Capítulo 9 - TESSA & MIKE
Mais um capítulo chegando de surpresa!!! Quanto mais estrelinhas e comentários, a novela segue mais rápido...
* * * * *
Eu me arrumo da melhor forma que posso, mas estou uma pilha de nervos. Mike já havia ligado avisando que estava a caminho para me pegar para o almoço. Como queria não precisar falar sobre o assunto que mais me aflige: o transplante. Falta pouco para terminar o prazo que dei aos meus pais para me inscrever na lista de espera. Ah! Se eu pudesse parar o tempo. Olho o relógio, pego a bolsa e desço. Mike já deve estar chegando e não quero que ele suba até meu apartamento sem necessidade.
Quando o carro de Mike estaciona próximo à entrada do prédio, eu começo a tremer. Tenho receio de que ele não reaja bem e se afaste de mim. Caminho a passos lentos até chegar à porta que ele havia aberto para eu entrar.
— Você está linda, Tessa. Conseguiu descansar?
— Oi Mike. Sim, deu para dormir bastante. Você também está muito elegante.
— O meu melhor para minha garota. Vamos? Temos reserva para daqui a trinta minutos.
No restaurante...
— Muito bonito esse local e a comida estava uma delícia. Adorei, Mike.
— Quer uma sobremesa? Vou pedir banana caramelada com sorvete.
— Eu estou satisfeita, obrigada. Provo pouquinho do seu, se não se importar.
— Não me importo. Dizem que se bebemos no mesmo copo, descobrimos o segredo um do outro. Deve valer para colheres também.
Nós rimos. Percebo que foi uma forma descontraída dele lembrar-me que aguardava a informação.
— Bem, Mike. Posso lhe garantir que não me sinto nem um pouco à vontade de conversar sobre esse assunto com ninguém. Mas... você tem o direito de saber. Eu tenho um defeito congênito no coração que foi descoberto quando eu ainda era criança. A insuficiência cardíaca, ou IC como é chamada, é uma condição em que o coração não consegue bombear sangue suficiente para suprir as necessidades de oxigênio e nutrientes do organismo. Os portadores de IC têm algumas limitações, como falta de ar, inchaço dos tornozelos e o coração pode apresentar arritmias, que são distúrbios do ritmo cardíaco. Muitas causas podem determinar a IC, tal como doenças das válvulas cardíacas, coronárias e defeitos congênitos, sendo este último o meu caso, os quais podem ser tratados convencionalmente. Quando o músculo cardíaco diminui seu poder de contração, nas fases iniciais, é possível tratar o paciente com medicamentos, mas quando a IC se aprofunda, apesar da terapêutica otimizada, é cogitada a substituição do coração doente por outro sadio.
(fonte: www.cirurgiadecoracao.com.br/tire-suas-duvidas-sobre-o-transplante-cardiaco)
Há anos sou acompanhada por médicos que testaram vários tipos de tratamentos clínicos para que eu levasse uma vida normal e pudesse, ao longo do tempo, resolver o problema. Porém, há poucos meses, fui comunicada que todos os procedimentos tentados não surtiram o efeito desejado e, no meu caso, só restava a indicação de um transplante de coração. Meus pais queriam que eu me inscrevesse de imediato na lista de espera por um doador, mas eu decidi me dar um tempo para viver tudo o que eu acho que tenho direito. Pedi a eles que me concedessem um ano para eu terminar o ensino médio e começar a faculdade. Decidi sair de casa e dividir um apartamento com a Beth. Passei a frequentar lugares que eu nunca havia ido, pois fui criada em uma bolha de proteção. Sou filha única e meus pais sofrem muito com a possibilidade de que algo me aconteça e não haja tempo de eu ser socorrida. Porém, fazer um transplante não é algo tão simples assim. Existem riscos e o mais temido é o da rejeição. Hoje existem muitos medicamentos que reduzem esse risco, mas não eliminam totalmente. Ou seja, eu posso não sobreviver à cirurgia.
Outro ponto que me incomoda — você pode achar tolice, mas é o que eu sinto — é o fato de que o órgão será retirado de alguém que faleceu para ser colocado em mim. É diferente de outros transplantes, onde o doador cede parte de um órgão ou mesmo um completo, mas que não seja vital, para que o receptor possa sobreviver. No caso do coração, o doador tem que estar morto. Como meu caso não é considerado de urgência, pedi aos meus pais que aceitassem minha decisão. Essa é a razão de eu precisar tomar os medicamentos diariamente, nos horários certos.
— Estou impressionado com sua coragem e determinação, Tessa. E consigo entender perfeitamente sua decisão. Contudo, acredito que todos nós já nascemos com o tempo determinado para ficarmos aqui neste planeta. Todos os dias, milhares de pessoas morrem por diversos motivos. Se formos analisar no geral, o ditado que diz que "para morrer basta estar vivo" tem muito sentido. Nem sempre as pessoas morrem de uma causa "aceitável". Muitos sofrem acidentes tão simples como um tropeço e acabam batendo a cabeça e tendo traumatismo. Não há como saber se estaremos vivos daqui a um minuto. Então, para resumir, se não estiver em seu destino partir agora, a cirurgia será bem sucedida e em breve você poderá realmente ter a vida que sempre sonhou. Quanto a alguém ter que morrer para você viver, lembre-se que foi um ato de amor. A pessoa não morreu por vontade própria, mas estava na sua hora. Se não foi o próprio falecido que já havia manifestado a vontade de doar seus órgãos, a família tomou essa decisão. Em meio ao sofrimento da perda, existe a compaixão pelo próximo. É respeitar e entender o ciclo da vida: nascimento e morte.
— Muito bonito tudo isso que você falou. Você é um cara muito especial, Mike.
— Apesar desse meu discurso, garanto a você que estou aliviado. Havia me preparado para que você me dissesse que estava com os dias contados por alguma doença terminal. Mesmo que fosse o caso, eu estaria com você até o final. E vou te acompanhar durante toda essa sua caminhada para uma vida nova. Não perca mais tempo. Faça a inscrição. O doador vai aparecer na hora certa, porque tudo tem uma razão e um motivo nesta vida. Só te peço uma coisa. Não me afaste, Tessa. Quero estar ao seu lado o tempo todo.
Meus olhos estão marejados e pisco várias vezes para evitar que as lágrimas rolem. Sinto-me renovada com essa injeção de coragem e otimismo que recebi. A presença de Mike em minha vida é um presente e meu peito se enche de gratidão.
— Agora que me contou tudo e eu não saí correndo, aceita namorar comigo? Vamos viver tudo que a vida pode prover antes e depois dessa cirurgia?
— Sim, eu aceito.
Mike me beija com carinho, depois dividimos a sobremesa. Saímos do restaurante de mãos dadas e sorrisos bobos em nossos rostos.
A semana passa rápido. Ligo para o consultório do médico para obter as informações de como me cadastrar. Aproveito para marcar uma consulta com Dr. Dodson e esclarecer algumas dúvidas sobre essa nova fase da minha vida.
Mike está junto comigo neste dia em que faço minha inscrição para a lista de espera. Depois iremos à casa de meus pais para dar a notícia a eles.
A sorte está lançada... agora é somente uma questão de espera.
* * * * *
E aí, minhas leitoras. Será que tem mais para hoje?
Já se apaixonaram pelo Mike? Ai, ai.... ele me arranca suspiros!!!!
Se gostaram, deixem estrelinhas e comentários.
Divulguem! Assim mais pessoas poderão ler este romance.
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