Presente de dia das mães, n sei desenhar e sou pobre

Uff, dia das mães é amanhã não é? Eu nunca lembro a data, ela parece mudar, um ano é no dia 8 de maio, no outro dia 2, depois no dia 14... É, eu mal lembro meu aniversário, imagine uma data comemorativa assim.
Se bem que dia 8 deve ser apenas uma confusão com o dia da mulher, no qual esqueci em qual mês é.

Eu nunca parei pra reparar muito nessa data, na verdade. Eu sei que na Grécia antiga era comemorado uma data específica para a Deusa Reia, deusa da maternidade e fertilidade. Mas pelo que vi a data de comemoração em si foi criada em 1905, quando uma mulher – Anna, eu acho que era o nome dela, não lembro bem – perdeu a mãe.

É irônico pensar que o dia das mães é uma celebração para homenagear nossas mães e a data foi criada por conta de alguém ter perdido a própria, um pouco triste, eu diria.

Isso me faz pensar o quanto a gente não valoriza nossas mães as vezes, tipo, eu sei que tem muita mãe que é péssima nessa atividade, desgastando seus filhos Mentalmente – ou fisicamente, que nem minha vizinha – e as vezes sendo tão ruim ao ponto do filho só querer abandonar ela num asilo. O que, na minha opinião, é um pouco triste.

Não posso dizer que a minha mãe é perfeita, ela comete erros comigo e é meio cabeça dura as vezes, se quer saber. Mas posso garantir com certeza absoluta que é uma mãe incrível, vendo as experiências que ela mesma conta da minha avó e experiências de amigos ou até mesmo desconhecidos eu vejo que eu tive muita sorte no quesito "figura materna".

Não sei se cabe na conta dela e do meu pai eu ser alguém tão... Planta, de não saber pegar um ônibus sozinho sem ir parar em Curitiba sem querer. A parte de ser uma pessoa distraída não é culpa deles, só não sei se isso se aplica ao fato de eu ter medo de viver.

De qualquer forma, eu não lembro muito da minha infância, na verdade.

Minha mãe não me deixava sair para brincar no quintal, então eu passava o dia vendo o filme se um golfinho com gráficos horríveis na televisão, e vendo tartarugas ninjas – mesmo que minha mãe tivesse proibido, eu era uma criança teimosa. –, não lembro porquê eu não podia sair, acho que nem ela mesma lembra.

Só lembro de eu me apoiando na janela e falando algo com meu primo 2 anos mais novo, que estava no meio do quintal, acho que estávamos tentando brincar. Mas não me lembro do que.

Quando eu era menor eu curtia muito assistir tartarugas ninjas, eu acordava todo dia lá pelas 7h da manhã para assitir 4 tartarugas humanóides – um rato de 2 metros e uma garota ruiva esquisita – enfrentado uns bichos estranhos que variavam de plantas gigantes com caras amassadas até um homem alto careca com armadura em pleno 2012 em Nova York. Engraçado. Falando assim o desenho era bem tosco.

Não era pra minha idade, óbvio, eu devia ter uns... 5 anos talvez? Menos em algumas ocasiões, eu lembro bem pouco daquela época no geral.

Uma memória que eu tenho era que, no meu quarto na época tinha uma tv pequena, presa num suporte acima da cama, do lado da porta. E minha cama ficava bem abaixo dela, eu acordava e ligava a TV todo dia para assistir desenho, já que naquela época eu só tinha chance disso quando o SBT passava o bom dia e companhia.

Nesse dia, eu não deveria ver as Tartarugas humanóides correndo em cima de prédios, minha mãe tinha analisado o desenho e decidiu que não era legal eu ver, por ter umas coisas bem estranhas que podiam ser assustadoras pra uma criança de 4 anos – os esquilos mutantes me assustam até hoje ugh – mas, como uma boa criança teimosa eu fui assistir.

Eu só lembro da minha mãe aparecendo na porta e eu de pé na cama dançando a música de abertura do desenho, ela me olhando e falando algo como "não te proibi de ver isso?"
Eu só sorri e disse que sim, ela acenou negativamente com a cabeça, deu um sorriso e saiu, me deixando ver o desenho.

São memórias curtas, bem sem graça, de qualquer jeito.

Algo que me faz sentir culpa as vezes foram meus 14-15 anos – até hoje não estou 100% – que foi uma época sombria.
Quando comecei a ter minhas crises de ansiedade no geral, eu não conseguia dormir sem ter alguém comigo e aquilo tava beirando ao ridículo.

Praticamente, se eu não dormia ninguém dormia também. Era ridículo e definitivamente eu não queria lembrar disso, apesar de eu não me lembrar o que exatamente me causou isso.

Eu lembro poucas situações também, mas perdi as contas de quantas vezes minha mãe ficou acordada comigo até de madrugada esperando que eu dormisse.

Acho que não valorizei ela o suficiente por isso.

Nem por quando ela cuidou de mim quando tive meu primeiro problema com namorados, ugh, que situação patética eu me enfiei. Me senti a pessoa mais idiota do mundo e fico com vergonha só de lembrar das situações em que me envolvi com esse tal "namorado".

Mas meio que foi ela que garantiu que eu não ia me machucar de novo, e apesar de velar o quanto ela podia, acabou acontecendo. Mas, de qualquer forma, ia acontecer de qualquer jeito independente do que eu ou ela fizesse. E de certa forma me ajudou a amadurecer eu acho.

Aprendi duas coisas com isso:
- confia menos em muleques estranhos que começam a falar com você do nada e mentem mais do que respiram.
- não se relacione romanticamente com gente.

Duas lições muito úteis, eu diria.

Também tem o lance da criação que ela me deu.

Nota 10 pra ela, – meu pai também tem seu mérito, mas isso aqui é homenagem a mãe então vou falar só dela. – as pessoas frequentemente elogiam a minha educação. Principalmente vovózinhas, que acham um máximo alguém em sua plena adolescência estar dando atenção pra eles de maneira tão educada.

Não quero que isso pareça mérito meu, na verdade, é mais uma aclamação pra minha mãe. Afinal eu só sou assim graças a ela, comparando com a minha prima que não teve educação nenhuma dada pela mãe, posso garantir que é mérito só da minha mãe – e do meu pai, claro. –

Pensar nisso tudo torna a situação de não valorizar a mãe que eu tenho muito frustrante pra mim.

Não sei como fazer isso, pra ser bem honesto.

Não posso dizer que sou uma pessoa muito útil, na verdade, sou uma criatura que não sabe fazer e não faz nada. Não consigo terminar nada do que começo, não sei fazer nada sem ter alguém me dando ordens, sou um poço de distração – não preciso de muito, qualquer coisa me distrai. – e não me acho suficiente para fazer nada.

Quando minha mãe fala que eu não gosto de nada eu fico pensando nisso, meu problema é que me acho uma merda para tudo, não consigo jogar uma partida de sinuca sem querer chorar de frustração por errar a bola.

É, eu acho que eu devia rever isso.

Não acho que ela possa fazer algo pelo meu problema de sentir insuficiência, mas posso garantir que só estou escrevendo isso hoje porque ela me incentivou.

Afinal, foi ela que ficou quase 1h falando sobre o quanto meu professor é idiota por dizer que "ser escritor é perda de tempo" e sempre me incentivou a escrever e ler muito.

Claro que a iniciativa partiu do meu irmão mais velho, que teve a brilhante ideia de dar o terceiro livro da segunda saga de Percy Jackson e estragar toda minha experiência em Riordanverse.
Mas pelo menos ele me trouxe pro mundo dos livros, e devo um agradecimento especial ao meu pai por ficar gastando 200/300 reais a cada 7 meses com sagas de livros pra mim.

Apesar disso, quem me incentiva a escrever – e a ler – e fica quase 2h me ouvindo falar sobre as histórias dos meus livros é minha mãe. Mesmo que ela não entenda nada.

Eu penso muito as vezes na criação que recebi, no quanto minha mãe é completamente oposta dos meus avós.
Minha mãe nunca foi incentivada a estudar, mas comigo e com meu irmão... AI DE NÓS se tirarmos nota vermelha. Se reprovarmos então... Uh.

Além de que minha vó era meio bruxa com ela, não uma mãe ruim, mas também não era uma mãe boa, e claramente tinha seus preferidos. Bem, até hoje ela tem.
Minha mãe não replicou esse comportamento em mim e no meu irmão.

Ela também nunca teve instruções em situações da vida, como menstruação.
Coisa que ela sempre deixou claro pra mim desde que me lembro por gente, ela nunca escondeu isso de mim "por vergonha".
Até meu irmão já está ciente dessas coisas.

Me faz ter muito orgulho dela, geralmente quem tem "problemas" com os pais acaba reproduzindo eles nos filhos sem nem notar.
Ela fez tudo aos contrário, e tem a sua luta mental pra não acabar sendo igual minha vó.
Porque pensa numa veinha chata. Aí ai.

Minha mãe não é grudenta, odeia que fiquem agarrando ela e beijando, ela não é de dizer "eu te amo" com frequência, na verdade. Acho que puxei isso dela, porque apesar de passar o dia falando pra ela "voce sabia que eu i Love you? :³" não é... Como eu posso dizer...? Eu falo brincando, eu raramente digo pra ela que a amo com convicção sem ser alguma piada diária.

É difícil pra mim dizer isso assim.

Mas vendo tudo que ela faz por nós, assim, me desejar conseguir falar com mais frequência.

Ela passou por muita coisa.

Eu deveria ter 2 irmãos mais velhos... Mas eu fui o primeiro dela.
Sei lá, isso tudo me faz pensar que mesmo com os erros e imperfeições dela, se eu reclamar da minha mãe eu estaria reclamando de barriga cheia.

Ela não é perfeita, mas acho que é a melhor mãe que eu poderia pedir.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top