A realidade
Cheguei na empresa super atrasado. A reunião começou as 14:00 horas e eu cheguei com 30 minutos de atraso. Meu pai bufava na sala ao lado de Thomas e Cláudio.
Cumprimentei a todos e me sentei aguardando meu pai iniciar seu showzinho. No entanto, ele não teve a oportunidade. Fui surpreendido quando Claudio se levantou, me deu um abraço me parabenizando e dizendo que tinha acabado de assistir ao projeto de sua campanha e o aprovava com louvor.
-Thiago você é um gênio, conseguiu captar exatamente o que eu queria. Esse comercial vai ser uma explosão. -acrescentou euforico retornando para sua cadeira.
Meu pai me olhou e depois sorriu para Cláudio.
-Ele é um excelente profissional. Todos os meus filhos são impressionantes em suas respectivas funções.
Sorri feito um bobo ao ouvir sua aprovação.
Assim que acabou a reunião liguei para Thales. Seu celular estava desligado, liguei para o residencial e deu ocupado.
Thomas estava ao meu lado quando horas depois, finalmente Ruth. Nossa eterna baba. Atendeu ao telefone com uma voz preocupada.
Perguntei por ele e ela contou que estava no escritório e que também tinha passado o dia sem se alimentar direito e se recusava a lhe contar o motivo.
Terminei o mais rápido possível o projeto que eu tinha que entregar amanhã de manhã e acompanhado de Thomas, seguimos para o apartamento de Thales.
Ruth, atendeu a porta e nos abraçou da mesma forma acolhedora de sempre.
-Cadê ele Ruth? -questionei assim que deixei seus braços.
O som da porta se abrindo cortou sua resposta.
Thales entrou na sala com os ombros caídos e um olhar perdido. Não consegui dizer nada. Caminhei até ele o abraçei apertado e fomos abraçados seguidamente por Thomas.
Ruth se retirou. Nos sentamos e Thales começou a nós contar tudo o que tinha acontecido. Fiquei em choque quando ele falou que a pilantra estava morando com ele. Fato que Thomas já sabia.
Sofri ao ver meu irmão segurar às lágrimas e nesse instante escolhi nunca passar por isso. De quê adianta você se dedicar a alguém, se um dia essa pessoa vai te apunhalar pela costa? Está na natureza humana a traição. Então porquê as pessoas vivem fazendo juras de amor que não são capazes de cumprir?
Passei a mão no pescoço, controlando a vontade de xingar aquela vaca mentirosa. Todos mentem e quanto mais cedo se aprende isso, menos você sofre.
No caminho de volta para casa. Me questionei o porquê de eu ter ido atrás de Grazi ontem. Um medo me assolou e eu tive até mesmo que parar o carro no acostamento para controlar minhas emoções conturbadas.
Transar com ela é foda, só que isso já está indo longe demais. Estamos passando muito tempo juntos e eu estou perdendo minha identidade.
Entrei no prédio convicto que essa noite eu não procuraria por ela. Ledo engano, quando as portas do elevador se abriram no nosso andar, ela estava atendendo o cara da farmácia e eu sorri caminhando em sua direção.
-Boa noite pequena!
-Boa noite lindo!
Assim que o cara virou a costa eu beijei os lábios carnudos e doce dela. Toda a tensão e pânico anterior, simplesmente sumiram.
-Está tudo bem? -questionei assim que ela fechou a porta.
-Está sim, porquê?
-O cara da farmácia.
-Cheguei da visita ao hospital e acabei me esquecendo de comprar absorvente.
-Nossa! De novo!
-Mulheres mestruam todos os meses Thiago.
Sua fala me fez perceber que já estávamos juntos à um mês e o pânico novamente me pegou. Porém não durou. A gargalhada dela. Provavelmente causada pela minha cara. Me fez sorrir e relaxar.
-Que sorte a minha que te peguei de jeito hoje de manhã. -falei dando mais um beijinho nela.
-Tarado.
-Sei que você adora.
-Adoro mesmo.
-Ainda bem, então ainda pode rolar aquele sexo no chuveiro. -Propus recebendo um tapinha dela no braço.
-Sexo o quê? Eu quero é chocolate. - Decretou indo para a cozinha.
Deixei minha mochila no sofá e fui atrás. Não sei como Grazi consegue ser tão bagunceira. Acho que Todos os copos da casa estavam na pia e isso porque chegamos à tarde.
Enrolei as mangas da camisa e fui pra pia enquanto ela pegava uma panela dizendo que ia fazer brigadeiro de colher.
Tive que largar a louça para evitar que o tal brigadeiro queimasse.
Ver Grazi lamber a colher de pau, era uma verdadeira tortura.
Fui para casa tomar banho e quando estava voltando para o apartamento dela, vacilei. Eu tinha que começar a colocar uma distância segura entre nós. Porém, se eu fizesse isso hoje poderia gerar um significado diferente.
Combinamos de pedir o jantar e enquanto esperávamos o entregador, me sentei no sofá e ela deitou a cabeça em meu colo pedindo carinho.
Assistiamos um filme qualquer enquanto eu fazia cafuné e observava ela entretida olhando a tv.
-Casal lindo! -elogiou o casal negro do filme.
Olhei para a tela e me senti incomodado, busquei inconcientemente um filme que tivesse um casal parecido conosco. Não achei. Porém, me lembrei de Igor Baptista e a esposa. Eles fazem um belo par. Constatei.
Jantamos na sala de estar mesmo.
Ela reclamou de cólicas após o jantar e falou que queria deitar. Recusou o remédio que ofereci buscar.
Me deitei mesmo sem sono e aquelas inquietações de antes voltaram.
Me mexi mais do que o de costume e ela reclamou me abraçando mais forte.
Eu senti vontade de correr dali. No entanto, nem uma parte do meu corpo parecia sentir o mesmo.
*
Na terça foi ela quem bateu na minha porta. Jantou comigo, vimos um filme e depois falou que ia dormir em casa. Para resistir e não bater em sua porta, Saí. Liguei para Thales e ele já estava no flet. O chamei para sair e ele recusou.
Encontrei o pessoal de sempre, mais tarde Cristiano me chamou para uma volta. Assim que entrou em meu carro acendeu um cigarro de maconha. Passou para mim e antes que eu o colocasse na boca o rosto de Grazi me veio a mente. Devolvi para ele é saí do carro deixando ele lá curtindo seu baseado.
Já era madrugada quando retornei arrependido por não ter ido dormir com ela. Dormi sozinho e sem pesadelos.
*
Na quarta fui surpreendido com a chegada de Thales na empresa. Lhe dei privacidade, mas as vezes eu ia lá ver se estava tudo realmente bem.
Na hora do almoço meu celular tocou.
-Tudo bem pequena? -atendi preocupado, ela nunca me ligou antes.
-Está sim, e que vou viajar agora e volto na sexta. Te mandei mensagem, mas não chegou até você. -explicou.
-Vai pra onde desta vez? -Questionei, sabendo que Thales e Thomas me observavam.
-São Paulo, na volta vou direto para outra apresentação. Se quiser deixo um convite para você embaixo da sua porta.
-Se der, deixa dois. Boa viagem.
-Beijos.
Fiquei mudo por alguns segundos.
-Beijos. -disse desligando.
Thomas até tentou me questionar, mas imediatamente comecei a falar umas sacanagens para evitar a curiosidade deles. Thales lutava, mas eu sabia que ele estava sofrendo muito.
*
Quinta passou lentamente, fui voar de parapente no final da tarde e depois parei no bar para relaxar. No bar mesmo entrei na Internet para saber como foi o show de Grazi em Sampa. Não gostei de saber através de repórteres que o Show foi junto com o arrombado do Fred.
Voltei para casa e não consegui dormir direito. O pesadelo voltou e desse jeito vi o sol nascer.
*
Na sexta, fui o primeiro a chegar na empresa. Fui olhar as notícias, nada de novo com o nome dela. Então pesquisei por DJ Fred.
Fiquei paralisado com uma pequena nota em um site de entreterimento de São Paulo.
PARECE QUE FINALMENTE O CORAÇAO DO NOSSO DJ FRED, TEM DONA. AMIGOS DE LONGA DATA NÃO CONSEGUEM MAIS ESCONDER O QUE SENTEM. O SHOW MAL TERMINOU E ELES ESTAVAM SE PEGANDO ATRÁS DO PALCO. NÓS VIMOS. FELICIDADES AO CASAL.
Minhas mãos tremiam e a saliva não descia. Filha da puta traidora. Eu sabia que isso ia acontecer.
A porta abriu dando passagem aos meus irmãos. Buscando forças, mascarei mais uma vez minhas emoções.
Dentro de mim algo doía e assim que entrei sozinho em minha sala liguei para ela. As ligações caíam direto na caixa postal. Desisti de ligar por um tempo e às 11:00 horas da manhã meu celular toca e na tela o nome dela.
🌻🌻🌻
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💋Beijos da Aline💋💋.
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