Fofoca

"Quem conta um conto aumenta um ponto"

Ditado Popular

Decidida a não deixar Sophia impune por enganar ela e todo mundo do colégio, Marina logo de manhã foi pra casa de sua vizinha, ex-melhor amiga e presidente do fã clube oficial de Miguel, Yasmin Ortiz, para coloca-la a par da relação do Rodrigues com a Almeida.

A bela loira de olhos azuis, com o cabelo preso num rabo de cavalo e já trajando seu uniforme, muito menor e mais apertado do que o de Marina, não acreditou nem um pouco na história que seus ouvidos escutaram.

— Você tá zuando com a minha cara, né testuda?

Como tinha coisas mais importantes para fazer, como acabar com a imagem de santa da Almeida, Marina decidiu ignorar o apelido ofensivo.

— Não, é a mais pura verdade.

— Mas a mosca morta da Almeida? — Sorriu descrente. — Todo mundo sabe que ela cai de amores pelo André. Impossível!

— Porque eu mentiria?

— Se bem me lembro, há alguns dias você garantiu que estava saindo com o Miguel, que ele a pediria em namoro, e todo um blá-blá-blá enjoativo.

— Chegamos a sair algumas vezes, mas em nenhuma ele me beijou, sequer me tocou — confessou com desgosto. Já era ruim ter sido enganada pela Almeida, ter que dizer isso pra sua maior inimiga era humilhante. — Acho que ele já tava com a Almeida.

— Impossível! — Yasmin repetiu divertida. — Você está é inventando isso, pra disfarçar que não conseguiu conquistar o Miguel. Também com essa testa de marquise.

Marina a encarou furiosa. Yasmin abusava da sua paciência.

Começou a tocar a música Circus da Britney Spears, era o celular de Yasmin.

— Alô? — Yasmin atendeu e logo depois sorriu. — Bom dia, Júlia! Hãm... o quê? — Ficou séria de repente e encarou Marina. — Não me diga... Fonte confiável...

Depois de alguns minutos desligou o celular, o semblante carrancudo.

— Era a Júlia Mendez do segundo B, disse que uma amiga, de uma colega de sua irmã mais nova, viu Miguel e Sophia aos beijos no Gelados ontem, na saída do colégio.

Marina deu um sorriso torto com uma sobrancelha levantada, não falou nada, mas sua expressão deixava bem claro que pensava: "Não disse".

O celular de Yasmin tocou novamente, dessa vez Poker Face da Lady Gaga, era uma mensagem, leu alto para Marina saber do que se tratava.

— Yasmin, Miguel e Sophia tão tendo um caso. Mensagem da Sara Rivera.

E assim se seguiram outros telefonemas e mensagens do tipo: "Miguel e Sophia estavam se pegando em frente a residência dos Almeida"; "Sophia passou a noite com Miguel"; "Eu sempre desconfiei que a Almeida estava saindo com o Miguel"...

— Pelo jeito não sou somente eu a inventar coisas.

Yasmin colocou a mecha loira que usava em frente ao rosto atrás da orelha, uma aura maligna a cercando.

— Vou dar um jeito nessa duas caras, pode ter certeza.

Era exatamente o que Marina queria ouvir.

~*S2*~

Faltava meia hora para o começo de mais um dia de aula, Sophia estava arrumando alguns biscoitos que fizera em uma pequena vasilha e cobrindo-a com um lenço azul escuro, enquanto pensava sobre o dia anterior e em Miguel.

Sempre considerara o Rodrigues um rapaz sem sentimentos, que pisava nos dos outros sem dó nem piedade, mas ele fora gentil com ela. Justo no momento que mais precisara de um ombro amigo, ele ficara do seu lado, talvez tivesse sido por ter feito ela lembrar que André jamais quis amar outra pessoa que não fosse Marina - o que de certo modo a fez chorar-, mas nem isso diminuía a gratidão que sentia pelo colega.

Sentiu a face corar, só se dera conta de que estava abraçada ao Rodrigues quando ouviu a bagunça do final das aulas. O pior fora perceber que molhara um pouco a camisa dele com suas lágrimas, mas Miguel não reclamou como esperara, ao invés disso a levou até sua casa, que ficava do lado oposto da dele, sem dizer uma só palavra. Tinha que admitir, julgara mal o Rodrigues.

— Bom dia, Sophi!

Sua irmã caçula, Olívia, a cumprimentou animada, entrando na cozinha seguida pelo primo Nathan.

Olívia, cinco anos mais nova que Sophia, possuía os característicos olhos dourados dos Almeida, seu cabelo castanho descia até um pouco abaixo dos ombros e uma mecha fina caía na frente de seu belo rosto. Trajava seu uniforme escolar, uma camisa branca com cola triangular e uma saia com pregas também na cor azul marinho. Diferente da irmã mais velha, a caçula Almeida usava a saia bem acima do joelho e sua camisa era bem justa, realçando as curvas em formação.

Nathan, era um ano mais velho que Sophia, estava estudando administração numa conceituada universidade perto do colégio Gilberto Flores, onde concluíra o ensino médio no ano anterior. Morava com o tio e suas filhas desde que os pais decidiram morar em outro estado e Nathan preferiu continuar os estudos ali. Atraia muitas garotas com seus olhos de mel, seu cabelo castanho que chegava até o meio da cintura e sua atitude altiva. Vestia blusa social branca e calça preta, estava bonito e com o semblante sereno como sempre.

— Hum... Que cheirinho bom! — Olívia disse ao sentir o aroma delicioso no ar.

— Tem alguns biscoitos pra vocês ali.

Sophia apontou um pote em cima da mesa, que Olívia pegou apressada para abocanhar um dos saborosos biscoitos de chocolate.

— E esses são pra quem? — Nathan quis saber olhando para o embrulho que Sophia colocava na bolsa.

— Aposto que é pro idiota do Marinho — Olívia falou só para ver a face da irmã corar.

Mas ao contrário do esperado, Sophia ficou pálida, não disse nada e foi para a sala de jantar tomar o café da manhã com seu pai, como fazia todos os dias.

Só em ouvir o sobrenome de seu amado, que agora lhe era proibido, uma dor enorme tomava conta de seu coração, tinha uma grande vontade de chorar, mas ela não o faria na frente de mais ninguém, já fora bem constrangedor ter desabado perto do Rodrigues.

Embora desejasse do fundo do coração a felicidade do novo casal, não conseguia se conformar, principalmente por saber que era a culpada de seu sofrimento atual, porque fora fraca e tímida demais para confessar seus sentimentos por André, de lutar por esse amor.

Até mesmo seu pai notou que estava triste demais e desanimada, mas somente Nathan teve coragem de perguntar o motivo.

— Não é nada — respondeu baixinho com um sorriso amarelo.

Depois disso ninguém falou mais nada, terminaram de tomar o café da manhã e, também como todos os dias, seu pai levou Olívia para a escola, que ficava no caminho da empresa da família, a Almeida Corporation, do qual é o presidente, e Sophia iria a pé para o colégio, que ficava dez minutos da residência, mas Nathan lhe ofereceu uma carona.

Ao parar o carro na frente do colégio Nathan não destravou a porta, queria tirar de Sophia o porquê de sua tristeza.

— O que aconteceu, tio Tomás brigou com você?

— Nã-não aconteceu nada — mentiu segurando a vontade de chorar e olhando para as próprias mãos.

Nathan se inclinou na direção de Sophia, colocou sua mão esquerda no queixo dela, o levantou e a fez vira a face para o seu lado, podendo assim fitar os olhos úmidos da prima.

— Pois não parece. — Moveu a mão até a bochecha da prima e a acariciou de leve. — Sabe que pode contar comigo, que farei tudo pra ajuda-la.

— E-estou bem... ju...juro — gaguejou nervosa, tanto por mentir, quanto por saber que o primo não estava acreditando.

Nathan retirou a mão do rosto de Sophia chateado, odiava vê-la triste, odiava ouvi-la mentir, coisa que raramente fazia, mas o que mais odiava era quando ela não contava o que a afligia. Pior que isso só ser tratado como um irmão, pois, se dependesse somente dele seriam muito mais que primos.

— Se prefere assim.

Ao ouvir o barulho da porta sendo destravada, Sophia a abriu e desceu do carro apressada. Não queria dizer a verdade, não precisava da piedade de ninguém, pelo menos não enquanto tentava ignorar a pena de si mesma e a raiva pela sua timidez, única responsável por nunca ter confessado seus sentimentos.


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