Capítulo 18
LÍVIA
Eu sempre conversei com a minha filha, sempre procurei responder as perguntas dela com sinceridade. Quando as perguntas sobre quem é o pai começaram eu respirei fundo, engoli minha raiva do babaca e contei a ela quem era Benício Monteiro e o que ele significou na minha vida, claro que deixei as partes feias de lado, por isso quando ela me perguntou porque a gente não ia até o papai foi a única vez em que desviei o assunto, porque apesar de não querer mentir eu não queria falar com a Larissa:
– Olha querida seu pai foi um babaca, não acreditou que eu estava grávida dele e me dispensou com um cheque milionário para se livrar de nós duas.
Para mim desde sempre tive a certeza que, pelo maior tempo possível, eu gostaria de manter minha filha longe de toda a sujeira que manchou o fim da minha história com o Benício, quando ela for mais velha e madura eu iria contar sobre tudo, se dependesse de mim ela teria um canal aberto para conhecer o pai o resto seria com ele aceitar ou não.
Imaginei que esse momento seria lá pela adolescência da Larissa, na minha cabeça nós duas viveríamos muito tempo blindadas da presença dos Monteiro na nossa vida e é nisso que estou pensando enquanto tento colocar minha cabeça no lugar antes de abrir meus olhos e encarar a realidade.
Tenho a impressão que um caminhão me atropelou, nossa desmaiar é horrível e me deixa com uma sensação ruim no corpo e um gosto amargo na boca, mas o desconforto maior está sendo abrir os olhos e dar de cara com ele. Quando nossos olhares se cruzaram por um momento só senti o meu amor por ele, por um momento só existia nós dois, mas então toda a mágoa voltou e tive que desviar meu olhar, foquei no lugar onde me encontrava, uma mulher loira vestida com um jaleco entrou no meu campo de visão e começou a falar comigo:
– Você se sente bem?
– Na verdade não muito, mas tenho que ficar.
– Eu verifiquei a sua pressão e me pareceu abaixo do normal e acho que foi isso que causou o seu desmaio, sugiro que procure um médico, mas antes faça uma refeição leve. – a enfermeira me fala
– vou providenciar algo para você comer e ligar para que a Beatriz venha nos encontrar. – escuto a voz do Bento e viro a cabeça e percebo que ele está bem atrás de mim.
– A Beatriz? Por que ela deveria vir até aqui? – Benício diz e ouvir sua voz é como ir ao céu e depois ser jogada diretamente no inferno , eu não quero sentir isso mas a saudade veio como larva quente tomando meu coração era dolorosamente bom ouvir a voz dele depois de sete anos.
– Tenho certeza que a Lívia vai conversar com você e explicar tudo, mas antes ela precisa se alimentar ou pode desmaiar novamente. – ele fala com o irmão e depois se vira pra mim – Livia eu atendi o seu celular porque não parava de chamar, sua amiga ligou ela está preocupada com você.
– Ai meu Deus! Será que aconteceu algo? Vou ligar pra ela agora onde está meu telefone? – falo e me levanto rápido, rápido demais eu diria pois volto a me sentir tonta e caiu no sofá onde estava com a cabeça rodando.
– você não pode se exaltar. – a enfermeira fala me olhando com repreensão. – fique deitada um pouco e quando for levantar faça isso com calma.
Vejo bento ir até uma mesa e pegar a minha bolsa e mexer no conteúdo sem nenhum pudor, ele pega meu celular e me entrega o aparelho e sai da sala eu ignoro Benício que continua parado em um canto bem longe de mim com os braços cruzados sobre o peito e cara que poderia matar um, ligo para a Juju ela atende depois de 3 toques:
"Oi Liv, eu estava super preocupada, te liguei e me disseram que você desmaiou, como você está agora? Quase tive um treco de preocupação"
– Oi Juju eu tô me sentindo melhor agora – minto, pois ainda into minha cabeça girar.
"Eu disse para você comer alguma coisa sua maluca, como você vai ser forte pela Lari se ficar desmaiando pelos cantos?" Ela me dá um sermão, apesar de ser mais nova dois anos, às vezes parece que a Juliana e a minha mãe pois sempre está cuidando de mim.
– Eu sei. Não vou deixar que isso aconteça novamente, mas agora me diz como a Lari está? – Levanto os olhos para Benício e ele me observa sem nenhuma expressão quem não o conhece bem pode achar que ele está indiferentes mas eu não, conheço cada expressão dele até as mínimas mudanças de humor por isso sei que ele está extremamente nervoso pois a veia em sua testa está pulsando de uma maneira preocupante, tomara que ele não tenha um AVC antes de nos ajudar. Abaixo meus olhos e volto a prestar atenção na conversa.
"Ela está bem na medida do possível acordou e me perguntou de você, ela comeu alguma coisa e disse que tava entediada, então uma enfermeira contou que aqui na ala infantil há uma brinquedoteca e eu a levei até lá"
– Sério? E ela estava animada? Como foi?
"Ela adorou, é um espaço ótimo e tem até uma pedagoga que auxilia as crianças. Mas ela se cansou rápido e voltamos pro quarto; te conto os detalhes quando você voltar"
Me despeço dela no momento em que o Bento entra na sala com uma bandeja contendo um sanduíche e um copo com suco ele coloca tudo na minha frente e sai mas antes troca um olhar com o Benício.
Me alimento tentando não comer muito rápido para não passar mal, faço isso sobre o olhar atento dele, término de comer e me levanto já muito desconfortável com toda essa tensão na sala.
- o que veio fazer aqui? - ele pergunta com a voz carregada de tensão.
BENÍCIO
Ela não responde a minha pergunta de imediato fica epenas lá sentada me encarando, o clima na sala é péssimo parece que ela não quer estar aqui tanto quanto eu não quero te-la assim tão perto, quero logo me livrar dela cada minuto em sua companhia e como tortura, preciso que isso acabe o mais rápido possível. Vejo ela respirando fundo e passando as mão pelo cabelo, ela continua tão linda quanto antes, mas agora seus cabelos estão mais curtos na altura dos ombros e também tem alguns fios mais claros em tons de dourado. Ela perdeu o ar juvenil e agora parece mais madura o que era de se esperar já que agora ela está com trinta e um anos, mas seu rosto ainda é tão lindo quanto antes.
– então você não vai falar nada?
– Benício, minha filha está doente e precisa de ajuda – ela fala com os olhos se enchendo de lágrima como se as palavras a machucassem. Ouvir ela falar da filha é horrível, a criança é a prova viva da traição que sofri. Tenho vontade de dar as costas e sair daqui e não olhar mais para ela.
– e o que você quer, mais dinheiro?
– por que vocês Monteiro ficam oferecendo dinheiro às pessoas? – ela questiona exasperada.
– não para todas as pessoas, mas para as interesseiras iguais a você.
– Olha aqui Benício – ela vem em minha direção sacudindo um dedo – não me chama de interesseira, eu nunca quis seu dinheiro.
– Engraçado que o do meu pai você aceitou sem pensar duas vezes.
– do seu pai? Que você quer dizer com isso idiota?
– não se faça de boba, essa máscara não cai bem em você. – Ela ia retrucar, mas não faz, ao invés disso respira fundo tentando se acalmar, certamente sabe que esta errada e não tem argumento.
– Eu não tenho tempo pra isso, minha filha não tem tempo pra isso. Presta bem atenção no que eu vou falar – ela diz numa mistura de irritação e tristeza – minha filha está no hospital, ela foi diagnosticada com hepatite aguda e piorando a cada minuto, ela precisa de um transplante de fígado e infelizmente nós não temos o mesmo tipo sanguíneo.
Aquela informação me deixa chocado, não conheço a pobre criança, sei bem o que é ver uma criança em uma situação em que não se pode fazer nada para aplacar seu sofrimento, me solidarizo com a situação em que as duas se encontram, mas isso não explica porquê a Lívia está aqui, a não ser que... não, não é isso.
– Eu preciso que você e seus irmãos vão comigo agora até o hospital fazer os exames de compatibilidade, como você sabe eu não tenho família, eu jurei Benício nunca vir até você, eu queria nunca olhar pra você novamente, mas pela minha filha eu faço qualquer coisa. Por isso eu imploro que vamos tentar salvar a vida dela.
– Não, eu não... – balbucio chocado demais para completar a frase.
– Como assim não? – ela grita desesperada e vem em minha direção parando tão perto que consigo sentir o cheiro dela – você tá ficando louco? Benício é a vida da sua filha, você não tem coração? Como você pode falar não a isso?
Ela bate em meu peito chorando desesperada e isso que me faz sair do meu torpor, ela soca meu peito cada vez mais eu agarro os dois pulsos dela na tentativa de fazer com que ela pare, mas ela usa as pernas para me acertar chutes, a Lívia é magrinha, mas sabe bater.
– Lívia pare com isso agora mesmo – falo duro com ela o que a faz parar e me olhar com o rosto banhado em lágrimas. – para com essa loucura Lívia! A menina, ela não pode ser minha filha, é impossível, que tipo de golpe é esse que você está armando depois de tanto tempo, eu já disse que não posso ter filhos. Eu sou estéril por.
– Escute bem, eu não estaria aqui perdendo meu tempo se a Larissa não fosse sua filha Benício. Eu não sei o que os médicos falaram com você, eu não sei porque você acha que é estéril, mas a realidade é que você não é. Você tem uma filha de quase sete anos. – ela fala com a voz cansada eu ainda segurando seus braços e nesse momento eu uso isso para me manter firme no lugar. – Apesar do que você acredita eu jamais te trairia. Você era o amor da minha vida e a minha filha é sua filha. E agora ela está doente e precisa de nós, precisa de você ou da sua família. E escuta bem, eu sou capaz de te matar pra conseguir o seu fígado. Então agora eu pergunto: você vai ou não comigo pro hospital agora?
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