CAPÍTULO 1 | UM POUCO DE MIM

Júlia

Eu sou a Júlia Petterson Smith, tenho 18 anos e ainda moro com meus pais, Suzan e David e com o meu irmão mais velho Richard, mais conhecido como Rick, apelido carinhoso que eu dei ao Richard ainda criança, já que não conseguia falar direito o nome dele.

Meu pai é dono de uma organização de investimentos, a Smith Investimentos, que é uma das maiores organizações do Brasil, e atualmente, está se expandindo para o exterior, estamos prestes a inaugurar a nova filial em Nova York, a famosa cidade que nunca dorme. Meus pais escolheram Nova York para expandir a empresa para o exterior porque é a cidade natal dos dois, e foi onde se conheceram e começaram o início de suas histórias juntos.

Meus pais ficarão algum tempo fora, para esta inauguração, e eu ficarei em casa, já que não posso faltar às aulas, por ainda estarmos na metade do semestre, e meu irmão ficará em casa comigo, e administrará as filiais do Brasil enquanto eles estiverem fora.

Eu odeio quando eles vão viajar, porque o Rick quer me levar e me buscar no curso todos os dias, e não me deixa conversar com nenhum garoto, ele diz que os homens não prestam, e que eu devo proteger meu coração dos babacas.

Bom, nesse ponto ele não está errado, porque eu só entreguei meu coração a um garoto até hoje, o Dylan, ele foi minha primeira e única paixão, eu tinha quinze anos na época, ele dizia coisas maravilhosas para mim, enfim, me deixei levar pelo coração, e o que ele fez? Bom, peguei-o dando uns amassos em uma das minhas amigas, atrás do ginásio do colégio. Bem, acredito que ela não era tão minha amiga assim não é? Já que estava beijando o garoto em que eu vivia falando que estava apaixonada, e ele? Bem, realmente não sentia nada por mim, descobri assim que interrompi a seção dos beijos deles.

Dylan ainda teve a cara de pau de dizer que eu era linda, mas era muito ingênua e que não tinha os quesitos que ele desejava em uma mulher, que estava comigo só para usufruir do dinheiro do meu pai, e ali percebi, que todos os meus ''amigos e amigas'' só andavam comigo por tudo que meu pai proporcionava para nós, as festas, as baladas, os cinemas, todas as saídas, tudo era bancado pelo meu pai, que de tanto tentar me proteger queria que eu fosse aos lugares que ele achava ideal, então pagava para todos poderem frequentar o mesmo lugar que eu.

Meu Deus, como fui idiota, com tudo isso. Na hora em que o Dylan falou aquelas coisas para mim, eu só pensei em sair dali, ignorei até as risadas que eles davam enquanto eu virava as costas e ia embora. A partir daquele dia, me fechei por completo para qualquer outro menino habitar meu coração, a última coisa que eu desejava era alguém para me magoar igual o Dylan havia feito.

Claro que eu voltei a beijar novamente, até tive alguns relacionamentos de curto prazo, mas nunca me apaixonei de novo, não que não tenha rapazes que talvez valessem a pena, mas eu tinha receio, e se eu entregasse meu coração novamente e sofresse tudo de novo? Não é uma coisa que eu desejo, por isso, nunca deixava as coisas irem para um nível em que eu não conseguiria suportar passar novamente. Por isso, hoje eu me reservo ao máximo em relação a homens, sei que eles querem só uma coisa de nós mulheres, e é uma coisa que eu não estou disposta a entregar para qualquer um.

***

Então, deixe-me explicar como as coisas funcionam por aqui. Atualmente eu moro no Rio de Janeiro, mais precisamente na cidade de Niterói, faço curso preparatório para faculdade em um colégio particular da nossa cidade, em período integral já que ninguém nunca está em casa, pois meus pais trabalham demais, e o Rick, como falei, está aprendendo a administrar as empresas dos meus pais aqui no Brasil, e meus pais poderem ir para Nova York mais tranquilamente.

Na maioria das vezes, o Rick, me leva de manhã cedo, pois meu curso é a caminho do trabalho dele, mas na volta, às vezes volto com a Paty e a Lisa a pé mesmo, já que não é muito longe de casa, apenas algumas quadras, ou papai me busca quando sai mais cedo do trabalho, ou simplesmente vou sozinha, quando não tem ninguém para me acompanhar. Ah, e esqueci de mencionar, a Lisa e a Paty são minhas melhores amigas, quer dizer, são as únicas que eu tenho, já que o resto preferiu me ignorar quando me fechei para mundo após a traição do Dylan e da Ariane.

***

Rafael

Meu nome é Rafael Jackson Carter, tenho 18 anos, moro com meus pais Emma e Kevin, e meus irmãos Alexander e Katie. Alexander tem vinte e cinco anos, já formado em Economia, trabalha na empresa do nosso vizinho, a Smith Investimentos. Nossos vizinhos foram muito gentis em conceder ao meu irmão um trabalho, já que somente o nosso pai trabalha na casa, e é um pouco difícil manter as contas de uma família com quatro pessoas.

Meus vizinhos têm dois filhos, o Richard é o mais velho, deve ter seus vinte e tantos anos, o cara é gente boa, e meu irmão está trabalhando diretamente com ele, por isso, acabaram se tornando grandes amigos. O Richard vive mais aqui em casa do que na sua própria , e quando não estão aqui, os dois estão em bares ou festa atrás de mulheres.

Eu e Alex, nunca fomos muito próximos, já que temos sete anos de diferença, então não tenho ciúmes da amizade dele com o Richard, pois sempre que precisei dele, ele estava ali por mim, e ainda por cima, ele está ajudando o nosso pai com as contas da casa e da família, sei o quanto batalhou para se formar, teve de trabalhar em dois empregos ao mesmo tempo e às vezes ainda fazia alguns extras em festas para arrecadar mais dinheiro. Tudo isso para poder pagar a faculdade, e ainda ajudar em casa, pois nosso pai não conseguia mais sozinho depois que perdeu o emprego na nossa antiga cidade.

O Alex ter conseguido um emprego como esse na Smith Investimentos, é realmente uma oportunidade de ouro, que ele agarrou com as duas mãos e eu estou orgulhoso do profissional que ele tem se tornado, espero que um dia eu possa trilhar os mesmos caminhos que ele, pois eu o admiro muito.

Mudamo-nos para o Rio de Janeiro quando o nosso pai recebeu uma proposta boa o suficiente para trabalhar no ramo dele. Eu tinha uma vida antes de me mudar, e tive que abandonar tudo, escola, futebol, amigos, e até a Samanta, uma menina que eu achava que gostava na época. Bom, agora já faz seis meses que estamos aqui, e hoje percebo que a Sam não era nada em especial até porque, quando descobriu que minha família havia perdido o dinheiro que tinha, tratou de me dispensar na primeira oportunidade, e correr para o Marcelo, o novo capitão do time de futebol e aparentemente seu novo namorado.

No antigo colégio eu era popular, capitão do time de futebol, e com certeza tinha todas as meninas que queria, mas quando a Sam conquistou meu coração, deixei todas de lado por ela, e quando eu mais precisava do apoio da minha namorada, ela me largou, disse que meu pai era um ladrão e que a família dela nunca aceitaria nosso namoro, o que acho ter sido quase uma desculpa para ela ficar com o Marcelo, agora já nem ligo mais para isso, mesmo que na época tenha me destroçado.

Depois que meu pai perdeu o antigo emprego, realmente nossa vida dificultou um pouco, foram dívidas e mais dívidas, e se não fosse esse novo emprego do meu pai, não teríamos nem casa para ficar e muito menos os nossos estudos, enfim, o emprego do nosso pai veio na hora certa. Até porque o meu pai e minha mãe sempre nos colocaram em colégios particulares, diziam que era o melhor estudo, e agora a Katie também ia iniciar na escolinha e todos nós queríamos o melhor para ela.

Katie é a nossa princesinha de seis anos, e qualquer um de nós daria a vida por ela, então imaginem como foi difícil quando papai nos contou que foi demitido por causa de uma acusação falsa de roubo, em uma empresa na qual ele se dedicou por 25 anos, na empresa da sua família, mais especificamente dos irmãos mais velhos dele.

Meus tios preferiam acreditar na história de um cliente do que no próprio irmão, quem faria isso? Meus tios não pensaram na gente, meu pai tinha três filhos para sustentar, e meus tios só pensaram em si mesmos. Por isso, quando meu pai nos falou em nos mudar, ninguém discutiu, realmente era o melhor para todos nós e nos afastarmos daqueles que se diziam ser a nossa família.

Mas vamos parar de refletir o passado e pensar no presente, e presente me faz lembrar de uma coisa muito boa, a filha dos nossos vizinhos, aahh...aquela menina me faz perder a cabeça, sabe aquele tipo de garota que mesmo sem maquiagem está linda? Bem, esta é a Júlia, ela tem a minha idade, e com cabelos castanhos ondulados nas pontas, que dá um charme natural a ela, com um corpo de dar inveja nas outras garotas, uma pele branquinha, deve ter em média 1,65m de altura, e não podia esquecer aqueles olhos verdes que parecem duas esmeraldas de tão brilhantes e profundos.

Ela é a garota mais linda que já vi na vida, porém é aquele tipo de garota que eu nunca vou ter, sabe por quê? Ela é muito rica, as roupas e os sapatos que ela usa, deve custar uma fortuna. Nunca, nem nos sonhos, eu conseguiria bancar todos os gastos que ela tem, com toda certeza.

Mas o destino não pensa igual, sabe por quê? A gente faz curso no mesmo colégio e na mesma sala, dá para acreditar? Além de eu ter que ver ela todos os dias pela janela do meu quarto, que fica de frente para a janela do quarto dela, eu tenho que ver ela todos os dias no colégio. E como se não bastasse, ainda vejo a maioria dos garotos suspirando quando ela passa. Pelo menos eu já coloquei na cabeça que tenho que ficar longe dela, afinal, o que eu faria com uma garota rica e mimada?

***

Nesses seis meses que estamos aqui, não falei muito com a Júlia, meus pais e os pais dela são bem próximos, até ajudaram quando meu pai comentou com o Sr. David sobre as dificuldades financeiras, concederam aquele emprego para o meu irmão, e ajudaram a conseguir uma vaga no colégio da Júlia para mim, que é bem concorrido, principalmente porque as aulas já estavam na metade do ano. E com isso nossas famílias se aproximaram muito.

Hoje vamos receber os nossos vizinhos para o almoço de domingo. Não sei por que eles inventam essas coisas, entendo que eles nos ajudaram, mas não quero aquela garota perto de mim, sei que é uma perdição e por mais que eu saiba que não posso me aproximar dela, não consigo parar de admirá-la quando a vejo.

Desço as escadas e vejo todos já ali, Richard e Alex estão no sofá vendo jogo e bebendo cerveja, meu pai e o David estão na bancada conversando e bebendo Whisky, e eu me pergunto, quem bebe Whisky de manhã cedo? Enfim, quando olho para cozinha, lá está ela, toda trabalhada num vestidinho rosa, um rabo de cavalo simples e sem maquiagem, toda sorridente conversando com minha família.

Dou um bom dia a todos, não sou muito fã de conversas de manhã cedo, e bem, ver a Júlia aqui me faz perder um pouco a cabeça, enquanto estou perdido em pensamentos vejo meu irmão me chamar para assistir ao jogo com eles.

O dia passa incrivelmente rápido, almoçamos, conversamos, rimos, mas em momento algum fico sozinho com a Júlia, não sei como eu iria reagir se isso acontecesse, e realmente é algo que não posso fazer, meus vizinhos são bons para minha família, e eu não faria bem a ela.

De canto de olho, percebo que de vez enquanto ela me olha e fica me fitando, quando eu olho diretamente a ela não consigo reprimir o sorriso malicioso que brota em meus lábios, pois sei que ela também gosta do que vê. Ai Júlia, o que vou fazer com você?

***

Olá pessoal, e ai? O que acharam da primeira desilusão amorosa da nossa querida Júlia? Sacanagem, ninguém merece ter uma amiga trairá igual essa Ariane né?!

E o Rafael? Vai conseguir ficar quanto tempo afastado da Júlia?

Conto com vocês para comentarem, votarem e compartilharem com a galera.

Um beijo a todos =*

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