Uma semana para o baile
Thales
Depois de muito pensar, acabei aceitando o tal desafio por assim dizer.
Acho até que vai ser interessante aumentar meu leque de opções.
Hoje é segunda, e como sempre encontro meus amados irmãos a minha espera. Já entro animado perguntando:
-E ai! Já arrumou as meninas Thiago?
Ele mexe nos cabelos e passando a mão no pescoço me responde:
-Mais ou menos irmão, dei quatro convites para minha vizinha e a maluca os rasgou.
Thomas ri cheio de graça e fala animado:
-Alguma você fez. Ela não aceitar tudo bem; agora rasgar já é demais.
-Pô mandei a real. Falei para ela trazer umas amigas que ela deve conhecer da comunidade, que a festa estará cheia de playboy rico para elas darem o golpe.
Tive na hora uma crise de riso e tosse, não conseguia acreditar no que ouvia.
-Não é possível que você falou isso? -pergunta Thomas incrédulo.
-Falei mesmo, mulher cheia de marra, já abriu a porta fazendo cara de nojo. Se sou eu a fazer aquela cara ia me chamar de porco racista. Se bem que no fim, foi disso mesmo que ela me chamou. Mulher maluca.
-Cara qual o seu problema? -pergunto tentando parar de rir.
-Nenhum. Eu tinha mais seis convites, parei na praia dei para umas minas que estavam lá.
-Ao menos eram negras? -Pergunta Thomas.
-Claro! Escolhi pela bunda. Porra! Nunca tinha me tocado como elas tem uma bundão bonito.
-E o rosto? -insiste Thomas.
-Que rosto cara? Elas vão estar de máscara mesmo. E ai falou com sua estagiária?
-Só entreguei um convite e mandei ela trazer uma amiga, ela sorriu toda tímida em agradecimento. Vou te contar um segredo, dizem que as negras são mais quentes e foguentas, porém aquela lá não deve nem saber chupar direito. -sorriu - Ainda bem que meu alvo não é ela e só para me garantir perguntei como seria sua máscara, ela toda empolgada me mostrou no celular, coisa mais sem graça e pobre, nem procurei para mostrar a vocês, na hora vão saber que é ela. E conselho de irmão... Se querem mesmo uma noite quente, não percam seu tempo com ela.
-Só entregou um convite? -pergunta Thiago indignado.
-Fiz o mesmo com outras três funcionárias. -responde Thomas.
-Vou preferir me arriscar com uma das que o Thiago convidou, ao menos não vou ter que conviver com mais uma babando encima de mim, depois de provar o papai aqui.
Concordamos com essa parte.
-E você Thales, não convidou ninguém? -pergunta Thiago.
-Dei sete convites na balada de sábado, acredita que nunca tinha reparado em quantas negras frequentam aquilo lá. -respondi já abrindo meu not.
Fizemos o planejamento da semana e depois, cada um foi procurar seu rumo.
Na hora do almoço fui a um restaurante para uma reunião e convidei duas garçonetes negras, que deram pulinhos de alegria.
Acho que não terá problema se for uma delas já que fui em um restaurante num shopping da zona norte e certamente nunca mais as verei.
A tarde fui ao orfanato. Hoje é meu dia de contar história. Cada mês, no dia que se refere a data de aniversário da nossa mãe, um de nós vai lá e passar a tarde com as crianças. Com bolo e refrigerante, comemoramos os aniversariantes do mês, sempre foi assim.
Só que antes era minha mãe quem ia, eu a acompanhei até fazer doze anos, depois parei por pedido do meu pai, já que este achava que eu estava muito envolvido com o pessoal do local.
Sentado ali lendo para aquelas criança me sentia de alguma forma próximo da minha mãe, por esse motivo nunca foi sacrificante tirar um dia a cada três meses para estar com eles. Acho até que irei mais vezes.
Dez anos. Tem dez anos que minha mãe morreu e eu ainda sinto muito a sua falta.
Não quero nem pensar o que ela acharia de nós agora. Minha rainha sempre foi muito romântica e sonhava em se tornar avó, essa lembrança também me fez perceber que por mais que eu queira, não poderei dar isso a ela.
Jamais vou me casar, principalmente sem amor. A união dos meus pais me provaram o que o amor faz e como ele é capaz de destruir alguém.
Nunca em minha vida quero esse sentimento destrutivo, onde a morte de um destrói totalmente o outro.
Assim que cheguei em casa tomei um banho e me joguei pensativo no sofá. Essas visitas me alegravam, porém também me entristeciam.
Nesses dias a lembrança e a dor eram bem mais fortes e para piorar, hoje minha rainha faria 56 anos.
Minha mãe era tão protetora, tinha um coração tão bom.
Lembrei dela passando em nossos quartos antes de se deitar, ela sempre vinha saber como tinha sido na escola e quando estávamos com dificuldade ela mesmo fazia questão de nos ensinar.
Não importava o tamanho do compromisso que tivesse, ela cancelava e ajudava. Não era como as mães de agora que por qualquer motivo larga os filhos de lado para viajar com o marido dando atenção somente a suas contas bancárias.
Assim que nasci ela passou o poder das empresas para meu pai e vivia mais para nós do que para ela.
O orfanato surgiu quando quis adotar uma menininha e meu pai foi irredutível, a menina foi adotada por outro casal. No entanto, mamãe passou a ajudar mais o orfanato até passar de uma simples doadora para a maior colaboradora, abrindo assim espaço para mais cem crianças necessitadas.
Hoje por ano só abrimos dez vagas, já que o orfanato não é tão voltado para adoção e sim para a formação. A criança e acompanhada e mantida até terminar o segundo grau e assim ingressar no mercado de trabalho, sem depender de ninguém.
Esses feitos de minha mãe também me ensinaram a não me apegar. Já que cada criança que partia a deixava feliz e ao mesmo tempo triste por perder inevitavelmente o contato.
No começo elas até iam lá ajudar. Entretanto, depois cada uma seguia seu rumo, deixando para trás uma mãe saudosa, mesmo ela negando eu sabia que ela sofria.
Acordei atrasado, mas no caminho vi uma menininha vendendo balas no sinal e me perdi a olhando.
Fui despertado por uma buzina furiosa.
Nem sei porque aquela menina me chamou tanto a atenção, mesmo assim dei a volta e parei no acostamento perto do sinal e fui falar com ela. Deixando meus dois seguranças que estavam no carro de trás bem chateados.
-Oi pequena, o que faz aqui?
-Vendendo bala, você quer comprar?
Coloco a mão no bolso e pego uma nota de cem na carteira.
-Compro tudo se você me responder algumas perguntas.
-Moço eu não faço nada disso ai não, só tô aqui porque minha mãe foi para a maternidade e tem que ficar lá um tempo.
O que será que ela pensou?
-Você estuda? -Perguntei mantendo uma certa distância para não intimidá-la.
-Estudo de tarde. -Respondeu desconfiada.
-Quanto vende por dia?
-Uns trinta reais, mais ou menos.
-É o seguinte pequena, ficar aqui é perigoso demais, quanto tempo sua mãe vai ficar no hospital?
-Só mais dois dias, mais ou menos.
-Então fazemos assim, eu te dou o dinheiro e você espera por sua mãe em casa. Aceita?
-E porque você faria isso?
-Não sei, mas quero te ajudar. A rua e perigosa até para mim, vê aquele carro parado lá trás com aquele homem fortão do lado de fora, ele cuida da minha segurança. E ai aceita?
-Em troca de quê? -Pergunta mais desconfiada.
-De nada, só que você fique em casa e vá a escola.
-Então aceito sim. Falou parecendo relaxar um pouco.
Abro a carteira e tiro mais duzentos reais e entrego a ela, que me olha com os olhos arregalados. Só não dei mais porque não tinha.
-Agora vai para casa e cumpra a sua parte no trato.
-Pode deixar tio, mais acho que você também tinha que ir para a escola.
-Por que?
-Dois dias dá sessenta reais e três da noventa, e você me deu dinheiro pra dez dias tio.
Sorri com seu comentário lógico e inteligente.
-Eu sei pequena, agora vai, anda.
Ela saiu e logo voltou me entregando algumas balas, notei também que escondeu o dinheiro no tênis gasto em seus pés.
O que fiz por ela não me deixou feliz, e sim mais pensativo. Nosso país e tão desigual, que se aquela menina esperta não estudar muito, em poucos anos será os filhos dela vendendo balas no sinal.
Não que vender bala seja o problema o problema e ser uma criança a fazer isso. E no fim nem perguntei o nome da pequena.
Hoje já é sexta-feira é amanhã será o grande baile, realmente o desafio de Thiago deu um novo ânimo.
Certamente não sairei com uma negra. Porém será divertido deixar eles pensarem que o farei.
🌸🌸🌸
🌹Por favor não esqueçam de votar e comentem à vontade.
💋Beijos da Aline💋💋.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top