Capítulo 25
Bônus
Marcelo
Desembarco no aeroporto de Confins , chegando de mais uma viagem de negócios. Confesso que tenho feito muitas no ultimo ano. Qualquer emergência, ou pra falar a verdade qualquer motivo, que apareça em uma das nossas filiais em outros estados eu sou o primeiro a me oferecer para ir.
Tudo pra ficar longe de casa, tudo para ficar longe dela. Minha mulher Anelise. Aquela que já foi a mulher que amo, mas hoje é só a sombra disso. Não há entre nos mais nenhum sinal de amor, respeito ou companheirismo.
Tínhamos o casamento perfeito, mas aos poucos ela foi acabando com isso começando pelo ciúmes desmedido dela. Primeiro ela me afastou de todos os meus amigos e depois ela consegui me afastar de uma das pessoas que mais me importei nessa vida. Só de pensar em Renata me entristeço e a saudade machuca meu peito. Como fui deixar chegar a esse ponto?
Pego meu carro que deixei no estacionamento do aeroporto e saio pelas ruas da cidade em direção a minha casa e vou pensando na vida. Apesar das brigas colossais eu conseguia contornar o ciúmes dela e manter meu casamento vivo, eu a amava e fazia qualquer coisa por ela mas ai tudo mudo.
Anelise ficou gravida e ainda no segundo mês perdeu nosso filho, depois disso voltar a engravidar virou uma obsessão pra ela, a cada mês que sua menstruarão vinha era um drama sem fim. Tentamos de tudo, consulta, tratamentos, inseminação artificial, porem toda vez que ela engravidava acabava sofrendo um aborto, foram cinco vezes no total. Eu não aguentava mais aquilo e ela já tinha passado de seu limite. Adoção era uma palavra proibi na nossa casa todas as vezes que eu fazia essa sugestão ela dizia que eu não acreditava mais nela, que eu achava que ela era seca por dentro.
Ela estava sofrendo eu estava sofrendo e nosso casamento estava se dissolvendo a olhos vistos. Ela dizia que eu já não amava ela por sua incapacidade de me dar um filho, mas de verdade isso nunca me importou tanto quanto a ela; claro eu queria ser pai, mas não a ponto de pagar com meu casamento. O que estava realmente matando nosso amor era o fato de que a pauta da gravidez dela se tornou o centro do nosso mundo todo o resto ficou em segundo plano.
Tentei programas diferentes, passeios, viagens, jantares, noites românticas, terapia de casal, em fim; nada a agradava e sexo só tinha o objetivo de gerar uma criança dava pra ver que ela nem sentia mais prazer em transar comigo. Então eu desisti, comecei a dormir em outro quarto, ficar mais tempo na empresa e viajar a cada oportunidade me apresentada.
Chego em casa e minha vontade e de dormir dentro do carro o pra não ter que entra, mas isso seria demais ate pra mim. Apesar de tudo ainda somos casados e a Ana merece pelo menos meu respeito.
A casa está toda escura mas algo me deixa alerta, escuto um chorinho fraco, um choro de bebe. Subo as escadas correndo em direção ao choro. Abro o quarto onde sempre falamos que seria o quarto do nosso filho, quando sai pra viajar o quarto estava completamente vazio, mas agora esta todo equipado com coisas de criança em tom de azul.
– Que pora esta acontecendo aqui?
O choro vem do banheiro então entro no quarto reparando em tudo e entro no banheiro. Chocado define como me sinto, Ana está dando banho em um menino que deve ter mais ou menos uns seis meses o bebe chora em desespero mas ela parece alheia a isso.
– Anelise o que esta acontecendo aqui? De quem é esse bebe?
– Olha filho papai chegou, vem amor me ajudar o Vinício não para de chorar acho que é fome. – o olhar dela não esta normal, esta vidrado e sem vida ao mesmo tempo.
Me aproximo e pego o bebe tirando o da água que está gelada, o enrolo em uma toalha e levo pra o quarto. Abro o armário que esta cheio de roupas de menino pego uma que eu julgo quente e visto o bebe.
– Ana de quem é essa criança? – balanço meu corpo tentando fazer o bebê nos meus braços para de chorar.
– Ora ele é nosso, bobinho. Ele estava com um ladra muito má, mas dei um jeito nela.
– Jeito? Que jeito?
– Isso não importa, não vou encher você com detalhes incômodos. Uma boa esposa não leva problema ao marido. O que posso dizer é que ela não vai mais roubar nosso filho, vou fazer a mamadeira.
Ela simplesmente sai do quarto; fico desesperado sem saber o que fazer, pego o telefone e ligo para as moças que trabalham aqui e elas me dizem que achavam que nos estávamos viajando juntos que a Anelise deu férias a ambas.
Desço as escadas e vou em direção à cozinha ela esta esquentando uma mamadeira no fogão.
– Amor o nosso filho é lindo – começo – me conte como você o encontrou?
– Ele estava tão longe meu amor, bem longe, mas eu fui busca-lo, aquela vadia era uma irresponsável que deixava nosso filho com uma qualquer cuidando dele, ele não podia ficar nem mais um minuto naquela casa, alias aquilo nem era casa era uma cabana velha no meio do nada e nosso filho dividia o quarto com uma ratinha. Mas tadinho ele não para de chorar lembrando o mal que ela fez a ele. Por isso foi bem feito o fim que dei nela. E agora você vai voltar a me amar já que eu trouxe nosso filho pra casa.
Ela não esta normal e eu temo pela mãe desse menino, a cara que a Ana fez me deixou realmente assustado, assim que ela se vira para mexer a panela sobre o fogão eu saio com o bebe que adormeceu e me tranco com ele no escritório enquanto ligo para a policia.
Bento
O caminho para Belo horizonte nunca foi tão longo, vim contando os minutos que me separavam de ter meu filho novamente. Meu coração já estava um pouco menos angustiado, mas só ficaria tranquilo quando estivesse com ele nos braços.
Nesses dias que fiquei sem notícias dele pude sentir a verdadeira dimensão do amor que sinto por esse menino de sorriso fácil. Não ser o pai biológico dos gêmeos não muda em nada meu amore devoção. Pai é quem esta presente, que da carinho, quem se importa, quem cuida e eu faço tudo isso por eles e hoje sei que daria minha vida, cada gota do meu sangue pra vê-los em bem.
Chegamos até o hospital para onde ele foi trazido para que sejam realizados exames que vão nos dizer se ele esta bem. Passamos direto pela recepção, pois a assistente social estava nos esperando na entrada, quando chego ao quarto vejo o pequeno nos braços de uma enfermeira e lagrimas caem quando finalmente pego ele em meus braços e sinto seu calor junto a mim. Preces de agradecimento a Deus saem dos meus lábios e logo depois beijo a cabecinha dele que se aconchega no meu colo entendendo que finalmente estamos juntos.
– Eu te amo filho.
Ele apenas balbucia em resposta, mas o sorriso que ele da me faz ter certeza que ele entendeu o significado dessa palavras.
****
–Oi meu nome é Marcelo, eu só posso dizer que sinto muito por tudo que esta acontecendo.
Encaro o homem a minha frente e vejo nele os mesmos sinais de sofrimento que vejo em mim nos últimos dias. Ele parece realmente acabado o que me faz sentir piedade por ele.
– Me conta o que esta acontecendo, pois ate agora eu não entendo o real interesse na sua mulher pelo meu filho.
Ele então me conta sobre sua vida no ultimo ano e sobre a obsessão da esposa por engravidar.
– Porque ela saiu de tão longe pra sequestrar uma criança? Por que invadir a minha casa matar uma pessoa e deixar minha esposa a beira da morte?
- sinceramente essa parte eu não entendo, a obsessão dela era com sua mulher, achamos varia fotos da sua família em passeios, restaurantes, praça, , saindo de consultórios médicos; não foi aleatório. E não foi repentino nas foto é possível notar o crescimento do menino.
– O que ela disse a respeito? Tem que haver uma explicação – estou ficando cada vez mais nervoso com tudo isso.
– Nada, ela esta totalmente fora da realidade, insiste que o bebe é nosso e que a criminosa é a sua mulher. Surtou quando a policia chegou e levou o menino, tento se jogar na frente da viatura.
– Estamos investigando tudo senhor Beto – o delegado Elano responsável pela delegacia onde estamos fala – apreendemos o celular, o notebook que a investigada usava. O senhor Marcelo nos deu total acesso ao registro bancário da esposa. Em breve teremos as respostas que todos nós buscamos.
– Se é assim não tenho mais nada pra fazer aqui por enquanto. Preciso voltar para junto da minha mulher, espero que vocês agilizem a investigação.
– olha cara eu só posso te pedir perdão, eu não imaginava que isso tudo estava acontecendo ainda não acredito que é real, parece que cai direto em um pesadelo.
– Se você se sente assim imagine o que eu estou vivendo – e tudo que falo antes de sair da sala
Chego ao hospital e passo por todos os procedemos de higienização e entro para o quarto de uti me sento na cadeira ao lado dela e começo a fala:
– Amor, o Matheus esta seguro, finalmente ele esta em casa, mas ele precisa de você assim como eu e a Lucy . Não aguento mais ver esses olhos fechados e esse rostinho pálido. Por favor, meu amor acorda e volte pra gente.
Fico conversando com ela até a enfermeira vir me avisar que o horário acabou me levanto e beijo sua cabeça prometendo que amanhã eu estou de volta e torcendo para que hoje seja o ultimo dia que vou encontra-la desacordada.
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