1. Feitiço do Sai pra Lá
Hécate caminhou por meio das pedras encarando o terreno que seria abrigo dos seus filhos e abençoados pela sua magia. Mas para ela, apenas um chalé no Acampamento Meio-Sangue não era o suficiente, os deuses ainda não a respeitavam por ser uma deusa menor e esse termo a fazia odiar o Olimpo ainda mais.
— Bel, eu posso usar magia à noite e terminar de construir esse chalé idiota.
Belissário piscou, ele via a construção como uma grande conquista, os deuses estavam reconhecendo a sua importância e ela não notava.
— Hécate, o que está planejando?
Ela o puxou para longe.
— Eu quero um acampamento só meu. Imagina o poder, a magia. Nós seríamos muito mais poderosos, e principalmente, temidos.
— Hécate, os deuses te valorizam agora, você não precisa se provar.
Hécate virou furiosa e encarou seu filho.
— Eu sei que muitos dos meus filhos de ambos os acampamentos não irão se juntar. Mas eu tenho outros filhos e abençoados pela minha magia...
— Abençoados?
— Eu sou uma deusa, posso dar os meus poderes em menor proporção para quem eu quiser. É uma benção.
Belissário sorriu.
— É uma ótima idéia.
Hécate sorriu ao ver sua doninha pulando em sua direção.
— Está anoitecendo, meus poderes irão ao máximo, eu preciso terminar de construir esse estúpido chalé e nós já iremos encontrar a área para o nosso acampamento.
♤♡◇♧
Belissário sorriu ao terminar de contar a história. As três meninas se encararam.
— Ela construiu esse lugar em uma noite?
— Não, foram várias, mas não digam à ela que eu lhes contei.
As meninas riram.
— Então, nós somos filhas ou abençoadas de Hécate? — Jade perguntou.
Ela estava em pé, encostada na parede com sua jaqueta de couro e botina pretas, ela apenas encarava o líder do Acampamento. Sua energia era intimidadora, como se estivesse disposta a lutar a qualquer momento. Seus olhos castanho escuro lhe davam o ar de mistério.
— Hécate ainda não declamou nenhuma de vocês?
As três negaram.
— Em qualquer caso, vocês são abençoadas com a magia, isso não é incrível?
— SIM. — gritou Clarissa.
— Quando vamos saber?
—- Logo.
Belissário estava incerto, não sabia porque a deusa não havia proclamado nenhuma delas. Jade grunhiu e saiu da sala, estava estressada com as respostas vagas. As meninas decidiram seguí-la, Jessica alcançou a morena e tocou em seu ombro.
— Ei, aonde vai?
— Por que isso te interessa?
— Por que você é grosseira? — perguntou Clarissa com voz de choro.
Jessica a consolou. Jade continuou a andar, não sabia para onde estava indo, só queria se isolar.
— Jade. — Jessica firmou a voz. — Você o ouviu, nós temos que ficar unidas.
— Não, o que eu ouvi foi uma história inventada.
Clarissa arfou surpresa.
— Vocês realmente acham que uma deusa iria construir o seu próprio acampamento? Deuses querem tudo pronto, homenagens, esculturas a eles...
— Eu acredito em Belissário. — disse Jessica. — Afinal, ele é filho de Hécate.
— Grande coisa, relações parentais não significam nada, eu por exemplo fui abandonada pela minha mãe...
As duas se encararam.
— O quê? — Jade arqueou a sobrancelha.
— Você pode ser filha de Hécate.
Jade revirou os olhos.
— Semideuses são abandonados porque seus pais são deuses. — explicou Jessica.
— Como eu uso magia para desaparecer?
Clarissa riu.
— Você é engraçada.
Jade revirou os olhos e voltou a caminhar sem rumo. Para sua surpresa, as duas garotas a acompanhavam.
— Uau, aquele refeitório é gigante.
— Muito estranho ter poucas pessoas aqui.
Jade parou em frente ao seu chalé.
— Aqui é o meu, adeus. — disse sorrindo, aliviada em ficar sozinha.
— Aqui é o 37? Oh meu Zeus, o meu é o 37.
— O meu também. — Clarissa e Jessica pularam de alegria.
Jade revirou os olhos, "Aquele imortal me paga", pensou ela. A morena esmurrou a porta, a loira e a de cabelos cacheados foram atrás.
— Uau.
As paredes alternavam entre preto, branco e vermelho, mostrando os diversos lados da magia de Hécate.
— Magia negra. — Clarissa tocou a parede. — Achei que fosse proibido.
— E é. — disse Jessica se jogando na cama próxima a janela.
— Mas, Hécate é deusa de todas as magias, por que não podemos usar essa?
Clarissa se direcionava à Jade, mas a garota estava ocupada olhando a lua pela janela. Ela sempre se sentia melhor à noite, como se seu corpo se restaurasse, por isso seu lugar favorito na sua antiga casa era o telhado. Ela observava a lua, as estrelas, a noite, e, adormecia.
— É linda. — Jessica chegou por trás assustando-a levemente.
— É sim.
— Ah. — Clarissa as abraçou. — Nosso primeiro momento juntas.
Jade revirou os olhos e tentou se afastar do abraço, mas Clarissa era muito forte.
— Okay Clarissa, acho que já está bom. — disse gentilmente Jessica.
— Clarissa. — Jade rosnou.
Clarissa as apertou mais, Jade se estressou e as empurrou. As três se encaravam surpresas. Jade as empurrou com magia, ela mecheu suas mãos e a magia as separou.
— Você...
— Clarissa, desculpa...
— VOCÊ SABE CONTROLAR A MAGIA.
Jade se sentia confusa, um turbilhão de pensamentos preenchiam a sua mente. Belissário havia dito que elas demorariam a aprender, magia é complexa. Como Jade simplesmente fez um feitiço?
— Jade, isso é incrível, Belissário vai surtar.
— Não, vocês não podem contar a ele.
— Por quê? — Jessica estava confusa.
— Ele disse que magia é complicada e demorada, eu não posso simplesmente contar o que eu fiz. Foi sem querer, mas mesmo assim. — seu rosto estava vermelho.
— Você está com medo.
— Não estou. — disse irritada.
Jessica se aproximou novamente, seus olhos castanhos claro eram serenos e calmos. Ela tocou no ombro de Jade e sorriu gentilmente.
— Está tudo bem, não vamos contar pro Bel.
— Você acabou de inventar um apelido pra ele? — perguntou Jade sarcástica.
Jessica riu e assentiu.
— Acho que sim.
Autora: faz um tempo que eu queria escrever essa história, eu estou tão feliz com esse capítulo, por favor comentem e votem, obrigada mores.
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