Capitulo 8
Me sentei do lado dela e liguei a tv para ao menos me distrair um pouco.
— Meu irmão disse que vai pedir pizza. — disse Bella entretida em seu jogo. — Você gosta de algum sabor específico?
— Qualquer uma está boa. — digo passando pelos canais.
Alguns minutos depois, Joshua voltou a descer. Seus cabelos estavam molhados e eu deduzi que ele havia acabado de sair do banho.
— Bella vai tomar banho, já pedi a pizza. — disse Joshua e ela largou seu tablet.
— Tia vamos lá? — assenti e desliguei a tv.
…
Ajudei ela a tomar banho e depois coloquei seu pijama. Deixei ela na sala de brinquedos e voltei para a sala. Enquanto a pizza não chegava, fiquei mexendo no celular para gastar tempo.
Senti alguém se sentar do meu lado e tentei apenas ignorar.
— Me diz, como é a sensação de ficar fugindo? — escutei a voz de Josh e fiquei encarando a tela do meu celular.
— Não estou fugindo. — digo baixo e começo a rolar o feed do insta.
— Engraçado, lembro de sair pra trabalhar e você já está aqui. — ignorei sua fala e segui no meu celular. — Aí Gabrielly, você é tão engraçada. — disse rindo e logo a campainha tocou.
Vi ele se levantar e soltei de uma vez o ar que estava segurando.
— Um desgraçado, isso que você é. — resmunguei me levantando e segui até a mesa. — Pequena desce, a pizza chegou. — gritei e segundos depois ouvi ela descer as escadas correndo.
Peguei os copos para deixar na mesa e Josh apareceu com duas caixas na mão.
Me sentei ao lado de Bella e apenas comi em silêncio.
...
— Irmão, história. — escutei Bella gritar enquanto colocava o último copo na lava louça.
Vi os dois subindo para o segundo andar e caminhei até a sala. Me joguei naquele sofá e fechei os olhos para esquecer que isso estava realmente acontecendo.
…
Voltei a abrir os olhos quando escutei alguém descendo as escadas. Me sentei no sofá e logo vi Josh com um travesseiro e uma coberta na mão.
— Trouxe pra você. — disse colocando ao lado do sofá.
— Obrigada. — digo alisando minha nuca.
— Se sentir fome de madrugada pode ficar à vontade, só tente não fazer muito barulho, Bella tem o sono leve. — assenti. — Boa noite Gabrielly.
— Boa noite. — digo e vejo ele sumir nas escadas.
Coloquei aquele travesseiro ali e apaguei a luz para me deitar. Eu não tinha sono, e algo me dizia que não eu não ia ter tão cedo.
…
Me virei pela vigésima vez naquele sofá e suspirei frustrada. Eu realmente não ia conseguir dormir.
Eu dormi com os meus pais até os seis anos, e não era porque eu tinha medo, e sim porque era muito bom. Quando chegou o dia de mudar de quarto, eu simplesmente não conseguia dormir, tudo porque o que eu precisava para me sentir confortável não existia mais. Sim, eu dormia agarrada neles!
Foi quando eles me compraram aquelas almofadas grandes, sabe? Que você abraça e apenas fecha os olhos... Nossa, a melhor aquisição já feita em minha vida. Dormir agarrada com aquilo me faz cochilar como um bebê, e até hoje eu uso. Uma pena eu ter sido burra a ponto de deixar a chave em casa e não ter ela hoje.
Joguei aquela coberta para o lado e me levantei acendendo a luz da sala. Cruzei os braços encarando aquela janela e pensei quanto tempo levaria para o sol nascer e meus pais resolverem brotar ali.
Olhei a hora no relógio e suspirei frustrada ao ver que ainda eram duas da manhã. Por que Deus? Por quê?
Caminhei até a cozinha e peguei a garrafa de leite na geladeira. Coloquei um pouco no copo e esquentei no microondas para tomar. Isso me ajudava quando mais nova, espero que faça efeito hoje.
…
Bebi aquilo super focada no balcão. Será que contar os carneirinhos ajuda?
Dei o último gole e deixei o copo sobre a pia. Peguei uma garrafinha de água e tomei aquilo voltando para a sala.
Me sentei no sofá novamente e esperei o sono vir, mas isso não aconteceu.
— Não acredito que vou passar a noite em claro. — voltei a me levantar e fiquei encarando a janela.
…
— Você ainda está acordada? — deixei minha garrafinha cair no chão e quase gritei com o susto que tomei.
— Caralho Joshua. — digo baixo levando a mão no peito.
Me agachei pegando a garrafinha e ele parou na minha frente.
— Por que não está dormindo? — perguntou sério. — O sofá não é confortável?
— Ele é. — encarei o sofá. — Mas não consigo dormir.
— E posso saber o porquê de você não conseguir dormir? — voltei a encarar ele.
— Pra que? Pra você ter mais um motivo pra me zoar? — forcei um sorriso. — Não, obrigada. — voltei a ficar séria e caminhei até o sofá.
— Você adora ficar na defensiva, não é? — me sentei ali vendo ele parar na minha frente. — Achei que já éramos amigos.
— Nem nos meus piores pesadelos. — peguei meu celular.
— Nossa você é impossível. — resmungou ele. — Mas agora é sério, não consegue dormir no sofá? — suspirei. — Pode ir pro meu quarto, eu fico no do meus pais.
— Não é isso. — me escorei no sofá. — Eu só consigo dormir com uma almofada. — encarei ele que franziu o cenho confuso.
— Tem quatro aí. — apontou para as do sofá.
— Não essas. — ele cruzou os braços esperando eu continuar. — Sabe aquelas almofadas para grávida dormir? Que não incomoda a barriga?
— Acho que sim, minha mãe devia ter uma.
— Então, a minha não é essa, mas é grande o suficiente e eu durmo agarrada com ela. — vi Joshua abaixar a cabeça e levar a mão na boca. — Eu não sei porque invento de te contar as coisas. — bufei fechando os olhos.
— É por isso que não dorme? Sua almofada ficou em casa? — assenti ainda de olhos fechados.
— Mas eu aguento ficar acordada até meus pais chegarem.
— Não prefere que eu te ajude? — escutei sua voz próxima e quando abri os olhos prendi minha respiração.
Joshua estava com seu rosto praticamente colado no meu e eu conseguia sentir sua respiração quente…
— O quê? — afastei ele. — Joshua vai dormir que teu mal é sono. — ele riu.
— Você precisa parar de ser assim. — disse me olhando. — Vamos, eu sei que você quer.
— Quero o quê? — pergunto confusa.
— Me usar de almofada. — sorriu de canto me fazendo engolir seco.
— Só se for pra te encher de soco. — digo me deitando. — Agora some daqui, já me encheu a paciência.
— Tá pra nascer uma garota mais complicada. — segurei minha vontade de sorrir e ele apagou a luz.
Esperei escutar ele subindo as escadas para voltar a me levantar e andar pela casa, mas não foi bem isso que aconteceu.
Senti algo cair sobre o sofá e no mesmo instante meu coração disparou.
— Mas o que caralhos você está fazendo? — pergunto sentindo ele deitado comigo.
— Ué, te ajudando a dormir. — seus braços rodearam minha cintura e ele me puxou para mais perto. — A menos que você me diga que não quer e eu vá embora. — apoiei minha mão em seu peito e o impedi de se aproximar mais.
Estava escuro, mas eu conseguia ver perfeitamente seu rosto próximo ao meu. Minha respiração estava ficando cada vez mais pesada e eu não conseguia dizer um "a" pra ele.
Ao mesmo tempo que não queria, meu corpo parecia dizer o contrário.
Senti sua mão subir pela minha cintura e meu corpo inteiro arrepiou me obrigando a fechar os olhos.
— Quer que eu vá embora? — sua mão parou no meu rosto e eu não respondi. — Me afaste? — senti seus lábios roçarem nos meus e eu fechei minhas mãos agarrando sua blusa.
— Por que está fazendo isso? — sussurro e consigo sentir ele abrindo um sorriso.
— Só se você fosse muito burra para não perceber. — seus lábios se encontraram com os meus me dando um selinho demorado e eu não me mexi sentindo meu coração acelerar ainda mais. — Eu estou confundindo alguma coisa? — me permiti abrir os olhos e encarei os seus azuis bem próximos.
— Não. — digo em um sussurro olhando ele. — Não está!
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