Fofo Gostosão

"Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval".

Toquinho e Mutinho

A semana passou devagar para André, que ansiava poder encontrar Marina. Que só conseguia ver nos fins de semana, já que Patrícia não anulara o castigo.

Bateu na porta dos Limeira e aguardou paciente ser atendido. Infelizmente quem abriu a porta foi Melani, que o olhou de cima a baixo com desagrado.

– MARINA! Seu namorado cabeça oca chegou.

Respirou fundo, não se zangando pelo comentário depreciativo. Não era novidade que ela não o aprovava.

Marina desceu as escadas correndo para os braços do namorado.

Saíram ainda ouvindo Melani resmungar que não deveriam voltar tarde.

– Sua mãe me odeia – comentou André.

– A culpa é sua. Não lembra o vaso que quebrou quando ainda éramos só amigos?

Pensou um pouco e lembrou-se de um vaso verde que quebrara durante uma festa na casa doa Limeira.

– Era uma herança de família, que passava de mãe para filha.

– Aquela coisa feia? Fiz um favor para a nossa casa.

– Nossa casa?

André sorriu de orelha a orelha.

– Sim, a casa que teremos quando casarmos.

Marina parou de andar, forçando-o a fazer o mesmo, encarou André e sorriu.

– Só você mesmo André.

– Eu o que?

Marina não respondeu, envolveu o pescoço do namorado com os braços e o beijou.

~*S2*~

O som da campainha fez Lucas e Miguel correrem até a porta da residência Rodrigues, os dois segurando a maçaneta ao mesmo tempo. Miguel encarou o irmão com a expressão fechada e Lucas se afastou, deixando o menor abrir a porta.

Do outro lado, em vez de encontrar a namorada, Miguel encontrou Daniela Guerra.

– É para você, Lucas.

Começava a se afastar quando Daniela o corrigiu.

– E para você também, Miguel.

Voltou-se e saiu para ver o que Daniela apontava. Sophia na lateral da casa, ao lado de uma massa de pelo negro, que fuçava uma moita.

– Bom dia, Miguel! Trouxe o Migue pra passear com a gente – informou sorrindo.

Olhou da namorada para o cachorro enorme.

– É brincadeira, né?

Pela expressão dela percebeu que não. Pensara em um programa mais íntimo, não em passar horas ao lado daquele mijão.

– Esse é o cachorro que lhe dei? – Ouviu Hana perguntar para Lucas.

– Pelo nome, é ele mesmo.

Daniela foi até o cachorro e o acariciou na cabeça.

Irritado, Miguel observou a satisfação do animal por receber a atenção das garotas. O rabo balançado frenético de um lado para o outro.

– Desse jeito ficarei sem a minha namorada – comentou Lucas parado ao seu lado, as mãos guardadas nos bolsos da calça jeans, observando Daniela e Sophia acariciando o pelo de Migue.

– Namorada?

Lucas deu de ombros.

– Todo mundo tem que sossegar uma hora. – Sorriu e deu um tapinha nas costas do mais novo. – Não fique com ciúmes, ainda te amo, maninho.

Miguel o encarou.

– Ela é perfeita para você. Sendo veterinária, ela vai cuidar das suas pulgas — comentou com zombaria.

– É, sei que me ama também.

Deixando sua costumeira implicância de lado, Miguel sorriu com cumplicidade para o irmão.

– Melhor resgatarmos nossas namoradas ou elas vão nos trocar por aquele cachorro. – Apontou para o animal deitado na grama recebendo carinhos na barriga peluda.

Lucas assentiu.

Minutos depois, Miguel caminhava até a praça, de braços dados a Sophia, que segurava a corrente de um animado Migue. Sentaram em um banco, Sophia soltou o cachorro e jogou a bolinha, que tinha guardada em sua bolsa de pano, para que ele a buscasse.

– Desculpe! Tive de trazê-lo porque Nathan levou alguns amigos para estudar lá em casa e Migue não parava de latir.

– Não tem problema – ele disse pousando o braço em cima dos ombros dela.

– Ah, Nathan também levou a namorada. Uma garota chamada Teresa, que estuda na mesma turma que ele.

– Hum!

– Ela é linda.

– Soph, prefiro falar de nós dois em vez de falar sobre o seu primo.

– Meu pai quer que eu curse administração na mesma faculdade que o Nathan – Sophia comentou.

– Também farei administração – Miguel disse retirando o braço dos ombros de Sophia para entrelaçar sua mão na dela. – Talvez fiquemos na mesma turma.

– Seria maravilhoso!

Sophia o olhou com um sorriso encantador. Ele se inclinou e a beijou, segurando o rosto delicado com a mão livre.

Separaram-se ao ouvir o latido potente do cachorro, que os observava com a língua de fora e a bola pousada em frente às patas dianteiras.

Sophia pegou a bolinha e a lançou. Migue saiu correndo atrás do objeto, deixando-os sozinhos novamente.

Acariciando gentilmente a face acetinada, Miguel aproveitou para voltar a beija-la. Vagamente ouviu o latido do cachorro, mas ignorou, preferindo continuar a beijar a namorada.

Insatisfeito por ser ignorado, Migue colocou as patas sobre o colo de Miguel e lambeu seu rosto.

– Que merda...! – Miguel se levantou, limpou o rosto e encarou o cachorro com irritação. A peste sentara no gramado e o observava com um sorriso canino, a língua pendurada do lado de fora da boca enorme.

Ele latiu para Miguel.

Sophia fez menção de pegar a bolinha pousada ao lado do cachorro, mas Migue foi mais rápido ao pegar o objeto e encarar Miguel.

– Ele quer que você jogue – disse Sophia reconhecendo o olhar pidão do cachorro.

O Rodrigues encarou o objeto na boca do cachorro como se fosse um disco voador.

O cachorro largou a bolinha e a empurrou com o focinho em direção ao Rodrigues, que recuou com a expressão contrariada. Migue latiu, saltitando ansioso.

– Vamos Miguel! – pediu Sophia, achando muito fofo a atitude do cachorro. – Joga. Por favor!

Miguel pegou o objeto e o lançou com força para o mais longe que conseguiu.

Sophia riu e sentou ao lado de um Miguel irritado.

– Acho ótimo que os meus dois príncipes fofos se entendam.

– Sou fofo? – perguntou emburrado por ser colocado no mesmo patamar que o cachorro.

– Muito – confirmou beijando-o na bochecha. – O namorado mais fofo do mundo.

Miguel não conteve uma risada baixa e balançou a cabeça com descrença.

– Você é a primeira pessoa que me chama de fofo.

– Te conheço melhor que os outros – comentou sorridente, entrelaçando seus dedos aos dele e pousando a cabeça em seu ombro. – Lembrei da sua foto de ursinho Puff.

Miguel bufou.

– É por isso que escondo aquelas fotos.

– Podia me dar aquela.

– Nem pensar.

– Mas está tão lindinho.

– Não quero ser lindinho. – Acariciou sua mão. – Prefiro ser o namorado gostosão que não é comparado com um cachorro.

Sophia riu e o beijou no queixo.

– Você é gostosão, mas também é fofo. Um fofo gostosão.

Miguel sorriu. Sophia conseguira quebrar suas defesas e até tornar a palavra "fofo" atraente. Talvez acabasse entregando aquela foto ridícula para ela...

Observando Miguel pegar a bola da boca de Migue para lança-la no ar, Sophia suspirou sentindo-se feliz e amada. Levantou a face para admira-lo, sendo flagrada pelos olhos negros e recebendo um sorriso de canto encantador.

Estavam felizes. Ainda haveria muitos obstáculos pela frente. Brigas e reconciliações. Um teria de abrir espaço para o outro. Mas, naquele momento, com o sol irradiando por entre as frestas das folhagens das árvores sobre eles, ambos os corações palpitavam de amor, amando e sendo amados com a mesma intensidade.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top