Capitulo 1

Estou nervosa, minhas mãos se entrelaçam e eu confiro novamente o vestido no espelho. Passo mais duas borrifadas do perfume que escolhi para esta noite, confiro quanto tempo ainda tenho até que o carro venha me buscar.
Duas batidas na porta ecoam pelo quarto, e quando abro, o segurança que estava na porta do quarto do hotel agora me chama.
—O carro chegou. Você irá agora?
Me viro para ele e mordo o lábio com nervosismo, assinto levemente e engulo em seco.

O caminho é longo, confiro meu cabelo no espelho do carro há cada dois minutos, pego o meu Kindle e continuo lendo o livro que parei na página 200, "O conto da Aia", porém, não consigo me concentrar em sequer uma palavra, então utilizo ele apenas para passar páginas e verificar minha biblioteca.
Percebo que estou mais nervosa para chegar la do que com o caminho em si, por mim, eu ficaria neste carro por horas. Mas quando o trânsito começa a ficar engarrafado e vejo cambistas vendendo ingressos, meu estômago embrulha, e a ficha cai.
"Não surte, não tenha um ataque de pânico" repito para mim em mente, torcendo para que meu corpo não me trapaceie neste momento.
Sabe, ter um melhor amigo como celebridade tem suas vantagens, como comer de graça em alguns restaurantes, ganhar presentes caros e ter muitos seguidores nas redes sociais, mas essa última parte eu ainda não usufrui, Thomas e eu resolvemos que o melhor era mantermos nossa amizade em privado, apenas para nós, então usamos o Instagram apenas para mandar reels engraçados um para o outro, nunca postamos uma foto juntos, e eu entendo que ele só quer me proteger do mundo que eu não conheço, o mundo hollywoodiano.
O motorista se vira pra mim e diz que já chegamos. Ele pergunta se estou bem e me olha pelo retrovisor. Faço que sim com a cabeça e olho pela janela.
—O que eu faço agora?— pergunto a ele.
—Moça, eu sou só o motorista, não faço ideia do que você faz agora.
Mando uma mensagem para Thomas, mas ele não vê, obviamente.
"Entrada C" lembro de ele me dizendo, quando me explicava sobre o evento.
Abro a porta do carro e levo um susto com os fotógrafos e pessoas-muitas pessoas-, mas não tanto quando na entrada do evento, onde as celebridades passavam por um tapete vermelho, lá sim era um lugar assustador de se estar.
Procuro a entrada C, o que não é difícil achar, imaginei que seria pior, e nesse momento agradeço pelo universo estar me dando uma ajudinha.
Na entrada, dois guardar esperam pacientemente-ou não-.
Me aproximo e digo o meu nome. Enquanto ele verifica na lista, meu coração acelera, pensando em todas as possibilidades, como por exemplo, meu nome não estar na lista e ele me xingar, dizendo que estou querendo passar a perna nele.
Mas meus pensamentos obsessivos são cortados, porque ele apenas abre a fita que nos separava e pronto: posso entrar.
Ando pela parte de trás do evento, há pessoas trabalhando, com crachás e fotógrafos, também há alguns jornalistas ensaiando entrevistas e se preparando para o momento do tapete vermelho.
—Olá. Eu estou procurando uma pessoa... pode me ajudar?— pergunto a uma mulher  mais velha, ela parece confiável e parece saber o que está fazendo ali, então achei que seria minha melhor opção.
—Claro, meu amor. Quem você está procurando?— ela é mais simpática do que esperava, e isso me deixa animada.
—Thomas... Brodie Sangster—digo o nome do meu melhor amigo.
A mulher sorri e me leva até o camarim "121", e diz que posso entrar.
Entro na sala branca, é um camarim simples, sempre achei que nesses eventos, como o Bafta, as coisas seriam mais chiques, mas por trás das câmeras, não são tanto, estou sou pega desprevenida, e fico um pouco decepcionada com isso.
—Achei que não ia chegar hoje. Comi todos os sanduíches, se quiser mais vai ter que pedir delivery— escuto alguém falar atrás de mim e me viro.
—Poha, você comeu tudo? Tava tirando a barriga da miséria?
Ele é lindo. É meu melhor amigo, eu sei, mas o cara sabe ser bonito e se portar em um terno da Yves Saint Laurent, e aquele cabelo...
Ele sorri e me diz que tem refringentes, eu sou viciada em coca-cola, então fico feliz por isso.
—As vezes esqueço que você é famoso— digo olhando para o espelho do camarim, enquanto Thomas está na frente, se passando a mão pelo cabelo.
Ele ri e ajeita a manga do terno.
Só percebo que estou olhando demais para ele quando escuto o refringente escorrer até o chão, enchendo o meu copo.
—O que está fazendo?— ele pergunta me olhando.
—Nada. Foi mal, eu só estou nervosa— respondo limpando o refrigerante do chão com um guardanapo.
Nossa diferença de idade é notória, claro. Ele tem 34 anos, é 12 anos mais velho que eu, mas a gente se entende, sempre nos entendemos. Desde que vim para Londres em uma viagem com minha família, e desde então, não deixamos de conversar um dia sequer. Contei para ele meus anseios profundos e ele os seus, e assim, criamos um laço.
Agora estou prestes a entrar com ele no tapete vermelho do Bafta, ele é meu melhor amigo, eu não poderia dizer não, e na verdade, eu amei essa ideia, amei tanto que passei uma semana pesquisando vestidos e sapatos para este dia. Talvez eu seja a primeira mulher a vir num evento deste porte com um vestido da Zara, mas o vestido é lindo, e bom, é barato. Thomas se ofereceu pra pagar tudo, é óbvio, mas eu realmente gosto deste vestido, ele é longo, vermelho e brilhante. O colar é da Vivara, e os saltos, bom, esses eu aceitei o presente, então estou usando lindos Louboutin's nos pés.
O assessor de Thomas entra no camarim.
—Dois minutos para a entrada.
E assim meu corpo perdeu seu controle, e eu senti o nervosismo como se fosse apresentar um trabalho na escola, mas agora, esse trabalho ficaria guardado nas fotos pelo Twitter e Instagram para todos verem.
—Vamos lá!

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top