Capítulo 02: Verdade Líquida
Era sábado. Mark acordou e conferiu o horário em seu celular. Era o horário das nove horas da manhã. Levantou-se mediatamente da cama e desceu as escadas.
Seu pai ainda estava dormindo, como costumava fazer em todos os fins de semana.
Foi até o quarto de seu pai, silenciosamente, no primeiro andar da casa para pegar a chave do carro. Estava na ponta dos pés com um cuidado tremendo para não o acordar. A chave estava em um criado mudo bem ao lado da cama. Pegou a chave, cautelosamente, e saiu vagarosamente do quarto. Dirigiu do seu bairro, passando pelo túnel de árvores marrons até o centro da cidade.
Dirigiu até a 13º Rua. O local era habitado por pequenos comércios coloridos. O dia estava ensolarado. A lanchonete era de alvenaria, cor lilás, 2 m² e com o letreiro em negrito bem visível “Jeffeer’s Snack Bar Café”.
Entrou no estabelecimento e se recostou em uma das mesas no fundo da empresa. Alguns minutos depois, entrou na lanchonete a figura daquela mesma mulher da Agência de Investigação Particular. Ele se levantou da cadeira e se dirigiu até ela. A mulher estava de saia preta social e uma blusa de mangas branca social –era um uniforme bastante profissional. Estava com uma bolsa azul apoiada nos ombros. Seus aspectos causavam calmaria em qualquer um que a visse pela primeira vez.
–Você deve ser a Sra. Whitesnake. –Abordou Mark, assustando a pobre detetive que quase deu um salto para trás.
–Ah, olá. Você deve ser o Sr. Stone. –Correspondeu a detetive, tentando manter a postura profissional. –Então, como posso ajudar?
Ele tirou um pedaço de papel que tinha no bolso e mostrou à ela. O primitivo idioma estava anotado no pequeno fragmento de celulose.
Ela, meio confusa, deu uma balançada sutil de cabeça.
–Desculpe, mas eu sou uma detetive particular e não uma historiadora.
–Eu não contratei o seu serviço para decifrar por completo esta mensagem. Eu a contratei para me dar o maior número possível de informações sobre o anel de Mosa.
Ela dilatou imediatamente as pálpebras. Ele estava falando de algo que poderia realmente ser motivo para o grande auge de sua carreira como detetive particular. Ajudar alguém a decifrar o código ou mesmo publicar uma matéria sobre o assunto atrairia um enorme número de leitores, além de chamar a atenção da imprensa. Pois sempre foi um dos assuntos mais comentados e fazia tempo que alguém não publicava uma matéria sobre o assunto. Eles foram até uma das mesas no fundo do estabelecimento.
–Antes que comece a falar o que deseja especificadamente, preciso falar do pagamento. –Disse a detetive.
–Se quiser um serviço de investigação exclusiva e particular, precisa assinar um contrato. Você estará concordando com os termos da agência, permitindo inclusive o acesso ao seu banco dados. A detetive retirou o tal contrato impresso e uma caneta esferográfica da bolsa azul que carregava.
–São cem bustos por mês? –Perguntou o arqueólogo.
–Por semana. –Respondeu a detetive, deixando ele um pouco surpreso.
–Ok... –Disse ele ainda um pouco pensativo. –Ok. –Respondeu novamente ele com convicção, olhando para a mulher e assentindo.
Ele pegou a caneta e assinou o contrato na frente dela.
–Então, podemos começar?– Perguntou o arqueólogo.
–Sim, fale o que deseja.
–O quê sabe sobre o anel de Mosa? Eu sou arqueólogo e trabalho no Museu de História Humana de Barrymore. Estou fazendo uma pesquisa a respeito do assunto para publicar mais um volume para a biblioteca do Museu de Barrymore sobre o assunto. –Mentiu ele.
–Bem, é um antigo pertence do Pensador Mosa. Ele desapareceu de forma misteriosa em 8 de outubro de mil novecentos e...
–Ok..–Interrompeu ele, olhando de forma monótona para os lados.– Você não sabe de mais nenhuma informação adicional sobre este assunto?
–Sr. Stone, o senhor é um arqueólogo, então deve saber que...
–Há poucas informações disponíveis sobre o anel de Mosa. –Falaram ambos ao mesmo tempo.
–Isso mesmo. –Disse Lisa. –Assim sendo, ou seja mais específico ou receba apenas as informações elementares.
Ele ficou pensativo e calado por um tempo.
–Ok. –Disse ele por fim. –Você não conhece ninguém que foi íntimo do Pensador e que tenha restado vivo ou alguém que saiba mais informações sobre o assunto?
–Bem, há um senhor que mora no 18º Distrito da cidade. Ele foi apontado como o responsável por fundir e fabricar o anel de Mosa. Walket Gomet, o irmão do Pensador Mosa. Ele deve saber inclusive sobre o que diz a mensagem do anel.
–Espere um pouco. Se existe um homem que pode saber o significado deste mistério, por que ninguém não descobriu isso ainda?
–Você não sabe? No mesmo ano em que Mosa desapareceu, foi aberta uma investigação criminal para o caso, como você deve imaginar. Gomet, obviamente, também foi interrogado. Mas, ele negou e disse que estava em uma viagem no momento do desaparecimento e que Mosa apenas lhe enviara o anel. Ele foi condenado a pagar uma multa de 104 bustos, acusado de ocultar fatos. Mas, ficou claro que ele não revelaria o caso para qualquer um. De qualquer forma, não custa tentar. Acho admirável o fato de ele não ter sido preso, mas você sabe como são as leis por aqui.
–Ok. Acontece que eu também sou um “qualquer”. –Afirmou Stone com um ar de desprezo para com o depoimento da detetive.
–O senhor sabe que eu não sou nenhuma gênia. Se quiser ter alguma chance de publicar esse seu trabalho revolucionário, precisa encarar as possibilidades. –Ela fitava os olhos nele e ele fitava os olhos nela.. –Sr. Stone, esta é uma descoberta que todo arqueólogo, todo detetive, historiador, jornalista, pessoas como nós, almejam.
–Eu sei! Você não está sendo nem um pouco profissional. –Exclamou ele ao mesmo tempo pensativo e debochado.
–Pense bem na proposta. –Disse ela sem se importar muito.– Qualquer coisa, me ligue. Se quiser desistir, eu posso dar um jeito de cancelar a sua assinatura. –Dizia ela, enquanto se levantava da mesa e alceava a bolsa para partir do estabelecimento. –Outra coisa, você têm a obrigação de realizar este trabalho?
Ele pensou ficou por um longo intervalo pensando na resposta.
–Não exatamente... –Disse por fim.
–Então não tem nada a perder. –Disse ela, enquanto deixava o estabelecimento.
Ele raciocinou mais um pouco sobre a decisão que estava tomando.
O arqueólogo chegou na sua residência, estacionou o carro na garagem e entrou na sua casa.
Abriu lentamente a porta para não fazer barulho algum. Inútil tentativa. Além do fato de quanto mais lento ele tentava abrir, mais o som da porta abrindo ficava mais forte e irritante, teve que levar a desagradável surpresa de, depois de ter adentrado a cozinha, ver o seu pai na sala de estar sentado no sofá. A sala de estar possuía um sofá cama cor marrom–pastel. Em frente do sofá se encontrava uma televisão negra de 40 polegadas embutida na parede. As paredes da sala de estar se diferenciavam do resto da casa, que era toda branca. A sala de estar tinha cores de um escarlate vivo.
Por sorte, o seu pai estava dormindo. Um velho que já tinha dado o que devia ter dado na vida, estava com a capacidade cognitiva desgastada o suficiente para não notar que o seu filho havia lhe tinha roubado o carro.
***
Eram 11 horas da manhã de um domingo. Seu pai costumava dormir como um desfalecido. Restava a Mark preparar o almoço ou melhor, comprar o almoço de uma forma mais rápida. Primeiro foi até o quarto de seu pai deixar a chave do carro exatamente como estava antes.
Foi até o seu quarto no segundo andar, abriu a gaveta de cuecas, pegou 20 bustos e os colocou em sua carteira. Neste instante, veio uma mensagem no seu celular. Era a mensagem de Davis. Sim. O seu assistente pessoal também tentava ser amigo deste. Mas, Stone não aderira à uma amizade fútil como aquela. Davis não era tão profissional quanto ele. Costumava dar festas descontroladas em sua casa todos os finais de semanas e por vezes as suas faltas eram desconsideradas. O exagero podia ser definido como o ponto alto da vida daquele pobre fanfarrão. Aquele irresponsável não era vítima das exigências do chefe do Museu de Barrymore, o que irritava Mark. Como era de se esperar, era mais uma mensagem convidando o arqueólogo para uma festa em sua casa. Música alta, bebida, garotas,... Stone fez o que sempre fazia quando recebia uma mensagem de Davis nos fins de semanas: apagava e colocava o seu smartphone no silencioso para não ser perturbado e foi com sua bicicleta para um armazém para comprar mantimentos. Na verdade, era o que fazia com qualquer mensagem que julgasse fútil.
***
Era tarde. Mark estava dormindo quando lhe veio na cabeça a proposta da detetive. Pensou bastante. Se levantou, pegou o seu celular e olhou o horário. Era três horas da tarde. Tratou de enviar uma mensagem para Lisa Whitesnake. Pedindo mais informações sobre Walket Gomet. A resposta foi imediata. Ela lhe deu o seguinte endereço: 18º Distrito, 6º Rua, 204 da cidade de Barnely. Ele anotou o endereço num fragmento de celulose. A residência se localizava quase na zona rural da cidade. Ele estava com o fragmento de celulose no bolso com a mensagem do anel de Mosa anotada.
Ele se dirigiu até o quarto de seu pai lentamente e na ponta dos pés. Pegou a chave que estava no criado mudo ao lado da cama onde seu pai dormia. Pegou também a sua pasta com alças que se apoiavam nos ombros. Rumou com o automóvel de seu pai para a Zona Sul da cidade de Barnely, situada á uns oito quilômetros de Barrymore.
Enquanto dirigia, pensava na decisão que havia acabado de tomar e do caminho que percorrera até então. Já havia desobedecido a ordem de seu patrão, buscado a ajuda de uma detetive particular desconhecida, ido atrás de um homem que nunca tinha conhecido face a face e com uma imensa probabilidade de não conseguir alcançar o seu objetivo, colocando a própria carreira em risco. Não havia tempo para arrependimentos. Havia começado uma encrenca, precisava terminar o que havia começado.
Quando viu que tinha cessado estes pensamentos, percebeu que havia passado do destino. A estrada não era mais asfaltada, haviam poucas moradias simples limitadas por grandes plantações. Era uma pequena vila. Voltou um pouco o carro. Encontrou uma placa indicando a 6º rua do 18º Distrito. Só restava agora encontrar a casa número 204. Dirigiu cuidadosamente até encontrar a residência.
A casa era de madeira pintada de marrom. Era uma simples casa tradicional de dois andares. As janelas eram também de madeira, mas pintadas de verniz. Haviam pequenas escadas brancas que conduziam até a porta.
Ele Estacionou o carro em frente à moradia. Subiu as pequenas escadas que conduziam até a porta e apertou a campainha. Nisto, um senhor idoso apareceu. Tinha os cabelos brancos e rareados, rosto assimétrico fino, olhos negros e pele com um aspecto pálido, além de ser bastante magro. O velho estava usando uma bermuda larga e de cor preta e uma camisa rosa de golas.
–O que quer? –Perguntou o velho, com as pálpebras dilatadas parecendo assustado.
–Sou Mark Stone. Gostaria de falar com Walket Gomet. –Respondeu Mark em um tom formal.
O velho fixou os olhos nele com um semblante de que estava presenciando algo inimaginável. Seus olhos começaram a brilhar.
–Senhor? –Disse o arqueólogo tentando o acordar.
–Ah, sim. Pode entrar e ficar a vontade. –Exclamou o velho aparentemente alegre.
O arqueólogo se questionava frequentemente sobre a sua decisão. Mas, não havia mais volta. Era ele que tinha feito aquela confusão contra si mesmo. Restava tentar resolver sozinho e da melhor maneira possível. Tentou explicar ao velho que seria breve, mas a insistência do velho Gomet em o convidar para entrar em sua casa prevaleceu.
Ele entrou na casa do senhor. A parte interior da casa era tão simples e paupérrima quanto a parte externa da residência. Era de madeira branca e um pouco esburacada por cupins. Era uma casa típica de um habitante idoso e sem muitos recursos econômicos. O fogão e a geladeira eram antigos, as lâmpadas eram empoeiradas, havia uma escada de madeira negra que ligava o andar superior da casa ao andar de baixo. Na sala de jantar, havia uma mesa redonda de madeira não pintada. A sala de estar ficava ao lado da cozinha numa parte reservada da casa.
Ele se recostou à mesa com uma grande formalidade e timidez. Não estava acostumado a entrar na casa de desconhecidos. O velho foi preparar um chá, enquanto ele permanecia na mesa.
–Não, senhor. Muito obrigado. –Disse ele se recusando a beber o chá desconhecido.
–Ora céus! Eu insisto! –Disse o velho colocando a xícara na frente de seu hóspede e sentou-se na mesa. Havia um ar de sofrimento evidente no rosto do velho. –Pois não, como posso ajudar?
–Então, eu sou arqueólogo e trabalho no Museu de História Humana de Barrymore. Eu sei que o senhor foi o responsável por fundir o anel de Mosa, o seu irmão. Poderia me dizer o que sabe sobre o significado desta... frase? –Solicitou o arqueólogo, enquanto retirava o fragmento de papel do bolso com a sentença escrita à caneta.
O velho mudou de semblante e olhou para o arqueólogo como se este fosse o maior idiota do mundo.
–Por que acha que eu revelaria isto de mão beijada? –Questionou o velho.
–Ok...–Expressou Mark pensativo. –O que o senhor gostaria de receber em troca?
–Nada! –Respondeu o velho de forma direta. –Não quero nada!
–Ok. Muito obrigado pela... pela cordialidade. –Agradeceu o arqueólogo com um sorriso falso e formal, enquanto se levantava da mesa para se retirar da simples residência.
–Não...–Interrompeu o velho, com um tom de voz menos alterado. –Quer saber o que a mensagem diz?
–Sr. Gomet, eu não sei aonde o senhor quer chegar, mas eu não posso ficar aqui o dia todo e, além disso...
–“Maldito Museu de Barrymore”.–Interrompeu o velho de uma maneira inesperada.
–O quê? –Questionou o arqueólogo sem entender absolutamente nada.
–Você não queria saber o significado da mensagem? Não é exatamente uma mensagem, é uma acusação . Escrevi o nome da instituição mais mentirosa, criminosa e assassina da história no anel, na esperança de que alguém o decifrasse. Infelizmente não contava que os intelectuais atuais fossem ser incapazes de decifrar o idioma.
O arqueólogo não estava entendendo o que acabara de ouvir. Algo nunca revelado antes decifrado em um piscar de olhos? O próprio Walket Gomet traindo o seu irmão por revelar algo que deveria ser mantido em sigilo como havia ordenado Mosa? Tudo revelado para um arqueólogo qualquer. Do que aquele velho louco e falando?
–Eu não estou compreendendo o que você está falando. –Disse o arqueólogo.
–Não? Eu estou lhe revelando o sentido desta expressão idiomática. –Explicou Gomet com uma maldita tranquilidade.
–E... Por que o senhor faria isso? –Questionou o arqueólogo.
–Por que eu sou o pensador Mosa! –Exclamou o velho.
“Que besteira é esta que este velho está me contando?” –Pensou ele. Com certeza devia ser um velho com problemas mentais. Ele tratou de se retirar. Mas antes, não se conteve e deixou escapar a sua ironia:
–Porque o “Pensador Mosa” me revelaria isto?
–Porque o nome verdadeiro do pensador Mosa é Mortin Gomet Stone. Não lhe surpreende o fato de sermos da mesma família?
Ele ficou perplexo e desconfiado ao mesmo tempo. Que besteira era aquela! Um velho qualquer que ele nunca tinha visto na vida, ser seu parente? Naquela região, ninguém que morasse à dez quilômetros de distância saberia o primeiro nome de alguém que morasse à mesma distância, a menos que fosse um colega de trabalho, membro da família ou algo assim. Quem diria o nome completo! Mas por que aquele idoso esquisito saberia o seu nome inteiro? O velho foi se aproximando dele como uma assombração.
–Olhe senhor, eu não te conheço. Mas, para deixar claro, eu sou filho de Edward Stone e de Melanie Stone. –Disse ele. –Eu não te conheço, velho! –Disse ele virando, mas o velho partiu olpara cima do arqueólogo e o agarrou.
–Me solta, diabo! –Protestou Mark se virando e empurrando o velho, mas o desgraçado voou na direção do arqueólogo com um murro em seu rosto e ele caiu na chão. A sua visão foi ficando cada vez mais embaçada.
***
As suas pálpebras foram se abrindo. Sua visão estava um pouco embaçada. Reconheceu o teto branco e iluminado. Aos poucos, a sua visão foi ficando menos embaçada e mais nítida. Haviam aparelhos monitorando os batimentos cardíacos do paciente. Ele estava com um cobertor hospitalar azul, um roupão hospitalar e com um curativo em volta de sua cabeça. Estava deitado em uma cama hospitalar branca.
“Mas que diabos havia acontecido!” –Pensava. “Que dia! Um encontro com uma detetive desconhecida, uma conversa com um velho maluco, um soco na face e ao abrir os olhos estar enfermo?” Parecia que a sua vontade de querer saber a verdade por trás de tudo acabava lhe causando problemas ao invés de lhe trazer reconhecimento.
O seu pai estava sentado em uma cadeira ao seu lado, aguardando o momento em que ele acordaria.
–Onde eu estou? –Perguntou Mark com os olhos pesados.
–No Barrymore Healthy. –Respondeu seu pai com um aspecto de raiva.
–O que aconteceu?
–Você não se lembra? Ouvi dizer que um senhor do 18º Distrito ligou para o hospital para avisar que você tinha sofrido um acidente. Você não é nenhum santo e sabe que eu tenho muitos motivos para estar furioso com você. Acha que eu sou um velho idiota? –Neste momento, o arqueólogo deu um sorriso sarcástico de leve. –Olhe, eu vou deixar você se recuperar primeiro, filho. –Disse por fim, se retirando da sala.
“Aquele velho desgraçado!”, pensou ele. Foi capaz de lhe dizer que era membro de sua família, saber o segundo nome dele e depois deixá-lo inconsciente para se esquecer de tudo e ainda mentir para a ambulância dizendo que o paciente havia sofrido um acidente. Um absurdo para ele sem dúvida! Algo não estava certo. Seu raciocínio confuso foi imediatamente interrompido pelo Dr. Theos e por seu pai aparecendo na porta da sala do hospital.
–Olá Sr. Stone. –Cumprimentou, o médico. –Estou aqui para verificar como está o seu estado de saúde.
Mark revirou os olhos.
O médico e o pai de Mark adentraram na sala. O velho Edward sentou-se em uma cadeira branca de plástico perto da cama onde o filho estava deitado O médico inclinou-se na direção do paciente. Avaliou o batimentos cardíacos do enfermo. A pressão arterial estava um pouco elevada devido ao choque recebido no crânio. Foi lentamente retirando o curativo na cabeça. As primeiras voltas foram suaves e tranquilas. Mas, a última camada do curativo acabou sendo um processo doloroso. O paciente soltou um gemido, expressando dor e arrepios ao mesmo tempo. Terminada a retirada do curativo, era possível observar uma leve cicatriz ao longo da parte frontal superior do crânio. O acidente tinha sido leve.
–Acho que o senhor já pode receber alta. –Concluiu o doutor. –Os ferimentos são leves, não há nenhum risco. Apenas recomendo que o senhor tenha um descanso antes de voltar ao seu trabalho.
–Eu não posso... Não, eu... eu...
–Compreendo o quanto o seu trabalho é importante para você. Mas, precisa colocar a sua saúde em primeiro plano. –Explicou o Dr. Theos de forma simplória.
Mark deitou a cabeça e fixou o seu olhar no teto da sala, como se estivesse pensando realmente em pegar folga do seu trabalho.
–Tudo bem. –Exclamou o arqueólogo. –Tudo bem. –Concluiu novamente, olhando para o médico e assentindo.
–O comprovante de presença será emitido. –Disse o médico e se retirou da sala.
–Como aconteceu? Não se lembra de nada? –Questionou o pai?
Ele não respondeu.
–Por que sempre faz isso? Por que sempre age como se nunca tivesse me conhecido? – Perguntava o velho.
Não havia resposta para aquela pergunta. De qualquer forma, não iria responder a pergunta velho. Sentia um ódio todas as vezes em que era confrontado pelo pai. Não sabia dizer o porquê.
–Pode pelo menos... pode me dizer o que é isso? –Disse o pai, retirando um grande livro marrom da pasta do arqueólogo apoiada na maca. A capa do livro possuía o título “Diário de Mosa”.
O arqueólogo ficou surpreso. Pegou o livro rapidamente da mão do velho e começou a folhear. Na contra capa, havia a imagem do que parecia ser um antigo mapa da cidade de Barrymore. Partiu para a primeira página. Era o diário do Pensador Mosa.
–Bem... –Suspirou Mark.
–Não aja como se não estivesse falando comigo! –Repreendeu o velho.
–É um exemplar do Museu. –Mentiu ele. Afinal, não valia a pena deixar o seu pai a par do seu trabalho.
–Pegar o meu carro sem a minha permissão também foi relacionado ao seu trabalho? Não pense que desse jeito pode se apoderar dos meus pertences. –Disse o velho com uma voz alterada.
Dito isto, Edward se retirou da sala. Mark Stone continuou folheando aquele diário estranho com a sua curiosidade, que não lhe faltava.
∆∆∆
Nota: Se você gostou, não se esqueça de deixar o seu voto. Comente e dê a sua opinião. Se você gostou, se você odiou, etc. Vou ficar muito feliz em saber a opinião de vocês. Obrigado e até sexta!
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