Ótimas Férias
Anderson
Entreguei um dos pratos de comida, que tinha em minhas mãos, para a garota que está sentada na ponta de sua cama.
-Aqui seu prato jovenzinha.
-Humm, muito obrigado!Está bem quente - disse ela enquanto pegava o prato.
-Isso é bom ou ruim?
-Bom, até porque eu não tinha nada pra acender o fogão para esquenta-la, meus fósforos acabaram, hoje eu comeria comida fria.
-Entendi.
-Muito obrigado por estar me acompanhando no almoço - disse a garota abrindo um sorriso em seu belo rosto.
-Não precisa agradecer.Posso te fazer algumas perguntas? - digo eu, enquanto cruzo minhas pernas e apoio o prato sobre elas - Não é nada demais, apenas para te conhecer melhor.
-Claro que pode - responde ela enquanto mexe no seu cabelo.
-Se não se sentir a vontade com alguma pergunta, não precisa responder.
-Ok.
-Primeiramente, qual é seu nome?
-Mariana, e o seu?
-Anderson - respondi, enquanto enfiava uma grande colher cheia de comida na boca - Tem quantos anos?
-Eu tenho 15 anos.
-Interessante - digo eu, me aproximando de Mariana.
-E você?
-Tenho 18.
-Caraca...
-Vejo que você já terminou de comer?
-Sim, sim.E vejo que você também.
-Pois é, então melhor já irmos né, temos que pegar estrada daqui a pouco, pra chegar antes de escurecer, então quanto mais cedo saírmos daqui, melhor, né!
-Realmente, mas pra onde vamos?
-Não sei ao exato, porém tenho vários lugares em mente.
-Bom, neste caso, já vou pegando minhas coisas.
-Deixa que eu levo pra você, só leva apenas nossos pratos por favor.
-Não precisava, mas já que está levando, muito obrigada.
Dou meu prato para Mariana e pego a mala que ela havia deixado em cima da cama.Acho que tudo que ela vai levar, está aqui dentro, penso eu, enquanto saio do quarto e me direciono a cozinha.
-Pessoal, essa linda menina aqui é Mariana, vamos levar as coisas dela para a van e esperar vocês lá, porque já temos que ir.
-Também vou! - anuncia Jhyonathan bebendo seu refrigerante e nos oferecendo - querem?
-Sim, pega duas latinhas e da pra Mariana, nós vamos beber lá fora.Vou só deixar as coisas lá na van, pra não dar bagunça na hora de saírmos, entende?
-Não quero nenhuma sujeira no meu carro - diz Deiverson olhando torto pra mim - não sei porque vocês não bebem isso aqui dentro mesmo!
-Primeiro, que ninguém aqui disse que vai beber nada no seu carro - era oque eu estava respondendo a ele - e segundo...
-Segundo nada - interrompe Fran - melhor vocês pararem, que esses tipos de provocações nunca dão muito certo no final.
-Toma aqui seu refri Mariana.
Coloco a mão na cabeça de meu colega e digo:
-Esse aqui é o Jhyonathan.
-Obrigado pelo refrigerante Jhyonathan.Aliás, um belo nome - diz a garota, abrindo sua latinha de refrigerante.
-De nada, e obrigado pelo elogio, Mariana também é um nome maravilhoso - respondeu Jhyonathan que sorriu ao olhar para ela.
-Vamos lá fora então, até daqui a pouco.
Nós três saímos, e Mariana pergunta a mim:
-Quem era o cara que tava te olhando daquele jeito?
-Ele é o Deiverson - respondo eu, enquanto coloco as malas no carro - ele é o mais velho de nós, tendo 19 anos, e é ele o dono e quem dirige a van.
-Entendi.
-Mariana, porque você mora aqui? - questionou Jhyonathan.
-Eu moro aqui faz uns 3 meses, teve um acidente aqui perto e meus pais morreram, então eu vim andando pela estrada até que cheguei aqui neste posto de conveniências abandonado.
-Não tinha ninguém aqui quando você chegou?
-É, não tinha ninguém, achei muito estranho, mas pra minha sorte, tinha comida, água e energia, então eu fiquei e fiz deste lugar meu abrigo por todos esses meses.
-Como você se sente? - pergunto a ela.
-Eu penso neles todos os dias - responde ela meio entristecida.
A olho, e me sinto mal, imaginando o como ela deve se sentir mal com isso.Me sento ali, abro meu refrigerante e prossigo:
-Mas você se sente bem em ter ficado esses meses sozinha neste lugar?
-Me acostumei, eu diria.
Jhyonathan olha Deiverson e Franciele saindo do posto e anuncia:
-La vem eles, significa que já vamos!
Logo todos entramos no carro.Peço meu isqueiro a Franciele, ela pega em seu bolso, me devolve e agradece.Deiverson olha para trás, me chama para sentar na frente e diz para Jhyonathan passar para trás.Assim que trocamos de lugar Deiverson, me faz um pedido:
-Ei, me empresta seu isqueiro aí por favor? Perdi o meu, e queria ascender um cigarro.
Olho seriamente, franzindo minha testa, e penso: Sabia que ele não queria que eu sentasse na frente atoa.
-É claro mano, pode ficar. - é oque digo, gentilmente, passando o isqueiro à ele.
Após receber o objeto, Deiverson abre um maço, que estava guardado no porta-luvas, e ascende seu cigarro, enquanto abria o vidro.
-Quer um? - pergunta ele, oferecendo um cigarro para mim.
-Quero não.
Deiverson olha através do retrovisor interno, e observa Franciele o olhando e sorrindo.Ele liga o carro e estamos na estrada novamente.Me senti um pouco incomodado com algo, e interpelei:
-Pra onde vamos?
-Estamos indo para onde essa estrada nos levar.
-Onde exatamente?
-Não tem um lugar exato, estamos indo a qualquer lugar que nos traga um pouco de paz para descansarmos e esvaziar a mente.
-Então tenho um lugar ótimo para ir.
-Diga.
-Para uma casa que meu pai me ajudou a comprar, uma casinha bem fora de mapa, não é muito perto e nem muito longe.
-Só me da a localização, que então é pra lá que vamos.
-Aqui neste ponto - apontei para um lugar marcado no gps do celular - aqui fica a casa.
-Mas aqui é meio de mato, não é nenhuma cidade - Disse ele, parecendo um pouco confuso.
-Quando eu disse que era uma casa fora de mapa, era isso que estava querendo dizer.
-Tem certeza que tem uma casa lá?
-Tenho certeza sim, foi comprada no ano passado, pra passar as férias e também para quando eu saísse da casa de minha mãe.Então não mora ninguém lá, e também não está totalmente terminada, digamos que precisa de alguns ajustes, nada difícil e que impeça a gente de ficar lá.
-Ok, coloca seu celular aí e esse vai ser nosso destino.Todos concordam com isso? - Deiverson deixa a pergunta no ar.
Todos respondem que sim, após isso, coloquei uma música e seguimos viagem em direção a minha casa.
Ao som de "Someone To You", me vinham ótimas lembranças meu pai, principalmente de quando nós compramos aquela casa.Daquele verão que passei inteiro ali com ele e meu irmão.Sinto muitas saudades, foram ótimas férias.
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