Onde estou me metendo

Não sei que horas fomos dormir. Mas sei que se não fosse o despertador do celular dela, eu teria perdido à hora mais uma vez.

-Bom dia Grazi! - falei dando um beijinho em seus lábios e saindo da cama

-Bom dia Lindo!

-Vou tomar um banho rápido e volto para tomarmos café.

Mal entrei no chuveiro e escutei a porta se abrindo. Sem se importar com a minha presença ela entrou nua, fez xixi, levantou, lavou as mãos e com naturalidade escovou os dentes com a minha escova, lavou a mesma, colocou pasta de dente, entrou no box e a entregou para mim.

-Tem escova nova no armário. -comuniquei sem entender como aquilo não me incomodou realmente.

-É mesmo? -questionou sorrindo.

-É.

-Desculpa se te incomodei usando a sua. É que sua boca já esteve em todo o meu corpo e creio que a minha também no seu, por isso não vi problema.

-Não falei que era um problema, somente te avisei que tem escova nova armário. -proferi um pouco confuso com a nossa intimidade.

-Entendi Lindo! -declarou passando sabonete no meu pau que acabou de ganhar vida enquanto eu escovava meus dentes.

Com a boca cheia de pasta, prendi um suspiro quando sua boca tomou o lugar das suas mãos.

Essa mulher não cansa nunca e eu adoro isso nela. É tudo tão espontâneo. Nada é feito para me impressionar. Tenho a impressão que com ela é assim. Gostou, tomou pra si.

Pedi para ela parar, porém, ao contrário disso, ela intensificou suas deliciosas carícias. Segurando a escova na boca. Levei as mãos em seus cabelos a tempo de ver ela se afastar e meu gozo espirrar em seu rosto. Ela voltou, me limpando com sua deliciosa boca.
Levantou, lavou o rosto, tomou um banho rápido, tirou a escova da minha boca. Que sem eu perceber, tinha permanecido com ela. Me beijou, colocou minha escova na boca e saiu do box.

No quarto ela já estava vestida. Pronta para sair recusou o café.

-Te vejo hoje à noite? -perguntei antes dela sair.

Por que perguntei isso? Me questionei sentindo um certo desconforto.

-Vou trabalhar hoje. -respondeu me dando um beijinho e saindo.

Na empresa, Thomas parecia mais feliz que o normal e Thales mostrava toda sua impaciência com o sumiço da sua dama misteriosa.

-Thiago você vai no futebol hoje? -perguntou Thomas, horas depois entrando sem aviso em minha sala.

-Vou sim, porquê?

-Não vai dar para eu ir e eu não queria deixar Thales sozinho, ele tem estado estranho esses dias.

-Percebi, A tal mulher pegou ele de jeito. Mas conta aí, aonde você vai?

-Tenho que colocar uns documentos em ordem.

-Sei.

Este, está pensando que me engana. É claro que ele vai sair com a Júlia outra vez.

A semana passou lentamente, meu sono havia novamente sumido. Fiz hora extra na varanda e não vi Grazi nem na quinta e nem na sexta-feira.

Sábado fui para a empresa, meu pai marcou uma reunião com um cliente em potencial. O mesmo cara do Baile.
Thales chegou atrasado e com um lindo sorriso. Sorri em ver sua leveza. E mesmo que ele não me conte, sei que a tal mulher é a responsável. Por isso ela já ganhou pontos.

Durante a reunião o cliente quase não falou comigo, depois desviou o foco totalmente para mim. Me pedindo para fazer uma campanha grandiosa sem me preocupar com os gastos.
Minha mente trabalha rápido, em minutos exponho para ele minhas ideias. Ele aprova e diz que confia em meu trabalho, me dando carta branca para agir. Meu pai sorri e fala que eu sou um gênio do marketing, isto me deixa extremamente surpreso e satisfeito.

Saímos para almoçar em família e desta vez sou incluído por meu pai na conversa. Isso não durou muito, meu pai destratou. Mais numa vez. Um garçon negro. E desta vez Thales se exaltou. Meu sangue ferveu quando ele gritou com Thales. Fechei as mãos para me controlar e não gritar com meu pai de volta.
Thales se retirou e Thomas e eu o seguimos. Fomos a um bar com música calma e boa.

Thales resolveu falar sobre racismo. Tudo que foi dito era real e me incomodou, fazendo eu me calar a maior parte da conversa. Tentei imaginar tudo que Grazi pode ter sofrido e me doeu perceber que eu fazia parte do time que julgava uma passoa simplesmente por seu tom de pele.
A conversa nos levou para a morte de mamãe e me lembrar claramente do homem que a matou me encheu de ódio. O mesmo ódio que me dominou na manhã seguida a morte dela quando encontrei seu assassino na delegacia e sem controle o agredi. Acho que se não fosse o delegado e alguns policias a me segurarem, eu teria matado aquele desgraçado.

Me despeço dos meus irmãos .
Saí de táxi para não preocupa-los. Passei na oficina do Pablo para pegar meu carro "envenenado". Vou para uma corrida de carro clandestina na Zona Oeste do Rio. Hoje eu só quero esquecer a dor que martela meu peito.

Minha adrenalina sobe a cada curva fechada. Não me importa ganhar, eu somente quero aplacar um pouco essa dor.
Fiquei em segundo lugar, fomos festejar em um bar e por conta disso acordei em meu carro com o sol em meu rosto e com a boca amargando. Procurei uma padaria para meu desjejum e ao retornar para casa meu dia que já começou mal, piora.
Vejo Grazi entrando em um carro preto e atrás do volante, está o loiro alto do outro dia. Entro em casa somente para pegar minha prancha e meu equipamento de parapente e vou para a praia.
Passei o dia todo fora e à noite optei por curtir uma boate ao invés do meu habitual show de rock.

Era quase dia quando regressei. Estacionei meu carro e ao sair do mesmo, o portão da garagem se abriu.
Seu carro com vidros fumê não me permitiu saber se ela estava acompanhada. Tentando evitar um constrangimento para nós dois, segui para o nosso prédio em passos lentos.
Eu não queria ver, mas precisava saber se ela estava sozinha. Mesmo perturbado com a resposta que viria, segurei as portas do elevador esperando por ela.
De cabeça baixa, ela caminhou em minha direção. Não sei o que senti, mas sorri ao constatar que ela estava só.

Entrou muda no elevador e não me cumprimentou, o sorriso em meus lábios se desfez, quando ela nem ao menos me olhou.

-Boa noite Grazi.

-Boa noite! -respondeu baixo.

Em segundos que pareceram eternidade, chegamos ao nosso destino. Saiu na frente sem olhar para trás, mas ao colocar a chave na fechadura virou um pouco o rosto e me pegou parado na minha porta olhando pra ela. Mesmo que de relance, vi seu semblante triste.
Deixando meu orgulho de lado caminhei até ela, chegando antes mesmo da sua porta se abrir totalmente.

Não teve palavras, fiz o que minha mente pedia e à abraçei.

-Me solta. -pediu com o rosto em meu peito.

Relutante a soltei, somente para em um impulso tomar seus lábios com os meus. Seus lábios resistiram por um segundo antes de me dar passagem.
Afastei nossos lábios para tirar as chaves da porta e trancá-lá assim que passamos por ela.

Ainda calada, tirou as sandálias e se jogou no sofá me deixando com a sensação dê que eu fiz algo errado. Porém, eu não não sabia o quê. Em qualquer outra ocasião eu viraria as costa, deixando ela sozinha.

-O que eu fiz?

-Nada.

-Então porquê você está me tratando fria assim. -insisti.

-Eu estou cansada.

-Isso é motivo para não falar comigo direito.

-Estou falando esquerdo?

-Está. -respondi ainda de pé, perto do sofá.

-Eu quero dormir meu dia foi muito agitado e meu corpo está cansado.

O correto era eu me despedir, mas...
Me sentei ao seu lado e trouxe sua cabeça para meu colo. Ainda estava tensa quando iniciei um cafuné.
Aos poucos foi relaxando e quando vi que seus olhos lutavam para permanecerem abertos a chamei para seu quarto. Ela aceitou sem protestos e em meus braços adormeceu.

Fiquei acordado tentando me entender e não tardou para eu ter que levantar para ir à minha casa tomar banho e trabalhar. Deixei ela dormindo. Ela nem ao menos se mexeu quando escorreguei da cama para não incomodar seu sono tranquilo.

Na empresa Thales fala dos seus sentimentos e com ironia falo estar apaixonado.
Eu estava brincando, mas ao ouvir seus relatos de querer estar junto, de cuidar e ser os motivos dos sorrisos dela, me faz questionar mentalmente se este sentimento está me alcançando.

-É assim que você se sente com ela? -Questiono.

-Eu acho que sim e isso realmente me assusta.

Sei exatamente como ele se sente. No entanto, prefiro guardar tudo isso para mim. Estou confuso.

Thomas chega com cara de quem pouco dormiu e um sorriso bobo no rosto.

-Aí donzela, Thales está amando. -Conto sorrindo.

-Para de gracinha Thiago, esse daí tem pedra no lugar do coração. -Responde Thomas com um sorriso.

-Amando é exagero, no entanto não nego que pela primeira vez quero passar mais que apenas algumas noites ao lado de alguém. -Confessa Thales.

-E quem é ela?

-A mulher do Baile. -confessa Thales

Ficamos em silêncio e por dentro, vibro com a felicidade deles.

-Não irão falar nada? -indaga Thales.

-Maldita hora que fiz aquele desafio. -Falo sem olhar para eles.

-Tenho minhas dúvidas...

-Porra éramos imbatíveis e agora meus dois irmãos estão apaixonados. -interrompo Thales escondendo que se eu não tomar cuidado estarei no mesmo time.

-Dois?

-É só olhar para a cara de babaca do Thomas que vai ver que está igual a sua. Cara nunca vou entender, com um monte mulheres por aí, e vocês querendo permanecer com uma. -percebo assim, que meu caso não é tão grave, ainda quero a mulherada que tem por aí.

-Ninguém aqui está falando em casamento Thiago, na verdade nem sei o que fazer com esse sentimento. -explica Thales.

-Corre, largue ela antes que sem que você preceba seja arrastado para o altar. -aconselho mais para mim do que para eles.

-Não é para tanto Thiago, sabe bem que eu não vou me casar, e você Thomas está mesmo apaixonado?

-Sei lá, só sei que me sinto bem ao lado dela.

É exatamente assim que me sinto.

-É a do baile? -Pergunto.

-É sim. -Afirma Thomas.

-Puta que pariu! Pra que fui inventar aquela porra. Tratem de manter as suas mulheres bem longe da vista de papai ou então vou me tornar seu único herdeiro, logo eu o filho irresponsável. Porque na certa ele vai deserdar vocês. -brinco tentando manter o foco da conversa longe de mim.

-Sobre isso eu não tenho dúvidas. - Fala Thomas.

-Nem eu. -concorda Thales.

-Quem diria em? Não resistiram aos encantos de uma negra. Vocês estão fodidos. 

-Já entendemos essa parte Thiago.

-Que bom. Vou adorar ver papai surtando quando o sobrenome tão idolatrado dele for dado a um monte de lindas criancinhas negras. -Falo rindo e saindo da sala.

Em meu escritório, resisto a vontade de voltar para casa, de voltar para os braços dela. Eu não posso cair nesta armadilha.

                            🌻🌻🌻
Oi amores! Voltei das férias renovada e com saudades de vocês.

💐Por favor não esqueçam de votar e comentem à vontade.

💋Beijos da Aline💋💋.

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