Júlia
*ATENDENDO A PEDIDOS... Eu voltei...
Tudo virou de ponta cabeça. O medo de perder minha filha e encarar finalmente Thomas. Não que encarrar Thomas, tivesse partido diretamente de mim. Eu sabia que um dia teria que contar.
Eu apenas soube que Thomas estava no hospital no dia seguinte. Fabiano havia me escondido tal informação, temendo por minha saúde. Ver Thomas em minha frente enquanto eu me sentia tão fragilizada, era demais para minha sanidade. Mesmo querendo, não consegui ser grossa com ele e para piorar, eu ainda lhe devia desculpas por esconder minha gravidez.
Foi estranho saber que Fabiano e Thomas são amigos de longa data e logo depois saber que conheci toda sua família na infância. Porém, nada foi mais surpreendente que tomar conhecimento de como fomos ligados na infância. Parece que o destino estava zombando o tempo inteiro de mim.
Cada toque dele parecia quebrar uma das minhas barreiras. Mas eu já conhecia seu lado doce e preocupado. Sei muito bem que não devo confiar. Mesmo que eu quisesse secretamente isso.
Theodoro me incômoda, ou melhor, me assusta. Aquele velho é outro que parece querer me enganar com seus pedidos de desculpas.
As alianças nos dedos de Becca e Grazi, me fizeram o tempo todo lembrar das promessas vazias de Thomas.
A dor, a angústia e o medo de falar algo errado, me mantiveram em alerta até ele pedir para tocar minha barriga. Seu toque foi tão íntimo, que até mesmo nossa filha sentiu. As lágrimas em seus olhos me desarmaram completamente. Tê-lo tão solícito era algo que com toda certeza eu não esperava. Eu estava pronta para os gritos que não vieram.
Ainda o amo tanto! E me odeio por isso.
Fabiano soube disso em meu olhar, da mesma forma que li nos dele sua percepção. Meu amigo tirou o time de campo me deixando sem opção. O que Fabiano não sabia, era que eu não desejava ficar mais tempo que o necessário ao lado de Thomas. No entanto, por minha saúde e principalmente e da minha filha em risco. Eu não pude negar acompanhar Thomas até sua casa e ficar aqui até Tia Cida voltar.
Logicamente, não aceitei ficar em seu quarto. Aquele lugar me traria muito mais lembranças que o resto da casa e saber que Michele deve ter dividido a mesma cama com ele várias vezes, apenas piora tudo.
Mesmo assim, não consigo ser imuni a ele. Almoçar ao seu lado sentada onde tantas vezes fizemos amor, foi outra tortura e por isso à noite, lanchei sozinha no quarto.
*
Demorei muito a conseguir dormir e por puro hábito, acordei cedo. Senti o cheirinho de café fresco, mesmo que eu não pudesse tomar. O cheiro era convidativo. Minutos depois, Thomas bateu em minha porta e entrou com Tom ao lado.
— Bom dia Anjo! Dormiu bem? — seu sorriso me deixou em alerta.
— Bom dia Thomas! Dormi sim obrigada. — Respondi enquanto me sentava na cama, recebia a bandeja sobre minhas pernas e em seguida um beijo em minha testa.
Seu rosto agora estava barbeado nos lugares certos e o cheiro da sua colônia pôs barba, era um perigo com luzes piscando. Sem falar de seu perfume, que nunca consegui esquecer.
Agradeci e tomei meu café calada. Ele o tempo todo parece querer falar algo mais, porém se conteve. Seus olhos acompanha todos os meus movimentos, me deixando bem nervosa.
Apenas quando eu terminei, que ele tirou os olhos de mim. Retirou a bandeja com tanto cuidado que me deixou apreensiva.
Tenho que trabalhar -acenti. -mas volto na hora do almoço.
— Realmente não tem necessidade Thomas.
— Para mim tem. Juro que se fosse possível, eu nem iria hoje. Queria passar todos os minutos ao lado de vocês.
— Thomas eu...
— Quero ao menos participar um pouco desse finalzinho da sua gravidez. — Atingiu diretamente em minha culpa.
Apenas balancei a cabeça concordando.
Ele se aproximou. Beijou novamente minha testa e em seguida meu ventre, depois se dirigiu pra porta, levando consigo a bandeja e o ar a sua volta.
— Eu amo vocês. — Declarou parando na porta e se voltando para mim. Que fechei os olhos e virei para o outro lado tentando não absorver suas palavras mentirosas.
Ele saiu fechando a porta com cuidado. Abri meus olhos que já estavam cheios de lágrimas. Lágrimas pelo fato de desejar que desta vez suas palavras fossem reais. Mas eu sabia que não eram. Ele até poderia amar nossa filha. Isso já bastava. Mas a mim, Sei que não ama. Nunca amou.
Mada, insistiu em entrar no banheiro comigo enquanto eu tomava banho. Um exagero, mas disse ter sido orientada por por Thamos e não queria problemas com o patrão.
Fiz uma chamada de vídeo para Débora, a confeiteira que gentilmente estava me ajudando.
Mesmo quando era apenas a loja. Eu já estava sendo conhecida e não podia de forma alguma deixar a qualidade e pontualidade falharem.
Principalmente nas casas de festa de Fabiano, onde muitos clientes já pediam por meus bolos e doces. Ainda estava na chamada de vídeo quando Fabiano entrou lá na minha nova cozinha e interrompeu minha chamada me ligando em seguida.
— Julinha, você precisa fazer repouso amiga.
— Estou fazendo Fabiano. Não reparou no vídeo que eu estava deitada?
— Mesmo assim está trabalhando.
— Não estou inválida. Ainda posso ser útil.
— Você sempre é amiga. Mas tem que descansar a mente também é não apenas o corpo.
— Vocês estão exagerando. Acredita que tive que tomar banho com a supervisão de Mada? Não sei se a conhece...
— Conheço sim, ela trabalha com Thomas a bastante tempo e é de inteira confiança. Fico feliz em saber que ele realmente está preocupado com você.
— Isso é um exagero! E a preocupação dele não é comigo e sim com Juliana.
—Está certo teimosa. Por falar nisso, como está minha afilhada levadinha.
— Está ótima! Acho até que fez graça apenas pra poder conhecer o pai. —sorrimos juntos.
— A males que vêm para o bem, Julinha.
— Bem não sei de quem.
— Ao seu e da nossa princesa. Agora deixa de ser teimosa e aproveite sua estadia. Vou te passar minha senha da netlix. Aproveite para ver uma série bem longa. Faça o que nunca pode fazer desde que engravidou. Descanse e curta nossa menina. Te amo e vou ficar de olho em você.
— Sabe que não vou deixar de acompanhar nada.
— Eu sei. Mas tente fazer uma chamada de manhã e outra apenas no final do expediente. Acredite na sua equipe e em mim também minha querida.
— Confio em você de olhos fechados seu traidor.
— Doeu. Não sou traidor Júlia. Eu não poderia ficar com você o tempo todo e ainda cuidar dos seus e dos meus negócios. E também acho justo Thomas ajudar um pouco. Ele não serviu na hora de...
— Cala a boca Fabiano. Acho que ele teria ajudado se soubesse antes. Eu acho.
— Tenho certeza disso Julinha —sorriu. — agora relaxa que passarei aqui ao menos uma vez por dia. Te amo e bom descanso.
— Também te amo amigo.
Depois mandei uma mensagem tranquilizando Tia Cida e recebi uma de Fabiano com a senha.
Arrumei melhor meus travesseiros e liguei a TV, baixei o aplicativo e escolhi uma série aleatória qualquer.
Por duas vezes Mada veio me ver. E nas duas me trouxe frutas e água.
Quase meio-dia ela retornou, falando que ia servir nosso almoço no quarto. Pensei que falava do meu e do dela, mas logo entendi tudo.
— Thomas não precisa almoçar aqui comigo. O sirva por favor na sala de jantar. Eu nem estarei com fome quando ele chegar. Comi bastante até a pouco.
— Mas ele falou que era pra eu arrumar o almoço aqui.
— A casa é dele, mas enquanto eu estiver usando esse quarto, ele é meu. Não estou com fome e vou aproveitar para dormir um pouco.
— Ele vai brigar comigo.
— Vai nada, diz que estou dormindo e pronto.
Quando ela saiu, fechei as cortinas e desliguei a TV. O que era pra ser um fingimento se tornou real. Acabei cochilando mesmo.
Em meu curto cochilo, me senti sendo observada. Nem precisei abrir os olhos pra saber que era ele. Seu aroma já invadia novamente minhas narinas me deixando com água na boca.
Ainda assim, permaneci com os olhos fechados por um tempo. Porém, minha bexiga não estava colaborando e fingi despertar preguiçosamente. Eu havia fechado apenas as cortinas, por isso o quarto ainda estava um pouco claro.
— Boa tarde Anjo! — Sua voz saiu rouca.
— Boa tarde! — respondi evitando olhar para ele e me levantando para ir ao banheiro.
— Está tudo bem com vocês?
— Estamos bem; obrigada! Vou apenas ao banheiro.
Voltei e ele estava no mesmo lugar. Arrumei os travesseiros e me sentei na cama com as pernas sobre a mesma e usando a cabeceira como encosto. Usei o lençol para cobrir minhas pernas.
Ele se moveu e meus olhos foram ao seu encontro. Ele veio andando lentamente em minha direção e afroxando a gravata. Desviei rapidamente meu olhar.
Sem cerimônia, sentou-se ao meu lado. Quase tive um treco, quando ele se virou de lado e veio praticamente sobre mim, apoiando uma das mãos na cabeceira da cama. Engoli seco, quando ele arrumou melhor meus travesseiros e puxou o ar próximo aos meus cabelos.
Acho que eu daria qualquer coisa por um beijo. Mas a tortura foi pior quando ele beijou de uma forma bem sensual minha testa e pousou suavemente a mão esquerda sobre meu ventre.
— Mexe pro papai meu Anjinho. — Pediu deslizando sua mão com suavidade. Seu toque parecia brasa sobre mim.
Mas quem se mexeu foi eu, afastando um pouco meu rosto do dele. O que somente piorou tudo. Ele se deitou ao meu lado, virado pra mim, apoiou a cabeça em outro travesseiro e sobre a própria mão. Continuou com sua tortura. Juliana se mexeu timidamente e acabei sorrindo, mesmo com todo o incômodo.
— Você está tão linda grávida Júlia. — me olha enquanto continua a alisar minha barriga. Fiquei muda.
Meu vestido era bem soltinho e o tecido acompanha suas carícias. O lençol está cobrinda apenas minhas coxas. Que também estão protegidas pela barra do vestido.
— Eu queria tanto ver sua barriga.
Não sei se eu estou hipnotizada ou algo parecido. Mas subi um pouco mais o lençol e suspendi o vestido até embaixo dos meus seios.
Minha pele se arrepiou na mesma hora que seus dedos quentes deslizaram em meu ventre. Os olhos dele está brilhando e por alguns segundos nos encaramos. Prudentemente, virei meu rosto para outra direção.
— Posso beijar sua barriga? — Sua voz saiu mais rouca.
Ele não esperou minha resposta. Apenas desceu o rosto e pousou os lábios em meu ventre. Minha vontade era agarrar seu cabelos e subir seu rosto até o meu. Inconscientemente, me mexi, passando uma perna na outra. Meu pequeno momento de distração, me fez lembrar quem era Thomas. Ajeitei novamente meu corpo e aproveitei para descer meu vestido. Ele se afastou um pouco. Bem pouco mesmo.
— Eu lamento tanto não ter estado ao lado de vocês duas todos esses meses. Lamento ter deixado você partir. Lamento mais ainda ter pedido aquela merda de tempo. Lamento tudo que teve que passar sozinha.
— Não passei sozinha. Eu tenho amigos.
— Sei que tem. Fabiano é um cara incrível e sei bem que Dona Cida, se preocupa com você.
—Ela é como uma avó pra mim. —Meus olhos encheram ao me lembrar da minha vó Carmem.
— Não se angustie; sua avó, sua mãe e minha mãe, estão em um plano maior olhando por nós e por nossa menininha.
— Eu sei. Mas por um tempo foi tão difícil. — Ele fechou os olhos.
—Me perdoe por ter te deixado sozinha. Me perdoa por ter ousado achar que eu te protegia do meu pai e não ter percebido o mal que estava nos causando.
— Isso já passou Thomas, o que importa é que agora você está aqui e poderá fazer parte da vida dela.
— E da sua?
— Confiança é como cristal. Depois de trincado não tem mais jeito. Eu te amei demais Thomas. Mas amei sozinha.
— Não amou sozinha. Eu passei todos esses meses sem me esquecer de você um segundo Júlia.
Mentiroso. Sei que estava com Michele e nem quero imaginar com quantas outras.
— Isso é passado Thomas. Não complique o que temos agora. Quero que minha filha tenha ao menos um pai e uma mãe que se dão bem.
— Ela terá. Prometo nunca mais te magoar.
— Minha vida está centrada em Juliana. Não brinque com os sentimentos dela e seremos bons amigos. —Vi claramente mágoas em seu olhar.
— Jamais faria isso.
— Tem coisas que fazemos sem querer. Por isso quero que pense bem se quer continuar com isso. Se achar que é responsabilidade demais... Eu entenderei se desistir antes dela nascer... Mas se...
— Não tem a menor chance de eu deixar vocês.
— Não é vocês Thomas. É ela.
— Você tem alguém? Voltou com o César?
— Não. Como falei anteriormente, minha vida está em Juliana. Apenas nela. Mesmo você não tendo nada com isso.
— Posso não ter. Mas a minha vida está centrada em vocês e não vou desistir de nenhuma das duas. Não mais.
— Se toda vez que se aproximar, falar sobre o passado. Vou evitar você. — era isso ou me iludir novamente.
— Estou unicamente jogando limpo com você.
— Vai almoçar, vou tentar dormir mais um pouco. —falei mudando de assunto e me virando de lado. De costa pra ele.
— Vou tomar um banho. Quando tiver fome; volto para almoçar com você. — descaradamente, me abraçou por trás, baijou minha cabeça e alisou minha barriga antes de se levantar.
Lágrimas silenciosas escorrem em meu rosto. Com elas, um pesar enorme por tudo que poderiamos ter vivido se ele não tivesse fingido me amar. Se não tivesse me afastado por minha cor.
🌸🌸🌸
Voltei! Estou apaixonada por meu novo celular.
Por favor! Não esqueçam de votar e comentem à vontade.
💋Aline Victal💋💋.
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