Dor
Depois de todo o meu tormento com as "novidades" de meu pai. Passei mais noites em claro.
Essas noites me serviu para algo aliviador.
Em uma madrugada, dois dias antes da grande revelação de Luísa, mãe da Becca. Estava eu, perdido em meus pensamentos sentado no carro, com os vidros fechados e fumando meu baseado. Uma loira passou "trocando as pernas" e se apoiou na porta do carona. Eu jamais esqueceria a dona de grande parte do meu tormento, aquela era nada mais, nada menos que a mulher que me tirou a felicidade.
Respirei fundo e contei até dez. Aquela noite ainda era um mistério e eu precisava de explicações. Destravado minha porta, em cinco passos parei na frente da criatura.
-Oi! -Cumprimentei escondendo minha fúria.
-Oi gatinho! Que mundo pequeno. -respondeu, aproximando as mãos do meu rosto. Era visível sua embriaguez.
-Aquele dia fiquei tão chateado que não perguntei seu nome.
-Não vai brigar comigo por eu ter pego sua grana?
-Não, você deve ter feito por merecer. -retruquei observando seu desconforto. -Me desculpe se agi mau contigo. -joguei.
-Você não fez nada. Entrou no quarto praticamente apagado, fui eu que dirigi até lá. Vi você encostado no carro e... Quis me dar bem.
-Nunca tive um apagão antes. -Eu ainda precisava saber quem me drogou. Porque com certeza, eu fui drogado.
-Cara. Um monte de gente ficou assim, soube que uma vendedora batizou algumas garrafas de água.
-Se não transamos, por quê fez parecer que sim? -Questionei para ter certeza.
-Sei lá, acho que pensei que assim você me daria um trato. Passei a madrugada te desejando e acordei esperançosa. Foi mal príncipe.
Meu alívio foi tão grande, que minha raiva evaporou. Sorri feliz em saber que eu não era um traíra. Eu não tinha traído a mulher que amo. Ainda sorrindo, entrei no meu carro e fui para casa. Dormi me controlando para não ligar para Grazi. O babaca que fui exigia uma desculpa pessoalmente. Talvez assim ela puderia ver em meus olhos, todo amor que sinto e me perdoaria.
Acordei renovado, mesmo sabendo que eu ainda não poderia voar ao encontro dela.
Quando conheci Ivan, o pai da vaca que queria Thales como marido. Tive a sensação de já tê-lo visto antes e sua presença na empresa me causava muito mal estar. Passei dias observando seu comportamento e aparentemente nada de errado. Nem mesmo os detetives que investigavam os possíveis pais para as crianças do orfanato, conseguiram achar algo contra aquele verme.
*
Quando finalmente nosso tormento chegou ao fim. Minha mente borbulhava. Foi duro saber que meu pai me odiava e se manteve distante por que ele era um traidor e julgava que meu olhar para ele era de acusação. Isso quando, eu nem ao menos sabia o que de fato ocorreu.
Thomas estava arrasado e se eu fosse o sortudo em não ser filho de Theodoro, estaria soltando fogos de artifício.
Mas nem sempre a vida é justa. Agora eu somente queria estar nos braços da mulher que amo e poder deixar sair toda a dor que guardei por anos dentro do meu peito e preencheria este espaço com mais amor. Amor por ela.
Assim que sai daquele quarto... Dirigi para o aeroporto. No caminho liguei para saber de Malu e sorri quando o telefone foi passado para ela. Tenho um carinho tão grande por essa criança, que assim que minha vida normalizar, vou adotar aquela pentelha. -Sorri sozinho com esse pensamento.
Da hora que cheguei ao aeroporto. Até o próximo vôo. Seriam quase cinco horas de espera. Liguei o foda-se e pedi ajuda para Cláudio Alvez. Ele de prontidão me emprestou seu jatinho e depois de um rápido plano de vôo. Cheguei em Vegas às 7:00 horas da manhã do dia seguinte. Eu já sabia que Grazi iria se apresentar às 13:00 horas, em um grande cassino. Me hospedei no mesmo. Descansei um pouco da viagem. Eu queria lhe fazer uma surpresa e uma declaração a altura. Comprei um anel simbólico para lhe dar junto ao meu pedido de namoro e minutos antes de sua apresentação...
Entrei na boate do cassino e me deparei com a segunda cena mais sofrida da minha vida. Ver a mulher que amo beijar e sorrir para outro era como levar um tiro. A dor se apossou do meu peito e lágrimas escorreram em meu rosto.
Sei que errei e a deixei no escuro. Mas nada podia ser pior do que vê-la aos beijos com o filho da puta do Fred.
Me corrói, imaginar quantas vezes essa cena de repetiu em São Paulo ou até mesmo no Rio. Como foi idiota em me condenar por uma noite que nem existiu. Por que fui tão idiota ao ponto de me esquecer que as pessoas traem. Inevitavelmente elas traem.
Eu tive vontade de gritar. Vontade de quebrar tudo. Vontade de me sentar naquele bar e chorar alto em busca de socorro. Dor. Dor e ódio da traidora. Com medo de minha própria reação. Saí dali sem olhar para trás.
-Quantas vezes fiz papel de idiota tentando "demarcar território" em um coração que nunca foi meu?
Voltei ao meu quarto, apenas para pegar minha mala. Fui para um hotel mais simples, aonde provavelmente eu não a encontraria. Eu queria voltar para casa, mas também precisava beber um pouco. Deixei minha mala e desci para o bar. O local era mal iluminado e cheirava a tabaco, maconha e álcool. Só despensei o tabaco.
Comprei uma garrafa e um pouco de maconha e voltei ao meu quarto. Eu estava na terceira dose e no primeiro beck, quando meu celular tocou.
-Fala donzela! Conseguiu se acertar com Grazi? -Questiona Thales feliz.
-Estou voltando pra casa hoje à noite.
-O que aconteceu irmão?
-Eu a vi com outro, não tenho mais nada para fazer aqui. -respondo com amargura.
-Converse com ela antes de voltar. Não tire conclusões precipitadas. Lembre-se de como foi comigo.
-Eu fui na boate e quando ia me aproximar... Equele arrombado beijou ela e ela retribuiu.
-Mesmo assim, converse com ela.
-Não vou fazer isso. Essa mulher me mudou de uma forma que agora não me agrada. Eu era mais feliz antes dela. -se é que um dia eu fui.
-Era mesmo? -indagou.
-Era sim, agora passo o tempo todo querendo ter aquele corpo e aquele olhar penetrante. Isso se tornou um vício e como tal eu somente preciso de tratamento. -declarei com dor, olhando o baseado apertado em meus dedos.
-O que você chama de vício eu chamo de amor.
-Não é amor. -neguei, mais para mim, do que para ele.
-Sabe que se voltar, estará entregando ela de bandeja para este outro aí.
-Fala sério Thales. Acha mesmo que vou me humilhar por Grazi?
-Não começe com seus discursos idiotas Thiago. Não cuspa palavras que você realmente não sente. Você está bebendo?
-Um pouco.
Depois de alguns segundos de silêncio...
-Eu estou mal. Dói saber que eu não fui importante para ela. Aquela boca era minha. -confessei, sem esconder minha dor.
-Não desista dela tão fácil assim. -ordenou.
-Okay, retorno amanhã então. -respondi, para evitar preocupá-lo, mais uma vez comigo.
Sim! eu achei que aquela boca era minha, achei que seus sorrisos fossem pra mim. No entanto, não eram. É para qualquer um que cruze o seu caminho. Constatar isso dói demais.
Olhei novamente para maconha apagada em meus dedos. Fechei os olhos e me lembrei dos problemas que já causei com minha mãe e com Thales. Porém, principalmente com o olhar de desapontamento nos olhos dela. Com ela ao meu lado, eu nunca mais tinha recorrido a essa fuga. Ela verdadeiramente tinha se tornado meu vício. Com ela eu conseguia dormir em paz. Conseguia sorrir de verdade. Conseguia ser feliz. E agora ela me tirava tudo, até mesmo o prazer de um "tapinha".
Me levantei e joguei o beck na privada, fiz o mesmo com o que ainda tinha da maldita. Eu não queria mais me esconder da dor. Talvez senti-lá seria a única forma de me curar de tudo. Principalmente dela.
Mas eu ainda precisava da bebida, ao menos por hoje. Eu retornaria amanhã, determinado a trilhar uma nova vida. Uma vida sem ela.
*
Entrei no avião desejando não ter estado em Vegas. Dormi e acordei várias vezes durante o vôo. Cheguei ao Rio e respirei o ar do meu lar, pedindo a Deus que ele me ajudasse a esquecê-la.
🌻🌻🌻
Oi amores! Obrigada pelos comentários que amo e principalmente pelas mensagens de melhoras para minha sogra. Graças a Deus ela está se recuperando bem. Surpreendendo até mesmo os médicos. Ainda estou um pouco sem tempo. Então me desculpem o atraso😇. Mesmo não respondendo, todos os dias dou uma olhada rápida no aplicativo😍❤
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💋Beijos da Aline💋💋.
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