Afinal
Anderson
Finalmente, depois de uma longa estrada, chegamos em casa.Guardo minha moto de volta na garagem e levo as coisas para dentro, mas antes de entrar eu pergunto:
-Não vai entrar?
-Agora não, vou trocar o pneu da Van.
-Vai precisar de ajuda?
-Não - respondeu ele, que tirou uma chave de roda e um macaco hidráulico de dentro da van.
-Então vou la dentro preparar o almoço.Qualquer coisa é só chamar.
-Beleza.
Ao entrar, vejo Fran sentada no sofá e a pergunto:
-Bom dia, cadê o Jhy e a Mariana?
-Jhy foi tomar um banho e a Mariana no quarto.E Deiverson, tá aonde?
-Ele ficou ali fora, trocando o pneu da van dele.
-Ah, entendi.Vou começar a fazer a comida - diz ela, se levantando.
-Precisa não, deixa que eu faço o almoço de hoje - digo eu, colocando em cima da mesa, as coisas que ele havia trazido da cidade - pode ir descansar , parece que você limpou a casa toda.
-A casa toda é um exagero, mas eu dei uma limpadinha, achei uns panos velhos que serviu e como não tinha nada pra fazer, porque não tirar um pouco de poeira da casa?
-Concordo.
Franciele foi para seu quarto se deitar e ouvir música em seus fones de ouvido, enquanto eu, fiquei ali mesmo, na cozinha, começando a preparar o almoço.
Jhyonathan
No lado de fora, estava eu, saindo de um ótimo banho.No momento em que estava dentro do banheiro, ouvi um ronco de moto e ao sair vejo meus manos tinham chegado. Anderson entrado e Deiverson aqui fora, olho para ele, que está retirando o macaco debaixo da Van, e o pergunto:
-Eai Deiverson, chegou agora?
-Eae Jhy, agora de pouco.
-Conseguiu comprar o pneu?
-Sim.
-Muito caro?
-Um pouco né, e oque você ficou fazendo enquanto eu e Anderson estavamos fora?
-Andei pela floresta com a Mariana, encontrei uma cachoeira aqui perto e agora tava saindo do banho - digo a ele, enquanto enxugo meu cabelo - Quer ajuda pra trocar esse pneu aí?
-Não precisa, valeu, to terminando já - diz Deiverson apertando o último parafuso da roda.
-Terminei aqui, vamos entrar, ou você vai ficar aqui fora?
-Claro que vou entrar, quem sabe o almoço já esteja pronto - respondi Jhyonathan dando risadas, entrando , junto a Deiverson.
Assim que entrei, exclamei:
-Cheiro bom!
-Espero que o gosto esteja igual o cheiro - fala Deiverson.
-Também espero - Anderson diz rindo e prossegue - você ja trocou o pneu, Deiverson?
-Acabei de fazer isso - responde ele, logo antes de ir para o quarto.
-E como foi seu dia Jhyonathan? - inqueri Anderson a mim.
-Depois te conto.
Mariana entra na cozinha, me da um abraço e um beijo em meu rosto.Algo muito repentino e inesperado.
-Pelo jeito foi bom - olha Anderson, com um sorriso de lado, sendo argucioso.
-Oi também Anderson, espero que a comida esteja ficando boa, viu.
-Precisa se preocupar não, aqui é chefe de cozinha! - diz ele sendo irônico.
Logo eu e ela nos sentamos no sofá, deixando Anderson, sozinho, preparando a comida.
Começo a olhar fixadamente para Mariana, ela está sorrindo, seguidamente começo a sorrir também, e percebo que estou começando a corar.
-Você viu que Deiverson já chegou? - pergunto, tentando disfarçar.
-Eu vi sim - responde ela jogando uma mexa de cabelo para trás.
Estamos a um bom tempo, um olhando para o outro, sem falar nada.Percebi que Anderson ficava nos olhando durante esse tempo, meio incomodado.
Todos ouvimos Anderson anunciar que o almoço já está pronto.Logo fomos tirar a comida e nos sentar a mesa.
-Oque acharam da minha comida? - perguntou Anderson.
-Muito boa, excelente cozinheiro!
-Obrigado Fran, espero que não seja ironia - diz ele.
-Claro que não, realmente está ótima - digo alegre, enchendo minha boa de comida.Que aliás realmente está ótimo.
Depois de Anderson ter terminado sua refeição, ele ergue seu óculos com o dedo indicador, com uma séria expressão, e sua testa franzida.Olha seriamente para todos da mesa e enuncia:
-Então pessoal, Deiverson tem algo a dizer a todos nós, peço por favor que ninguém se apavore, mas é algo muito sério!
Do jeito que Anderson falou, realmente, ninguém iria se apavorar mesmo.Ele quer que Deiverson coloque todas as cartas a mesa, e confesse, contando toda a verdade.Ja desconfio do que possa ser, e devido a tensão colocada em cima de Deiverson, com todos o olhando fixamente, o mesmo começa a falar:
-Você quer toda a verdade não é, Anderson?
Enquanto ele cutucava os dentes com um palito, encarando seriamente, ele o responde:
-Claro!
Deiverson olha a todos, e diz:
-Pra começar, eu nem sou cem porcento humano.Sou um híbrido, um ser que foi nascido da mistura de um humano e um demônio.
Anderson quebra o palito, o arremessa pela janela e com um olhar de desdém, murmurou ele, parecendo debochado:
-Sim, concerteza eu vou acreditar nisso.
Irritado e violento Deiverson se levanta, arremessando sua cadeira contra a parede, confesso que tal ação eu não esperava, não gosto de vê-lo assim, confesso que cheguei a ter um leve arrepio.
Todos se calam, então Deiverson pega sua cadeira, se senta novamente, e acende um cigarro, prosseguindo:
-Quando eu e Anderson saímos, de manhã, nos deparamos com um Carniceiro nos seguindo.Não é a primeira vez que o vejo nestes últimos, o vi também no posto de gasolina, porém não disse nada.Os carniceiros são uma criatura originária do submundo, raça conhecida principalmente por suas ótimas habilidades de caça.Segundo alguns estudos feitos por mim, muitos monstros, demônios , seres sombrios e assassinos sanguinários, estão sendo mandados para a Terra, para procurar e eliminar híbridos.
Percebi na face de Anderson, que ele tentava processar oque havia acabado de descobrir, muito perplexo, questiona:
-Porque eles querem todos mortos?
Deiverson, pacientemente, explica:
-Muitos híbridos lutam para impedir que os portões do inferno se abra, pois só através dele o rei demoníaco e grandes comandantes do submundo podem passar.Já que os decanos e os guerreiros da cúpula infernal, por conta de serem seres muito grandes e com muita magia e poder, não podem atravessar os pequenos portais.
Deiverson para por alguns segundos, se levanta, vai até a janela para tragar seu cigarro, e então continua:
-Já os assassinos, monstros e outras criaturas demoníacas, as quais podem atravessar por conta de serem menores e terem menas magia e poder em seus corpos.As mesmas, são mandadas para exterminar os híbridos e abrirem a fenda para dominar nosso mundo.Outro fato, é que ela só pode ser aberta pelo lado de fora.Não posso me esquecer, de que não são só híbridos que correm tal perigo.
Anderson olha para nossos rostos e percebe que não há reação alguma de surpresa, então ele simplesmente diz:
-Ok, era só eu que não sabia disso, não é?
Me aproximo, dou um forte suspiro, e digi:
-Me desculpas por não ter dito a verdade a você, não me senti na permissão.
Ele se levantou, e compreensivelmente respondeu:
-Não precisa pedir desculpas, irei tomar um ar, pensar um pouco, processar oque vocês acabaram de contar, mais tarde, vocês me contam mais sobre.
Anderson se levanta, fecha a cadeira, e sai para fora da casa e Mariana sai atrás dele.Franciele olha para Deiverson com uma visível cara de decepção:
-Devíamos ter falado a verdade desde o início.E por que não me disse que viu um no estacionamento? Você sabe que ele poderia ter matado todos nós lá, não é?
-Fazer oque né, já foi e estamos vivos.
-Por enquanto - disse eu, que apenas observo a conversa.
-Você acha que ele vai aceitar vir conosco depois de saber o destino que o aguarda? - pergunta Franciele.
-Você acha que ele precisa saber? - respondeu Deiverson, jogando a bituca de cigarro no lixo.
-Lógico que ele deve saber, e você deveria parar de fumar.
Com um olhado travesso, Deiverson fala:
-Você sabe muito bem que isso não vai nos prejudicar não é?
-Para de me olhar assim, e sai la fora falar com o Anderson vai.
-Se fica tão linda quando tá bravinha.
-Não fico não, e vai logo falar com ele.
Deiverson sorri, e sai da casa.
E eu aqui, permaneço sentado, apenas observando.
-Você tá bem Jhy? - pergunta Franciele a mim, enquanto se senta na cadeira ao meu lado.
-Sim.
-Você está quieto, que estranho, difícil te ver assim.
Olho, e deito minha cabeça sobre a mesa:
-Não é nada, estou apenas pensando.
-Em que?
-Aquilo aconteceu denovo.
-Merda!
-Espero que não aconteça novamente.
Franciele cruza as pernas, ergue minha cabeça e responde:
-Não vai, fica sossegado, você já aprendeu a ficar no controle.
-Pelo jeito, ainda não totalmente.
-Por que, o que exatamente aconteceu desta vez? - Questiona ela, me olhando com uma séria expressão.
-Falei de um jeito tão ruim com Mariana, fiz tempestade em copo d'água, só porquê ela tinha me empurrado na água.
-Mas e noque deu?
-No final acabou ocorrendo tudo certo, e teremos um segundo encontro hoje a noite - digo feliz, e sorrio ao lembrar disto.
-Que bom!É isso que importa, não foi nada de mais e tudo acabou bem.
Assim que ela termina de falar, sai andando em direção a sala deixando-me ali, sozinho, porém feliz.Afinal, tenho um encontro marcado.
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