34. Despedidas

Jessica acordou com Jade na cama, ela bebia no bico de uma garrafa térmica de café enquanto fazia contato visual, era estranho, mas Jessica não achou.

- Bom dia. - disse sorrindo, ela resistiu ao impulso de se inclinar e beijá-la, mas não queria que seu primeiro beijo com a morena fosse assim.

- Bom dia Girassol. Dormiu bem?

- Sim. Ela se manifestou?

Jade negou.

- Seu corpo se retorceu bastante e você se bateu durante a noite, tirando isso, tudo bem - ela arrumou o cabelo da loira. - Pedi para Belissário trazer o café da manhã, não se preocupe, já expliquei a sua situação.

- Obrigada.

- Depois de comermos, vou dormir um pouco.

- Eu vou me trancar em algum lugar, ainda não decidi qual. Pode me ajudar me amarrando?

Jade quase cuspiu seu café.

- Não é no sentido malicioso.

- Eu nem tinha pensado nesse sentido - Jade parecia chocada. - Alguém pode te vigiar, você não precisa se torturar.

Jessica tocou seu braço com receio que ela recusasse seu toque, mas ela não o fez.

- Eu preciso impedí-la. Esse já é o meu segundo plano.

- Qual é o primeiro?

- Me matar.

Jade segurou as suas mãos, elas estavam calejadas por causa dos treinamentos com sua adaga.

- Promete pra mim que não vai morrer.

- Acho hipócrita você me pedir isso.

Jade a encarou séria.

- Desculpa, cedo demais.

- Eu nunca morri - admitiu Jade. - Hécate me salvou.

- Segunda melhor coisa que ela já fez, a primeira foi ter você.

Jade sorriu e depositou um selinho nos lábios de Jessica, a filha de Deméter congelou. Seus olhos alternavam entre a boca e os olhos de Jade. A morena se aproximou, suas mãos envolveram a cintura de Jessica, a loira segurou seu pescoço.

- Posso?

Jessica a beijou. Os lábios de Jade eram macios, diferente de suas mãos, que a aproximavam mais. O espaço entre elas era insignificante, mas mesmo assim, elas tentavam se aproximar mais. O beijo era suave, como se ambas tivessem medo de perder uma a outra, o que já havia acontecido. Quando ar ficou escasso elas se separaram, Jessica encostou sua testa na de Jade.

- Eu prometo fazer o possível para não morrer.

- Eu prometo te proteger até o fim.

Jade entrelaçou a sua mão na de Jessica.

***

Clarissa andava de um lado para o outro, ansiosa.

- Você vai abrir um buraco no chão. - disse Luna, ela voltou ao normal após ser enfeitiçada por Circe.

- Eu estou nervosa! Ela não dormiu aqui, será que já começou o ataque?

- A magia dela é fraca de dia.

- A nossa também. Ela pode arriscar, porque é mais forte.

- Ela está usando o corpo de Jessica e protegendo o dela, está quase sem energia.

- Ela é uma deusa, como ficaria sem energia?

- Ela entrou na minha cabeça - Luna estremeceu com a lembrança. - Senti sua energia se esvair em questão de dias.

Conan apertou a mão da irmão em forma de apoio.

- Espero que sim. - disse Clarissa.

Thomas estava sentado na porta do chalé, encarando os campistas, tentando olhar para todos pela última vez. O clima do acampamento era de velório, muitos abraços e pessoas chorando. Muitas despedidas também. Thomas abraçava suas pernas, o seu lar será destruído e os seus amigos morrerão. Ele já aceitou a derrota, pensa sofrer menos.

- Tom - Clara sentou ao seu lado. - Você está bem?

- Sim, eu já aceitei o nosso destino.

Ela segurou sua mão.

- Nós ainda podemos vencê-la.

Thomas sorriu.

- Eu amo o seu otimismo, vou sentir falta dele.

A expressão de Clara se tornou sombria.

- Clarissa...

- Não, não vamos nos despedir.

Ela levantou-se e voltou ao chalé. Thomas continuou olhando os campistas com o coração apertado.

***
A

pós comer o café da manhã, Jessica foi até o banheiro escovar os dentes. Ela se olhou no espelho com um sorriso no rosto. Estava feliz e sentia que podia sentir-se assim pelo resto da vida. O seu reflexo tremeu, oscilando entre a sua imagem e a de Circe.

- Não - sussurou para si. - Esse corpo é meu.

"Por enquanto", respondeu Circe em sua cabeça.

Jessica saiu do banheiro cambaleando, as suas pernas mal a respondiam.

- Ei gatinha, aonde vai?

- Não fique perto de mim, Jade.

Jade a olhou confusa, mas logo a confusão deu lugar a preocupação.

- É Circe?

Jessica assentiu.

- Preciso controlá-la.

- Eu posso te ajudar.

Jade caminhou até Jessica.

- Se afaste! - os olhos da filha de Deméter tremiam de medo. - Por favor.

A postura de Jade enrijeceu, ela congelou os pés no chão do chalé. Apenas observou Jessica sair e sentiu seu coração partir. Aquela não poderia ser a última vez que se veriam, Jade prometeu protegê-la até o fim, então por que ainda estava parada encarando o nada?

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