Sozinha

Ponto de vista em primeira pessoa test
Adoro esse ponto de vista
Mas porra como é difícil

Nightmare Word, Crowley e Baker pertencem a:
Opsy_im_a_star_

Não acho que vc vá ler
Mas tá aí os créditos

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Rubby

Cai no chão do meu quarto, em Nightmare Word, no quarto que Crowley se deu o trabalho de fazer pra mim.
Até hoje desconheço sua motivação, ou o motivo dele ter um afeto tão grande por mim.
Boa parte deve ser... Memórias?
Não, não.
Talvez sensações, igual eu... Igual eu tenho dele, afinal... Nos conhecemos antes, de ser... Assim. Esse afeto quase parece antinatural... Ainda mais dele ser bem... Recluso, pelo que pude observar, nessa vida.
Mas eu não saberia explicar o motivo, não tenho a aura falsa que fazia as pessoas gostarem de sua presença que minha avó tinha, e não tenho... A aura do meu tio.
Minha aura é podre. Pesada. Nojenta.

Não me surpreenderia se, na verdade, as pessoas ao meu redor começassem a sentir repulsa por mim.

Falando em algo nojento.
Eu com certeza estou nojenta.
E tudo dói.

Cada parte do meu corpo parece quebrada, e provavelmente está mesmo. Faz muito tempo que não sinto tanta dor.

A última vez que meu corpo doeu tanto foi quando...
Quando... Meus tentáculos...

-- Ugh!- -- tentei me manter em pé, mas claro que falhei, caindo de joelhos no chão gelado, eu não quero atrair atenção.

Eu só quero descansar.

Eu preciso deitar na cama e dormir só por algumas horas.

Eu não estou com energias... Pra explicar nem para o Crowley nem para a Comet como que cheguei nesse estado.

O Crowley vai se irritar...
Vai se preocupar...
Não, não.
Nada de preocupação... A gosma... Só precisa descansar... E aí vai me curar....

Senti uma vontade muito grande de vomitar, mas eu não como nada físico tem duas semanas, então em vez de comida, joguei gosma negra, diferente da minha habitual.
Do meu sangue.
Essa era pior, ela era mais escura, e em vez do gosto adocicado da negatividade, parecia maçã estragada.

E ela queimava.
Queimava muito.
Minha garganta estava destruída, eu acho que não vou conseguir falar tão cedo.

Eu poderia ter ido até Adrastus talvez, ele me curaria.
Ou talvez Maziar, ele iria cuidar de mim, eu acho. Não quis incomodar Dark, ele está sofrendo mais do que eu no momento, e Emelly não está disponível...
Dream é irritante, e eu tô com medo da reação dele...

E Meu pai- não, não. Nightmare.
Nightmare... É, Nightmare.
Ele está... Inútil, bem inútil.
Eu poderia ter o matado uma dúzia de vezes só semana passada, mas isso não é justo, não é? É como atacar um animal indefeso.
E não vou ser covarde de atacar em sua fraqueza.

Mas eu não quero que eles saibam... Principalmente Adrastus e Nightmare, eles vão explodir, e podem acabar se matando.

Não quero que... Crowley me veja assim, eu não quero a preocupação dele.
Não quero que ele fique preocupado com algo que não é... De sua conta.

Ele não vai saber.
Não vai me forçar a falar.
Afinal... Irritar Nightmare é uma coisa.
Irritar Ele é outra bem diferente.
Não, não.
Rainbow nem vai saber que Ele existe, e vice versa.

Rainbow não...

Minha boca se encheu de um gosto amargo.

Não é Rainbow...
Crowley...
É... Ele não gosta que o chamem pelo sobrenome, não sei o motivo.
Por que eu posso chama-lo assim?

Crowley...
É, tenho que chamar ele assim.

"Obrigada, pai."

Pareceu um soco no estômago, chamei ele de "pai" quando me deu o moletom com a caveira verde. Ele... Ele me abraçou no dia.
Não sei...
Acho que não devia tornar isso um costume...

Me levanto do chão, e a porta atrás de mim range suavemente.
Meu corpo inteiro congela, não consigo sentir auras por causa do meu estado.
Mas minha alma não quer que o Crowley me veja assim, não não.

Todo meu corpo está quebrado.
Minha mandíbula quebrada, separada do maxilar, pareço o Jeff The Killer, isso é péssimo. Meus dedos e punhos espalham rachaduras por minhas mãos e antebraços. Meus cotovelos parecem que foram torcidos para trás, meus joelhos estão no mesmo estado.
E minhas costas... Deus, o quebrado que meus tentáculos saem com certeza aumentou... E muito, parece que levei meia dúzia de chicotadas.
Isso sem contar as rachaduras nas áreas do corpo que a roupa cobre.

Mas ele veria meu pescoço também, já que estou sem cachecol.
E a rachadura ali, parecendo que girei a cabeça a 360° ou que quebrei o pescoço a mostra.

Não.
Não.

Tremi violentamente ao me virar, esperando dar de cara com um cara moreno de 1,86 de altura, mas não.
O que entrou não era nem humano, era um gatinho branco de olhos escarlates bem familiar.

-- Rubby? -- Baker falou, baixinho, enquanto empurrava a porta de volta. -- o que aconteceu?

Meu corpo ainda tremia, eu sentia a gosma querendo sair pelos quebrados, minha concentração para não sangrar estava se esvaindo.
Mas ainda era melhor o Baker do que meu... Do que o Crowley.

-- Baker.. -- minha voz saiu rouca, muito baixa e dolorida. Minha garganta parecia implorar para que eu parasse de falar. -- eu tô bem.. só... Preciso dormir... O Crowley tá em casa?

Parece que engoli cacos de vidro.
Dói.

Ele correu até minhas pernas, pulando e apoiando aquelas pequenas patinhas em mim.

-- não, ele e a Comet saíram, o que aconteceu com você? -- ele estudou os quebrados nos meus joelhos.

Eu me sentia uma boneca descartada.

Provavelmente era assim que ele me via.

Uma bonequinha que poderia quebrar quanto quisesse, um bom brinquedo não se destrói facilmente.

Não respondi.

Apenas... Apenas sai, dando alguns dolorosos passos até a cama, agradecendo por estar arrumada.

A janela estava só encostada, uma brisa fraca entrou pela fresta.
Odeio luz.
Mas não tenho energias para fechar a cortina...

Então só me joguei na cama, o corpo inteiro latejando, cada pequena rachadura ardendo como um corte de faca recém feito.

-- Rubby? -- a voz baixa e delicada de Baker me chamou de novo, senti um pesinho leve subir no colchão. -- você... Você tá muito machucada, o que aconteceu?

Me encolhi, gemendo dolorosamente quando minhas dobras voltaram a sua posição real.
Sem ser dobradas em direções que não deviam.

Minhas mãos doíam.

-- eu tô bem. -- respondi rouca. -- só... Preciso dormir... Não diz pro Crowley que estou aqui... Eu não quero incomodar.

-- ele vai saber que você está aqui uma hora ou outra. -- ele subiu em mim, mas era tão pequeno e leve que não machucava. -- tipo, provavelmente assim que voltar. O que aconteceu com você, Rubby?

Ele pulou entre meu peito e meus joelhos, no espaço que fui incapaz de fechar para manter meus braços ali, Baker se enfiou debaixo do meu braço esquerdo, se apoiando no direito com cuidado.
Era tão pequeno que o pouco espaço não lhe pareceu incômodo.

Ele lambeu meu rosto, e afastou fechando os olhos com força, passando as patinhas na língua.

-- tá quebrado de verdade?! Saiu poeira dos seus ossos na minha língua, e tá amargo, muito amargo, gosto de maçã podre, Rubby o que aconteceu? -- ele apoiou as patinhas nas minhas bochechas.

-- pode me fazer companhia...? -- pedi, incapaz de mencionar a sentença de meus ossos estarem esfarelando ou sobre o que aconteceu.

Ele me olhou em silêncio, se deitando contra meu peito, frustrado por não conseguir resposta nenhuma sobre a procedência de meu estado.

Ajeitei a cauda, próxima do corpo, mas até ela latejava, os espinhos que ficavam na parte traseira estavam retraídos, mas eu sabia que alguns até quebrados estavam.

Acho que meu corpo inteiro precisa de uma substituição depois dessa.
Não só meu braço.

~~~~

Não acordei totalmente, era como se eu cochilasse, meu corpo estava apagado, mas minha consciência estava ativa.

Quase como uma paralisia do sono, como se eu estivesse presa dentro da minha própria mente.
Nem meus olhos eu conseguia abrir.

Me sinto melhor, psicologicamente, mas fisicamente nada mudou.

Talvez eu devesse dormir mais, gastar mais tempo da minha vida miserável desligando a mente.

Tudo ainda dói.
E a gosma não tá pronta pra me curar ainda.

A mistura não fez nada bem em mim.
Claro que não faria.

A porta rangeu baixo, eu me assustei, me encolhendo levemente e gemendo baixo com a dor que o leve movimento causou.

De repente senti pânico.
Só podia ser o Crowley.
Ou a Comet.
Chaos, na pior das hipóteses.
Ele não me encontraria aqui.
Longe demais até pra ele.
Até pros meus irmãos.

Minha respiração acelerou.
Eu precisava saber quem era, eu quero minha aura de volta, é assim que Adrastus se sente sem a aura?
Quem está na porta?

Estava começando a entrar em Pânico.

Baker continuava entre meus braços, e senti ele se mexendo, levantando a cabeça talvez..?

-- Oi Crowley. -- ouvi ele sussurrando.

Me senti aliviada, meu corpo relaxou, mas em seguida me senti tensa, só que não consegui me mexer, puxar uma coberta para me esconder, nada, eu estava tão cansada. Não estava com forças para me esconder, isso iria doer.

Crowley não respondeu.
Mas eu ouvi passos leves se aproximando da cama, o som do tapete no chão amassando sob os pés dele.

Ele parou.
Ao lado da cama.

Talvez isso seja uma paralisia do sono.

Mais dois pesos subiram na cama, leves demais para ser seres humanos.
Warui e Hadeon.

Eu senti um se deitar atrás dos meus joelhos, se encolhendo entre minhas pernas.
E o outro deitou nas minhas costas, acho que o Warui, talvez o gelado que senti em minha nuca seja a faixa que ele gosta de deixar amarrada na cabeça.

Baker se mexeu novamente, esticando o corpo de leve, mas logo voltou a posição anterior, tocando meu queixo com a cabeça.
Era macio, e quentinho.
Senti vontade de o abraçar.

Acho que ouvi a respiração de Crowley perder o ritmo, acelerando levemente.
Mas não tenho certeza.
Talvez eu esteja delirando.

Senti mechas do meu cabelo serem tiradas do meu rosto delicadamente, revelando a extensão do quebrado que se iniciava em minha boca.

Seus dedos passaram levemente pelo fim da rachadura, e então ele afastou a mão.

Tudo ficou em silêncio por alguns minutos.

Eu sabia que ele não tinha ido embora, afinal eu não tinha ouvido ele se afastar, nenhum passo, na verdade ele se quer se mexeu.

Senti um peso ao meu lado na cama, imaginei que talvez ele tivesse... Se sentado ali?
Não sei.
Warui fez um barulhinho, e se esfregou nas minhas costas, resmungando, talvez por causa dos quebrados.
O casaco ainda escondia isso.

Essa ação dele doeu.

Senti um peso na minha cabeça, leve, cuidadoso.
Acho que Crowley apoiou a mão ali.

Segundos depois ele começou a fazer carinho.

Minha garganta fechou.
Ainda parecia que eu engoli cacos de vidro.

Preciso comer alguma coisa.
Faz tempo que não sinto fome de... Comida.

Queria bolo de morango, quero algo doce pra tirar esse gosto amargo da boca.

Senti Crowley se mexendo na cama, como se virasse o corpo em minha direção.
E então sua mão saiu da minha cabeça, pousando na minha mão.

Ele apertou de leve, não o suficiente para doer.

Isso não tá certo.

Eu não deveria me sentir tão segura.
Ele não poderia me proteger dele.

Por qual motivo consigo baixar a guarda perto dele? Mesmo sabendo que Crowley não pode me proteger de nada além do Nightmare.

Estou com tanto medo.

E estou sozinha.

Sozinha.

Não importa quantas pessoas estejam comigo.
Esse verme que se enrola entre minhas memórias é meu.

Estou sozinha.

Não há nada que alguém possa fazer por mim.
Tudo que tenho são momentos assim.

E de que adiantam.

Senti lágrimas se formarem em meus olhos, que escorreram pelo meu rosto até molhar o colchão.
Mas meu corpo não se mexeu.

Crowley apertou de leve a mão, doeu, mas parecia um lembrete de que ele estava ali.

O que vou fazer agora?

Não posso me esconder...
Não quero viver com isso...

As lágrimas não param.

Soltei um soluço, Baker se mexeu, senti os olhos dos dois em mim.

Eu só quero apagar de novo.
Talvez assim eu esqueça por um tempinho que ninguém pode me ajudar.

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