Alma defeituosa - Frisk e Ice

Opsy_im_a_star_

______

O telefone de Frisk tocou, e Chara se curvou no sofá, apoiando a mão sobre o ombro dolorido.

-- quem que tá ligando? -- perguntou o amigo, encostado no outro sofá com os olhos fechados e uma expressão de dor.

Chara esticou o braço bom até o telefone, pegando o aparelho na mão.

-- Ice. -- Chara respondeu fraco. -- deixo tocar? Ele vai perceber na sua voz se você atender ele assim.

Frisk abriu levemente os olhos, olhando Chara.

-- Você tem que perder essa mania de esconder as coisas do Kira, e perder a mania de achar que todos nós também escondemos as coisas dos nossos namorados, sabia? -- Frisk tossiu, sangue brotou em sua língua mas ele fechou a boca antes que escorresse.

-- Você vai preocupar ele atoa. -- Chara jogou o telefone, que caiu no colo de Frisk, o movimento lhe rendeu um gemido de dor.

-- Você ainda vai se extrapolar escondendo as coisas do Kira. Não espere que eu me foda junto. -- Frisk pegou o telefone. -- além de que... Prometi a ele que não ignoraria suas mensagens ou ligações depois que passei mais de um mês longe.

-- E ele não pode esperar uma ou duas horas até você não estar respirando de dor? -- Chara resmungou.

-- poder até poderia, mas eu não quero fazer ele esperar. -- e o rapaz atendeu, levando o telefone ao ouvido. -- Oi Ice. -- ele falou rouco. -- desculpa a demora.

Mara entrou no cômodo, com os pulsos enfaixados e um curativo na bochecha.

-- quem é? -- ela perguntou, se referindo ao telefone.

-- Ice. -- Chara respondeu abafado por uma almofada.

-- Frisk? -- Ice falou pelo telefone, a voz num tom brincalhão. -- você finalmente atendeu!

Frisk riu, a ação o fez se encolher com dor no sofá, grunhindo baixo.
O silêncio de Ice através do telefone disse bastante sobre seu sorriso ter desaparecido.

-- Frisk? -- sua voz era mais séria agora, preocupada. -- Você está bem?

-- estou sim. -- Frisk disse respirando pesado. -- vou ficar, não se preocupe.

Ice ficou em silêncio de volta por alguns segundos, deu pra ouvir através da linha como se ele tivesse se ajeitado no sofá, ou se levantado.

-- o que aconteceu? Me conte. -- não era um pedido.

-- nada demais, acabei quebrando umas costelas eu acho.

Ice engasgou, Frisk teve a impressão de ter escutado ele bater a mão em algo duro, como talvez na mesa de centro dele.

-- eu viro as costas e você quase morre de novo?! -- Ele rosnou, fazendo Frisk afastar o telefone do ouvido por alguns segundos. -- como?! Como que você se machucou dessa vez?!

Frisk olhou para Mara, que escrevia algo no telefone gemendo baixo pelo movimento dos pulsos e Chara o encarando como se falasse "eu avisei".
Frisk suspirou, não ia recuar agora, então abaixou o telefone para por no viva voz.

-- Eu acho que quebrei umas costelas, e minha alma transbordou de novo, mas ainda tô te devendo explicar essa segunda parte. -- ele pausou. -- acabei me descuidando na capital de volta, eu, Chara e Mara fomos pegos de surpresa por alguns assassinos, um deles me bateu com força contra a parede e me fez quebrar algumas costelas, pela dor que eu tô sentindo... O Chara deslocou o ombro e a Mara machucou os pulsos.

Chara jogou a almofada nele.

-- Cala a boca! -- ele disse entredentes.

-- tá com medo do seu namorado ficar sabendo?! -- Frisk afastou o rosto do telefone, olhando feio pro amigo, que rosnou de volta.

-- Frisk! -- Ice chamou no telefone, fazendo o rapaz levar novamente o aparelho mais próximo do rosto. -- como você tá?! Você tá com dor? Eu acho que ainda tenho aquele remédio aqui, você quer? Consegue vir aqui? -- sua voz parecia irritada e preocupada, o que fez Frisk dar um leve sorriso.

-- eu vou ficar bem, Ice, relaxa. -- o garoto suspirou. -- não consigo ir aí agora.

-- vou até você então. -- ele falou, mas Frisk suspeitava que sua ficha caiu segundos depois. -- como que vou até aí? Vem aqui, o Chara pode abrir um portal né? Vem aqui por favor.

Frisk olhou para os amigos, na verdade, não havia contado ao namorado ainda, mas todos na sala podiam abrir portais agora, uma pequena conversa com seu criador lhe rendeu esse dom.

-- Ice, me escuta. -- Ice ficou em silêncio. -- eu tô bem tá? Não consigo andar, meu corpo inteiro dói. -- ele falou. -- minha alma transbordou, deixou meu corpo inteiro dolorido. Não dá pra mim ir aí agora, mas fica tranquilo eu vou ficar bem.

Ice ficou em silêncio, um silêncio quase acusatório.

-- Chara abre o portal ou eu conto pro Kira que você também quase se matou hoje. -- ele falou.

Frisk engasgou, e Chara arregalou os olhos no sofá ao lado.

-- mas não ouse. -- ele murmurou.

-- Quer me testar? Abre o portal, Chara. -- Ice repetiu.

Chara bufou, se encolhendo no sofá com raiva, mas um portal vermelho surgiu ao lado dos sofás.

-- pronto! Seu insuportável. -- Chara grunhiu.

A ligação foi desligada, e segundos depois Ice saiu do portal vermelho, olhando em volta até achar Frisk encolhido no sofá maior, com a mão livre no abdômen e o rosto vermelho de uma possível febre.

Ice o encarou, se demorando nas cicatrizes no lábio e no nariz, agora abertas em cortes horrendos com tonalidade mais escura que sangue humano.

-- Frisk! -- Ice caminhou até ele, desviando da mesa de centro. -- Me deixa ver, você tá com mais algum machucado? -- Ice se abaixou, ameaçando levantar a camiseta de Frisk.

Frisk engasgou, se desvencilhando do toque.

-- eu tô bem Ice. -- Frisk segurou as mãos dele com cuidado, Ice reparou nos cortes feios e vermelhos escuros demais para ser só sangue que cobriam seus dedos.

-- o que é isso? -- ele levantou as mãos de Frisk, olhando os cortes com mais cuidado. -- porque esses cortes são tão escuros?

Frisk suspirou, engolindo a saliva.

-- podemos ir pro meu quarto pra conversarmos mais de boa? -- Frisk deu um sorrisinho sem graça.

Mara levantou o olhar pra ambos.

-- eu posso sair se for o caso. -- ela disse, atraindo a atenção de Ice.

-- não não, só quero mostrar os cortes pra ele, mas... Bem, vocês já viram, só quero conversar com ele a sós. -- Frisk deu um leve sorriso pra ela.

Mara piscou, acenando.

Frisk tentou se levantar, mas grunhiu, caindo sentado novamente.
Ice fez uma cara feia, pegando Frisk no colo.

-- Agora tá com força de novo pra me carregar. -- Frisk riu das bochechas de Ice ficarem azuis de leve.

Ice apertou os olhos.

-- Quer a resposta que eu daria se eu estivesse mais novo ou a de agora? -- Ice arqueou a sobrancelha.

-- deixa eu adivinhar... "Cala a boca ou eu te jogo no chão" caso estivesse mais jovem? E... Hmm, bem, não sou bom com seu cinismo. -- Ice deu um sorriso de canto.

-- Eu sabia que você não conseguiria, eu não sou previsível igual a você. -- ele disse.

-- Ah eu acho taao adorável que você consegue até ler meus movimentos. -- Frisk deitou a cabeça no ombro de Ice, que voltou a ficar meio azul.

-- tudo você acha adorável. -- Ele disse, caminhando até um corredor. -- que... Lugar é esse?

-- bem vindo ao Castelo da Rainha humana, Stephania. -- Frisk se ajeitou no colo do namorado. -- abre essa porta.

Assim Ice fez, dando pra um corredor maior ainda, com lustres e tapetes de luxo, digno de um castelo feito para ostentação.

-- vê aquela porta maior com maçanetas vermelhas? Meu quarto é ali. -- Frisk disse, vendo Ice seguir pelo corredor até a porta.

Ice abriu a porta, parando por alguns segundos ao ver rápido passando de um corredor pro outro um rapaz loiro e um monstro escorpião mais alto correndo com uma camiseta social nas mãos.
O garoto sumiu rápido atrás das paredes, gritando um "Eu não quero vestir isso!" Enquanto o escorpião gritava de volta "não tem que querer seu pivete! Você não vai ver a Rainha assim!", Ice ouviu o garoto gritando com raiva de volta "Ela não se incomoda com isso, me deixa em paz!"

Frisk riu alto da situação.

-- quem são esses? -- Ice perguntou, olhando pro namorado.

-- o loiro não sei, mas o monstro é o Heiky, e a Ste fez ele de babá aparentemente. -- Frisk se encolheu, a risada o fez sentir dor. -- Heiky é o irmão da Hisaky.

-- Hisaky é a escorpião que fica com vocês lá no castelo dos monstros né? -- ele perguntou.

-- ela mesma! -- Frisk deu um sorrisinho.

-- ah. -- Ice parou um pouco, mas entrou no quarto e fechou a porta. -- porque ele tá aqui? -- Ice o colocou sentado na cama.

O quarto era enorme, cheio de móveis de alta qualidade decorados em vermelho escuro e dourado, a cama era desnecessáriamente grande, cheia de almofadas e travesseiros aparentemente muito macios, com fronhas e lençóis vermelhos de setim, com cobertas de lã confortáveis.

-- Ele é general da rainha. -- Frisk se ajeitou, resmungando com dor.

-- um monstro? General da rainha humana? -- Ice piscou.

-- pois é, que louco né? -- Frisk sorriu de canto.

Ice ficou em silêncio um pouco e logo fechou a cara.

-- tira a camiseta.

Frisk abriu os olhos, aqueles lindos olhos dourados e cansados.

-- Quanta pressa hm? -- Frisk tentou brincar, apesar de uma gota de suor ter escorrido por sua bochecha. -- vamos com calma hein.

Frisk umideceu os lábios, se encolhendo pelo toque na ferida aberta em seu lábio.

-- O que são esses cortes? Porque eles são tão escuros? Você é uma determinação, porque não estão curando? -- Ice abaixou na frente dele.

-- eu vou te explicar tudo, eu prometo, sem segredos, mas pode perguntar mais devagar? -- Frisk tirou a camiseta com dificuldade.

Ice arregalou os olhos, encarando os cortes espalhados por seus bíceps e antebraços, peitoral e lateral do abdômen, enormes e naquele mesmo tom vermelho anormal dando um aspecto assustador no corpo de Frisk, se Ice visse aquilo sem contexto acharia que eram partes devoradas por vermes de algum cadáver, e não o corpo saudável de seu namorado.
Mas pro alívio de Ice, as cicatrizes das facadas que Frisk levará alguns meses atrás no abdômen estavam perfeitamente fechadas.

-- o que... Aconteceu com você? Espera, eu trouxe aquele remed- -- Frisk segurou as mãos dele.

-- obrigada por se preocupar comigo. -- Frisk levou uma das mãos de Ice ao rosto, beijando seus dedos e a palma de sua mão.

-- idiota, isso é minha obrigação, está agradecendo porque? -- Ice parecia irritado demais para pensar ser cínico, a visão dos cortes em Frisk estava o deixando agoniado. -- solta, preciso pegar o remédio. -- Frisk soltou as mãos dele.

Como aquelas coisas não sangravam?

-- São feios né? -- Frisk perguntou cuidadosamente.

-- Horrendos, porque são desse jeito? -- Ele tirou do bolso do casaco aquele pequeno recipiente com o líquido rosa.

-- hmmm, lembra quando você me levou pra Gaby? Que eu expliquei pra ela que passei grande parte da vida escondendo e desativando minha alma, por isso meu corpo não suportava a força da determinação? -- Ice acenou. -- então, lembra também que a Omiron disse que eu era doente? Lá quando nos conhecemos.

-- lembro. -- Ice disse, sem tirar os olhos de Frisk.

-- então... Almas humanas são muito fortes, sabe? E aqui em Perfecttale as almas são divididas em dois grupos, tipo, almas com padrão médio/comum de magia são chamadas de Pacifistas, e almas com um padrão muito alto de magia são chamadas de Genocidas, bem- almas genocidas são meio incomuns, tem se mostrado mais frequentes em almas de determinação do que nas outras, o Chara é uma alma pacifista, eu e a Amarantha somos almas genocidas, vale mencionar inclusive que isso altera a personalidade do portador e almas genocidas podem passar a vida inteira sendo confundidas se nunca foram "despertas" por assim dizer, a magia só se mostra se você chegar nela, se você nunca chegar na parte acima da média da sua magia você nunca vai descobrir que tipo de alma você é. -- Frisk explicou, pegando o frasco.

-- o que isso tem a ver? -- Ice o encarava.

-- Sou uma alma genocida de determinação, minha magia é bizarramente alta, eu tenho um fundo de magia muito grande pra usar. -- Frisk bebeu o líquido rosa numa pausa. -- sabendo disso, você sabe que corpos humanos são fracos pra equilibrar com as almas fortes né?

Ice abaixou o olhar, vendo os cortes pelo peitoral de Frisk se fechar sem deixar cicatrizes, mas o corte no lábio e o do nariz ao cicatrizar continuaram como marcas clareadas em sua pele.

-- Uhum. -- ele voltou a encarar os olhos dourados de Frisk, que voltaram a ter aquele brilho avermelhado.

-- Quando um humano não usa a própria magia por um longo período de tempo seu corpo fica desacostumado, geralmente a magia faz mal ao corpo dependendo da força da alma. -- Frisk tirou mechas de cabelo dos olhos assoprando.

Ice esperou Frisk continuar a falar.
Frisk soltou um suspiro.

-- Meu corpo é acostumado com um limite baixo de determinação, bem baixo, e toda vez que eu ultrapasso esse limite meu corpo não dá conta e começa a "jogar fora" -- ele fez aspas. -- essa determinação extra, que minha alma suporta, mas ela começa a inserir no meu corpo e meu corpo não dá conta, aí tem dois cenários, ou eu gasto ela muito rápido com ataques de calibre alto, ou ela começa a abrir cortes pelo meu corpo e jogar essa determinação fora por ali, pelos meus olhos, boca, nariz e orelhas. -- Frisk suspirou. -- eu passei 19 anos escondendo minha alma, e mais 5 evitando ela o máximo que eu podia. Resultado? Bem, você já viu.

Ice piscou, arregalando levemente os olhos enquanto olhava pro abdômen do namorado, abraçando sua cintura e apoiando a cabeça em seu peito.

-- Você perguntou porque eram tão escuros, são escuros porque aquele tom de vermelho é o tom de vermelho da minha alma. -- Frisk estendeu a mão ao lado do corpo atraindo a atenção de Ice, linhas vermelhas saíram de sua palma até se formarem um coração de um vermelho mais escuro que sangue. -- porque não sangram? Estão fechados internamente com determinação, as veias não foram abertas. Porque não curam? A determinação curar um corte que ela mesma fez? Não. Eu preciso de magia externa pra fazer isso.

-- eles doem muito? -- Ice segurou a mão de Frisk que sua alma pairava em cima.

Frisk abaixou a mão, deixando a alma pairando sobre a do namorado.
Ice apertou os lábios, passando o dedo de leve pela extensão do coração.
Frisk se encolheu levemente, mas não disse nada.

-- pra caralho. -- disse com uma risada baixa. -- são a pior dor que eu já senti na vida. Ser queimado vivo não dói tanto.

-- como você sabe? -- Ice levantou o rosto.

-- já tive praticamente os braços inteiros queimados pelo fogo do Asriel. -- ele respondeu. -- quase carbonizados.

Ice engasgou, olhando para os braços de Frisk, que não relevam nenhuma cicatriz, nem dos cortes que a pouco cobriam o corpo dele.

-- O Chara curou com a determinação dele, mas meus braços foram praticamente fritos.

-- como que-

-- Ele era pequeno e não sabia controlar o fogo, aconteceu com vários amigos monstros que eu tive. -- Frisk beijou a cabeça dele.

Ice ficou em silêncio, apertando o braço em volta da cintura de Frisk, voltando a encarar a alma dele.

-- Você deixa sua alma na mão dos outros assim com frequência? -- Ice tentou falar com aquele cinismo usual, mas Frisk reparou o amargor em sua voz.

-- só na do meu namorado. -- Frisk segurou o rosto dele e começou a encher ele de beijos. -- Não precisa se preocupar comigo, eu não vou morrer tão cedo.

-- Do jeito que tá indo eu tô duvidando. -- Ice resmungou.

Frisk riu baixo, dando um beijo demorado em Ice e separando minutos depois.

-- Esse problema da alma eu tô trabalhando. -- ele deu um selinho nos lábios do mais velho. -- logo você não vai me ver mais com esses cortes eu prometo.

Ice revirou os olhos.

-- Além de namorado tô tendo que ser sua babá. -- ele deu um sorriso de canto. -- Tenho que ficar cuidando ou você se mata.

-- tem razão, como que eu vivi por quase 28 anos sem você? -- Frisk sorriu levemente. -- sou incapaz de viver sem você agora.

Ice apertou os olhos, vendo que além de Frisk se chamar de incompetente em sobreviver por conta, ele também fez uma declaração.

-- O que foi, peixinho? -- ele sorriu, a alma sumindo da mão de Ice num pequeno barulho de explosão.

Ice se assustou, olhando pra onde a alma estava e novamente para Frisk.

-- Não faz isso! -- ele fechou a cara.

Frisk riu baixo, dando um beijo na ponta do nariz de Ice.

-- tá com tanto medo de me perder que até minha alma sumindo te assusta? -- Frisk lhe mostrou a língua em tom brincalhão.

Ice ficou azul novamente.

-- peixinho. -- Frisk beijou o nariz dele de volta, o puxando e o obrigando a deitar na grande cama com lençóis de setim com ele. -- obrigada por cuidar de mim Ice, espero poder retribuir pra você esse cuidado. -- ele deu um beijo na mão de Ice, se arrumando ao seu lado.

-- eu nunca vou estar quase morrendo pra você precisar cuidar de mim assim, seu besta. -- Ice revirou os olhos, abrindo um sorriso.

-- espero que não mesmo. -- Frisk deu outro beijo, fazendo Ice soltar sua mão e empurrar seu rosto levemente.

-- chega. -- ele disse, mas se contrariando, abraçou Frisk e o apoiou contra o peito.

Frisk riu soprado, abraçando o pescoço de Ice e se aconchegando contra ele.

-- ahhh você é gelado, como vou dormir assim?

-- você vai dormir?

-- eu vou ué, tô sem dor e com você agora, tô tão cansado. -- ele bocejou. -- e me sinto seguro suficiente.

Ice revirou os olhos, enfiando o rosto no cabelo de Frisk, respirando fundo o cheiro de sabonete caseiro que ele emanava.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top