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NOTAS

foi vocês que mandaram o Real Madrid esperar??

vou nem enrolar hj pq como tá todo mundo meio puto e deprê.

Boa leitura ❤️

[ ... ]

CATARINA

[ 🗓 ] Domingo, 23 de Outubro de 2022.
[📍] São Luís, Maranhão, Brasil.

Sai da galeria de tatuagem com três tatuagens novas e com os dois mamilos furados. Podia ser loucura da minha cabeça, mas eu tava com vontade de fazer e fiz.

Talvez o João goste dos meus piercings, porém vai passar um longo tempo sem tocar nos meus peitos.

Além dos furos, três tatuagens.

A sigla de "mistura de fofura com putaria na cara dura"; Pit com um coração e a data do dia em que conheci João.

Passo na frente da loja da Reserva e imediatamente me apaixono por várias peças da vitrine. Entro e logo sou atendida por uma vendedora super simpática.

Pego umas dez peças para experimentar, mas acabo simplesmente decidindo levar sem experimentar mesmo. Dois vestidos pretos longos lindíssimos; quatro blusas bem básicas e dois shorts jeans. Passei tudo sem olhar o preço, vou me martirizar com a fatura do cartão só quando voltar pro Rio.

Depois da Reserva, passei por outras lojas e simplesmente extrapolei meus próprios limites. Eu não sou do tipo consumista, mas finalmente entendi o porquê das pessoas fazerem terapia de compras. Essa porra realmente funciona.

Tive que comprar duas malas pra colocar tudo isso e conseguir levar minhas coisas novas pro Rio quando eu voltar.

Saio do shopping e entro no Uber e voltou direto para o hotel. Assim que entro no carro e cumprimento o motorista, meu celular toca e eu o encaro decidindo se vale ou não apenas atender.

Respiro fundo e aperto a chamada.

— Oi, Pedro.

— Só liguei porque os e-mais do seu cartão começaram a me preocupar, fiquei com medo de ter sido clonado — diz rindo de nervoso. Mordo o interior da minha bochecha. — Tá bem, Kitkat?

— Não. — respondo simples olhando pela janela. — Como tá a mãe?

— Já em casa e se recuperando.

— Sem nenhuma recaída? — pergunto, pensando nos efeitos que a minha reação pode ter causado nela.

— De jeito nenhum. Ela tá ótima.

— É bom saber disso. — digo e engulo em seco. — Saber que ela tá bem e que não sente um pingo de remorso pelo que escondeu de mim.

— Catarina...

— Não defende ela, Pedro Guilherme. — digo ríspida já sentindo a voz embargar. — Tem noção do que a escolha dela fez em mim? Na minha vida? Acha que foi justo comigo?

— Não, não acho, mas tenta ver o lado dela, Cat. — diz e eu fecho os olhos com força contendo minha lágrimas. — Ela foi enganada, quis te proteger...

— Proteger como? Me dizendo que o meu pai foi embora? Dizendo que ele não me amava e não me queria? — pergunto. — Não, ela vai ter que encontrar uma desculpa melhor. Pra mim foi puro egoísmo. Ela ficou com raiva e deixo que isso recaísse sobre mim e não é justo.

— Tudo bem, Catarina. — suspira. — Tenta ficar bem, beleza? Tá todo mundo sentindo sua falta.

— Tá. — suspiro. — Como o meu João tá? — pergunto com o coração apertado.

— O seu João tá dormindo aqui em casa e no seu quarto, mas tá bem. Ele sabe que você precisa de um tempo. — diz. — Fala com ele mais tarde.

— Vou ver. — digo. — Tchau, Pedro.

— Tchau, Kitkat.

[...]

Analisei meu corpo na frente do espelho e fico meio aflita. Será que o João vai gostar dessa?

Passo a mão na minha barriga e me sinto desconfortável já que eu não tô mais tão magra quanto quando voltei de Portugal.

Ganhei uns quilinhos, a barriga não tá mais chapada e minhas bochechas estão maiores. Não tá tão ruim, mas será que João reparou nisso? Franzo o cenho e dou de ombros me virando e me jogo na cama para ligar para o serviço de quarto.

— Oi, boa noite — falo. — Pode enviar pra suíte 505 o  melhor vinho que vocês tiverem disponível?

— A senhorita tem alguma preferência?

— Quanto mais caro e antigo, melhor. — digo e ele concorda e diz que em dez minutos vai chegar aqui.

Coloco o telefone no gancho e me viro olhando para o teto do quarto respirando fundo e fechando os olhos.

Eu tenho um pai.

Tenho um irmão e ele é a porra do Filipe Ret.

Eu beijei ele, quase transei com ele e depois fiz um clipe estilo softporn com ele. Arregalo os olhos quando sinto a bile subir pela minha garganta e corro para o banheiro e despejo tudo no sanitário.

Eu quase transei com meu irmão, isso é nojento pra cacete.

Dou descarga e passo o torço da mão nos meus lábios e me encosto na parede fria encostando minha cabeça.

Minha vontade é de me enfiar em um poço e nunca mais sair. Se essa história vaza pra mídia, já era. Já imagino como vai ser minha vida e o inferno que ela iria se tornar. Não, não tem como eu permitir que isso seja exposto.

Ouço as batidas na porta e abro os olhos, levantando do chão com dificuldade. O gosto amargo ainda em minha boca. Pego o roupão e cubro meu corpo e amarro meu cabelo no topo da cabeça indo atender.

A camareira entra com o carrinho com o vinho, taças e uma tábua de frios que ela me explicou ser cortesia. Agradeço e ela sai depois de sorrir.

Abro meu vinho com um pouquinho de dificuldade e ignoro as taças, bebendo direto da boca.

Abro as portas da varanda e me sento no sofá confortável que tem lá, observando o vai e vem das ondas.

Não lembro exatamente em qual momento, mas a calmaria das águas me acalma e acalentar minha alma. Deixo a garrafa de vinho cair e durmo ali mesmo com a brisa batendo em minha pele.

[...]

Sinto o carinho gostoso em minha cintura e automaticamente já sorrio. Abro os olhos lentamente vendo dois rostos semelhantes, de certa forma.

João me encara com seu sorriso lindo em seus lábios e fala algo que eu não consigo compreender. Franzo o cenho e a criança extremamente familiar que está ao seu lado toca meu rosto e isso me aquece por inteiro e aperta meu coração.

— Mamãe. — aperta minha bochecha e eu franzo o cenho mais uma vez tentando assimilar a situação.

Levanto da cama e bocejo encarando o meu redor. O conjunto de pijama preto e branco com minhas iniciais bordas é brega e até meio ridículo. Olho pra trás e vejo João deitado junto com o pequeno garoto em seu peito tatuado enquanto me olha.

— Ca-calma que a mamãe tá fa-fazendo o download da alma. — diz e o neném sorrir. Tenho certeza que não passa dos três anos e é a cópia fiel de João.

Mas porque raios ele me chamou de mãe?

Ouço um choro baixinho e olho pro lado vendo o ambiente mudar e eu ser encharcada por uma chuva da cor lilás. Tudo é extremamente monocromático e me deixa enjoada. O cheio que paira no ar é Lavanda.

O choro vem do berço em minha frente e eu engulo em seco. João aparece na porta do quarto com o garoto nos braços e eu olho pro berço quando uma música de ninar começar a tocar.

A neném no berço chama minha atenção e vontade que tenho de pegá-las em meus braços inunda meu corpo. Seus olhinhos brilham e eu sorrio automaticamente quando ela mostra um sorrisinho banguela.

— Lumiar. — sussurro assim que a tenho contra meu peito e sinto seu cheirinho. Meu peito se aquece e eu fecho os olhos a segurando com força enquanto a nino devagar.











[ 🗓 ] Segunda, 24 de Outubro de 2022.
[📍] São Luís, Maranhão, Brasil.

Sinto a luz atingir meu rosto e abro os olhos com dificuldade. Minha boca está seca e meu corpo suado. O sol da manhã bate em minha pele e arde.

Passo a língua pelos lábios secos e levanto do sofá me dando conta de que dormi na varanda do hotel. Minha consciência vai batendo quando eu entro no quarto e vejo a bagunça de roupas, sacolas e garrafas de bebidas. Passo a mão na minha cabeça dolorida.

— Cacete, que porra eu tô fazendo da minha vida? — me perguntou enquanto entro no banheiro e me enfio no chuveiro de calcinha e tudo.

A água gelada me faz despertar e depois de um longo banho limpando meu corpo e minha alma, fazendo orações e pedindo perdão para Deus, saio do boxe determinada a resolver minha bagunça.

Coloco meu celular para carregar com um carregador que eu comprei no shopping. Começo a dobrar as roupas e organizar dentro das malas e então pego todas as garrafas de bebida e coloco dentro do lixo.

Sento na cama e suspiro pensando em minhas próximas ações.

[...]

Eu já havia comprado a passagem de volta para o Rio, mas enquanto esperava dar a hora, decidi ficar em um restaurante de frente à praia. Enquanto observava o mar, tomei algumas decisões coerentes à respeito da minha vida.

Apesar de ter um pai e saber que ele não me rejeitou, não quero fazer ou manter contato. Ele pode não ter ido embora, não ter me rejeitado. Mas quem sabe que tem uma filha e simplesmente não vai atrás? Não entra na justiça? Ou simplesmente não se importa em ficar pelo menos por perto?

Minha mãe pode ter errado, sim, de fato. Mas não quer dizer que o ele esteja certo ou que ele seja um coitado. Ele mentiu para ela e depois que foi mandado embora não voltou nem por mim, isso só prova que realmente ele não me amava e não fazia questão do meu amor. E além disso, é só mais uma prova que estava e estou muito bem sem ele.

Além disso, vou voltar a trabalhar em hospitais. Como? Não sei ainda. Tenho que fazer uma prova para poder exercer a profissão aqui no Brasil, já que eu me formei fora e minha CRM é da Europa.

Após o jogo da libertadores, vou pedir minha demissão ao Braz. Não posso continuar fazendo algo que não foi exatamente pelo que eu trabalhei. Amo o clube, os meus amigos jogadores, mas nada chegar perto da adrenalina que eu sentia realizando ou auxiliando uma cirurgia.

Eu amava as aulas em que assistia as cirurgias. Sempre uma atrás da outra e eu ficava completamente encantada com tudo aquilo.

Pego meu celular e abro a conversa com João e resolvo mandar um áudio.

João... — suspiro olhando o mar durante o pôr do sol. — Moreno, obrigada por ter me entendido, de verdade. Poucas pessoas fariam isso e você fez e é por isso que eu amo você. — sinto as lágrimas em meus olhos. — Eu tive um sonho maluco que me fez entender que você é tudo que eu mais quero. Tudo que eu queria no passado, o que quero agora e o que eu quero pro meu futuro. Não importa o quão longe eu vá, você sempre é meu primeiro e último pensamento do dia e eu acho que isso te torna minha obsessão. Mas eu não ligo se eu for a sua também.

Eu olho o vai e vem nas ondas e eu só consigo lembrar do dia em que você me levou pra praia quando voltei pro Rio. — sorrio. — Te amo, João Gomes. Espero que saiba disso e saiba o quão bem você me faz. E é só por isso que eu tô voltando, voltando pra ti, Moreno.

[...]

opinem oq estão achando até aqui

90 comentários e eu posto o próximo capítulo ❤️

as tatuagens:

infelizmente o wattpad não permite a ft dos piercings, então deixo a responsabilidade para a imaginação de vocês

(falta 13 capítulos pra fic acabar 🥹)

love, succs.

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