Segunda-feira, 12 de junho de 2017
Já faz muito tempo que eu escrevi aqui.
Aconteceram coisas o suficiente para que eu ficasse impossibilitado de escrever.
Na verdade, eu passei as últimas semanas em um quarto minúsculo de hospital, felizmente, nunca sozinho. Mas agora todos me olham de forma estranha, como se eu tivesse enlouquecido.
Fui liberado no sábado passado, mas só vim escrever agora porque precisava colocar meus pensamentos em ordem primeiro.
Naquele dia, quando fui limpar a quadra, já era um pouco tarde. O time de basquete da escola demorou muito para terminar o treino, fiquei esperando, sentado nas arquibancadas, nervoso. Quando eles finalmente foram embora, pude começar a limpeza.
Primeiro eu peguei as bolas que eles tinham largado no chão da quadra, nem mesmo tinham se dado ao trabalho de guardá-las. Quase uma hora depois que comecei, nada tinha acontecido, estava completamente sozinho, e acabei começando a relaxar aos poucos. Mas, meia-hora depois eu ouvi um barulho esquisito vindo do depósito de bolas, mais cedo eu havia as guardado e me garanti que estava tudo certo antes de sair, mas agora parecia que elas haviam caído.
Esperei por muito tempo antes de decidir ir lá, demorei para criar essa coragem, mas sabia que se eu ignorasse e deixasse aquilo desarrumado iria sofrer outra penalidade na próxima semana de aulas ou até mesmo no sábado.
Quando abri a porta, não encontrei nada estranho, somente algumas bolas que haviam caído. Eu as arrumei rapidamente antes de sair da sala, mas antes de sair, senti algo me puxando para trás com muita força. Bati na mesma estante de bolas que eu havia arrumado e uma dor terrível subiu pela minha costa. Quando consegui focar na pessoa que havia feito aquilo, vi Hyunjin na minha frente.
Sempre fui acostumado ao olhar de escárnio dele, mas aquele era diferente, era assustador e superior, era como se ele estivesse observando alguém fraco demais e estivesse zombando de mim e da dor que eu estava sentindo.
Tentei falar com ele e entender o que estava acontecendo enquanto tentava me levantar apesar da dor que sentia. Mas ele não parecia importar, na verdade, parecia entender que eu só queria um pouco de tempo para me levantar e, talvez, conseguir fugir. Ele disse que sabia que eu havia presenciado a morte de Minho.
Fiquei sem palavras quando ele assumiu tão claramente o crime que havia cometido, reuni forças de onde não tinha para correr para fora do depósito, mas antes mesmo que eu pudesse sair, senti outra dor nas minhas costas quando ele me deu um chute tão forte que, naquele momento, eu sabia que já não ia conseguir levantar mais com tanta facilidade.
Parecia que ele não fazia esforço algum, as veias dos olhos dele estavam tão vermelhas que pareciam que iam fazer seus olhos chorarem sangue a qualquer momento, nunca fiquei tão amedrontado em toda a minha vida. Ele parecia bestial, lembro de perceber o quanto seus dentes pareciam maiores e mais afiados do que jamais havia visto antes, suas veias pareciam saltadas.
Minhas memórias ficaram um pouco turvas a partir do momento em que senti uma das minhas pernas serem quebradas por ele. Só lembro perfeitamente da expressão satisfeita dele em me ver sofrer. Lembro também de outra pessoa que chegou ao ginásio durante aquele momento, Bang Chan. Mas não lembro o que ele fez, devo ter perdido a consciência.
Quando acordei, já estava em um quarto de hospital, Yuna estava sentada ao lado da cama, parecia não ter dormido direito por dias.
Meus pais querem me mandar para a casa dos meus avós enquanto me recupero, pois, depois que acordei, passei a "falar coisas sem-sentido".
Hyunjin foi expulso da escola por agressão, segundo Seungmin e Lia me contaram. Mas ninguém pareceu acreditar muito quando falei todas aquelas coisas, falaram que eu poderia ter visto coisas a mais por causa do trauma. Duvido bastante. No entanto, nunca mais quero vê-lo novamente.
Bang Chan foi me visitar no hospital, mas eu estava muito assustado e ele não ficou por muito tempo, também negou tudo o que falei sobre a aparência de Hyunjin. É como se todos estivessem se juntando unicamente para fazer com que eu pareça um maluco.
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