras não fossem suficientes para descrever o que acabara de acontecer.
— Intenso. — Dixie completou, sorrindo levemente, embora seu corpo ainda estivesse tremendo com os efeitos do momento.
Ele não respondeu, mas o sorriso que ele deu era o suficiente. E, mesmo que o futuro fosse incerto, naquele momento, nenhum deles se importava.
Enquanto Adam tentava recuperar o fôlego, um espasmo percorreu seu ombro ferido, a dor irradiando como uma faca quente atravessando sua carne. Ele respirou fundo, tentando disfarçar, mas Dixie percebeu a mudança em sua expressão.
— Adam? — Ela se levantou um pouco, os olhos arregalados enquanto observava ele pressionar a mão contra o ombro. — O que foi? Está doendo?
Ele balançou a cabeça, tentando tranquilizá-la, mas a tensão em sua mandíbula denunciava a intensidade da dor.
— É só... uma fisgada. — Ele murmurou, sua voz mais rouca do que o habitual. — Nada com que você precise se preocupar.
Dixie se inclinou, os dedos pousando levemente sobre o ombro dele, como se quisesse examinar o ferimento. Ele segurou a mão dela, apertando-a com firmeza, mas sem brusquidão.
— Estou bem, Dixie. — Ele disse, os olhos azuis encontrando os dela. — De verdade.
— Você não está bem. — Ela respondeu, a preocupação evidente em seu tom. — Você precisa descansar, trocar esse curativo...
— Vamos voltar para a cabana. — Ele interrompeu, forçando um sorriso que não alcançava os olhos. — Não vou me desfazer aqui, prometo.
Ela hesitou, mas acabou assentindo, ajudando-o a se levantar. Ele segurou a mão dela firmemente enquanto caminhavam de volta à cabana, a escuridão da floresta ao redor parecia mais densa agora, o som das árvores farfalhando ao vento um lembrete do isolamento em que estavam.
Quando chegaram à cabana, Adam acendeu o lampião que Clarence havia deixado para eles, preenchendo o pequeno espaço com uma luz bruxuleante. Dixie ajudou-o a sentar-se na cadeira mais próxima, e enquanto ele ajustava a posição, ela o observava, preocupada.
— O que vamos fazer se Clarence e Hughie nunca voltarem? — Ela perguntou, a voz baixa, quase um sussurro.
Adam ergueu o olhar para ela, o rosto sombreado pela luz do lampião. Ele parecia estar ponderando a pergunta, como se as palavras dela tivessem o peso de uma realidade que ele preferia evitar.
— Se eles não voltarem... — Ele começou, a voz grave. — Vamos sobreviver. É isso que fazemos, Dixie. Nós sobrevivemos.
Ela franziu a testa, inquieta.
— Mas... sem mantimentos, sem ajuda... Sem saber o que está acontecendo lá fora?
Ele deu de ombros com cuidado, como se o gesto fosse suficiente para encerrar o assunto.
— Acha que é a primeira vez que estou por conta própria? — Ele respondeu, o tom carregado de sarcasmo, mas havia uma nota de cansaço subjacente.
Dixie cruzou os braços, recusando-se a deixar o assunto morrer ali.
— Não estou falando só de você, Adam. Estou falando de nós.
Ele suspirou, passando uma mão pelos cabelos desalinhados.
— Eu não sei, Dixie. — Ele finalmente admitiu, a voz mais baixa, quase derrotada. — Não sei como isso vai acabar. E, honestamente, qualquer resposta que imaginei até agora não parece justa.
Ela sentiu um nó se formar em sua garganta ao ouvir a vulnerabilidade em suas palavras, mas antes que pudesse responder, ele inclinou-se para frente, segurando a mão dela com firmeza.
— Só me prometa uma coisa. — Ele disse, os olhos fixos nos dela.
— O quê? — Ela perguntou, a voz trêmula.
— Não importa o que aconteça... — Ele hesitou, como se as palavras fossem difíceis de dizer. — Não pare de lutar. Não desista de você.
Dixie engoliu em seco, o coração batendo pesado no peito enquanto o encarava.
— Eu prometo. — Ela disse, sua voz pouco mais que um sussurro.
Adam assentiu, o rosto ainda sombreado pela luz, mas seus olhos brilhavam com algo que parecia ser um misto de determinação e resignação. Ela sabia que ele estava se preparando para o pior, mas ao mesmo tempo, sabia que faria qualquer coisa para protegê-la. Mesmo que isso significasse sacrificar tudo.
A luz fraca do lampião balançava, lançando sombras dançantes nas paredes de madeira desgastada. Dixie estava ajoelhada ao lado da cama, os dedos firmes e gentis enquanto limpava os ferimentos de Adam. Cada cicatriz, cada linha na pele dele contava uma história, e ela sentia o peso de todas.
Adam permanecia imóvel, o rosto endurecido enquanto ela passava o pano úmido sobre a pele, mas seus olhos estavam sombrios, perdidos em pensamentos que ele nunca expressaria.
— Você é teimoso. — Ela murmurou, tentando aliviar a tensão no ar.
— Você não tem ideia. — Ele respondeu, a voz grave, mas sem calor.
Dixie parou por um momento, levantando o olhar para encontrar os olhos dele.
— Por que você faz isso? — Ela perguntou, com um tom mais suave. — Por que acha que não temos o direito de sonhar com algo além de... tudo isso?
Adam desviou o olhar, os músculos da mandíbula se contraindo.
— Porque eu sei como isso termina, Dixie. — Ele respondeu finalmente, a voz carregada de uma amargura que parecia corroer cada palavra. — Não quero te dar falsas esperanças. Não quero te arrastar para um futuro que pode não existir.
Dixie não respondeu de imediato, mas terminou de limpar os ferimentos e puxou o cobertor sobre ele. Ela sabia que não podia forçá-lo a acreditar, mas também não estava pronta para desistir.
— Por que não jogamos o jogo de novo? — Ela sugeriu, a voz quase brincalhona, mas carregada de significado.
Adam franziu a testa, o olhar endurecendo.
— Dixie, não...
— Por favor. — Ela insistiu, sentando-se na beira da cama. — Só dessa vez.
Ele hesitou, mas cedeu com um suspiro pesado. Deitou-se na cama, e ela se deitou ao lado dele, a cabeça repousando em seu peito. O som de sua respiração profunda e constante a acalmava, mas ela sabia que ele estava lutando contra seus próprios pensamentos.
— Se nunca nos acharem... Se ficarmos aqui para sempre, como seria? — Ela perguntou, a voz baixa e cautelosa.
Adam permaneceu em silêncio por um longo momento, os olhos fixos no teto da cabana. Finalmente, ele respirou fundo e começou a falar.
— Eu faria de tudo para que sobrevivêssemos. — Ele começou, a voz suavizando um pouco. — Pescaríamos todos os dias, montaríamos fogueiras à noite. No verão, nadaríamos no lago. Eu... eu tentaria fazer você esquecer tudo isso.
Dixie sorriu, imaginando a cena.
— Um garotinho ou uma garotinha correndo por aí. — Ela acrescentou.
Adam virou o rosto para olhá-la, os olhos arregalados em perplexidade.
— Um garoti... O quê?
Dixie riu baixinho, sentindo o peito dele subir e descer sob a cabeça dela.
— Você nunca quis ter filhos? — Ela perguntou.
Adam olhou para o teto novamente, os lábios apertados.
— Eu nunca tive tempo pra pensar sobre isso. — Ele admitiu, a voz carregada de honestidade crua. — Minha vingança era... tudo o que eu tinha. Pela primeira vez, quero ter um futuro. Um que não seja tomando uma injeção letal ou apodrecendo na cadeia.
— Então... Você teria? — Ela perguntou, com um toque de esperança.
Ele suspirou, balançando a cabeça ligeiramente.
— Olha pra mim, Dixie. — Ele disse, a voz cheia de autocontrole amargo. — Que tipo de criança ia querer ter um pai que mais parece um monstro?
Ela se apoiou no cotovelo, os olhos dela se fixando nos dele.
— Os monstros são coisas que nos ensinam a temer. — Ela disse, a voz firme. — Ele ou ela não vai te achar um monstro, porque não vamos ensinar que as pessoas diferentes são monstros ou aberrações. Você seria um excelente pai porque qualquer filho seu cresceria tratando as pessoas diferentes como iguais e com respeito.
Adam permaneceu em silêncio, os olhos fixos no teto, mas havia algo diferente em sua expressão. Algo que parecia... vulnerável.
— E se eu perdesse o controle? — Ele perguntou, a voz mais baixa agora, quase inaudível. — E se eu...
Dixie não deixou que ele terminasse. Ela se inclinou e pressionou os lábios suavemente contra os dele, interrompendo suas palavras sombrias. O beijo era calmo, cheio de ternura, mas carregava um peso, como se ela quisesse apagar cada pedaço de dúvida que ele carregava.
— Não importa o que aconteça conosco. — Ela sussurrou, os lábios roçando os dele enquanto falava. — Você nunca vai machucar sua família.
Adam fechou os olhos, deixando a testa encostar na dela. Ele não respondeu, mas o aperto em volta dela se tornou mais firme, como se estivesse se agarrando àquela promessa como a única coisa que o mantinha no chão.
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