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Eu mesma liguei para Becca e avisei que estava bem e que iria viajar. Sei que ela contará para Thales e é melhor isso que me humilhar com a verdadeira explicação. Algo em mim não me permitiu ligar para Thales e mentir descaradamente pra ele.
*
Hoje, depois de me certificar que não corro o risco de encontrar Thomas na empresa. Fui lá levar minha carteira de trabalho pra dar baixa.

A empresa estava com um clima tenso e fui direto no RH. Não nego que fiquei aliviada em saber que Thiago fez a gentileza de me mandar embora e não aceitar minha carta de demissão. Me informaram também que Thales mandou depositar um pouquinho a mais por meu tempo de serviço e que os três irmãos fizeram minha carta de recomendação. Deixei para Thales e Thiago, bilhete de agradecimento.
Saí rapidamente, agradecendo pelo RH ficar bem distante da presidencia.

Depois que Thomas me ligou, eu bloqueio seu número. Não quero mais ser magoada e sei que ele não poderia me falar nada que me fizesse se sentir novamente amada. Ele apenas iria me magoar novamente com sua proposta nojenta, mesmos eu sentindo tanto sua falta. Sei que vou sobreviver sem ele. Sempre sobrevivi.
*
Sozinha em meu pequeno apartamento, entro no banho e penso em Thomas. Revivi o jantar na casa de Grazi e tenho a certeza, que mesmo Theodoro sendo um racista de merda, isso jamais será o suficiente para afastar Thales e Thiago das mulheres que amam. Isso aumenta meu sofrimento, pois é óbvio que se eu tivesse grana, Thomas pensaria duas vezes antes de agir feito um moleque comigo.
Ao nao! Vai ver, apenas o seu amor tenha sido uma enorme mentira. Saio dos meus devaneios e penso em meu bebê e agito o convite de dona Cidinha para um passeio no Aterro do Flamengo.

Não estava sendo fácil viver preocupada com o futuro, mas foi sentada na pracinha chupando um picolé com dona Cidinha ao meu lado, que tive uma idéia.
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Do Flamengo para Laranjeiras é um pulo. Visitei algumas lojas e deixei alguns panfletos que mandei fazer.

Na segunda, entreguei apenas três quentinhas e sete bolos de pote, mas consegui vender todas as cinquenta trufas que fiz de chocolate, coco, morango e maracujá.
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Na sexta, já estava entregando dez quentinhas, vinte bolos de pote e vendi as cem trufas. Mesmo eu sentindo bastante sono, não me falta disposição pra trabalhar, nunca faltou.

Isso me trouxe um novo ânimo e até marquei uma consulta no posto de saúde para começar o Pré Natal.  Quando contei pra dona Cidinha, ela se prontificou a ir comigo. Por eu estar grávida. Vou manter o plano de saúde que pra minha faixa etária, não é tão caro. Vou pagar com o dinheiro do aluguel do apartamento de Ramos.
Por sinal, consegui vender tudo que dava e até já o aluguel pro irmão da minha vizinha, que vai se casar mês que vem. Ele mesmo comprou algumas coisas. Mas vou acompanhar também pelo posto e assim economizar nos possíveis remédios.
*
Os enjoos resolveram aparecer e não nego que sentir o cheiro do alho, as vezes me faz correr pro banheiro.
*
Mas uma segunda se inicia.

-Bom dia menina! -cumprimenta ti Cida, com um enorme sorriso.

-Bom dia minha amada! Entre e tome um café fresquinho comigo.

-Eu entro, mas somente se eu ganhar um sorriso -sorrio. -melhorou um pouquinho. Estava pensando no pai do seu bebê?

-Posso dizer que sim. Sabe tia Cida, aquele homem nunca realmente me amou.

-Minha querida. Acho que ele te ama, mas é imaturo demais, lembre-se que os homens demoram mais para amadurecer que as mulheres. -seguimos para minha minúscula cozinha.

-Ele não é um adolescente, ele tem vinte seis anos.

-Pense que ele acabou de sair da puberdade.

-Não acredito nisso, na verdade ele nunca pensou em me assumir para o pai.

-Vou lhe contar uma história. Há muitos anos, meu irmão conheceu uma linda negra no carnaval, meu pai descobriu tudo e o mandou para fora do país, ele foi de bom grado. Porém, dois anos depois, ele retornou na semana do carnaval e foi a procura dela.

-Ele a encontrou?

-Sim, mas infelizmente ela havia se casado no fim do ano anterior. Meu irmão sofreu muito e mesmo assim não desistiu dela. Insistiu e na primeira briga que ela teve com o marido, meu irmão estava lá para consolá-la. Resumindo, ela engravidou e meu pai o deserdou. Lhe deixando apenas com um pequeno conjugado. Meu irmão não se importou. Mas, sua amada já não confiava mais nele que anos antes havia lhe jurado amor eterno e tinha sumido sem lhe dar explicações. Ela fugiu, falou que faria um aborto e voltaria para o marido.

-Que triste!

-Sim. Muito. Meu irmão passou a beber e fumar demais até contrair uma tubérculose. Naquele tempo, era difícil tratar e ele nem tentou. Mas uma semana antes dele morrer, ele soube que sua filha nasceu, foi meu pai quem lhe contou na esperança dele reagir e lutar pela vida. Meu irmão me pediu um dinheiro e foi atrás delas. Não a pediu para voltar, apenas pediu os documentos para assim poder dar algo a filha, mesmo sem lhe dar seu nome, ela não permitiu. Mas no mesmo dia que ele enviou o mensageiro com um presente para a filha, ele faleceu.

-Sinto muito tiaa Cida.

-Ele morreu feliz por ter visto, mesmo que apenas uma vez, o rosto da filha, mas eu não consegui perdoá-la e a culpei pela morte dele, assim como meu pai fez.

-Entendo.

-Juliano era imaturo, assim como o pai do seu bebê e condenou os dois ao sofrimento. O que quero dizer e que não esconda sua gravidez desse homem, seu bebê tem direitos e um pai faz falta.

-Eu sei que faz, mas não creio que ele deseje ser pai de um filho meu. -meus olhos se enchem.

-Isso não tem importância. Faça a sua parte. -segura minhas mãos.

-Não quero pensar sobre isso. Até o bebê nascer tenho tempo. -sei que não contarei.

-Seja racional menina, seu bebê tem direitos.

-Não quero nada que venha dele.

-Mas não vim aqui pra isso, sabe aquela lojinha aqui do térreo que tem um salão, ela é minha e a inquilinos não vai renovar o contrato. Em breve ela ficará vaga e acho que você pode fazer algo legal com ela.

-O aluguel deve ser muito caro...

-Que aluguel menina? A loja é minha e vou lhe emprestar por um ano, depois disso acertamos um valor.

-Não posso aceitar, a senhora precisa dessa renda e lhe fará falta.

-Não fará, eu sou viúva de Militar e ganho um trocadinho legal. Eu vi isso como destino. Pense bem, é muita concidencia a loja ficar vaga justo agora que você apareceu e precisa de um recomeço.

-Tia Cida, não acho certo.

-Deixa de orgulho besta. Gosto de você.

-Eu também gosto da senhora, mas...

-Mas nada! Seus produtos são deliciosos. Vamos fazer um teste. -me animo.

-Eu aceito com uma condição. De der certo, eu lhe pago o aluguel depois de três meses.

-Fechado! -ela aperta minha mão, fechando nosso acordo.

-A senhora foi um anjo que Deu A enviou para mim justo quando eu me sentia tão sozinha e perdida.

-Não menina! Deus que te enviou pra mim. Sua atenção e carinho comigo é um presente divino. E tão difícil as pessoas se aproximarem sem interece de uma velha hoje em dia.

-Que velha? A senhora me dá um banho em disposição.

-Bobinha! Estamos conversadas. Vou deixar você com seus fazeres e obrigada pelo café. -Beijo sua testa e lhe agradeço novamente.

Parece que finalmente minha vida vai voltar a ter rumo.
*
A noite meu telefone toca. Não conheço o número e atendo desconfiada.

-Alô!

-Anjo! -meu coração dispara.

-Thomas, não tenho nada para falar com você.

-Eu queria te ver, saber como tem passado.

-Estou ótima!

-Não senti saudades de mim?

-O que isso importa?

-Poderíamos matar essa saudade um pouco. -Meus olhos se enchem.

-Nao mesmo. Boa noite e passar bem. -desligo temendo revelar o tanto que ele me machucou.

Acabei passando boa parte da noite sem conseguir dormir. Tanto pelos planos com a loja, como pelo telefonema dele.

Acordei sabendo que era hora de seguir olhando pra frente.

Thomas

Minha vida está de cabeça pra baixo. A saudade dela me corrói junto com minha culpa por ser responsável por meu pai ter passado mal e quase morrer. Culpa por ter ousado desejar isso.

Hoje logo cedo, encontrei Ivan no elevador. Ele me olha de um jeito estranho que me causa nojo.

Theodoro

Estou sozinho em casa quando Ivan chega. O levo para o escritório e treino a porta.

-Ivan, agora que Thales aceitou se casar com sua filha, me diga quem é meu filho.

-Ah Theodoro! Você acha que sou burro. Só conto depois que eles se casarem.

-Vai pro inferno, vou mandar fazer DNA em todos os meus funcionários que tenha a idade dele e se eu não achar ninguém, vou acabar com a sua raça.

-Esqueceu que sou pai do seu filhinho amado! Acho que ele vai amar saber que foi enganado por tantos anos.

-Esse filho realmente existe? Se existe, aonde está Silvânia que até hoje nunca me exigiu nada?

-Silvânia Morreu há muitos anos.

-Como achou meu filho Ivan?

-Éramos amigos. Acompanhei tudo de perto e por um tempo de longe.

-E por que me contar apenas recentemente?

-Seu filho quis assim. Mas agora que Thales fará trinta anos você será obrigado a lhe passar a empresa e minha fonte poderia secar. Por isso quero garantir o futuro da minha filha.

-Você é doente.

-Não mais que você. A propósito, seu filho e negro.

-Eu não me importo.

-Será mesmo?

-Vai pro inferno! -grito com ódio.

-Vamos juntos. -fala ao sair de meu escritório.

Mando um e-mail pro RH, pedindo a ficha de todos os funcionários que nasceram naquele ano.

Passo a tarde toda lendo uma por uma com bastante atenção e não acho nada conclusivo. Os que nasceram naquele ano são brancos.
Se esse rapaz sabe quem sou, por que nunca me procurou? Por que confiou em Ivan?

Minha mente fervilha, principalmente por não saber como irei reagir diante dele.

🌺🌺🌺

Por favor! Não esqueçam de votar e comentem à vontade.

💋Aline Victal💋💋.

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