Sinto tanto

*Amando muito todos os comentários. Peço desculpa pela demora, mas fazer uma trilogia no mesmo espaço de tempo e bem complicado. Amei ler que algumas leitoras lindas, perceberam isso e agradeço de coração o reconhecimento, que acaba me dando mais vontade ainda de acertar. Obrigada a todxs.❤

Thomas

A gravidez de Becca, o casamento de Thales, a volta de Grazi para Thiago. Tudo tem sido muito difícil pra mim. O futebol de quarta-feira à noite, sempre se torna uma tentativa de vê-la. Mas nunca tenho sorte, até porque o futebol e três quadras longe de onde ela mora. Ela não teve mais registro de emprego, então deduzo que ela deve trabalhar para aquela senhora e isso me tira o sossego. Júlia é tão talentosa que não deveria estar perdendo oportunidades que uma carta de recomendação da 3Ts pode trazer. Já pedi até mesmo para Thales arrumar algo pra ela com um de nossos associados e ele prometeu fazer isso quando voltar da lua de mel.

As vezes à noite, me deito com Tom ao meu lado e imagino como seria se Julia estivesse grávida e se casando comigo. A saúde de meu pai tem melhorado bastante, mas eu sei que ferrei com tudo ao deixá-la ir.
O que me resta agora, é o destino me presentear com uma nova oportunidade de concertar tudo, pois vi que ela realmente não me quer mais e isso ferra comigo.

Chego no restaurante primeiro que meu pai e me sento próximo a janela de vidro. Tenho almoçado com ele duas vezes durante a semana e aos domingo sempre tomo café da manhã com ele em sua casa e as vezes fico até a hora do almoço. Mas hoje após o casamento de Thales, preferi lhe encontrar no restaurante, assim posso voltar logo pra minha casa e como dizem, lamber minhas feridas.

Vejo meu pai sair do carro e uma jovem negra tropeçar em frente a ele. Me levanto preocupado com a jovem e paraliso ao ver meu pai sorrir e estender a mão para ajudar a moça se levantar. Ele ainda troca algumas palavras com ela antes de entrar.

-Tudo bem pai?

-Tudo ótimo meu filho. Como está seus irmãos?

-Estão bem pai, Becca tem sentido bastante desejo e tem deixado Thales louco. -ele gargalha me deixando totalmente surpreso.

-Sua mãe também era assim, mas a gravidez que ela mais teve desejo foi a de Thiago. Deus! Ela comia cada coisa doida. Era feijão com leite moça, salmão com leite em pó. Manga com farofa. Era uma loucura aquilo tudo. -termina de falar e fica pensativo.

-O que foi pai?

-Lembranças boas meu filho, somente lembranças.

-Não quer ir na casa do Thales amanhã?

-Não, e amanhã tenho um compromisso.

Almoçamos, porém o tempo todo ele pareceu distante. Depois voltei para casa. Thiago foi para o orfanato com Grazi e já sei que fiquei sem companhia para sair à noite.

A noite sai pra beber com alguns amigos, Thiago que antes me acompanhava, hoje ligou falando que não viria. Como sempre a mulherada tentou se aproximar, mas eu não estou com cabeça nem paciência para isso.

Na volta pra casa, acabei me envolvendo em um pequeno acidente de trânsito, só arranhou a pintura da porta e a mulher saiu do carro dela sorrindo, sorriso bonito, mas não chega aos pés dos da Júlia.

Depois de verificarmos que estávamos bem, ela me convidou para um café forte na cafeteria 24 horas ali perto. Aceitei por perceber que ela sentiu o cheiro da minha bebida.

-Mas uma vez desculpe Michelle. -falei assim que lhe entreguei seu café.

-Tudo bem Thomas, ainda bem que não foi pior. Direção e bebida não combinam gato.

-Não mesmo. Acredite, nunca faço isso.

-Vou acreditar em você. -piscou o olho.

Ela até tentou flertar, mas como antes, eu não estava a fim. Isso não nos impediu de conversar mais um pouco e ela acabou me convencendo a aceitar sua carona até minha casa. Deixei meu carro ali e fui com ela. Trocamos telefone e ela me ligou minutos depois falando que havia chagado bem. Mulher bonita, inteligente. Ela é médica. No entanto não é Júlia.

Me jogo na cama de roupa e tudo.
Sinto tanto a falta do meu anjo.

Theodoro

Como prometido. Hoje depois do café com Thomas, fui pro orfanato. Depois que soube de Júlia, tenho vindo aqui com bastante frequência. Talvez tentando me curar desse racismo idiota que me tirou tanta coisa.

Coloco algumas fotos de Helena na tela e começo a falar sobre minha vida. Não era bem isso que eu imaginei pra hoje. Minha ideia era falar apenas dela, mas por motivo que desconheço, acabei falando dos meus filhos e da saudade que eu sentia. Uma menininha chamada Maria Luiza ou Malu para os íntimos. Me lembrou imediatamente Júlia aproximadamente na mesma idade. A garota e esperta e me pego questionando se julia também era assim. Sinto uma amargura em saber que a tive tão perto e meu racismo a deixou ir. Juro que se eu soubesse que tinha uma mínima chance de que ela era minha filha que não foi abortada. Eu a teria registrado e levado ela pra casa comigo e Helena. Helena com certeza teria aprovado e talvez eu nem teria sido tão amargo e distante. Talvez assim, eu até mesmo tinha me perdoado e tivesse me aproximado de Thiago.

Acabo falando mais de Thiago que dos outros e meus olhos se enchem por meus erros.

Escuto um barulho, Malu se levanta disparada e corre para um ponto discreto da sala de leitura. As outras crianças acabam fazendo o mesmo.
Fico feliz e surpreso com a presença de Thiago e sua acompanhante.

Sem muito dizer, apenas digo que o amo e lhe sou um abraço tentando recuperar o que foi perdido. Errei tanto com meus filhos. Mais errei muito mais com ele.

Saio os deixando à vontade. Mas os observo do estacionamento. O que me consola é ver que ele está feliz e se essa menina e a causa disso, então quem sou eu para questionar. Para não atrapalhar deciso mais uma vez me manter distante.

Só falta Thomas voltar a sorri, mas ao mesmo tempo sou egoísta e sinto tanto medo dele também me abandonar. Pensando sobre isso, resolvi procurar um psicólogo para me orientar.

Júlia

A visita de César na semana passada, me deixou muito triste. Paula aproveitou o fato dele ter que vir ao Rio para um curso de aperfeiçoamento profissional e mandou por ele, um presente para meu bebê.
No início me tratou bem, mas bastou eu não aceitar ir com ele para Manaus, que ele mostrou sua outra face. Me disse que eu era uma burra por aceitar ser a amante escondida de um playboy, que Thomas havia me enfiado nesse muquifo e que homens como Thomas, jamais assumiria mulheres como eu diante da sociedade e que meu filho seria o bastardo que Thomas sempre esconderia. Na hora da raiva gritei que Thomas nem sabia da existência desse bebê e que terminamos antes que eu contasse. Depois de minha explosão, me atacou dizendo que eu devo ter virado uma puta para bancar isso aqui e no fim, falou que eu teria o mesmo destino vergonhoso que minha mãe e minha avó, pois ambas engravidaram de homens que não assumiram seus filhos e tiveram que batalhar sozinhas. O mandei para o inferno e a coisa apenas não piorou porque Tia Cida chegou e ele assumiu a postura de bom moço minutos antes de eu o colocar pra fora.

A questão foi que suas palavras estão realmente me assombrando. Será mesmo que esse destino é como uma maldição de família?
As vezes me sinto melhor ao lembrar que mesmo com sacrifício, minha avó criou minha mãe e depois a mim. Sei que fui uma boa menina, mas as palavras de César, as vezes me faz questionar se serei uma boa mãe.

A reforma da loja começou e Fabiano tem me ajudado bastante. Ele e tia Cida são anjos que apareceram como refrigério em minha vida.

-O que você tem Julinha? -Fabiano me questiona,mm e tirando dos meus tristes devaneios.

-Nada amigo.

-Quem nada é peixe. Me conta o que lhe perturba princesa.

Depois disso, ele insistiu até me vencer pelo cansaço. Contei e em resposta ganhei um abraço de urso e ele até se ofereceu para registrar meu bebê se for preciso. Mas uma vez ele perguntou quem era o pai e respondi como sempre. Que era um babaca, mentiroso e covarde.
*
Quinze dias de passaram e a loja foi inaugurada ontem. Para minha total felicidade, vendi todas as fatias de bolo e torta. Isso porque Tia Cida trouxe as amigas para um café e logo elas trouxeram outras.

Larissa a filha da vizinha, está trabalhando comigo, abri firma e assinei sua carteira como aprendiz.de.confeitaria.
Como prometido, Fabiano essa semana encomendou 12 bolos e eu consegui dar conta de todos, os docinhos contei com a destreza de Larissa, que já me perguntou se tem vaga pra tia dela que é boleira e está desempregada há dois anos. Expliquei que ainda não posso contratar, mas que se um dia eu puder, sua tia Rita terá prioridade. Mesmo assim Rita trabalha com Larissa na casa dela e elas dividem o lucro. Já estou ensinando Larissa a fazer os docinhos sozinha.

Estou feliz e trabalhando a todo vapor, tive que parar com as quentinhas. Vendo também salgados na Doce Destino. Gostei do nome sugerido por tia Cida e registrei meu micro empreendimento assim.
*
Domingo e meu dia de descanso e não abro não dele. Faço isso por meu bebê, pois tenho medo do meu corpo cobrar o descanso.

Às 10:00 horas da manhã, meu interfone toca e eu penso se atendo ou não, ando bem canzada. A pessoa insiste e atendo de má vontade.

Quem sai do elevador é Becca, que me abraça e beija com todo o seu carinho assim que entra em meu apartamento.

-Vim fazer uma visitinha amiga, você me abandonou.

-Tenho trabalhado bastante Becca. Como vai vocês? E o bebê tem te dado muito trabalho?

-Mais pro pai do que pra mim. As vezes tenho umas vontades loucas na madrugada e Thales roda a cidade procurando o que quero. -conta sorrindo.

-Ele deve estar muito feliz. -me forço a não ficar triste. Becca é ótima e merece tudo de bom assim como Thales.

-Está mesmo amiga. Eu também estou. Mas, na verdade vim saber o real motivo de você ter largado Thomas.

-Incompatibilidade. Simples assim.

Não tenho mesmo coragem de contar a verdade e sem contar, que isso me faria chorar. Coisas de grávida. Penso me controlando para não passe a mão em meu ventre que está disfarçado por uma blusa larga.

Becca ficou por uma hora e saiu depois de receber um telefonema de um cliente que estava detido. Acabei passando a tarde imaginando como as coisas poderiam ser diferentes comigo se Thomas não fosse um babaca covarde.

Merda! Sinto tanto ter me deixado enganar.

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💋Aline Victal💋💋.

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