Romance #2 - Amakai pq sim
Kokkai mexia nas mechas de cabelo em frente ao espelho, tentando puxar aqui e ali para ficar bonito, mas ele detestava o cabelo sendo tão grande, afetava drasticamente sua autoestima. Desde os seus 300 anos era difícil ele achar qualquer cabelo em si bonito, e seu cabelo crescia tão rápido, era um incomodo para ele.
O lorde suspirou, se afastando do espelho enquanto passava os dedos entre as mechas negras, Jasper se recusara a cortar seu cabelo no corte padrão que mantinha a muito tempo, e Darya disse que não sabia fazer aquilo, era sempre o amigo que cortava seu cabelo, e agora ele insistia que não aguentava mais aquele corte, que Kokkai "deveria variar". Bufando de frustração o vampiro desistiu de insistir a Jasper e agora seu cabelo estava batendo em seus ombros, horríveis e repicados. O cabelo grande sempre foi a dádiva do irmão mais novo, a trança tão longa quanto seu corpo era linda nele, a última vez que Kokkai tentará deixar abaixo do maxilar rendeu em cabelo pegando fogo.
Depois veria o que fazer com o cabelo, a lembrança de que o Conde Emel – tradicionalmente seria chamado de "Conde Drácula" mas o Conde detestava o sobrenome – iria fazer um baile, o baile na verdade era mais uma reunião de negócios com os mais velhos, Kokkai tinha quase 700 anos – apenas 400 anos mais novo que o Conde – e era responsável pelo comércio de ervas medicinais, algo que andava muito em alta considerando algumas que haviam sido cultivadas com magia para tratar de doenças mágicas lançadas por fadas e sereias, além da licantropia.
Ele havia sido convidado obviamente, Jasper não iria, humanos transformados não poderiam comparecer, e Jasper, apesar de ter quase 400 anos jamais seria bem vindo sendo ainda tão humano. Darya iria mas apenas para encontrar a mãe, que compareceria, Kokkai iria praticamente sozinho e ficaria sozinho, já que não tinha acompanhante. Se quer tinha uma roupa, para ser bem honesto.
Um baixo som de portal ecoou pelo quarto, novamente, ele já estava acostumado com aquele som, escutava quase todos os dias.
Amat saiu do portal, linda como sempre, os cabelos loiros caindo em seus ombros e os lábios pintados com o batom escuro que os deixava tão destacados, como sempre com as roupas curtas e vulgares que conseguiam ser mais abertas que as roupas íntimas femininas, Kokkai achava até engraçado isso, apesar se serem realmente atraentes. Depois da última vez que ficaram sozinhos toda vez que Kokkai as via tinha vontade de arranca-las, não para exatamente replicar o ato, mas só para admirar o corpo da parceira por inteiro.
Fazia cerca de 3 semanas que o lorde havia pedido a deusa em namoro, apesar de ser um termo novo para ele, era o que Amat dizia que eram, namorados, Kokkai achava a palavra divertida.
"É algo com menos comprometimento do que um noivado entende?"
Amat explicará sobre isso, Kokkai era ansioso, achava desconfortável essa ideia de algo com menos comprometimento do que um noivado que vem antes do noivado, parecia tempo demais até que ele pudesse dizer que Amat era realmente sua e só sua.
Apesar de que a própria deusa parecia confortável com a situação atual do relacionamento de ambos, então Kokkai não estava tão incomodado assim com isso.
Voltando ao presente Kokkai se aproximou, não precisou dizer nada enquanto pegava a deusa no colo e depositava um beijo em sua testa, com a loira dando um risinho baixo e abraçando o pescoço do lorde. Mas Kokkai não pode deixar de notar o desânimo em seu rosto, e os olhos avermelhados e inchados como se ela tivesse chorado.
– o que aconteceu? – ela o olhou cuidadosamente.
– sobre? – falou com a voz baixa, doce.
– você estava chorando não estava, o que aconteceu? Alguém te machucou? – o vampiro se sentou na cama, mantendo a deusa em seu colo cuidadosamente.
– o que...? Não. – ela forçou um riso. – estou bem.
– não minta pra mim. – rapidamente o sorriso no rosto dela se desfez, Amat torceu os lábios desviando o olhar, Kokkai viu que novas lágrimas ameaçavam cair. – Amat... O que aconteceu?
– não aconteceu nada, literalmente, eu não estou mentindo... Eu só... – ela deu uma pausa, encostando o rosto no peitoral do maior. – fiquei pensando em nós...
– o que tem nós que te faz chorar? – Kokkai sentiu uma preocupação gigante queimar em seu peito.
Ficou pensando se havia dito algo, ou fez algo que desagradou a parceira? Será que ela achava que ele havia a pedido em um relacionamento por algum interesse? Sexual talvez?
De repente o coração do lorde batia com força, sua garganta parecia fechada e sua boca secou.
A deusa apertou o abraço, fechando os olhos e deixando as lágrimas molharem a blusa cor de mel de Kokkai.
– Eu não me sinto digna disso, de estar com você, estou suja, por quanto tempo fui usada por outros? Quantas pessoas usaram meu corpo e agora eu estou aqui, dizendo que sou sua... – sua voz saia baixa, rouca e carregada de tristeza. – o que vão pensar de você? Estar num relacionamento com uma prostituta.
Kokkai sentiu o peso da preocupação cair em seus ombros, saindo de si, não era culpa dele, mas não era dela também.
– Vão pensar que se rebaixou tanto, ao ponto de decidir dividir a casa, a cama com alguém que já fez isso com tantos, que já deu seu corpo a diversas pessoas diferentes que nem me lembro os rostos, os nomes... Tudo por dinheiro... Você merece mais que isso.. – quando viu, ela estava soluçando.
– não entendo sua preocupação com isso. – Kokkai apenas disse isso, e Amat o olhou surpresa.
– c-como? – gaguejou, com o rímel escorrendo pelas bochechas, na blusa do lorde já havia uma mancha preta, não que Kokkai tivesse se importado com aquilo.
– não entendo você estar preocupado com acharem que eu divido a cama com uma prostituta, para começar esse termo não existe aqui, é cortesã, e cortesãs são mulheres lindas, que ganham dinheiro aos montes apenas existindo, são mãos respeitadas do que imagina. E.. – fez uma pausa para limpar o rímel que escorria no rosto da amante. – ninguém aqui sabe quem é você Amat, ninguém aqui sabe de quantas pessoas já se deitaram com você, em quais lugares sua imagem foi deteriorada por aí, ninguém além de mim e da Darya sabe do seu passado.
Amat estreitou os olhos, com os lábios tremendo e ameaçando chorar, ela tentou esconder o rosto mas Kokkai segurou seu queixo fazendo ela o encarar.
– tudo que vão ver em você é a parceira de um Lorde Vampiro que comercializa ervas medicinais. – os olhos dela brilharam levemente. – claro que você não será livre da atenção. – ela o olhou triste novamente, ameaçando chorar, com pequenas lágrimas começando a escorrer. – você é linda.
Isso foi suficiente para render um soluço nela, vindo de mais lágrimas e uma expressão surpresa.
– você é absolutamente linda, e naturalmente espetacular, não precisa de maquiagem, ou de um corsett, você é absolutamente perfeita apenas sendo você, seu corpo é lindo, seu rosto e lindo, seu cabelo é lindo, você é linda da cabeça aos pés e não precisa fazer nada pra isso. – ela o olhava surpresa, com algumas lágrimas escorrendo. – claro que vai atrair atenção, nem cortesãs conseguem ser tão encantadoras quanto você, e a única função delas é serem encantadoras.
Amat soluçou, com o rosto ficando vermelho.
– Eu nunca encontrei uma mulher tão linda quanto você, vampiros tem marcas de expressão do tempo, eu mesmo tenho olheiras e não consigo evitar tê-las, me vejo obrigado a cobrir essas marcas com maquiagem mas você não tem isso. – fez uma pausa, acariciando a bochecha da amante. – eu tenho mais de 600 anos, quase 700 e nunca encontrei uma mulher tão espetacular quanto você. Pouco me importa com quantas pessoas você se deitou, e para a Darya importa menos ainda, isso nunca vai ser espalhado pela mansão e a única coisa que eu tenho certeza que vai atrair olhares de diversas mulheres é o quão graciosa você é sem precisar de nada, você tem uma beleza natural que é só sua, e é só por isso que vão te olhar sem te conhecer. Eu não vou permitir que seu passado torne sua vida um inferno aqui, você é bem vinda quando quiser Amat, seja para dividir o quarto comigo ou para ter um só seu, a casa também é sua agora. – o lorde depositou um beijo na testa da deusa. – e eu vou estar aqui sempre te esperando, vampiros geralmente não se apaixonam em tão curto período... meu último noivo morreu tem só alguns anos, pouco mais de duas décadas, mas eu não me importo com isso, faz muito tempo que eu tenho realmente vontade de ter um relacionamento.. – deu um pequeno sorriso. – esqueça o que aconteceu, nada daquilo importa enquanto você estiver aqui comigo.
Kokkai deu um selinho na deusa, mas a mesma o puxou pra um beijo, Kokkai sentia os braços dela tremendo e suas bochechas quentes contra as dele.
Ele abraçou a cintura da deusa, sentindo, abaixo das mãos, o corpo da amante relaxar, puxando ela contra o corpo, sentindo ela perto e seu coração batendo com força no peito.
Iria elogiar ela sempre que pudesse, porquê a achava linda realmente, e porquê ela merecia cada elogio que ele direcionasse a ela.
Separando o beijo Kokkai olhou em seus olhos, devagar, sentindo o batom ter passado pros próprios lábios durante o beijo.
– quer ir a um baile comigo? Me ofereço para comprar um lindo vestido a seu gosto, ou um terno... Não sei qual você prefere. – Amat deu um sorrisinho, se divertindo vendo o sorriso sem graça de Kokkai.
- vestido parece mais adequado. – e o beijou novamente.
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