Uma dor na alma
Becca
Acordar no domingo parecia uma tortura.
Acabei passando a madrugada ao lado de fora do prédio dele.
Sei que foi ridículo, mas eu precisava ouvir ele dizer na minha cara que tudo tinha chegado ao fim.
Eu não conseguia simplesmente acreditar que foi tudo efeito da minha imaginação. Não era possível! Cada toque dele para mim era uma certeza de que éramos um só. Porém, pelo visto eu realmente me enganei, já que aparentemente pela segunda vez ele não foi para casa. Na certa um novo alvo foi fisgado.
No meu celular seis chamadas perdidas e todas elas do Bruno. Retornei e pedi desculpas por meu atraso, já que ele estava me esperando para irmos conversar com meus pais.
Assim que saí de casa liguei novamente para ele e combinamos de nós encontrarmos na entrada do condomínio onde meus pais moram.
Bruno quando me viu, pareceu entender tudo. A dor era evidente em meu rosto.
-Quer continuar com o casamento? -Me perguntou assim que entrei em seu carro.
-Não Bruno, é melhor acabarmos mesmo com essa farsa, não quero te carregar para uma vida infeliz ao meu lado.
-Você que sabe, muitos casamentos se mantém pela amizade, mesmo agora sabendo que eu não conseguiria transar com você, poderíamos nos divorciar daqui à um ano.
-Tenho certeza que não é isso que queremos para nós, somente lhe peço que deixe eu explicar tudo para meus pais.
-Tudo bem. Entretando, seu rosto não esconde seu sofrimento e meu tio na certa vai me culpar por isso.
-Não vou deixar, vou explicar tudo a ele tudo.
-Vou te apoiar em qualquer decisão que tomar.
-Obrigada amigo. -Falei abrindo a porta.
Na sala minha mãe abriu um sorriso ao nos ver e quando olhou diretamente para mim, veio sem nada dizer e me abraçou.
Meu pai saindo do escritório falou:
-Estava quase desistindo de esperar vocês, estou com fome e os pombinhos por... -Se calou ao olhar para mim, que saía dos braços de mamãe.
-Pai eu preciso conversar com o senhor.
-O que foi minha filha? O que você aprontou Bruno? - perguntou e ainda com o semblante preocupado se virou para Bruno.
-Pai ele não fez nada, fui eu. -Assumi me sentando e sendo acompanhada por eles.
Em um gesto carinhoso de me dar forças, minha mãe se sentou ao meu lado e segurou minha mão.
Não adiantava eu tentar me esconder, a hora da verdade havia chegado e eu como uma mulher adulta tinha que enfrentar.
-Pai, não quero mais me casar com Bruno.
-Mais por que? Vocês se davam tão bem.
-Ainda nos damos. Nós nos amamos como irmãos, sonhei para mim um casamento como o de vocês e mesmo te decepcionando não vou aceitar menos que isso.
-Minha filha, tudo que quero é te ver feliz, pensei que vocês se gostassem.
-Eu te falei que ela não estava feliz e como sempre você preferiu não me dar ouvidos. -Se pronúncia mamãe.
-Nem vem Luísa, eu acompanhei durante tudo esse mês os brilhos dos olhos dela, ela estava feliz e eu pensei que era pela a proximidade da data. Filha você estava feliz não estava?
-Estava sim pai, porém não pela aproximidade do casamento e sim porque eu estava com uma outra pessoa. -Declarei abaixando os olhos.
-Você traiu seu noivo? Eu não consigo acreditar nisso, não te criamos assim te ensinamos a ter princípios, a respeitar os outros.
-A por favor Igor, não piore a situação com seus falsos discursos moralistas, você namorava sério quando me conheceu e não pensou duas vezes em ficar comigo.
-Sim. Entretanto, terminei com ela no dia seguinte. -Se defendeu papai.
-Mas não deixou de trair, naquela noite você ainda era comprometido. -Argumentou mamãe.
-Você sabe que me apaixonei por você assim que te vi. -Falou olhando para ela com mesmo brilho no alhar, que muitas vezes foi visto por mim.
-Então não julgue nossa filha sem conhecer sua história, Bruno mesmo até agora não reclamou de nada.
-Eu estou do lado de Becca, somos amigos e amamos vocês, por isso aceitamos nos casar. -Explica Bruno.
-Por acaso eu estava obrigado vocês a isso? -Questiona meu pai.
-Não pai, em momento algum eu falei isso. Porém não vou mentir que iria me casar para deixá-lo feliz.
-Meu Deus filha! Como pôde cogitar que você se casar sem querer me deixaria feliz?
-O senhor ficou muito feliz com o pedido de Bruno e quando aceitei brindou anunciando que viajaria e me deixaria a frente dos negócios.
-Sim e farei isso independente de você se casar ou não. Vejo todos os dias a mulher competente que você é, achei que aquele momento era propício para anunciar a decisão que eu já havia tomado. Vocês dois juntos é uma ótima parceria e vê-los juntos no dia à dia me fez sim, pensar que uma união mais sólida seria bem vinda. Porém, nunca imaginei que isso estava te fazendo infeliz.
-Não estava, até eu me apaixonar, amo o homem com quem eu estava.
-Vejo que vocês dois já se resolveram, então traga esse outro aqui em casa para podermos conhecer o homem que é responsável por seus sorrisos e assim você voltar a sorrir. -Sugeriu mamãe.
Me calo tentando segurar o choro, mesmo assim, uma lágrima insiste em rolar e com os olhos cheios informo:
-Acabou, do mesmo jeito que começou acabou.
-Como assim Becca? - Se surpreende minha mãe
-Eu disse a ele que tinha um prazo para o que estávamos vivendo, nosso prazo expirou.
-Se você ama esse rapaz, diga a ele que o vão continuar. -Insiste mamãe
-Queria eu que fosse fácil assim, ele nem mesmo esperou para conversarmos na sexta à noite.
-Quem é ele, me diga e vou lá pessoalmente resolver isso. -Se alterou papai.
-E dirá o que pai? Que eu era noiva e no último dia criei coragem e acabei com tudo, isso não adiantaria, na sexta de manhã, falei que eu contaria tudo a ele à noite, ele preferiu não esperar. Talvez somente tenha sido bom porque logo chegaria ao fim.
-Quem é ele filha? -Questiona papai.
-Não importa mais, somente quero seguir em frente.
O almoço foi silencioso, eu somente conseguia mexer a comida de um lado para o outro.
Depois de Bruno partir e meu pai sair para atender uma ligação Internacional, minha mãe me chama para meu antigo quarto e me surpreendendo diz:
-Estive com Thales a um tempo atrás, ainda lembro de como você era louca por ele, acredite se puder, ele está mais lindo que antes.
Sorri com tristeza, me mantendo calada para não incentivar seu discurso.
Claro que não adiantou muito.
Ela também me contou que ele foi gentil com ela no coquetel e por um segundo teve vontade de contar a ele que era muito amiga da tia Helena.
Ela já não o acha parecido como o pai, não na questão do racismo. Também deixou claro que sempre soube que ele era um mulherengo declarado e que muitas modelos já sofreram por ele, sendo trocadas na semana seguinte por uma colega de trabalho.
Ouvir isso somente aumentava a dor em minha alma.
É juro que tentei achar uma razão para esses comentários dela.
Acabei passando à tarde com eles e até dormi um pouco.
Papai me deixou à vontade em querer ou não continuar na empresa, elogiou meus feitos e me deu um abraço apertado dizendo que somente me quer feliz. Respondi que já me acostumei e por enquanto eu ficarei.
Após o jantar, que eu pouco comi. Resolvi voltar para meu apartamento.
Sem resistir, pedi a Adriano que passasse bem devagar em frente ao prédio de Thales. De dentro do carro avistei a luz acesa, sem nem pensar tornei a ligar, novamente caixa postal. Pedi para estacionar e quando eu saí e olhei para cima, vi uma loira escultural chegar na varanda com uma taça de vinho na mão.
A dor que senti, eu só consigo comparar a dor dê quando aquela tampa de concreto se fechou sobre meu irmão. O ar me faltou e lágrimas brotavam sem parar em meus olhos.
Adriano saiu do carro a tempo de me segurar. Tudo ficou escuro, quando abri os olhos novamente, eu já me encontrava dentro carro.
-Não fique assim Rebeca. -Diz Adriano aparentemente com pena de mim
-Doí tanto.
-Vai passar, tudo nesta vida passa.
Como isso pode passar? Como posso simplesmente esquecer o que vivi nos braços dele?
Como vou seguir depois de estar ao lado do único homem que amo.
🌸🌸🌸
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💋Beijos da Aline💋💋
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