~~Capítulo 3~~
Estamos a postos. Quero dizer, estamos dentro da piscina, preparadas para entrarmos nos nossos personagens.
Diego vai mais para o fundo da piscina, e logo finge se afogar. Carla começa a gritar, chamando a atenção do salva vidas e de todo mundo ao nosso redor. Ela daria uma ótima atriz.
O salva vidas, eficiente como ele só, pula na água e retira um Diego "inconsciente". Carla e eu nos aproximamos para ver. O homem pede que as outras pessoas se afastem e prontamente faz respiração boca a boca em Diego.
1, 2, 3 e respira...1, 2, 3 e respira.
Na segunda vez da respiração, Diego segura a cabeça do homem com força prendendo-o a sua boca, tentando beijá-lo. Assim que Diego o solta, levanta igual a um raio e sai em disparada com o salva vidas em seu encalço. O homem parecia puto da vida.
Carla e eu voltamos a nos deitar em nossas espreguiçadeiras, ainda estamos rindo da situação e esperamos a volta de Diego. Espero que o cara não o alcance.
Passados algum tempo, vemos nosso amigo retornando.
— Apareceu a margarida afogada. – Falo sorrindo, zombando dele quando chega mais perto de nós duas. Infelizmente meu sorriso dura pouco. Vejo que ele está com a maçã do rosto vermelha. — O que houve? – Pergunto assustada e me levanto para examinar seu rosto.
— Acho que não corri rápido o bastante. O cara me alcançou e me deu uma bifa. – Diz ele, passando a mão na parte vermelha e fazendo uma careta de dor.
— Eu disse que não ia dar certo. – Carla comenta.
— Não vale a pena entrar nessas enrascadas se for para apanhar. – Falo, ainda examinando seu rosto. — Você deveria colocar gelo nisso aí. Vai dar parte dele?
— Não. Eu estou bem, meninas. – Diego diz já arrumando suas coisas. — Vamos? Esse clube já deu o que tinha que dar.
Voltamos para a casa da Carla, a noite já apontava no céu. Estávamos tão cansados que só tomamos banho, comemos e fomos dormir. Eu mal consegui dormir, estava toda ardida do sol. Tinha quase certeza que Carla não estava muito melhor que eu, dava para perceber ela revirando na cama a noite toda.
Quando consegui pegar no sono, fui acordada por um despertador barulhento. Dava para escutá-lo na casa inteira.
Levantamos, cada um com uma cara de sono. Nos arrumamos e fomos tomar café. Os pais de Carla saíam cedo para trabalhar então sempre davam carona a ela até a faculdade.
Demos bom dia aos pais dela e nos sentamos.
— Carlinha, pede ao seu amigo que tire a maquiagem por favor? – Diz o Sr. Oliveira, olhando para Carla com uma cara de que não ia permitir as palhaçadas de Diego tão cedo. Ele se referia a parte roxa no rosto de Diego.
— Dessa vez não é maquiagem pai. – Minha amiga fala, olhando para o homem sentado na ponta da mesa. — Digamos que o Diego mexeu com quem não devia.
— Isso aqui não foi nada, foi só um carinho que eu recebi. – Diego diz, arrancando risadas minhas e de Carla. Os pais dela estavam nos olhando sem entender.
— Se você fosse à Igreja, essas coisas não aconteceriam. – O pai de Carla fala para Diego.
— Isso não tem nada a ver, pai. – A filha diz, passando manteiga em uma torrada.
Depois dessa história toda com Diego, eu acabei no meio também. O pai de Carla disse que eu deveria passar o dia inteiro na Igreja também, só assim nós seríamos pessoas de bem e que não nos desviaríamos do caminho.
Quando o discurso acabou, eles nos levaram até a faculdade. Assim que entramos é que percebemos que a segunda feira vai ser chata como sempre. Podia ser cinco dias de final de semana e dois de aula, que maravilhoso seria.
As aulas se arrastaram. Ao meio dia saímos e eu voltei para casa. Meu castigo só terminaria na sexta, mamãe só tinha me liberado para dormir na casa da Carla. Já que eu não ia ter muita coisa para fazer em casa fui andando bem devagar. O tempo que eu levo de quinze minutos até em casa, fiz em 30 minutos.
A casa estava vazia. Minha mãe só voltava às cinco da tarde. Rodrigo e Ricardo tinham aula e faziam estágio, então só voltavam à noite. Rodrigo quando voltava, já passava no colégio da Milena e a trazia. Eu ficava com a casa só para mim.
Não tinha dever nenhum da faculdade, o que me restava era dormir. Já que não dormi a noite, ia tentar agora.
Não sei quanto tempo eu dormi, só sei que quando eu acordei, meu quarto estava escuro. Levantei e fui até a janela que estava aberta. Simplesmente fiquei petrificada.
Se lembram a janela do garotinho Joshua? Pois é, tinha uma mulher lá trocando de roupa. Estava de costas para mim, sem sutiã e dava para perceber que estava sem calcinha também, pois logo se abaixou e vestiu a peça de roupa. A janela cobria essa última parte.
Fiquei lá parada, olhando-a colocar uma blusa. Seus cabelos eram de um castanho bem claro, lisos, indo até a metade das costas e terminando com belos cachos nas pontas. Um corpo escultural, pelo menos de costas aparentava ser.
Não sei por que fiquei olhando uma mulher trocar de roupa. Algo me prendia ao chão e meus olhos não conseguiam se desviar de maneira nenhuma.
Ela se virou sem prévio aviso e me viu ali, olhando-a fixamente. No susto por ela ter me pegado espiando-a, me joguei no chão tentando me esconder.
UAU... Que MULHER. Que DEUSA é essa? É a mulher mais linda que eu já vi. Confesso que é estranho. Nunca pensei em uma mulher desse jeito. Demorei um tempo ali no chão, esperando que a mulher já não estivesse mais na janela.
— MELISSA! DESCE AQUI. – Minha mãe me grita de algum lugar lá embaixo.
Bom... Agora que descobriram meu nome, vou me apresentar como manda a etiqueta.
Prazer, sou Melissa Castro Muniz. Tenho 19 anos, sou do signo de virgem. Tenho olhos cor de mel. Meus cabelos são castanhos, só que escuros e repicados na altura do ombro. Faço faculdade de Administração e estou tentando arranjar um estágio. Como vocês já sabem, nunca tive namorado, nunca fiquei com ninguém e ainda sou virgem. Pois é, bem sem gracinha a minha vida né?
Acho que a janta está pronta, deve ser por isso que minha mãe está mandando eu descer. Levanto um pouquinho e olho pela janela, a mulher desapareceu. Saio do meu quarto e começo a descer as escadas. O cheirinho está ótimo.
Escuto vozes e paro no meio da escada, minha mãe entra em meu campo de visão sendo seguida por ninguém menos que ELA, a DEUSA que eu estava observando.
Só depois de vê-la ali parada me olhando com olhos semicerrados é que me dou conta de que ela veio me dedurar para a minha mãe.
— Olha só, a culpa não é minha tá? Quando eu olhei, ela estava lá do outro lado e... – Falo depressa, atropelando nas palavras.
— Ei, ei, ei, mocinha. Respira. – Minha mãe diz me cortando, olhando para mim no meio da escada. — Antes de mais nada, eu quero te apresentar nossa nova vizinha. Essa é a Fernanda, filha. Fernanda Castiel Bernardi. Lindo nome né? – Diz mamãe sorrindo.
Fico olhando aquela beldade sem piscar. Ela é realmente linda. Um rosto angelical. Olhos azuis. Nem consigo desviar os olhos daquela imensidão. É como se me chamassem, me hipnotizasse.
Espera aí, vizinha? Quando foi que ela se mudou? No sábado quando eu saí não vi movimentação nenhuma na casa ao lado. Alguém consegue arrumar a casa em dois dias depois que se muda? Três, contando hoje.
— É um prazer te conhecer, Melissa. – Fernanda diz, com um sorriso maroto nos lábios. Nossa... a voz dela é como se os anjos estivessem cantando. Me faz flutuar.
— Melissa? Melissa? Terra chamando. – Minha mãe diz, batendo palma para chamar minha atenção.
— Oi. – Respondo com minha voz falhando. Não sei como eu ainda estava de pé, minhas pernas estavam bambas.
— O que você estava dizendo antes, filha? – Mamãe me pergunta.
— Na... Nada. – Falo, sendo incapaz de tirar meus olhos da Nanda. Iria chamá-la assim agora. Nanda. É claro que é só nos meus pensamentos.
— Vem jantar, Mel. – Minha mãe fala, e se vira para aquele monumento. — Janta com a gente Fernanda?
— Se não for nenhum incômodo? – Ela diz, olhando para minha mãe e dando um sorriso lindo.
— Incômodo nenhum. Vai ser um prazer tê-la aqui. – Mamãe fala.
Resolvo descer os restantes da escada, enquanto minha mãe continua falando com ela.
— Depois do jantar, a Mel pode sair com você para te mostrar o bairro, o que acha? – Nessa hora, minha perna direita simplesmente resolve escorregar, me deixando com uma perna lá em cima e a outra lá embaixo na escada. Quase uma abertura. Eu queria ter um buraco agora para me enfiar inteira.
— Olha aí, olha aí. Até na frente de gente nova você resolve pagar mico? – Mamãe diz, colocando a mão no rosto aparentando estar envergonhada.
Eu quem deveria estar com vergonha e não ela. Fui eu que caí toda desengonçada na escada em frente àquela mulher linda. Devo estar mais vermelha que um pimentão.
Arrisco olhar para a Fernanda e percebo que ela está se segurando para não rir. Me levanto e passo feito um furacão indo para a cozinha. Ainda escuto minha mãe comentando algo, mas não entendo.
O jantar transcorreu bem, se é que aquilo podia dizer que era bem. Rodrigo ficou o tempo todo babando pela Nanda. Ricardo por sua vez, ficava enchendo aquela deusa de perguntas e eu fiquei o tempo quase todo encarando meu prato, quando arriscava um olhar para ela, era surpreendida, pois ela também estava me olhando.
Pelo menos eu descobri coisas a seu respeito. Ela tem 26 anos, mora sozinha e é solteira. Seus pais morreram em um acidente de carro quando ela tinha sete anos. Depois disso, foi morar com a tia. Seus pais deixaram uma empresa que está em seu nome.
Eita, agora que me dei conta de que ela era a dona da grande empresa Castiel, e eu achando que a empresa era relacionada à igreja ou algo do tipo. Nada a ver.
Pelo que ela disse, é uma empresa que faz prestação de serviços de representação comercial de outra empresa sediada em Nova York. Chique né? Pois é, eu mesma não entendi nada.
Também descobri que ela se formou em Direito e Administração, mas que sua paixão mesmo era ser Psicóloga. Por conta da empresa não sobra tempo para fazer o curso.
Em um determinado momento do jantar, eu fui colocada na conversa.
— A Mel também está fazendo Administração, Fernanda. Está procurando um estágio. Quem sabe, se vocês se conhecerem melhor, você até pode entrevistar ela. – Mamãe diz, um tanto feliz.
— Claro, vai ser um prazer tê-la em minha empresa. Posso ver um dia para te entrevistar. – Nanda diz, me olhando. Na verdade era como se estivesse me analisando. Dou um sorrisinho rápido.
— Depois vocês conversam melhor. – Minha mãe fala. — A Mel vai te levar em um passeio depois do jantar. – Mamãe fala sorrindo.
Depois do jantar, tento escapar o mais rápido possível para o meu quarto, quem sabe assim mamãe esquecia o tal passeio. Mas como a sorte não anda comigo, acabei sendo chamada antes mesmo de alcançar o primeiro degrau da escada. Quando me virei, mamãe e Nanda estavam me olhando.
— Esqueceu-se do passeio senhorita? – Minha mãe diz com uma cara séria. — Não faça a Fernanda esperar. Anda, vai logo. Pode pegar o meu carro. – Ela diz esse último com um sorriso. Como se isso fosse o problema né?
Dou meia volta e vou pegar as chaves do carro dela.
Eu tirei carteira de motorista assim que fiz 18 anos. Mas só uso o carro de vez em quando. É uma briga só por causa do outro carro. Um é da mamãe, o outro, Rodrigo e Ricardo ficam disputando para ver quem sai com ele, ficando assim, cada um uma semana com ele. Tentei entrar na disputa também, mas logo na segunda semana eles me passaram para trás, então achei que não valia a pena e quando dá, peço à mamãe o dela emprestado.
Peguei o carro e esperei aquela beldade entrar. Não sei como ia dirigir, minhas pernas voltaram a ficar bambas.
Agora não tinha como fugir. A não ser que euarrancasse com o carro antes dela entrar.
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