CAPÍTULO 12 | SOCORRO
Júlia
Quando as pessoas começam a ir embora, vejo o Rafael conversando muito intimamente com a Paty, a Lisa está praticamente sentada no colo do Felipe, meu Deus, ainda bem que meus pais foram dormir na casa da praia de Copacabana, e deixaram nós jovens para aproveitar um pouco mais a festa, mas as meninas estão perdendo a noção, estão todos se esfregando, beijando, e tudo mais, ainda bem que tranquei todos os quartos, assim ninguém vai transar na minha cama.
Gostaria que as pessoas tivessem respeito com a casa dos meus pais, e gostaria que o Rafael ao menos desse esse respeito a eles, e não deixasse a Paty se esfregar nele daquela forma, as mãos dela estão subindo e descendo no peito dele, e as vezes até parece que ele não quer nada com ela, já que sempre que ela tenta botar a mão mais em baixo ele segura o pulso dela.
Estou aqui no bar, com um mojito nas mãos, mas não quero ficar assistindo essa cena, ver o cara por quem você descobriu recentemente que está apaixonada sendo tocado por outra não é legal. Sim, fui obrigada a admitir, depois de chorar quase uma hora sem parar por um cara que eu dizia odiar, com certeza não era ódio.
Largo o copo no balcão, me levanto, vou em direção ao jardim da casa, pelo menos lá talvez eu tenha algum sossego. Vou caminhando e admirando as flores do jardim, minha mãe sempre foi fanática por flores, e as rosas brancas são as minhas prediletas. Escuto passos atrás de mim e quando me viro levo um susto.
– Até que enfim te encontrei sozinha!
– Ethan.
– Júlia – Ele diz dando mais uns passos à frente, e eu recuando.
– Sabe por que estou aqui não sabe? – Ele diz e me puxa pelo pulso com força, me impedindo de continuar a recuar ou correr dele.
– Ethan, me solta, está me machucando.
– Sabe que pode gritar à vontade, ninguém vai te escutar, a música dentro da casa está alta, e ninguém vai vir para o jardim no auge da festa, então relaxa e aproveita gatinha porque eu nem comecei ainda. E pode ficar tranquila, eu não vou demorar muito, vamos apenas aproveitar o momento.
Ele diz isso e me puxa para me beijar, eu tento me virar, me debater, e até chutar ele, mas ele me joga no chão e me prende com as suas pernas, ele é muito pesado e eu não consigo sair de baixo dele, eu começo a gritar, mas logo ele coloca a boca na minha, abafando meus gritos. Eu sinto que ele está excitado, e que não vai parar até terminar. Eu começo a chorar e me debater, ele prende as minhas duas mãos em cima da minha cabeça e com a outra mão ele começa a passar a mão no meu corpo.
– Ah, como você é gostosa, como sonhei em lhe ter assim várias e várias vezes, não tenta sair que vai ser pior – Eu grito, o mais alto que posso, e logo ele está me beijando de novo, um beijo horrível, com gosto de cerveja, eu juro que prefiro morrer, a ter que passar por isso. Ele passa a mão pelos meus seios, apalpando, eu tento soltar meus pulsos, não quero que ele me toque, ninguém nunca me tocou, e não quero me lembrar da minha primeira vez desta forma, por favor, meu Deus me ajuda.
– Seus seios são perfeitos, quero chupar eles à noite toda – Ele disse já rasgando o tule do meu vestido, e nem dá a oportunidade de eu gritar, coloca a mão na minha boca, mas mesmo assim eu tento o máximo que posso emitir algum som, algum barulho, que possa chamar a atenção de qualquer pessoa, mas quem estaria no jardim àquela altura da madrugada, quem poderia nos ver ou ouvir, se todos estavam lá dentro da casa, bebendo, se beijando, e bobear até transando.
Os vizinhos mais próximos são os pais do Rafael, e eles foram com meus pais para Copacabana, ah Deus o que eu vou fazer, o Ethan vai me estuprar e ninguém vai poder me ajudar, então eu choro por medo, desespero de não conseguir impedir o que ele está prestes a fazer comigo.
Ele tira a mão da minha boca e volta a colocar aquela boca nojenta na minha, enquanto eu me esperneio em baixo dele, ele desce a mão para as minhas pernas, eu arregalo os olhos, não, não, não, por favor, não. Eu mordo a boca dele com tudo.
– Ah, sua vadia, vou te mostrar quem manda aqui.
– Não Ethan, por favor, não – Ele me dá um tapa no rosto tão forte que parece que eu vou desmaiar, e logo ele tapa a minha boca, para abafar meus gritos, com a outra mão ele rasga minha calcinha, e em seguida, começa a abrir a calça dele, eu fecho os olhos, e tento não pensar no que ele está prestes a fazer.
Rafael
Assim que o David e a Suzan e meus pais foram para Copacabana, a Paty não perde tempo, já passa o braço no meu pescoço, começa a alisar meus braços e peito. Aproxima a boca do meu ouvido e diz:
– Já posso dar o seu presente? – Com essa frase ela beija a minha orelha, merda. Porque ela tem que ser tão oferecida, se eu a quisesse eu já estava em casa e com ela na minha cama, ela não entendeu ainda que não quero nada? Quando um homem quer transar, ele nem pensa nas consequências, só quer aproveitar o momento, e se eu a quisesse, eu teria largado essa festa e já teria comido ela na hora que ela chegou se oferecendo, mas eu não quero.
– Calma aí Paty – Digo tentando esfriar as coisas – Você é uma garota maravilhosa, mas hoje não estou no clima.
– Ah Rafa, eu te deixo no clima rapidinho, é só você deixar – Ela desce a mão que estava parada no meu peito e vai em direção à minha calça. Ela só pode estar louca, querer me excitar aqui na frente de todo mundo, beleza sei que não tem ninguém olhando, mas porra, eu não gosto de público. Com isso ela aproxima a boca da minha, e eu seguro o pulso dela, e viro o rosto.
– Qual é Rafa? Até parece que a gente nunca se beijou, e sabe que se dependesse de mim aquele dia teríamos muito mais – Quando eu virei o rosto vi que a Júlia estava saindo para os fundos da casa, o que ela ia fazer lá sozinha, ou será que ela tinha combinado com alguém. Merda. Pensar em outro homem tocando aquela pele perfeita me fez perder a cabeça de vez.
– Não Paty, eu disse que não estou no clima – Tiro as mãos dela de mim e saio. Preciso de um banheiro, lavar o rosto e esquecer que a Júlia pode estar com alguém agora, dando um amasso no jardim, e que provável alguém vai dormir na cama dela hoje. Droga. Faz quanto tempo que ela saiu? Cinco minutos ou talvez dez? Não sei, mas se ela vai ficar com alguém eu preciso saber, ver com meus próprios olhos, quem sabe assim eu esqueço ela de vez.
Vou andando pelo jardim, mas não vejo ninguém, onde será que ela se meteu. Até que eu escuto uns barulhos, que isso, são gemidos? Não acredito que a Júlia desceu a esse ponto, transar com alguém no jardim da casa dos pais dela. Virei para ir embora, eu não queria a ver transar com algum babaca, mas quando me viro escuto um grito, e depois a voz dela suplicando para o Ethan parar.
Ethan? Comecei a correr, se ele tivesse forçando ela a alguma coisa eu ia matar ele. Chegando perto escutei choro, e alguém como se tivesse sendo sufocado, tentando gritar, mas não conseguia.
Naquele dia, vi a pior cena da minha vida, a Júlia estava deitada no chão, com o Ethan no meio das pernas dela, seu vestido estava puxado para cima, e eu consegui ver nitidamente um pedaço de pano ao lado do seu corpo, que provavelmente seria uma calcinha, e próximo aos seios dela seu vestido estava rasgado. Uma mão dele estava tampando a boca dela, e a outra abrindo as calças, ela chorava de soluçar. Isso durou só dois segundos, antes de eu pegar ele e arrancar de cima dela.
– Seu desgraçado, eu vou te matar por encostar nela – Digo isso enquanto já estou socando a cara dele. Nunca senti tanta raiva na vida, ele tenta revidar, mas eu não permito e continuo socando a cara dele que já tem tanto sangue que não dá nem de reconhecê-lo, e com a raiva que eu estou, irei matá-lo por encostar a mão nela novamente.
Júlia
Eu não consigo me mexer, eu apenas sento, arrumo meu vestido e vejo a cena na minha frente, o Rafael vai matar o Ethan mesmo, se ele continuar a chutar e bater nele daquela forma, mas eu não consigo reagir, não consigo sair do chão, não consigo correr, muito menos chamar alguém, meu corpo dói e minha alma mais ainda, como alguém tem coragem de fazer isso com outra pessoa.
Tudo o que consigo pensar é em como esteve perto de ele me estuprar. Sinto uma mão no meu ombro e vejo a Lisa ao meu lado, ela fala comigo, mas não consigo ouvir nada. Estou tremendo e chorando, não consigo me controlar. Vejo outras pessoas se aproximarem, mas não consigo ver quem são, meus olhos estão turvos por causa das lágrimas.
Vejo que puxam o Rafael e o Ethan para lados opostos, para acabarem com a briga. A Lisa me olha com pena, pergunta se eu estou bem, apenas confirmo com a cabeça, mas não consigo me levantar, não ainda, estou com as pernas moles, e tudo o que eu quero agora é me esconder, não quero ver o Ethan nunca mais na minha vida, só de pensar nos minutos atrás me bate um desespero.
Vejo pessoas trazerem toalhas para limparem o Ethan, que parece desmaiado, e entregam uma para o Rafael limpar as mãos, depois de toda a confusão, é a primeira vez que o Rafael me olha, e não consigo decifrar o que seus olhos dizem, ele apenas pede para os garotos que ainda o estavam segurando pela camisa lhe soltarem. Assim que ele se solta ele vem na minha direção, meu Deus quero me enfiar num buraco, ele foi o único que viu aquilo tudo acontecer, mas ao mesmo tempo sinto vontade de lhe agradecer muito, ele não faz ideia do que fez por mim.
Ele se abaixa e eu começo a chorar novamente assim que ele bota a mão no meu rosto, ele se senta ao meu lado e me puxa em direção a ele, eu coloco meu rosto na curva do pescoço dele, não quero que ninguém fique me olhando, não quero ver ninguém, apenas quero chorar. Ele alisa meus cabelos, que a essa altura já estava solto, de tanto o Ethan me segurar no chão com força. O Rafa passa os braços pelas minhas costas e me aperta forte. Ele sussurra no meu ouvido:
– Me perdoa por não ter chegado antes – Ele diz isso com a voz embargada e me aperta mais ainda em seus braços. Eu ainda não consigo falar nada, nem consigo agradecer o que ele fez por mim, e muito menos consigo dizer que não importa a demora, que pelo menos ele não deixou o Ethan terminar o que tinha começado. Escuto a Lisa falar para ele:
– É melhor tirar ela daqui, ela está muito mal, e esse lugar não vai fazer bem para ela – Ela diz para o Rafael, e depois ela segura a minha mão, como se fosse falar comigo – A polícia já foi acionada e já ligamos para o Rick e para seus pais – Assim que ela me fala me encolho mais perto do Rafa, pensar nos meus pais e no Rick, eles vão surtar em saber que tudo isso aconteceu enquanto eles estavam fora, e nunca mais vão querer me deixar sozinha, e nem quero mais ficar sozinha, mas ao mesmo tempo eu fico com vergonha de olhar para eles e ter que explicar o que aconteceu, como vou conseguir fazer isso?
– Jú? – Escuto o Rafa me chamar com carinho, eu me afasto um pouquinho do pescoço dele para poder lhe olhar nos olhos, limpo as lágrimas com as costas da mão – Eu vou pegar você no colo e levar para o seu quarto está bem? Fica tranquila que eu não sairei do seu lado. Passa as meus pelo meu pescoço – Eu estava muito fraca para protestar e dizer que eu conseguiria andar, então apenas assenti e fiz o que ele me pediu. Senti quando ele passou os braços por baixo de mim, tomando o cuidado de pegar o meu vestido junto, para ninguém ver nenhuma parte íntima minha, senti ele se levantar comigo nos braços e apoiei minha cabeça no peito dele e fechei os olhos, tudo que eu queria era descansar, minha cabeça parecia estar pesada demais. Queria esquecer que aquele dia aconteceu.
Não sei como vou contar aos meus pais tudo o que aconteceu no jardim, e se meu pai não acreditar em mim? E se ele quiser continuar com os negócios que tem com o pai do Ethan? Eu nunca mais irei numa festa da empresa se o Ethan estiver lá.
Sinto o Rafa subir as escadas, e logo estamos no meu quarto, ele pede gentilmente a Lisa para tirar a coberta que está sobre a cama, e depois me coloca ali deitada, eu continuo com os olhos fechados. Sinto águem tirando meus sapatos, deve ser a Lisa, pois ainda sinto o Rafa sentado ao meu lado, alisando meu rosto. Sinto uma coberta por cima de mim, e desabo a chorar novamente.
Tudo o que eu quero é esquecer que esse dia aconteceu, mas eu sei que assim que os policiais chegarem e os meus pais também, eu vou ter que lembrar cada mínimo detalhe, não sei se irei conseguir. Sinto o abraço do Rafael e me agarro ainda mais a ele, deixando as lágrimas caírem sobre seus ombros.
***
Meu Deus, o que deu na cabeça do Ethan de fazer isso?
Coitada da Júlia, como ela vai ficar depois disso tudo acontecer?
Um beijão pessoal, e até mais =*
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