Capítulo Três: Conhecendo a Cidade

Eu estava dirigindo um carro. Era de noite e eu estava sob uma chuva muito forte. Eu me sentia um pouco triste, mas eu não sabia exatamente o porquê. No rádio do carro estava tocando uma música antiga que parecia ter pelo menos uns setenta anos. Até que a música do carro começou a acelerar e ir mais e mais rápido. Quando eu vi uma luz.

E, de repente, eu acordei.

Aquilo era apenas um sonho ruim ou pelo menos eu acho que era. Eu estava suando frio e estava quase sem fôlego. Provavelmente eu acabei dormindo enquanto lia aquele livro.

Me levantei da cama e fui ao banheiro escovar os dentes. Depois fui à cozinha e peguei algo para comer. Após isso eu me sentei e pensei: "eu realmente preciso fazer algo de bom". Eu precisava mesmo de algum jeito de começar a minha "nova vida" e também saber sobre o que era a antiga.

Primeiramente eu precisava organizar o que eu já tinha. Então eu peguei uma vassoura que por algum motivo estava no banheiro e comecei a limpar a casa. Tirei as teias dos cantos das paredes, limpei as poeiras dos livros e organizei as coisas que estavam fora do lugar.

Após terminar, eu tive uma ideia. Peguei uma folha de papel em branco que estava perto do computador e lá eu resolvi anotar o que eu sabia sobre "mim",

Mesmo que até agora eu não sabia muita coisa.

Então eu comecei escrever primeiro um título improvisado na folha, como "o que sei até agora" e fui colocando uma coisa de cada vez.

Primeiro: eu provavelmente já fui um escritor ou sabia escrever o bastante para publicar um livro.

Segundo: provavelmente eu morava sozinho já que eu tinha apenas uma escova de dentes.

Terceiro: tem uma grande chance que eu não tenha nenhum parente vivo ou pelo menos nenhum que se importe o bastante.

Quarto: O meu próprio nome que é Simon Almeida de Carvalho.

Quinto: A data do meu aniversário que é 15/07/2001.

Sexto: eu preciso prestar mais atenção na rua enquanto eu dirijo.

Eu parei por aí já que não sabia mais o que colocar. Fiquei meio desanimado por saber tão pouco sobre mim mesmo, mas satisfeito por ter feito algum progresso.

Como eu não sabia muito bem o que fazer, resolvi olhar a hora no meu celular. Era 10:16 do dia 23/07/2023.

Então decidi ir para fora. Era um dia ensolarado, mas não tinha muitas pessoas lá fora e uma hora ou outra passava algum carro na rua. Eu comecei a andar sem rumo até que uma idosa veio e começou a falar comigo:

— Simon a quanto tempo? — Disse ela enquanto tentava me abraçar. — Você sumiu! Eu não te vejo faz quase um mês.

Então um pouco confuso, eu respondi:

— Eu realmente sinto muito se eu parecer mal educado, mas quem é você?

— Como assim? Você não tá me reconhecendo, Simon? Sou eu Judite.

— Me desculpe, senhora, mas eu não te reconheço. Eu sofri um acidente a pouco tempo e eu não consigo me lembrar de nada.

Um pouco assustada, ela então respondeu:

— Espera, isso é verdade? Como eu não fiquei sabendo disso antes? Espera aí, isso não é uma daquelas sua brincadeirinhas sem graça não é?

— Eu queria que fosse, mas não é o caso. — Eu respondi.

— Meu Deus, e você tá bem? Isso aconteceu a quanto tempo?

— Foi há pouco mais de uma semana. No começo foi meio ruim, mas eu já estou começando a me acostumar. Mesmo que eu não consiga me lembrar de basicamente nada.

— Nossa, mas como isso aconteceu? — Ela disse preocupada.

— Eu acho que eu sofri algum tipo de acidente de carro. E acabei tendo um traumatismo craniano.

— Então foi um milagre que você tenha sobrevivido.

— Pode ser, eu acho.

Eu continuei conversando com ela por mais um tempo. Aparentemente ela se chamava Judite Alves Santos. E me conheceu quando eu ainda era mais novo, e também era minha vizinha. Ela também era amiga dos meus pais, mas não tem notícias sobre eles faz bastante tempo. Pouco antes de nos despedir ela me disse que qualquer ajuda que eu precisasse eu poderia chamar ela.

Já era meio dia quando eu fui embora. Eu resolvi continuar andando pela cidade para ver se eu encontrava algo interessante. Minha barriga estava roncando, pois eu ainda não tinha almoçado mas por sorte eu acabei encontrando um restaurante chamado "DinnerBells". Eu achei o nome um pouco estranho, mas por fim resolvi entrar.

Fui até a atendente para fazer o meu pedido e disse:

— Bom dia.

— Bom dia senhor! Vai ser o de sempre?

Eu fiquei um pouco confuso quando ela me disse isso, mas por fim eu respondi:

— Sim, eu acho.

— Bom, então pode esperar em uma das mesas.

O lugar era um pouco grande, mas não havia muitas pessoas no dia. Eu esperei por alguns minutos até que finalmente me atenderam, e quando chegou era uma salada meio estranha. Tinha uma cara boa mas eu não tinha certeza se era realmente bom. Então eu decidi experimentar. O gosto era muito bom e de algum jeito era familiar para mim. Eu sentia que eu já havia comido aquilo antes, mas eu não sabia quando. Então eu terminei o meu prato, paguei a conta e fui embora.

Agora já era uma hora e pouco, entretanto ainda eu não pretendia ir para casa ainda. Então eu continuei andando por aí. Não muito tempo de caminhada depois, eu acabei encontrando uma construção chamada "galeria de artes" onde então eu fiquei surpreso, pois não sabia que esse tipo de coisa realmente existia. Por fim eu decidi entrar para saber como era dentro.

O lugar era todo pintado de branco das paredes até o teto e como de se esperar havia pinturas e outras artes por todo o lado. A maior parte delas pareciam ser de pessoas famosas, dentre elas tinham quadros de pessoas como: Da Vinci, Picasso, Van Gogh, Tarsila entre outros, mas um quadro em específico me chamou a atenção.

O nome do quadro era "Nighthawks" no geral ele parecia ser bem simples mas por algum motivo ele prendia a minha atenção. Então eu me sentei e comecei a observá-lo. Até que uma hora um homem se sentou perto de mim e me disse:

— E bem bonito não acha?

Um pouco confuso eu respondi:

— Sim, eu acho.

— Essa obra foi feita por um pintor chamado "Edward Hopper". Ele é bem conhecido nos Estados Unidos, mas não é tão famoso em lugares como aqui. Essa pintura foi feita após o Ataque a Pearl Harbor em 1941. Após o evento houve um sentimento generalizado de tristeza por todo o país, que é retratado na pintura. Se você reparar bem, a rua fora do restaurante está vazia e nenhuma pessoas no balcão estão olhando se ou conversando entre si. Todos estão perdidos em seus próprios pensamentos. E o trabalhador do restaurante está olhando para janela atrás dos clientes. Se olharmos com mais atenção, fica evidente que não há maneira de sair da zona do bar, como as três paredes formam um triângulo que cria uma espécie de armadilha que encurrala os clientes. Este retrato da vida urbana moderna, como o vazio ou a solidão, é um tema comum em todo o trabalho de Hopper.

— Nossa, isso é realmente interessante. Eu não havia reparado nessas coisas.

Então o homem retornou a falar e disse:

— Então Simon? Me responde uma coisa: Você se sente sozinho?

— Espera como você sabe o meu nome?

Eu olhei em direção ao homem mas ele não estava lá. Ele tinha de algum jeito desaparecido. Assustado, eu corri direto para casa. Eu olhei as horas e já eram quase cinco horas. "Como o tempo passou tão rápido?" eu me perguntei. Quando eu cheguei em casa, eu estava bem assustado. Então eu decidi apenas comer alguma coisa e ir dormir. Eu pretendia ir até alguma biblioteca para saber sobre o livro que eu tinha escrito, mas eu já tinha feito muita coisa naquele dia.

De qualquer jeito amanhã logo chegaria e seria um novo dia.

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