Clube das mulheres/ Me afastar
Hoje saio para a empresa bem mais tranquilo. Ontem a mãe da Grazi foi embora e percebi que o alívio foi geral. Gabriel mesmo depois de muita insistência de Grazi, optou por morar sozinho mesmo. Então, hoje ele vai para São Paulo organizar sua mudança.
Acabei cancelando o rapel que estava marcado para o fim de tarde, ela viaja amanhã para Porto Seguro e retorna na sexta à tarde. Vai com o tal DJ Zatran. Na sua volta terei que ir à um coquetel da empresa, nos veremos de madrugada ou no sábado.
Chego na empresa junto com Thomas. Não deixo de perceber que ele tenta disfarçar, mas seus olhos buscam pelos da Júlia, que hoje simplesmente o ignora. Na certa fez alguma bosta ou não estão mais juntos.
*
A semana passou lentamente, durante o dia nenhuma notícia e apenas a noite mensagens curtas devido ao seu pouco tempo livre. A surpresa foi que mesmo dormindo sozinho, eu não tive pesadelos ou insônia. A sexta já está chegando e meu único anseio era de beijar os lábios dela.
Na sexta ela chegou às 15:00 horas. Me mandou mensagem dizendo estar muito cansada e que ia dormir para se recuperar antes de trabalhar novamente. Por isso não passei em seu apartamento antes do Coquetel.
*
Fiquei surpreso ao ver Igor Baptista acompanhado da esposa. Por vezes ouvi discussões de meu pai e minha mãe sobre a união deste casal, a indignação do meu pai sempre revoltava minha mãe, que falava de ambos com um carinho que não passou despercebido por mim que vivia nas sombras.
Antes de chegar a nossa mesa , Luísa desviou e apenas Igor e Ricardo acompanharam Thales até aonde estávamos. Papai foi um babaca e isso causou uma discussão entre ele é Thales que terminou com Thales dizendo que vai se afastar da empresa.
Entre tudo o que foi dito, algumas palavras de meu pai me envergonharam muito. Sei que julguei exatamente assim a Grazi e hoje percebo o quanto minha pequena trabalha para conquistar o seu espaço.
"Falou o homem que vive cercado de neguinhos, se enxerga Thales, você é somente uma versão mais civilizada de mim, e bem sabe que essas negras vivem atrás de alguém para bancá-las". Disse papai com arrogância.
Essas palavras martelavam sem parar dentro de mim e por isso não fui capaz de esperar Grazi voltar do show. Depois de me certificar que Thales estava bem, fui para casa a tempo de encontrá-la.
Ela abriu a porta com o seu belo sorriso e seus olhos brilhantes. Sem ser necessário palavras, busquei seus lábios em um pedido interno de desculpas.
-Senti sua falta pequena. -confessei assim que afastei nossos lábios.
Em resposta ela me abraçou e repousou a cabeça em meu peito. Foi difícil assumir a falta que senti dela, mas ao mesmo tempo me fez bem poder falar.
-É uma covardia você me dizer isso quando eu tenho que sair em seguida. -murmurou, depois que deixou meus braços.
-Só estou falando à verdade.
-Eu também senti saudades Thiago. -falou olhando em meus olhos.
Senti o ar me faltar e meu coração acelerar. Fiquei sem jeito e feliz ao mesmo tempo. Minha atitude foi dar um passo em sua direção e beija-lá novamente. Desta vez com mais calma.
Eu desejava que aqueles poucos minutos se transformassem em horas. No entanto, o dever a chamava e eu ainda não estava pronto para me afastar.
-Posso ir com você?
-Pode sim, só que hoje o camarim não é somente meu, vou dividi-lo com o Zatran.
-Sei. Se eu for atrapalhar espero você voltar.
-Não vai atrapalhar, mas ele tem uma equipe, então não vai sobrar muito espaço para nós.
-Melhor eu ficar.
-Deixa de bobeira, quero dizer que não teremos privacidade, apenas isso. Será bom ter você por perto. Agora vamos lindo. -falou me dando um selinho e pegando a case.
Depois de deixar minha mochila em casa, peguei sua case e entramos no elevador de mãos dadas.
No hall, estava Dona Marluce junto com a filha e o marido. O olhar dela para nossas mãos foi de reprovação e sem pestanejar agarrei minha pequena para mais um beijo antes de seguirmos para a garagem.
A tal equipe do Zatran era formada de dois seguranças e três dançarinas seminuas. Fui apresentado como amigo e devorado pelo olhar de duas delas. Fiquei tranquilo e me posicionei novamente ao lado de Grazi. Tudo estava de boa, até que Zatran anuncia que tem uma novidade para Grazi.
A tal novidade era que o baile seria iniciado com um clube das mulheres, onde somente as mulheres entravam e tinham bebida quente liberada por duas horas até o clube liberar a entrada dos homens, que na certa aguardavam ansiosos do lado de fora.
Segundos depois dessa informação, me senti no inferno, quando o camarim foi invadido por dez homens fantasiados de profissões diversas.
Saber que seria Grazi a subir no palco com eles, aumentou meu tormento.
Apertei a mão de todos e assisti ela beijar o rosto dos mesmos.
O que estava vestido de médico derrubou o suco no jaleco e imediatamente se despiu, me traumatizado com uma sunga que mais parecia uma calcinha. Ela estava discutindo com Zatran por ele não ter comunicado nada a ela anteriomente, mas depois se acalmou e sorriu. Ter Grazi naquele ambiente, foi impossível para mim e por esse motivo saí para o corredor. Antes eu não o tivesse feito. Nele estava mais quatro fumando maconha. Meu nervo estava tão abalado, que sem pensar, aceitei a ponta que me foi estendida.
Puxei e prendi buscando a calmaria e olhos fulminantes me fitaram ao abrir a porta atrás de mim. Sem dizer uma palavra ela foi para o palco seguida por eles e me deixou sozinho, mal dizendo mentalmente o meu ato impulsivo.
Voltei ao camarim para pegar uma garrafa de água e segui para acompanhar de lado, o seu show.
A mulherada gritava e algumas até subiram no palco. Grazi olhava para eles e sorria apresentando um a um com uma voz muito sensual.
Eu pedia mentalmente pelo intervalo. Primeiro queria ela longe deles e segundo, desejava saber se estávamos bem.
Duas horas. Foi esse o tempo do meu tormento.
Grazi anunciou a abertura para os homens que estavam lá fora eufóricos e se despediu desejando a todos uma belíssima noite.
-Vamos. -ordenou passando por mim.
Entramos calados no camarim e saímos do mesmo jeito.
Enquanto eu dirigia, ela me olhava e eu como um menino que fez merda, mantinha meus olhos fixos no trânsito.
Tive medo de chegar no condomínio e ela me dispensar. Pensando nisso, segui para um motel em São Conrado. Ela não questionou a mudança da rota e nem reclamou quando entramos no motel.
-Você é viciado? -questionou assim que abri a porta do carro para ela.
-Não, mas fumo às vezes. -respondi com sinceridade.
-Às vezes quanto?
-Quando estou muito nervoso, mas não é sempre é muito raro, antes era todos os dias, depois que minha mãe morreu era toda hora. Agora é algo muito raro mesmo.
-Saiba que não gosto disso, a vida é sua. Mas peço que evite fazer quando estiver ao meu lado.
-Desculpa.
-O que te deixou tão nervoso hoje? -questionou ainda me olhando.
-Não sei. -Menti. Não sei se para mim ou para ela.
-Foi ciúmes?
-Nada haver. Me desculpa Grazi, isso não vai se repetir.
-Assim espero. -retrucou sorrindo para mim.
No quarto, me achei em seus braços assim que fecharmos a porta. A saudade era grande demais para eu ser carinhoso. Cada investida um gemido, cada rebolada um puxão leve de cabelo. Cada arranhão, um urro rouco me escapava.
Nossos corpos cansados não foram impedimento para um amor mais calmo agora.
Um sentimento de paz me dominava junto com o nascer do Sol, tendo ela nua em meus braços.
*
Sábado e domingo, à acompanhei e na segundo foi difícil deixar sua cama para trabalhar.
Durante a semana somente nos vimos na quarta-feira, ela tinha reuniões noturnas e eu diurnas. Na sexta ela vai estar em São Paulo e retorna sabado. Combinei de almoçarmos juntos e marquei com meus irmãos e mandei eles lavarem quem quisessem. Quero ver se Thomas vai com Júlia. Thales, tenho certeza que levará Becca. Na verdade, estou doido para eles conhecerem a Grazi.
Estou pronto para ir buscá-lá no aeroporto, mas antes resolvi ligar para Thales. Sua voz está embargada e percebo que ele não está bem, confirmei ao mandar um beijo para minha cunhadinha e ele nada responder. Puta que pariu! Deu merda de novo.
Ligo para Thomas e o mando entrar em contato com Thales. Não sou muito bom de conversa.
Mais de uma hora depois, Thomas me retorna dizendo que Thales está mal e que quer ficar sozinho.
Preocupado, explico um pouco para Grazi e vou para o apartamento de Thales. No caminho me questiono como Beca foi capaz de ser tão vaca. Sinto um ódio quase incontrolável. Quando entro em sua rua avisto ele saindo. O sigo discretamente.
Sem me surpreender, ele entra no cemitério. Contínuo no meu carro olhando ele de longe. Ele retorna para o carro e segue para o Orfanato. Faz como eu. Encontrando ali seu refúgio. Retorno para casa, depois de pedir por telefone que a coordenadora do orfanato me ligue se tiver necessidade.
Volto tão aborrecido que prefiro não ver Grazi. Acho que estou muito entregue, melhor eu me afastar um pouco e por a merda dos pés no chão.
Apenas lhe mando uma mensagem dizendo que vou resolver algumas coisas e que depois nos falamos.
Meu interfone toca e é Thomas querendo notícias de Thales.
Ao me despedir dele na porta, bem mais tarde, vejo Grazi saindo, ela me sorri e eu apenas a cumprimento com um aceno discreto, baixando levemente minha cabeça.
Vejo ela ficar magoada, mas amanhã a gente conversa. Hoje eu só quero as rédeas da minha vida de volta.
🌻🌻🌻
💐Por favor! Não esqueçam de votar e comentem à vontade.
💋Beijos da Aline💋💋.
😱Volto na quarta.
Vou tentar postar três capítulos por semana. Apartir de hoje.💋💋
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