Capítulo 2

Theodory tinha cabelos castanhos mais puxados para o loiro que para o negro. Os olhos eram de uma tonalidade esverdeada escura. Tinha o nariz um pouco grande e fino, mas era totalmente condizente com o formato quadrado do rosto.

    Era engraçado como Theodore não conseguia se vestir como um rei. Por mais que Lizzie e Yvie tentassem fazer ele usar todas - camadas de roupas -, como ele mesmo gostava de falar, Theo se vestia como um Lorde qualquer. Diferente da rainha Yvana que estava sempre bastante elegante. A pele negra não impedia as sardas rosadas e os lábios sempre pintados. Os cabelos negros cacheados e longos, raramente estavam soltos, estavam sempre com um coque ou uma trança, brincos longos de ouro e pedras, jóias e os dedos, ah, nestes não havia um que não houvesse um anel com pedras. Yvana era delicada e tímida, raramente estava em círculos da realeza se pondo a conversar com todos, o que fazia com que sua fama de nariz em pé continuasse a crescer, infelizmente. Mas costumava falar abertamente com Lizzie, dá mesma forma que Lizzie falava com ela. As duas eram bastante próximas e quando Yvanna chegou em Ilya para se casar com Theodore, foi por causa dela que aprendeu a língua de maneira tão rápida.

     — Como o pequeno Ferdinand se encontra? — Lizzie quis saber enquanto pegava um biscoito de manteiga e molhava no leite com laranja.

O antigo chefe da cozinha, senhor Jakec Smith teve um trabalho em tanto para substituir seu antigo ajudante que havia falecido de tosse severa. Uma quantidade seletiva de novos ajudantes foram selecionados e quando Jakec escolheu finalmente, um novo ajudante, teve mais de semanas para treinar o rapaz todo o cardápio da Duquesa.

   "— Escute rapaz — O velho grisalho se pôs a dizer enquanto o rapaz ruivo e baixo seguia ele pela cozinha.— A Grã-Duquesa começa o dia tomando Leite com uma rodela de laranja mergulhada e biscoitos de canela e manteiga, e depois come cereal com frutas no café da manhã. Lizandra mistura cereais com aveia e muitas fibras. Ocasionalmente, troca o café da manhã por uma torrada e marmelada, ou ovos mexidos com salmão defumado, mas sempre come ovos marrons por achá-los mais saborosos.— Dizia sempre se virando para se certificar que o aprendiz estava ouvindo tudo com atenção.— Para abrir seu apetite para o almoço, ela costuma tomar uma dose de Gin misturada com Dubonnet — Jakec viu de relance o rapaz levantar a mão como um aluno que está prestes a fazer uma pergunta e como Jakec já sabia que pergunta seria, respondeu antes de ele abrir a boca.— Dubonnet é uma bebida à base de vinho e ervas, — O rapaz abaixou a mão e eles pararam em um balcão.— Quanto ao almoço a escolha é simples, seguindo a dieta low-carb que tenta manter quando está sozinha, sempre pede legumes e um tipo de peixe — Ele pegou uma massa que estava descansando e começou a apertar sobre a mármore do balcão enquanto falava.— Para o jantar, filé de carne, veado, faisão ou salmão, que é geralmente servido com uma calda de cogumelos e whisky. Apesar de costumar comer morangos e pêssegos de sobremesa, a duquesa também adora chocolate, seja ele de qual for. —Houve um minuto de silêncio entre o chefe e o aprendiz, quando ele encarou o rapaz.— Entendeu?

     — Sim, senhor Jakec.

     — Ótimo — Respondeu.— Então vamos ao cardápio dois."

    — Ele está melhor — Disse Yvana sentada ao lado de Theodore, a mão esquerda pousada em seu colo com a dele por cima, uma típica imagem conjugal perfeita, Lizzie às vezes se pegava suspirando enquanto observava os dois, chegava a ser irritante.— Madeline ficou cuidando dele, tinha que ver, a carinha dele quando dissemos que iríamos visitá-la... —Ela fez uma pausa para beber o chá.— Sabe que ele a adora, não sabe?

   E sabia mesmo. A relação de Lizzie com qualquer criança ou bebê costumava ser muito boa, mas quando se tratava de seu amado sobrinho, ia além.

     — Irei visitá-lo, prometo — Lizzie disse fazendo um movimento com as mãos.

    — Já sabe se irá ao batizado dele? — Theo abriu a boca pela primeira vez e ela estava cheia de macarons, Lizzie teve que se segurar para não rir da cara do primo.

Yvana sorriu dando um tapinha no ombro do marido, que acabou engolindo tudo de maneira desajeitada enquanto bebia o chá.

     — Claro que vou, ora — Lizzie disse.— Por mais que não perdoe vocês por não terem me convidado para ser madrinha, eu irei.

    Lizzie fez uma expressão de quem prestava clemência a eles, como uma rainha que acabava de declarar execução a um de seus súditos.

    — Sem drama, Liz, nós já debatemos sobre isso — Yvanna disse.

    Por longas quatro horas...— Theo completou.

    — Isso por um acaso é um complô contra mim? Na minha própria casa?

    — Quem ela puxou? — Yvanna perguntou.

    — Ela é da linhagem de Ryan, eu sei lá...

    — Vou expulsar vocês dois, esteja dito!

Yvanna e Theo sorriram e a rainha se levantou, ajeitando as saias e atravessando a sala.

    — Onde fica o lavadouro? — Perguntou com a mais perfeita elegância.— Creio que tenha sujado meu corpete todo com o glacê da torta.

O que era uma desculpa para deixar Lizzie e Theo sozinhos. Por mais que fosse a rainha, tinha assuntos que Yvanna não entendia e nem fazia questão de participar. Na verdade, sempre deixou bem claro para Theo que sempre achou números e organização um assunto tedioso e dava graças a Duskin e Abramov por ele ter a Lizzie para debater sobre, porque quanto a ela, estava fora de cogitação.

    —Ah, lady Marta —Chamou Lizzie e a dama de companhia apareceu na sala.— Pode acompanhar a sua majestade até o lavadouro?

    — Certamente — Respondeu Marta dando o braço para que Yvanna se segurasse. — Majestade.

    — Obrigado, Lady Marta.

As duas saíram da sala e Lizzie suspirou se sentando ao lado do rei. Ela pegou seu caderninho com capa de couro vermelha e uma caneta, apoiou no joelho e olhou para Theo.

    — Você disse que estava preocupado com sua reputação, porque exatamente?

Theo que suspirou fundo e colocou a xícara sobre a mesa, olhou de lado para prima e deixou a cabeça cair para trás.

    — Você me acha antiquado? —Perguntou com um olhar preocupado.

Se Lizandra estivesse com chá ou leite na boca, teria cuspido tudo nele.

    — Antiquado? — Ela arregalou os olhos castanhos.— Onde você tirou essa ideia?

  — Não é ideia, é o que andam falando ao meu respeito, pelo que parece...— Ele murmurou.

    — Quem lhe disse isso?

Ele deu de ombros, sacudindo o queixo, como uma criança envergonhada. Theo era muito maduro e tivera que ser, assim como ela, mas havia momentos que Lizzie se esquecia que ele era apenas um ano e três meses que ela, Lizzie o via como um tio ansião na maioria das vezes.

    — As pessoas — Ele pareceu não querer dar nome aos bois e Lizzie não insistiu.— O fato é quem tem falado que eu não pareço um rei muito sério...

Lizzie sorriu de maneira que ele acabou sorrindo também. A risada dela era bastante contagiante e os ombros dela sacudiam sempre que ela gargalhava.

    — Ah e o que eles esperavam? — Perguntou ela animada. — Você é um rei e não um general de exército.

    — Bem, Augustus Victori era...

Ela nem deixou o rei terminar para interrompê-lo.

    — Augustus Victori, que Deus o tenha meu falecido tataravô — Disse ela apontando para cima.— Era um soldado que conquistou um reino, você não tem que fazer o mesmo, Theo — Ela segurou a mão dele. —Você é um ótimo rei e seu povo te ama, ignore as fofocas, elas sempre irão existir de qualquer forma.

Theo olhou de lado para ela e Lizzie imaginou que ele fosse alfineta-la de alguma forma, como ele sempre fazia.

    — Bem, já que tocou neste assunto sobre as fofocas...— Ele começou e Lizzie revirou os olhos para ele.

    — Lá vem você...

    — Estou começando a concordar com elas sobre você.— Declarou.

Ela sorriu de lado, o sorriso formando uma covinha funda na bochecha.

  — Qual delas? A que sou uma bruxa? — Ela fez uma expressão séria com as sobrancelhas arqueadas.

    — A que está se tornando uma solteirona.

Lizzie arregalou os olhos para o primo e sem aviso prévio, lhe deu um belo soco no braço, o que fez o rei gemer sorrindo.

   — Ai! Sua maluca!

  — Pois você mereceu! — Disse nervosa de verdade.— Achei que fosse meu amigo, seu traidor!

   — Ah, vamos, Lizzie —Ele ainda massageava o braço dolorido.— Não tem nem um amante? Nem unzinho? Ninguém?

   — Ah, francamente Theodore — Ela o chamou pelo nome, por isso, Theo sabia que estava encrencado.— Acha que eu vou perder meu tempo com homens? Tenho um condado para governar, tenho você e mais de quinze lordes e oito duques para lidar e você acha mesmo que o meu tempo livre vou correr pelos bosques e campos em busca de...em busca de...Ah, seja lá o que você acha que eu estaria buscando!

Theodore riu do tom avermelhado que lhe cobriu as bochechas e das mãos inquietas sobre o colo, quando ela desviava o olhar dele.

   — Só estou dizendo que talvez alguém para se ter ao lado seja bom.— Declarou.

   — Ah, vamos mudar de assunto, não vou discutir isso com você — Rebateu olhando para ele como um felino.— Não mesmo.

   — Tudo bem, Vossa Graça, me perdoe — Disse ele ainda rindo, quando voltou a ficar sério completou.— Bem, tem algo que preciso que faça.

Lizzie ficou mais séria ainda, mas interessada, se virou de lado para ele.

   — O quê?

   — Tenho uma reunião marcada com a diretoria dos Sky Riders e não vou poder me deslocar até lá amanhã e gostaria que fosse no meu lugar — Disse voltando a pegar a xícara de chá.— Posso mandar lorde Levi até lá caso você não possa, mas achei que como você é uma das maiores patrocinadoras dos Sky Riders, poderia gostar de ir.

Ela piscou e coçou a ponta do nariz como sempre fazia quando estava pensando e concordou com a cabeça.

   —Tudo bem, — Disse.— Amanhã eu estarei livre, é só me dizer o que tenho que dizer.

    — Ótimo, pegue a caneta.

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