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I needed to lose you to love me.
Lose You To Love Me • Selena Gomez
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V e r d a n a
doze anos antes
Eu odeio casamentos.
Principalmente aquela parte estúpida em que o noivo, usando um terno ajustado ao corpo alto e forte, avista a noiva na entrada da nave central e seus olhos lacrimejam, como se ninguém, no mundo todo, fosse mais perfeita que ela.
Candara está mesmo linda. Seus longos fios lisos e castanhos formam um coque chique, encoberto pelo extenso véu que acompanha a imensa cauda do vestido caríssimo.
Ela brilha. A pedraria, composta por incontáveis diamantes, cintila sob as luzes da suntuosa catedral. A maquiagem recebeu generosas pinceladas de um iluminador poderoso, que combina com seu bronzeado e ressalta as maçãs altas do rosto harmônico.
Presas nos cílios postiços, duas lágrimas se libertam e fazem reluzir o marrom que margeia suas pupilas. Em seus lábios brilhantes, brota um belo sorriso resplandescente.
Está olhando para Ravel. Parece fascinada pela visão do homem parado no altar, em seu smoking impecável.
Em meu posto de madrinha da noiva, olho para o noivo outra vez. Observo seu perfil. Contemplo o maxilar anguloso e o queixo bem demarcado, evidenciados pela barba feita especialmente para a ocasião. O cabelo loiro escuro está rigorosamente alinhado, ornando com a formalidade do traje. No limiar do colarinho imaculado, desponta uma fina faixa de pele branca, marcada à tinta preta.
Os desenhos interrompidos pela gravata-borboleta seguem seu caminho por debaixo do tecido da camisa, deitando suas linhas sobre o peitoral e os braços musculosos.
Paro de pensar nas tatuagens antes que minha mente me leve para o abdome definido e para o que vem depois dele.
Como se pressentisse que está sendo observado, Ravel move o rosto. Seu olhar encontra o meu e, por um segundo, se mantém em mim.
É ridículo o quanto ele é bonito, o quanto está bonito vestido de noivo e o quanto eu gostaria de estar no lugar da minha irmã.
Mas não estou. Em vez de esposa, serei cunhada do homem que sempre amei. Em vez de mãe, serei tia dos filhos dele.
Está tudo bem. De verdade. Por mais que este seja o dia mais infeliz da minha vida e por mais que eu me sinta morta por dentro, já aceitei a minha sina.
Seus olhos se voltam para Candara, e eu desvio o olhar para os meus pés, meus enormes e horrorosos pés.
Na verdade, não posso vê-los por completo no momento, porque estão encobertos pela barra do meu longo vestido bege. Sob o tecido diáfano, minhas solas se equilibram sobre as sandálias Jimmy Choo. Os saltinhos minúsculos me impedem de parecer excessivamente mais alta que meu irmão, que é meu par.
Roman tem um metro e oitenta. Eu tenho cinco centímetros a mais que ele e daria tudo para ser pelo menos dez centímetros mais baixa do que sou, como nossa irmã.
Não. Na verdade, eu daria tudo para ser magra, como ela. Se eu fosse esbelta e não parecesse o Pé-grande, provavelmente estaria em seu lugar agora, ostentando seu vestido perfeitamente ajustado à silhueta fina e me movendo graciosamente sobre seus altíssimos saltos Stuart Weitzman.
Mas nada disso tem a ver com altura e muito menos com sapatos ou com o tamanho do meu corpo. Eu só queria estar no lugar dela. E não precisaria de um vestido de princesa ou do sapatinho de cristal perfeito para isso. Poderia estar usando qualquer coisa. Poderia até estar pelada, correndo descalça em direção a Ravel.
E ele correria também. De mim, é claro.
Prometi a mim mesma que não me transformaria no lixo de pessoa que secretamente morre de inveja da própria irmã e chafurda em um poço de autocomiseração por causa de um cara, mas a verdade é que eu sou esse tipo de pessoa amarga, feia e invejosa.
Para ser franca, eu não sou feia. Sou só a irmã menos bonita. E tudo bem, já aceitei esse fato, assim como aceitei o fato de que não sou a Cinderela da minha própria história. Sou uma das pezudas com dor de cotovelo que adorariam se casar com o príncipe. E me odeio por isso. E o odeio ainda mais.
Ravel não é um príncipe. Está muito longe disso. E não é amor o que eu sinto. Deixou de ser há muito tempo.
Mesmo assim, não consigo conter a tristeza que está dividindo meu peito ao meio neste momento, enquanto vejo papai conduzindo sua filha mais velha até o altar.
É definitivo. O homem que eu amo vai mesmo se casar com a minha irmã. E eu nunca vou perdoá-lo por isso.
Para mim, Ravel está morto. Não penso mais nele nem imagino a minha vida ao lado dele desde que começou a namorar Candara.
Na verdade, eu o expulsei do meu coração um pouco antes disso. Mas, com a proximidade do casamento, o infeliz o retornou. Não sei como e muito menos por quê. Não estou nutrindo a esperança de que, na última hora, ele desista de tudo e diga, na frente de todos, que me ama.
Primeiro, porque Ravel não me ama. Nunca amou. O que aconteceu entre nós, anos atrás, provavelmente foi coisa da minha cabeça. Talvez eu seja esquizofrênica. Isso com certeza explicaria tudo.
Segundo, porque eu jamais desejaria algo assim a Candara. Um escândalo dessas proporções acabaria com ela. Não somos as irmãs mais unidas do mundo, do tipo que compartilha confidências, mas somos unidas o bastante. E eu tenho inúmeros defeitos, porém não sou egoísta. Não a esse ponto. Amo demais a minha irmã para desejar que a minha felicidade se construa sobre os destroços de sua desgraça.
Ravel foi o meu primeiro amor, mas, depois de tudo, não ficaria com ele nem se fosse o último homem do planeta.
Eu o odeio. Com todas as minhas forças. E o amo na mesma medida.
Acho que nunca vou amar alguém assim, com essa intensidade.
Ou, talvez, eu esteja errada.
Tenho apenas vinte anos, o que significa que sei pouca coisa da vida. Ainda vou conhecer muitas pessoas. E, quem sabe, me apaixonar várias vezes. É possível que, daqui a alguns anos, eu me lembre desse dia e sinta vergonha de mim mesma, por pensar que amava o marido da minha irmã. Provavelmente, vou rir de tudo isso, enquanto me arrumo para sair com o meu próprio marido, também conhecido como minha alma-gêmea. E é claro que ele será lindo e... tatuado?
Não, não, não. Sem tatuagens. Apenas lindo. Um verdadeiro príncipe.
Seria um sonho se isso acontecesse. Mas isso aqui é o mundo real, não um conto de fadas. Convenhamos, os homens são ogros, não príncipes. E eu não sou magra, como uma princesa da Disney. É bastante provável que, aos trinta e poucos anos, eu ainda esteja sozinha.
Nesse caso, estarei feliz e realizada comigo mesma, superfocada no trabalho e em outras áreas da minha vida. De um jeito ou de outro, espero ter superado Ravel.
Em seu smoking feito sob medida, ele se prepara para receber a noiva.
Sorridente e satisfeito, meu pai caminha ao lado de sua filha favorita até entregá-la ao genro, de quem tanto gosta.
Uma curva suave se forma nos lábios esculpidos do noivo. Seu braço forte se entrelaça ao da futura esposa, e o padre dá início à cerimônia.
— Boa noite — cumprimenta, enquanto uma dor inevitável inunda meu peito.
Meus pensamentos se voltam para Donato, que está no seminário. Sinto sua falta. Queria tanto que ele estivesse aqui. Sua presença e seu dom de aliviar minhas dores tornariam este momento menos penoso. E eu me sentiria menos sozinha, principalmente durante a festa.
Papai começou a namorar recentemente. Estará com a namorada a noite toda, e eu não quero segurar vela para ninguém. Muito menos para o meu próprio pai. E muito menos hoje.
Roman estará ocupado demais com uma das madrinhas. Sei disso porque, neste momento, o safado está de olho na bunda da mais bonita, que é uma ex-colega de faculdade de Candara. Mais cedo, reparei que essa mesma garota estava de olho em certas partes de meu irmão. E, pela cara que ela fez, não vou poder contar com ele mais tarde.
A lista de convidados é tão gigantesca que, se eu não for à festa, talvez Candara nem perceba. Ninguém vai perceber. Posso ir direto para casa, deitar na minha cama enorme e fria, me encolher em posição fetal e chorar até o dia amanhecer.
Começo a planejar minha fuga e acabo me distraindo. Por um lado, é bom. Perco todo o falatório do padre, mas volto a prestar atenção justamente no pior momento.
— Eu, Ravel Rocha, te recebo, Candara Fontoura Fontes, como minha esposa e te prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias da nossa vida, até que a morte nos separe. — Sua voz imponente ressoa pela catedral, e as palavras decisivas antecipam minhas lágrimas.
Seus dedos empurram o aro de platina no anelar delgado, e o sorriso dela brilha mais que o solitário que acabou de ganhar companhia.
Com os olhos marejados, entrevejo o resplendor dos dois anéis, o de noivado e o de casamento, que se unem pela primeira vez e para sempre.
Prendo os lábios, tentando conter o choro e os soluços convulsivos que se acumularam rapidamente em minha garganta. Tenho vontade de sair correndo, mas mantenho os pés firmes no degrau.
Engulo o nó dolorido e, enquanto Candara repete os votos e o gesto de Ravel, limpo discretamente os rastros úmidos que escorrem pelas minhas bochechas, torcendo para que pareça que estou apenas emocionada pelo casamento de minha irmã mais velha, e não ruindo na frente de todos.
Estou destruída quando ela termina. E é nesse instante que me dou conta de que eu estava errada. Esse não é o pior momento.
— Eu vos declaro casados. — Esse é o pior momento. — Pode beijar a noiva — o padre declara, e percebo que errei de novo. Agora sim. Esse é o pior momento.
Não sei como não me lembrei disso. Estou há dias me preparando psicologicamente para a cerimônia, mas me esqueci do beijo.
Talvez, meu cérebro tenha decidido nos poupar do martírio de ficar pensando o tempo todo na hora fatídica em que os lábios dele tocariam os dela diante dos meus olhos.
Nunca vi Ravel beijando Candara. Sempre fiz questão de ficar longe deles, porque o que os olhos não veem o coração não sente.
Só que sente, sim. Não preciso ver nada. Minha imaginação se esforça bastante para me fazer sentir. E dói. Dói pra caramba. Mas jamais doeu tanto como agora.
Sua palma se encaixa perfeitamente no rosto dela, cobrindo toda a lateral. Então, as bocas se unem. Dura pouco, mas é o suficiente para que meu coração já em pedaços se esfacele e vire pó. Incapaz de comportar a dor, o órgão sucumbe.
Tenho vontade de fazer o mesmo, de simplesmente permitir que minhas pernas trêmulas cedam. Quero despencar e me aglutinar ao chão. Desaparecer. Sumir.
Mas nada disso acontece. Permaneço de pé, suportando sozinha todo o sofrimento que aniquilou meu coração.
Resisto heroicamente. Até poso para as incontáveis fotos que tiramos no altar assim que o casamento termina, fazendo tudo o que posso para ocultar a minha tristeza dos meus familiares e dos convidados, que estão aguardando a saída dos noivos.
Sou uma boa atriz. Sou tão boa que, durante os cumprimentos, logo após a chuva de arroz, consigo emular um sorriso ao abraçar minha irmã e genuinamente desejar que ela seja feliz.
Então, é a vez de Ravel. Olho para ele e constato que estou diante do meu cunhado.
Não sou capaz de abraçá-lo. Não confio em mim mesma nos braços desse homem. Sentir o cheiro de seu pescoço e colar meu corpo ao dele é algo que nunca mais vou fazer.
— Parabéns. — Estendo a mão e não consigo dizer nada além disso. Apenas miro as nuances azuladas que colorem suas íris.
Seu olhar permanece conectado ao meu quando a palma cálida e ligeiramente áspera aquece a minha.
É uma sensação tão gostosa que eu queria passar o resto da vida desfrutando do toque firme e quente. Mas não posso.
— Obrigado... — É a única coisa que ele tem tempo de falar, antes que eu puxe os dedos bruscamente, cedendo espaço para o próximo da fila.
— Casou mesmo, hein, Rocha? Que loucura, cara... E com essa mulher feia, ainda por cima! — Ouço a voz brincalhona de Roman enquanto me afasto depressa.
— Não dê ouvidos ao idiota do seu irmão. Você é linda e está deslumbrante, meu amor. — Olho para trás e vejo meu pai abraçando e elogiando Candara, provavelmente pela milésima vez neste dia, como se ela realmente precisasse de toda essa validação, como se não estivesse careca de saber que é bonita.
É óbvio para qualquer um que papai prefere Candara. Mas, para ser justa e completamente sincera, ele adora me elogiar também. É a pessoa mais carinhosa que conheço. Só que, no meu caso, quando diz que sou uma das duas mulheres mais lindas do mundo, eu sei que ele está mentindo.
Do lado de fora da catedral, abro a clutch e retiro o celular, disposta a dar início ao plano que arquitetei. Já descartei a ideia de chamar um dos motoristas particulares da família. Demoraria algum tempo até um deles chegar aqui. O único presente nas redondezas é Jonas, que está com a limousine estacionada a apenas alguns metros de distância, a postos para levar os noivos ao luxuoso salão que sediará a festa. Por motivos óbvios, não posso pedir que me leve para casa. E, já que ainda não sei dirigir, a minha carta de Hogwarts não chegou e eu nunca aprendi a aparatar, a maneira mais rápida de desaparecer daqui é chamando um motorista por algum aplicativo.
Faço a instalação de um deles no meu aparelho enquanto me distancio a passos largos da catedral. Ao terminar de preencher meus dados, chamo o carro. Em menos de um minuto, o condutor chega.
Felizmente, o homem responde o meu boa-noite estrangulado e não diz mais nada. Apenas dirige em silêncio por todo o percurso. Quieta no banco de trás, reprimo todos os sentimentos que estão em vias de transbordar até o veículo chegar ao meu destino.
Assim que chega, percorro as escadarias que me levam ao meu quarto. Somente quando entro e tranco a porta permito que os soluços rasguem a minha alma.
Corro até a cama, afundo o rosto na montanha de travesseiros e derramo todas as minhas lágrimas por horas a fio.
Quando o sol raia, ainda estou acordada. Com os olhos ardidos e a cabeça explodindo, vou até o espelho e, mirando a minha cara deplorável, prometo a mim mesma que esta é a última vez que choro por ele.
♡•♡
Eu estava muito ansiosa para postar este capitulinho. Tô louca para ler o que vocês comentaram nos parágrafos, durante a leitura! Hahahahaha!
Então, por favor, não deixem de me dizer o que acharam dessa Verdana de doze anos atrás!
O que será que aconteceu durante todo esse tempo?
As tretas já começaram a aparecer, né? Hahahahaha!
Espero que estejam gostando!
★ Se estão curtindo a história, não esqueçam de clicar na estrelinha! ★
A gente se lê em breve!
♡ m i l b e i j o s ♡
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