013
NOTAS
eita como eu tô boazinha, né? atualizei as duas
histórias em menos de 24 hrs, que delícia... 🤭
Enfim, boa leitura 💛
[ ... ]
CATARINA
[ 🗓 ] Sexta, 23 de Setembro de 2022.
[📍] Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil.
After na casa do Ret.
— Lugar legal — falo assim que chegamos à varanda do quarto dele. O after rolava lá embaixo e nós dois só queríamos um lugar tranquilo pra trocar ideia.
— Fica à vontade — diz ele se sentando em uma das poltronas no canto, perto do guarda corpo de metal. Me sento na poltrona ao lado dele e começo a tirar os saltos.
— Ai, porra — gemo de alívio quando me vejo livre deles, deixo no cantinho perto da poltrona.
— Tá muito ruim? — ele pergunta.
— Só um pouquinho — falo vendo os calcanhares vermelhos e machucados.
— Coloca aqui — bateu em suas coxas e assim eu fiz. Quando Filipe começou a massagear meus pés, não contive os suspiros. — Que você é amiga do elenco do flamengo eu já sei, o que preciso saber mais?
— Quer saber mais? — me surpreendo e ele concorda. — Hum, eu sou médica — falo. — e trabalho no clube.
— Bonita e Inteligente. — fala massageando bem no meio dos meus pés com ambos os polegares, aquilo era bom de mais. — Bom, né? — pergunta.
— Pra caralho — suspiro. — E eu não diria inteligente, é mais uma questão de esforço.
— Tá afim de trabalhar no fluminense, não? — pergunta sorrindo de lado e eu gargalho.
— Não trabalho pra time pequeno, desculpa — eu rio. — Mas se superar meu salário atual, a gente pode tá conversando, até por que amor não enche barriga, né?
— Assim não vale, tem que trabalhar por causa do amor incondicional pelo clube.
— Mas ai é que tá, eu não tenho amor nem um ao fluminense. — digo sorrindo cinicamente, ele revira os olhos e depois rir. — Como é que eu vou amar um time que colocou uma bicicleta na sala de troféus? E ainda fez um livro só por que ganhou o carioca em cima do meu flamengo. Desculpa cara, mas não dá.
— Ai você me ofende — diz com a mão no peito dramatizando. — Bom, eu já sei que você é médica, flamenguista incurável, infelizmente, e que é muito gostosa.
— Tá me deixando sem graça, Filipe — digo escondendo o rosto com as mãos. — Mas eu também preciso de mais informações suas, a única coisa que eu sei é que você gostoso, rico e rapper.
— E precisa de mais? — sorri de canto. Por algum motivo aquilo não me causou o efeito esperado.
— Pra mim precisa, ué — digo. — qual tem sido sua maior ocupação no momento?
— o álbum novo. — diz me olhando com a cabeça encostada na poltrona. — tem quanto tempo de vida?
— faço vinte e oito em janeiro — falo e ele sorri e se levanta.
— se importa se eu acender um beck? — pergunta indo até seu quarto e voltando com uma caixa na mão. Filipe senta e coloca meus pés em suas coxas novamente.
— só se você não dividir comigo — digo.
— uma médica que fuma um — ele ri balançando uma cabeça enquanto bola o cigarro — o mundo tá mudado mesmo.
— já te contei que eu sou ortopedista? — ele ri e acende, colocando a caixa no chão. Vejo ele dá uma tragada e soltar a fumaça no ar. Na minha cabeça martela a imagem de João por algum motivo, acho que é o álcool saindo do meu sangue. Por isso vou ficar chapada agora.
Ele passa o beck pra mim e eu trago antes que a coragem passe. Engasgo um pouco pois tinha esquecido como é a sensação, mas assim que a fumaça sobe é como se todos os meus problemas tivessem indo junto com ela.
— Quantas vezes na vida tú fez isso? — pergunta depois que entrego de volta pra ele.
— Poucas, não gosto muito de ficar chapada — falo — a primeira vez foi na minha festa de formatura da escola.
— Fui muito ruim?
— Bateu muito rápido — comento olhando pra ele. — Ai na segunda vez foi na minha formatura da faculdade, por que eu tava triste — digo contando nos dedos. — Ai teve outra vez quando eu cheguei em Portugal, em uma festa lá e outra quando eu tava no dormitório sozinha... o meu colega de quarto vendia.
— E isso é por que você não gostava, né? — ele ri. Ficamos em silêncio, confortável até, passando o beck um pro outro deixando a fumaça subir enquanto a música tocava alto lá em baixo.
Eu olhava pra ele e sentia algo entranho. Era como se eu não devesse estar ali, mas ao menos tempo tinha uma conexão confusa entre nós. Parece que a gente se conhece de anos ou algo assim.
E ao mesmo tempo que eu sentia isso, lembro de João e logo em seguida do que aconteceu. Sei que não temos ou tínhamos nada, mas aparentemente ele tinha algo com aquela garota e simplesmente esqueceu de me avisar e avisar a coitada também.
Sinto como se ele tivesse brincado com meus sentimentos, cara. Eu me abri com ele, literalmente. Fui além das coisas que eu acredito só por causa dele. Parece que enquanto eu me importava muito, ele ria da minha cara em silêncio.
Eu só queria esquecê-lo. Pelo menos por hoje.
Olho pra Filipe, que está encarando. Seus olhos estão vermelhos e é bem provável que os meus também.
Vou fazer uma besteira? Provavelmente.
Mas que se foda, é como dizem: pra esquecer uma boca, é preciso beijar outra.
Levanto de onde estou rapidamente com os olhos presos aos vermelhos dele e subo em seu colo. Logo suas mãos estão em minha cintura e seus lábios nos meus.
É um beijo desajeitado, seco e eufórico. Nunca fui do tipo beijar por beijar ou ficar por ficar, não sei o que está acontecendo comigo. Ultimamente tenho feito tudo que não deveria fazer.
Filipe me pega no colo e a anda na direção do seu quarto, logo estamos na cama com ele em cima de mim.
Passos as perna ao redor da sua cintura e ajudo ele a tirar sua camisa. A pele dele é quente, assim como seus lábios em meu pescoço.
Mas não dá; não encaixa.
A pegada é boa mais falta o encaixe; a química. Eu nem conheço ele direito. Filipe se afasta pra me olhar e suspira.
— Não tá rolando, né? — pergunta com os braços um de cada lado da minha cabeça.
— Não... — murmuro. — Desculpa.
— Não, pede desculpas não, também não tá pra mim. — diz e se joga ao meu lado. Respiro fundo e encaro o teto de gesso. — Tá pensando em quem?
— Ninguém. — desconverso.
— Ah, para, claro que tá. — me viro para olhar pra ele, que faz o mesmo e ficamos cara a cara.
Quando foi que conseguimos essa intimidade tão rápido?
— Sabe o João Gomes? — pergunto e ele franzo o cenho.
— O cantor?
— O jogador. — resmungo e suspiro virando pra cima de novo. — Não saí da minha cabeça.
— Ele é seu namorado?
— Ele quer muito — digo. — eu super achei que ia dar certo, mas acho que fui enganada.
— Nesse caso quem saiu perdendo foi ela, gata — diz e eu rio. — Como que perde um mulherão desses?
— Do mesmo jeito que eu não entendo como você perdeu a Anna — digo e vejo ele ficar sério. — Relaxa, não vou me meter e nem dá pitaco, mas eu queria que você soubesse que vocês eram lindos e muito fodas juntos.
— Eu sei disso — ele sorri de lado olhando para o teto. — Vamo descer? — pergunta depois de um tempo e eu concordo.
[...]
— Valeu — agradeço quando Ret entrega a garrafa de água pra mim. Um dos pontos negativos da bebedeira é a ressaca e a sede que ela deixa quando o álcool começa a sair do seu organismo. Basicamente, é um inferno.
Nós já estávamos ali há muito tempo, jogados na sala trocando ideia e esperando o sol nascer. Minha cabeça estava no colo de Ret e Giorgian estava deitado em meu colo, enquanto Gabriel tava todo jogado na poltrona à nossa frente.
— Parando agora pra pensar, Kitkat — Gabriel fala. — Como foi que tú dispensou o Filipe Ret, cara? — mandou na lata. — Por que assim, se pá até eu pegava.
— Oh, isso num é ideia não, irmão — Filipe ri.
— Todo Gabriel é um pouquinho gay, né? — debocho e ele manda o dedo do meio pra mim.
— Não tenho um pingo de moral contigo, né não?
— Tem não. — concordo e passo minhas unhas entre o cabelo do Giorgian. — Aliás, eu disse pra ele que prefiro pretinhos.
— É verdade. — Ret concorda. Gabriel rir parecendo não crer.
— Tú tem que se decidir logo, minha parceira — Gabriel fala apontando o dedo pra mim. Bebo um pouquinho da minha água sentindo a garganta seca de novo. — Se tú quer ser conhecida como Maria Asilo ou Maria Mucilon.
Franzo cenho, asilo até vai, agora mucilon?
— Mucilon por que?
— O João — ele diz como se fosse óbvio.
— Que que tem o embuste? — bebo mais um golinho. Certeza que eu vou me arrepender dessa noite quando acordar amanhã.
— Ele tem vinte, é só um moleque — cuspo a água fora engasgado com força.
Sabe quando a água descer pelo caminho errado e vai parar no canal respiratório? Pois bem, foi isso ai que rolou. Água saindo do meu nariz, da minha boca e eu sem conseguir respirar. Eu levantei rápido, quase derrubei o coitado do Arrascaeta no chão, além de ter cuspido horrores nele. Sinto as mãos de Filipe em minhas costas pra cima e pra baixo.
— Acho que ela ficou surpresa — ouço a voz de Ret longe. Já tava sentindo minha alma saindo do corpo. Fecho os olhos com força. Tô pronta pro arrebatamento, Pai, me leva.
ELE TEM VINTE?
Aquele muleque marrento cheio de fogo só tem vinte anos?!
Puta que pariu.
Puta. Que. Pariu.
Começo a fazer as contas. Olho pros dedos trêmulos e meio embaçados da minha mão. Se hoje ele tem vinte, então quer dizer que há três anos atrás ele tinha... dezenove... dezoito... oh, porra... dezessete?!
— Meu Deus, eu transei com uma criança — sinto vontade de chorar.
— Porra, reina — Giorgian fala, a cabeça dele tava toda molhada, tadinho.
— Calma, ele já é maior de idade — Gabriel tenta me tranquilizar. — Ele já é um hominho...
— Eu já falei que hominho é a minha pika, Gabriel Barbosa — falo passando a mão no rosto. — Lembra do cara do bar? O que eu te falei uns anos atrás?
— O dos dedinhos nervosos? — confirmo com a cabeça. — Lembro.
— É o João. — declaro e ele arregala seus olhos e leva a mão até o peito. Giorgian se afasta de mim assustado e Ret tenta entender a situação.
Paizinho do céu, onde é que fui amarrar meu jegue?
— O cara do bar é o João? — confirmo. — O João Gomes? Pitzinho do Flamengo? O cria da gávea?
— É, Gabriel, é ele — bufo sem paciência.
— Você é uma criminosa — Gabriel fala com a boca aberta. — Kitkat Perigosa... mano. — ele tava em estado de choque.
Me encolho no sofá. Não acredito no que eu fiz. Eu não acredito no que eu fiz.
— Quantos anos você tinha na época? — Ret pergunta.
— Vinte e cinco — falo escondendo meu rosto de vergonha.
— Por que não perguntou a idade dele, cara?
— Se ela não perguntou nem o nome. — Arrasca fala.
— Na moral, minhas parceira, tudo é doidona, viu? — Filipe rir. — Quem saí transando por ai sem nem perguntar o nome?
— Foi só uma vez — choramingo. — Minha mãe vai me matar, eu jurava que ele tinha a mesma idade do Pedro.
— Tadinha. — Gabriel debocha. — Maria Mucilon... isso dá cadeia, sabia? — ele diz sério e meus olhos lacrimejam.
Quero ir pra Bangú não.
— Quero ir pra casa — falo olhando pra Gabriel.
— É, tá na hora de ir mesmo — ele diz.
O relógio do meu celular marcava 03h50 da manhã. Eu me despedi de Filipe, com ele me passando seu número e prometendo mandar mensagem pra mim no dia seguinte pra saber o desenrolar da história.
Gabriel e Arrasca foram na frente esperar o Uber, enquanto eu esperava Ret correr até lá em cima pra pegar meus sapatos já que eu tinha zero condições de subir aquela escada novamente.
Observei o hall de entrada da casa chique por um breve momento. Ret tinha um puta bom gosto e apesar da luxo que ele esbanjava, fora o toque familiar por conta dos portas-retratos distribuídos pela sala. Observo uma foto dele com um casal de idosos, que imagino ser seus pais. Sorrio porque é fofo. Há algo de semelhante no senhor que o abraça. Eles se parecem muito.
— É o meu pai. — diz atrás de mim.
— Eu imaginei. — o olho por cima do ombro. — Você se parece com ele.
— Todo mundo diz isso. — ri.
Começamos a andar pra fora da casa quando ouço a voz do Gabriel gritando meu nome.
— E o seus pais? — indaga.
— Minha mãe ainda mora comigo e parou de trabalhar assim que eu me formei. — digo. — E o meu pai foi embora quando eu só tinha três anos.
— Sinto muito, gatinha. — diz ele sorrindo de modo gentil.
— Não precisa sentir. Não precisei dele pra nada e minha mãe sempre exerceu ambos os papéis em minha vida. É ela que importa. — digo assim que paramos em frente ao Uber, onde os garotos já estavam dentro.
— Te mando mensagem de manhã, pra saber se está viva. — disse abrindo a porta pra mim.
— Vou esperar. — deixou um beijo em sua bochecha e finalmente entro no carro onde vejo Arrasca dormindo e Gabriel gravando stories rindo muito.
Assim que o carro dá partida, Gabriel aponta o celular pra mim.
— Kitkat Perigosa toda felizinha por que pegou o número do Rethê. — ele diz rindo, o que me faz rir também.
— É, peguei mesmo. — afirmo e encosto a cabeça na janela.
— Aqui o Arrasca dormindo — apontou a câmera pro Uruguaio, que sorriu de olhos fechados. — O homem até assim fica lindo cara, puta que pariu.
O resto da viajem até em casa foi com Gabriel gravando um monte de vídeo e me fazendo rir pra caramba. O que, por um lado, foi bom pois esqueci completamente dos problemas que me aguardam em casa.
Assim que paramos em frente à minha casa, simplesmente concordamos que todo mundo iria dormir lá, seria menos dor de cabeça, já os dois marmanjos estavam bêbados e eu não queria que fosse sequestrados.
A chave do portão estava dentro da minha bolsa, mas eu simplesmente não conseguia abrir a droga da porta.
— Kitkat, a gente vai ser roubado. — Gabi falou me encarando e eu fiquei ainda mais nervosa.
O álcool e a maconha em meu sangue não estavam ajudando, pelo contrário. Minha mão estava tremendo e eu não conseguia enfiar a chave no negócio da porta.
— Anda — murmuro tentando fazer o bagulhinho entrar.
— Liga pra Flazinha — Gabi fala. — Tem mais rumo se ela vier abrir.
— Quer que eu coloque meu celular pra fora nessa rua deserta? — pergunto indignada.
— Tú tem escolha?
Reviro os olhos e pego o celular dentro da bolsa e disco o número da minha irmã, que depois de três tentativas finalmente me atende.
— O quê é, praga? — pergunta com a voz rouca.
— Vem abrir a porta pra mim? — choramingo, olhando meus pés descalços. — Por favor.
— Ah, Catarina, tú não levou a chave não, criatura?! — fala alto e eu afasto o celular do ouvido.
— Eu trouxe mas não consigo abrir. — digo e ouço ela bufar.
— Tô descendo já.
Ela desliga a chamada e logo eu guardo o celular novamente.
— Onde eu vou dormir? — Arrasca pergunta me olhando com os olhos baixos.
— Comigo e o Gabriel dorme no quarto do Pedro. — digo.
Esperamos mais um pouquinho até o portão ser aberto por uma Flávia de pijama muito puta.
— Eu tô a cinco passo de enfiar minha mão na sua cara, Ana Catarina. — diz com raiva. — Até parece que a mais velha sou eu, porra.
— Desculpa. — murmuro passando pela porta e guiando Giorgian pra dentro de casa. Mas vejo minha irmã levantar um dedo após fecha a porta e passar na nossa frente.
— Então quer dizer que além de encher a cara você ainda usa maconha? — ela pergunta apontando o dedo pra mim. Dou de ombros e ela balança a cabeça.
— Foi só um beck.
— Vou fingir que nem ouvi isso — fala. — A mamãe tá dormindo e as crianças também, se eu ouvir um piu lá dentro juro que mato os três.
Abaixamos a cabeça e entramos finalmente em casa. Subimos as escadas em silêncio e quando chegamos nos corredores dos quartos, Flavia se vira e aponta pra Gabriel.
— Você vem comigo — ela puxa ele pela orelha, literalmente. — E vocês dois — aponta para mim e Arrasca. — Dormir, me ouviram? Não quero saber de gracinha não.
Concordamos com a cabeça. Ela entra no quarto junto com Gabriel e só Deus sabe o que ela vai fazer com o coitado. Entro no meu quarto com Giorgian.
Tava morta demais para tomar banho e eu acho que ele também. Nos deitamos na cama depois que ele tira os sapatos.
— Boa noite, meu Uruguaio. — sussurro virando de costas pra ele.
— Boa noite, Reina.
[...]
19. 01. 2023
acho que esse foi um dos capítulos mais hilários que eu escrevi, na moral
e aguardem os próximos, o rumo que essa porra tá tomando é muitoo bom
outra coisa, vou dá uma acelerada em MORENO pra se passar no mesmo momento que TALISMÃ, até pq elas estão conectadas e eu tô doida pra fazer um encontrão entre a Navi e a Kitkat
enfim, me digam oq acharam, votem e até o próximo.
é nois 🤙
love, succs.
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