Um mês

Nesse pouquinho mais de um mês que estamos juntos, passei praticamente todas as noites com ela. Todos os meus pensamentos que a rotina detonava os relacionamentos foi jogado por terra.
Ter Júlia linda preparando o café da manhã ou o jantar já se tornou assustadoramente natural.

Ela nunca me cobra nada, nem mesmo faz declarações esperando respostas. Sei que ela gosta muito de mim, creio que se não fosse assim, ela não teria se entregado sem reservas a mim, na noite do Baile.

Estamos deitados na cama falando sobre o que Becca fez com Thales. Ela está deitada sobre meu peito.

-Anjo, meu irmão amava aquela mulher e por isso ele está sofrendo tanto.

-Sei disso Thomas, acompanhei de perto os sorrisos dele e seu olhar feliz o tempo todo. O problema é que pra mim isso não parece ter sentido algum.

-Nem pra mim.

-Converse com ele, faça ele entender que deve procurá-lá para um diálogo sincero. Me preocupo com ele demais.

-Por que tanta preocupação? - afasto ela de meu peito e olho diretamente em seus olhos.

-Não sei explicar, apesar de não termos contato fora da empresa, tenho um carinho especial por seus irmãos. -Não gosto nem um pouco de ouvir isso.

-Deixe que eu me preocupo com eles, isso não tem nada haver com você Júlia.

-Desculpa! Não quis me meter com assuntos da sua família. -seus olhos fugiram dos meus na tentativa de esconder sua mágoa. Não me importei, não quero mesmo ela de papo com eles.

-É a melhor coisa que você faz.

Ela deitou a cabeça em meu peito novamente, depois de segundos foi para seu travesseiro. Mais tarde, me negou um beijo alegando dor de cabeça. Sei que é por estar chateada.

Ela demorou muito a pegar no sono e negou todas as vezes que ofereci meu peito para seu conforto. Seu sono estava agitado e apenas melhorou, quando a puxei para meu peito. Não nego que somente assim, consegui dormir também.

Acordamos juntos...

-Queria me encontrar com Becca e saber que merda aquela mulher tem na cabeça. -assim como durante o café e o banho, ela apenas concordou com um aceno de cabeça. Sei que falei merda ontem, mais não vou me desculpar por algo que ela realmente não deve se envolver.
*
Desceu do carro e ao invés de ir para a empresa. Atravessou a rua e seguiu para a pista de ciclismo em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas. Fiquei com o carro parado observando seu distanciamento.

Ela andava em direção contrária ao trânsito e isso me impediu de ir de imediato atrás dela.
Deixei o carro na garagem e corri até conseguir encontrá-la, a sorte é que ela já fazia o caminho de volta.

-O que foi isso?

-Nada, só quis dar uma volta. Ainda não está no meu horário.

-Para de mentir pra mim Júlia, sei que está com raiva por eu mandar você não se meter.

-Não estou com raiva.

-Está sim, ficou a manhã toda calada.

-Se decide Thomas. Se não é para eu me meter ou se é para eu dar minha opinião. Fiquei calada pois você só falou de assuntos que não me enteressam.

-Comigo você pode falar, não quero que fale com Thales.

-Não sou idiota em falar, sei que se eu o fizesse ele acharia estranho eu ter conhecimento dos fatos e isso seria complicado pra você não é mesmo?
-Jogou a pergunta e atravessou a rua me deixando sozinho com cara de tacho. Apertei os punhos procurando um controle que não veio.

Atravessei atrás dela e segurei seu pulso com firmeza. Mas justo nessa hora, o carro de Thales se aproximava e eu me afastei, lhe dando as costas.

O dia foi a porra de um inferno com ela me ignorando e ainda ficou pior por eu ter que passar boa parte da tarde na rua. Meu único consolo era ter ciência que à noite eu domaria aquela fera.

Fato que não aconteceu. Cheguei em casa e ela não estava. Liguei e ela não atendeu, apenas me mandou uma mensagem dizendo estava ocupada e que não viria.
*
No sábado, sem notícias dela. Fiquei muito puto e acabei ligando para Thiago o convidando pra um chope com alguns amigos.

Thiago chegou logo depois de mim.

Tinha um grupinho perto de nós. Elas já estavam bem altinhas. Era um grupo de mulheres, na maioria negra. Na nossa mesa estávamos eu, Thiago e dois colegas. Uma delas falou alto ao telefone e o Ricardo olhou para ela com um olhar de reprovação.

-O que foi Ricardo?  -Thiago questionou bem chateado.

-Este bar já foi melhor, agora  qualquer pessoa tem acesso.

-Falou certo, pessoa. -me senti na obrigação de esclarecer.

A partir daí, a coisa desandou um pouco, eu sorri de nervoso algumas vezes e até tive vontade de mudar o rumo da conversa. Mais ao invés disso. Mandei Thiago relaxar e disse que os caras estavam apenas brincando. Eu, que apenas queria me distrair, acabei levando uma bronca de Thiago.

-Sério que eu tenho que ouvir isso de você Thomas? Tenho que me calar enquanto eles deprecia... Ricardo o interrompeu e eu nem prestei atenção em que Ricardo dizia.

-Cara o que você está falando não tem nada haver. Relaxa irmão, te chamei pra gente beber e relaxar juntos, somente isso. -tentei me justificar e dar o assunto por encerrado.

-Se liga Thomas, não apoie quando os outros falarem sobre uma negra de maneira errônea. Ou de qualquer outra mulher. Nossa mãe não nos criou assim. -Thiago me repreendeu.

Que merda eu estava fazendo com aqueles idiotas que falavam de mulhres tão parecidas com a minha? Vivo tão no meu mundinho com Júlia que até esqueço que ela deve ouvir toda essa merda que eu compartilhei é ainda sorri com esses babacas. Fico mal e mando discretamente um mensagem pra Julia, perguntando se ela ia dormir lá em casa comigo. Ela visualisou e não respondeu nada.

Vez ou outra eu olhava para ver se ela respondia. Quando meu celular tocou minutos depois, eu não atendi.
Novamente meu celular toca e eu atendo.

-Fala. -Atendo puto. Porém, em seguida me dou conta da minha idiotice e me afasto fugindo do barulho para tentar falar com ela melhor -Me desculpe anjo.

-Eu só liguei porque minha mensagem não carregou, estou sem sinal de internet no momento.

-Posso saber aonde você está?

-Estou na casa da Paula ela...

-Na casa da Paula uma hora dessa? Isso deve ser alguma brincadeira com a minha cara.

-Esquece Thomas. Amanhã nos falamos, Boa noite! -desligou na minha cara e quando retornei seu caixa postal. O foda, é que eu não tenho o número da tal Paula e nem imagino onde ela mora.

Retornei pra mesa já pensando em ir pra casa, ou melhor ir pra porta do prédio dela. Quando Thiago que agora parecia um novo homem se despediu e me mandou ir embora antes que eu enchesse a cara. Paguei a minha parte na conta e sai junto com ele.

Por eu ter bebido bastante, deixei meu carro e fui com meu segurança no carro dele. Alfredo foi o tempo todo calado e apenas se pronunciou quando estacionou em frente ao prédio de Júlia e descobriu que iríamos ficar um tempo por ali. Já que a bonita, não estava em casa ainda.

-Thomas, esse lugar não é tranquilo para ficarmos parados dentro do carro uma hora dessa.

-Nós já vamos Alfredo, só quero saber que horas ela vai voltar pra casa.

Mais de uma hora depois... Alfredo estava bem nervoso e com a mão o tempo todo sobre a arma. Acabei decidindo voltar para casa, realmente não era prudente ficarmos parados ali por tanto tempo.
*
Não consegui dormir. Antes do dia clarear, chamei um táxi, busquei meu carro e fui em direção ao apartamento dela. Quando cheguei já passavam dás 6:00 horas da manhã. Toquei o interfone inúmeras vezes e constatei que ela não dormiu em casa. Eu somente conseguia pensar naquele idiota do Cesar, que provavelmente está na mesma casa que ela.

Dou uma volta a procura de uma padaria para tentar tomar um café e quando dobro a esquina vejo ela vindo de ombros caídos e cabeça baixa. Diminui ainda mais a velocidade.

-Entra. -falei parando o carro ao lado dela, que se assustou.

Ela entrou sem falar nada e assim seguimos para meu apartamento. Parei na padaria do meu bairro e pedi coisas práticas para nosso café da manhã, mandei embalar para viagem.   Júlia estava claramente muito triste e me senti mal por fazê-la se sentir assim.

Ela foi direto pro banho e depois deitou na cama fechando os olhos.

Será que ela me traiu? Será que passou a noite nos braços... Não, Júlia não é esse tipo de mulher, eu tenho certeza disso.

-Anjo! Toma seu café. -apoiei a bandeja na cama e passei a mão em seus cabelos chamando por ela.

-Estou sem fome Thomas. Obrigada mesmo assim. Eu só quero dormir um pouquinho antes de ter que voltar.

-Voltar pra onde? -foi difícil esconder meu descontentamento.

-A mãe do Roberto faleceu na sexta-feira à tarde. Ela morreu em casa e o corpo só foi liberado essa madrugada pelo Instituto médico legal. O enterro será às 14:00 horas.

-Sinto muito! Você estava no IML?

-Não. Fiquei com Enzo enquanto Paula acompanhava o marido. Eu só passei em casa pra trocar de roupa e quando me ligou na sexta eu estava tentando fazer Enzo dormir. Depois foi uma doideira de parentes entrando e saindo, Enzo chorando, Paula também. Lembrei de como fiquei quando minha avó faleceu. A sogra de Paula era como uma mãe pra ela.

-Então come um pouquinho e descansa que vou te acompanhar mais tarde.

Na verdade eu estava me sentindo um babaca por ter pensado tanta merda, por ela ter saído na sexta tão chateada comigo e principalmente por ter atendido ela mal ontem no telefone. Fiz tanta merda, que ela nem se sentiu à vontade para me falar tudo que estava acontecendo ontem ou na sexta.

Assim que ela dormiu, eu consegui fazer o mesmo. Até o cheiro dela me acalma.

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💋Beijos da Aline💋💋.



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