Prologue: Living in Forks
Yelena Winter
Início da sua jornada em Forks:
Forks era uma cidadezinha de gelo, não literalmente, mas chegava perto de ser. O tempo fechado era comum entre os trezentos e sessenta e cinco dias do ano e alguns raros dias de sol, o tempo chuvoso parecia vir incluso na passagem e assim que tive os papéis em mãos pude jurar sentir o gelo da cidade me tocando.
Mamãe tentava me animar com essa viagem com argumentos que faziam sentido apenas na cabeça dela, fazer novas amizades, arrumar um namorado e terminar a escola com uma boa grade estudos. Uma vozinha no fundo da minha cabeça me falava que ela apenas estava tentando não me ter em casa na próxima semana e aquilo ao mesmo tempo que me incomodava, me deixava com a sensação de ter que dá aquela paz que minha mãe tanto necessitava em seu casamento.
Charlie é o atual marido da mamãe, estão juntos a cinco anos e todos os dias Charlie a mima com uma rosa pelo café da manhã. Quando o perguntei sobre a rosa o vi sorrir melancólico e dizer uma frase que nunca iria sair da minha memória, "Quando sua mãe aceitou casar comigo, uma rosa roubada era tudo o que eu tinha".
A cumplicidade que existia entre os dois era notada até mesmo por quem não os conheciam, era algo que mamãe se orgulhava no casamento e sempre dizia que eu deveria ter alguém que me tratasse do mesmo jeito, como o oxigênio para seus pulmões. Eu não acreditava que alguém um dia poderia me enxergar assim, mas sorria e concordava em silêncio antes de voltar aos estudos ou tentar.
─── Que carinha desanimada. ── Mamãe tocou minha bochecha enquanto sorria e a olho com tédio, querendo que aquele momento constrangedor acabasse rápido, mas sentia que devia isso a ela então não mr afasto do seu toque. ─── Eu vou sentir tanto a sua falta meu amor.
─── Não terá tanto tempo para sentir falta quando começar a cumprir sua lista de desejos com o Charlie. ── Brinco um pouco sem graça e forço um sorriso, ouvindo a risada do casal em minha frente. ─── Além disso, vai ser bom passar um tempo o Peter.
─── Não o chame assim na frente dele. ── Mamãe pede antes de me puxar para um abraço esmagador e acariciar minhas costas, meus braços rodeiam sua cintura enquanto meus olhos se encontravam com os de Charlie. Pude notar as pequenas lágrimas preenchendo seus olhos, eu não queria ir para Forks e me afastar do grandalhão, desde que chegou em minha vida Charlie foi como um pai e seu cuidado comigo nunca será esquecido, mas eu não queria atrapalhar sua vida com minha mãe e os dois mereciam um momento a sós.
Ouço meu vôo ser anunciado e me separado dos braços de mamãe que me olhou triste, mas voltou a colocar um sorriso em seus lábios antes de voltar a tocar em meu rosto. Sinto seu beijo ser depositado em minha testa antes de seu afastamento, Charlie se aproximou e me abraçou forte.
─── Qualquer coisa pode me ligar que eu vou até você no mesmo dia. ── Sorri com suas palavras e concordo em silêncio. ─── É sério Pinóquio, eu estou aqui sempre que precisar.
─── Eu sei, eu volto logo. ── Minto e nos soltamos, Charlie toca meu nariz com seu indicador e sorrir desconfiado.
─── Eu sei. ── Após nosso último abraço acabei me afastando, em momento algum olhei para trás. Eu não poderia, eu não conseguiria continuar com meu caminho se olhasse mais uma vez para os dois. Eles eram minha família e pela família fazemos coisas das quais nunca passou pela cabeça, no meu caso era morar em Forks.
Após embarcar no avião passo a olhar pela janela, me despedindo em silêncio de San Diego. Eu cresci nessa cidade e ter esse abandono me dava a sensação de traição com ela, mas era por um bom motivo. A felicidade da minha família. Quando consideramos alguém nossa família, nossa razão e emoção se tornam uma mão de via única.
Peter, me perguntava como seria minha relação com o homem que eu já não vejo a uns doze anos. Eu não posso culpa-lo por nosso distanciamento quando na verdade a culpa é minha, eu me negava a ir para Forks com tudo que tinha aqui em San Diego. Me negava a deixar Charlie, a praia e seus castelinhos de areia, por mais que não gostasse do sol assando meu corpo de uma única vez eu preferia aquilo invés de passar o tempo em Forks. Mas aqui estou, dentro de um avião indo para um lugar que sempre risquei da minha lista de desejos, o pequeno cubo de gelo.
〄 ⃟〄
Acordo do meu pequeno cochilo assim que o avião pousou, olho através da janela e por mais que tenha sol não era como o de San Diego, tão forte e intenso. Port Angeles não chegava aos pés da minha antiga casa. Desembarco com os outros passageiros e fui buscar minhas malas para me encontrar com Peter logo em seguida.
Eu me sentia nervosa, mas não ansiosa. Eu tinha receio de como as coisas poderiam ser, Peter seria como aqueles pais invasivos que não deixavam a filha respirar sem avisar antes? Seria liberal ao ponto de ignorar uma tatuagem no meio da testa? Eu não o conhecia e não sabia se queria conhecer.
Assim que estou com minhas coisas começo a andar em direção na qual julguei ser a certa, na verdade estava seguindo um grupo de garotos que não paravam de falar como estavam ansiosos para encontrar suas famílias. Assim que chego no salão procuro alguém que pudesse ser Peter e me xinguei mentalmente por não ver uma foto recente do mesmo, não que eu tivesse alguma.
Yelena Winter. Vejo um homem segurando uma placa com meu nome e o julgo ser quem eu procurava, seu balançar de folha o destacava entre a multidão. Peter usava uma calça jeans escura com tênis branco surrados, uma camisa branca por baixo de uma blusa xadrez azul escura e uma jaqueta por cima.
Caminhei em sua direção enquanto puxava a mala de corridinhas e carregava a menor com a outra mão, meu nervosismo cresceu conforme comecei a me aproximar, meu coração batia descontroladamente em meu peito e por uma fração de segundos achei que fosse saltar para fora.
Peter notando minha aproximação, sorriu nervoso e guardou a plaquinha feita por uma folha de caderno. Sua caligrafia era bonita, julgo ter puxado isso dele já que a de mamãe era um completo garrancho.
─── Er… oi. ── Peter se aproximou para um abraço, mas estico minha mão para cumprimenta-lo e mesmo estando um pouco envergonhado o homem segurou e apertou minimamente. ─── Deixa que eu te ajudo.
───… tá bom. ── O respondo baixo e limpo a garganta, soltando sua mão um pouco incomodada por ele não ter o feito antes. Deixo que levasse a mala com as rodinhas e mantive a pequena comigo. Caminhamos em silêncio em direção ao seu carro e noto ser da polícia. Era incrível como minha mãe e Peter eram completamente diferentes, não me surpreende o casamento não ter dado certo.
Depois de guardar as malas na parte de trás do carro pegamos caminho para Forks, o silêncio reinou por longos minutos até Peter ligar o rádio e sincronizar com uma estação de músicas, no momento que começou a tocar Misery Business acabei ouvindo o homem ao meu lado começar a cantar a música sem timidez, batia no volante e dançava sobre o banco. Aquilo me fez sorrir disfarçado ao olhar para fora do carro.
Whoa, I never meant to brag
But I got him where I want him now
Whoa, it was never my intention to brag
To steal it all away from you now
Ouço Peter cantar o refrão da música enquanto tocava meu ombro para chamar minha atenção, o olho novamente sorrindo singela com sua cantoria e acabei me juntando a ele, um pouco mais contida mas ainda assim deixando que se divertisse sem barreiras.
Aquele momento me fez pensar em Charlie, nossos momentos de cantoria no carro e sem perceber meu tom de voz foi se abaixando até sumir. Aquilo não estava certo, cantar no carro era meu passatempo com Charlie e não com Peter, eu não tinha nada com ele e não teria.
─── Está tudo bem? ── O ouço perguntar enquanto abaixava o volume drasticamente.
─── Sim, apenas quero chegar logo. ── Falei sem o olhar e olho outra vez para a janela, num pedido silencioso que não fizesse mais perguntas e fico aliviada por não ter mais que conversar.
Primeira nota mental, Peter não parecia ser invasivo e sabia respeitar o espaço do outro. Não teríamos problemas se ele continuasse assim depois de duas semanas comigo morando em sua casa.
〄 ⃟〄
Estacionamos o carro após algumas horas de viagem, Peter me ajudou a colocar as malas para dentro da casa, mais precisamente em sua sala onde pude ter uma nova onda de informações sobre o mais velho. A sala não era sofisticada, muito pelo contrário chegava a ser simples mas bonita. Havia um sofá verde musgo posicionado no canto da sala, em cima, nas paredes havia uma prateleira com alguns porta retratos onde minha cara com Peter estava estampadas em todas as fotografias, em diferentes ocasiões. Ao lado esquerdo do sofá havia uma cadeira pequena nada confortável, seu acolchoado deveria ser branco e mais parecia uma cadeira de criança. Em frente ao sofá uma pequena mesa de madeira segurava um pote de vidro com alguns doces dentro.
A sala era revestida com um papel de parede com um cinza que imitava rabiscos tanto horizontais quanto verticais. Em uma das paredes uma estante branca que deveria ser para livros chamava atenção, não por seu formato diferente das comuns, a estante imitava quadrados conforme subia, chamava atenção pela quantidade de garrafas de bebida alcoólica que a preenchia, Peter parecia colecionar tudo o que bebia já que desde o primeiro quadrado até o último tinha uma garrafa.
A televisão estava em cima de um pequeno raque, o móvel assim como a mesinha de centro era de madeira escura dando a entender que a única coisa que deveria se destacar era a estante. Ao lado da pequena televisão de tela plana estava um aparelho DVD e ao seu lado uma pequena pilha de filmes. A sala poderia dizer muito sobre quem Peter Winter seria, uma pessoa que vista por olhos desconhecidos seria alguém monótono pela cor cinza presente nas paredes da casa, o verde do sofá poderia ser associado com a liberdade, o que me fez lembrar do momento no carro onde Peter não se importou em cantar sua música preferida e o branco seria seu equilíbrio entre a monotonia e a liberdade.
─── O quarto fica lá em cima, por aqui. ── O mais velho começa a andar em direção as escadas e apenas o sigo em silêncio, o cinza era presente em todas as paredes da casa, até mesmo no andar de cima. Diferente da sala, o corredor não tinha quadros pelas paredes o que de certo modo foi um alívio, odiaria passar por frente de quadros com meu rosto sem que me lembrasse dos momentos representados. ─── Imagino que não tenha comprado materiais escolares, então comprei para você.
Com suas palavras noto a mochila em suas costas e a observo com calma, era uma mochila simples preta.
─── Eu acabei esquecendo, provavelmente compraria aqui. ── O respondo após alguns segundos em silêncio. ─── Minhas aulas começam quando?
─── Amanhã. Conversei com a diretora e deu tudo certo. ── Peter parou em frente a uma porta e me olhou cauteloso. ─── Ouça, eu sei que a escola pode ser chata e tals…
─── Não precisamos fazer isso. ── O corto antes que começasse com o discurso sobre a escola. ─── Já basta minha mãe ter falado durante três horas a importância de não repetir o ensino médio. Só, não faça o mesmo.
Peço desagradável e o assisto abrir a porta, acabei adentrando o quarto com a mesma cautela que Peter havia me olhado. Não me surpreendeu o fato das paredes também serem cinzas e o quarto ter apenas uma cama, uma mesinha de cabeceira e um guarda-roupa, ambos móveis com suas madeiras escuras e levemente gastas.
─── Eu comprei de uma antiga vizinha, ela estava de mudanças. O colchão é novo. ── Peter me informou e o vejo abandonar a mala ao lado da entrada. ─── Pelo menos você terá seu próprio banheiro, fica atrás daquela porta. Poderá decorar o quarto como quiser, não colocando fogo ou demolindo o cômodo eu não me importo com o que faça aqui. Garotos fora de questão, bebidas e drogas eu te prendo.
O olho espantada, mas ao ver seu sorriso vejo que estava brincando e reviro meus olhos com aquilo.
─── Não estou brincando, estou imaginando como sua mãe reagiria ao ter que pagar sua fiança. ── O olho brava e Peter piscou um olho antes de caminhar para fora do quarto. ─── Se for sair com os amigos quero você as onze em casa, nada mais do que isso.
─── Eu não tenho amigos! ── Exclamo irritada com as regras e ouço sua gozação comigo antes de fechar a porta, bloqueando comunicação com o mundo exterior. Teria que arrumar minhas coisas então tomo coragem e me afasto da porta, jogando a mala em cima da cama e quase indo junto, começo a tirar as roupas e guarda-las no meu mais novo guarda roupa. ─── Pelo menos o colchão e a colcha são novos.
Resmungo em meio ao meu trabalho, mas não paro com ele. Quanto mais cedo se começa alguma coisa, mais cedo termina.
〄 ⃟〄
Assim que terminei de arrumar minhas roupas no guarda-roupa, ajeitar minhas coisas e tomar um banho, desço as escadas enquanto ouço vozes desconhecidas vindo da cozinha. Eu consegui reconhecer a voz de Peter, parecia animado em falar com algum amigo e sua filha, adentro a cozinha e visualizo os convidados de Peter. Um homem de mais ou menos meia idade de cabelos e bigodes pretos, seus olhos me lembravam o cachorro buldogue francês enquanto assistiam Peter cozinhando o que parecia ser ovos com bacon. O homem trajava roupas formais da polícia, carregando com si um distintivo que o apresentava como xerife.
A garota parecia um animal assustado, indefeso, olhava tudo como se cada canto daquela cozinha poderia machuca-la. As mãos estavam escondida nos bolsos de sua jaqueta jeans, os cabelos jogados por cima dos ombros deixando o capuz em suas costas avista. A calça também era jeans, mas um tom mais escuro que a jaqueta e em seus pés um par de tênis preto.
─── Ah! Você está aí. ── Peter abandonou uma nova remessa de bacon em cima do prato e os ovos em outro. Seus convidados olharam em minha direção e me amaldiçoei por não ter ido embora quando tive chance. ─── Quero que conheça Charlie, é um amigo do meu trabalho. Aquela é sua filha, Isabella também é nova aqui na cidade.
─── Bella, apenas. ── A ouço corrigir Peter que sorriu e voltou ao que estava fazendo, bebericando a cerveja posta ao lado do fogão.
Que ótimo, duas fodidas numa cidade congelante.
─── É um prazer conhecê-la, eu e seu pai não sabíamos quem mais falava sobre a chegada de vocês na cidade. ── Charlie estendeu a mão e me forcei a segura-la, sorrindo educada em sua direção. Seu nome me fazia lembrar do que deixei para trás, mesmo sendo completamente diferente de Charlie que tinha cabelos encaracolados e a pele bem mais bronzeada que o comum por essa cidade, a altura também era algo para se levar em volta visto que o outro Charlie tinha um e noventa e sete.
─── É bom conhece-lo. ── Minto o olhando nos olhos, solto uma mão após alguns segundos antes de ter Isabella se aproximando, seu jeito meio tímido me fez torcer por não ser como a maioria das garotas que chegavam abraçando e quando a vejo estender sua mão, a seguro em alívio.
─── Chegou bem na hora, sente-se. Eu pensei em te levar para comer na Sully. ── Peter terminou de ajeitar as coisas na mesa e se sentou, assim como seus convidados deixando o lugar entre o homem e Isabella livre. ─── Mas ainda devo ela.
Charlie riu. Não em surpresa, parecia apenas estar acostumado a ouvir aquela frase e ainda acha-la engraçada.
─── Falando nisso, Sully me pediu para chutar seu traseiro. Você não precisa parar de comer lá, Peter. ── Charlie o informou e seu amigo se aliviou.
─── Então amanhã teremos hambúrguer, você gosta não gosta? ── Concordo em silêncio enquanto me sento no lugar vago e acabei me servindo assim como todo mundo. Charlie e Peter rapidamente começaram um assunto sobre coisas do trabalho, após pedirem sigilo sobre o que ouvimos. Isabella e eu não trocamos assunto, me ocupei em matar a fome que me dava a impressão do estômago grudando em minhas costas.
Após o café Charlie e Peter foram juntos para a delegacia, me deixando na companhia da Isabella que por sinal não dizera uma única palavra desde a saída do seu pai. Na televisão passava um filme idiota sobre um casal que lutava a todo custo para ficarem juntos, enfrentando os preconceitos da família rica da garota e os problemas que rondavam o pobretão que era Alex.
─── Isso é a maior mentira. ── Ouço Isabella chiar desinteressada no filme. ─── Eles fazem parecer tão fácil.
─── O primeiro amor?
─── O amor em geral, a família dela o humilhou e ela não fez nada, ela só… só pediu que ele não se afastasse. Ela ignorou a dor que eles causaram nele apenas por quere-lo, isso não me parece amor. ── A garota se virou em minha direção e corou, pareceu se dá conta do que estava fazendo e voltou a encarar a televisão. ─── Só não acho justo ela o usar um sentimento com tanto significado por trás por mero egoísmo.
Isabella me fez pensar um pouco no exemplo de amor que tive em minha vida, mamãe e Charlie e a forma que um sempre cuidava do outro. Nunca tinha visto mamãe tratar Charlie como a mocinha tratava aquele que dizia amar e então me vi concordando com Isabella.
─── É, você tem razão. ── Encolho entre o cobertor em um dos lados do sofá e voltamos assistir ao filme em silêncio.
〄 ⃟〄
Após Isabella ter ido para casa, que ironicamente era ao lado da minha, tranquei a casa e apaguei as luzes conforme o pedido de Peter. Subi para meu quarto e me joguei na cama. Minha cabeça estava o oposto do meu quarto, estava cheia de pensamentos e um deles era o primeiro dia na escola, agradecia por não ser a única novata nessa escola… eu não gostava de imaginar como seria o tratamento dos professores se fosse. Não queria alguém me pressionando a focar nos estudos para não reprovar, apenas por ter entrado no meio do semestre.
Penso em ligar para minha mãe, pedir por conselhos mesmo que não fosse seguir a maioria deles. Mas então lembrei o porquê estou em Forks e deixo a ideia de lado, eu não poderia continuar atrapalhando sua vida até mesmo de longe. Pela primeira vez na vida Cristina está tendo a oportunidade de aproveitar seu casamento sem ter uma criança a chamando de cinco em cinco minutos, eu não posso continuar atrasando-a.
Fecho meus olhos e jogo o cobertor por cima do meu rosto, ficaria tudo bem. O primeiro dia sempre é um inferno, o importante é o resto do ano. Não pode ser tão ruim assim, pode?
Nota final:
Bem vindos ao meu mais novo universo.
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