Capítulo 3
"Não preciso me drogar para ser um gênio;
Não preciso ser um gênio para ser humano;
Mas preciso do seu sorriso para ser feliz."
—Charles Chaplin
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Estou praticamente correndo quando percebo que quem esta na porta não é o senhor Edgar, mas sim o novo porteiro que esta praticamente fechando a porta na minha cara, maldita Ise penso
—Bom dia, senhor Lewis—digo cordialmente
—As senhoritas tem que cuidar do horário, para próxima não as deixo entrar e vão direto a coordenação—fala irritado—Entendido senhoritas Smith e Payet?
—Sim senhor—diz Louise como uma perfeita moça
—Sim—respondo com fastio
Depois da calorosa bem-vindas do senhor Lewis, nos direcionamos a um corredor que dar ao pátio principal, onde se encontram o restante dos alunos que esperam o início das aulas, no meio do caminho tiro o fone de ouvido da bolsa e conecto com o celular, Ise esta andando na frente como se eu não existisse esta com raiva, mas clara impossível penso e giro os olhos, estou dando play numa música quando chego ao pátio, procuro entre os presentes o restante dos meus amigos já que a ise e eu não compartilhamos as mesmas matérias
Estou procurando o Rick e a Mel, mas não encontro por lado nenhum, fico de ponta de pé na tentativa de aumentar alguns centímetros que é em vão pois não os vejo, estou quase desistindo quando meus olhos veem algo diferente ou melhor alguém, esta apoiado na parede com as mãos no bolso da calça, não consigo detalha-ló de onde estou, mas se veste inteiro de preto, menos os ténis que são brancos, meus olhos fazem um pequeno recorrido pelo corpo do desconhecido, leva um suéter preto com uma caveira branca no meio, e mas em baixo em um lado da calça na parte das pernas tem um rasgo na altura do joelho a qual mostra um pouco da sua pele.
Do seu rosto só consigo ver a ponta do seu nariz já que está oculto com capuz do suéter, me pergunto como veio parar aqui, e o porque já que esta parte da cidade não é turística, e normalmente não recebemos novos alunos ainda mais na metade do ano, estou tão metida em pensamentos e teorias sobre o suposto novato quando vejo uma pequena mão passando pela minha frente, o que me faz voltar a realidade
—Olá—me saluda uma voz meiga e arrastada
—Mel—respondo e dou um abraço, Melanie é a irmã pequena de Rick, e sempre que me vê me cumprimenta tem o mesmo rasgo físico do seu irmão, quando estou saindo dos seus braços, sinto como alguém me abraça por trás
—Olá, Princesita—diz divertido e nem preciso virar para saber de quem se trata—Muito obrigado por me incluir nessas ferias, me diverti muito contigo—me reclama, indo embora o tom humorado que tinha e automaticamente rodo os olhos
—Rick por favor, não comeces te chamei, e em cada oportunidade você se negou a ir—acuso—E não me diga Princesita—replico com raiva e escuto ele sorrir e me giro ficando a sua frente com cara de poucos amigos
—Se eu me prostituir e ter dinheiro para comprar uma Bugatti será que tenho mais atenção? —me diz com um largo sorriso como se não fosse rico o idiota, e lhe dou um tapa no seu braço já que não alcanço sua cabeça, e ele levanta as mãos rendido
—Foi brincadeira—me reclama passando a mão no lado dolorido
—Vem aqui—digo e o puxo para um abraço—Senti tua falta—falo e sinto como me abraça mais forte
Olho para o lado procurando a Ise e não a vejo, escuto como o Rick fala algo e volto minha atenção a ele
—Ela foi embora, assim como o diabo foge da cruz quando nos viu chegar—diz e não consigo disfarçar a gargalhada que sai do mais profundo da minha garganta
—Aí—digo colocando a mão na minha barriga que dói por conta do ataque de riso—Não sei o que tenho que fazer para que vocês se levem bem—e digo em sério me exaspera essa intriga deles dois já que são meus melhores amigos
Volto a olhar ao meu redor quando inconscientemente meus olhos viajam para o final do pátio direto para parede onde se encontra o aluno misterioso, e sem rodeos volto a detalhá-lo agora já não leva o capuz, e posso ver seu cabelo negro comprido que termina abaixo da sua orelha, tem a pele clara e parece macia a simples vista, por que raios pensei isso nego com a cabeça, leva fones de ouvido, tem as bochechas rosadas por conta do frio, seu rosto não demonstra uma emoção se quer, parece congelada tem a expressão que parece dizer Quero que o mundo se exploda e de preferência com as pessoas nela
Tem um rapaz ao seu lado, mas não parece atento ao que fala, e em seus dedos tem alguns anéis, seus lábios são pura tentação, o lábio superior é mais grosso que o de baixo, tem um vermelho intenso que me lembra um morango, estou subindo a vista em direção aos seus olhos, quando nossos olhos se encontram e me paraliso por completo, me esqueço de respirar e vejo como me observa dos pés a cabeça.
Deixa de olha-lo como uma idiota, me repreendo uma e duas vezes mas não consigo desviar o olhar, sinto como minha pele queima quando me observa, essas grandes esferas de cores misturadas que brigam entre o azul e o verde, me hipnotizam me sinto como se estivesse abaixo de um feitiço, vejo um movimento sutil em sua boca, que se não estivesse tão concentrada no sexy desconhecido passaria despercebido, desço a vista e vejo um pequeno sorriso arrogante e desvio o olhar, quando volto a olha-lo finge esta limpando a saliva que escorre no canto da boca giro os olhos por que já sinto que o novato é mais um idiota
—Hoje você está muito distraída—me repreende Rick
—Que? —pergunto desorientada
—Nada—fala e pega no meu braço e me sai arrastando pelos corredores que vão dar as salas de aulas
—Espera—digo e me solto—Tenho que pegar meu horário—caminho em direção contraria as salas—Nos vemos em uns minutos—grito
—Ellie você é um pequeno desastre—me diz sorrindo com a mão na cabeça—Até logo princesita—me diz sorrindo e corre
—Idiota—digo e começo a trotar em direção a coordenação
Chego na coordenação e vejo que a senhora Jones está em uma ligação, espero ela terminar, enquanto isso caminho em direção a uma estante onde tem todos os troféus que a escola ganhou e algumas fotos dos jogadores, numa delas vejo meu amigo sendo levantado por seus companheiros de time, tinham acabado de ganhar um campeonato contra uma escola de outra cidade, escuto vozes e me viro e vejo que a ligação já foi encerrada, já que a senhora Jones não está sozinha, caminho para que percebam minha presença e não pensem que estava escutando a conversa
—Senhora Jones—digo educadamente—Peço desculpa, me distrair olhando os troféus—falo envergonhada me sentindo uma estupida por ser tão distraída
—Não passa nada—me diz educadamente, a senhora Jones lembra minha avó, é baixinha, gordinha, com cabelo grisalho que comprovam seus anos de experiência, tem uns óculos redondos, sempre disposta a ajudar e muito amável—Estava mostrando o horário a este rapazinho—me diz, e penso quão miserável pode ser minha sorte, e peço por tudo para que não seja quem estou pensando que é, mas é em vão já que sinto seus olhos na minha direção é como se meu corpo o reconhecesse
Levanto a cabeça um pouco receosa e o primeiro vejo são os seus sapatos, logo sua calça, e finalmente chego ao seu rosto, ai estão esses olhos vibrantes e inexpressivos ao mesmo tempo, seu corpo emana poder e dominação, tem um ar misterioso que incita a investiga-lo, o magnetismo que sinto é indescritível e incluso um pouco incomodo, não tinha percebido como era alto até esta em sua frente, sinto como seu perfume chega até mim respiro profundo tentando reter toda sua essência comigo, sensual, imponente e super viril, sua fragrância é bastante masculina.
—Senhorita Payet, se sente bem? —me pergunta a senhora Jones quebrando o feitiço com o desconhecido
—Eh...ajam o que disse? —pergunto gaguejando e me ruborizo quando escuto uma risota, ronca e grave que me arrepia completa
—Patética—diz o desconhecido e todo o encanto se transforma em raiva
—Desculpa? —pergunto levantando um pouco a voz—O que você disse?
—E ainda por cima surda—fala irritado e gira os olhos
—Sven filho onde estão seus modos? —pergunta a senhora Jones em modo de repreensão— A senhorita Payet é um exemplo de aluna, exijo respeito para com seus colegas de classe
—Puff—suspira pesadamente pega um papel que suponho que seja seu horário—Me largo daqui
—Não tão rápido—digo com raiva, e fico na sua frente—Peça desculpa—falo cruzando os braços como uma criança emburrada
—Que, quantos anos tens? cinco? —me diz e cruzando os braços—Olha garota, não tenho tempo para tuas malcriações, e crises existenciais por favor procura outra pessoa para encher o saco—fala e aponta de mim para ele—Eu vou fazer algo que realmente importa—dito isso nos da as costas e começa a andar
—Sven a senhorita Payet poderia lhe mostrar as instalações do colégio—diz a senhora Jones, e automaticamente a olho como se tivesse saído três olhos na sua cara, o sujeito acaba de ser grosseiro comigo por que tenho que ser hospitaleira com ele
—Eu—falo em um grito sufocado pela surpresa—Infelizmente tenho que passar essa grandiosa oferta senhora Jones, tenho aula mesmo agora—digo olhando para o relógio que tem na sua mesa e me giro para o senhor simpatia, com o sorriso mais falso do mundo—Foi um prazer conhece-lo senhor Sven—digo com a boca praticamente fechada—Espero que goste da nossa escola, seja muito bem-vindo—falo estendendo a mão em forma de cumprimento que fica estendida por alguns segundos, quando vejo que não vai me cumprimentar abaixo braço, e quando este, esta quase ao lado meu corpo sinto quando pega nas minhas mãos
Sinto quando sua grande mão imponente recebe a minha frágil e pequena mão, seu tacto é frio e brusco, sinto uma sensação de calidez e familiaridade, e automaticamente olho para Sven e percebo que o que quer que tenha sido isso ele também sentiu e prontamente soltamos nossas mãos e nós olhamos um tanto incômodos
—Eh bom obrigado—diz já com a máscara de frialdade—Senhora Jones nos vemos por aí—fala e sai da diretoria me ignorando completamente
—Disponha Sven—digo sarcasticamente, falando por cima da voz da senhora Jones
—Dá um tempo para ele—me diz a senhora Jones—É um bom rapaz—fala enquanto vemos as costas de um Sven distante
—A senhora o conhece? —pergunto curiosa
—Bom, em que posso te ajudar menina? —me pergunta mudando o rumo da conversa
—Preciso dos meus horários—digo rendida, percebendo que não me dirá nada sobre o que quero saber
—Aqui tem—me diz amavelmente—Boa aula Ellie
—Obrigado, senhora Jones
Com o horário em mãos caminho em direção a sala de aula, que segundo o papel que tenho em mãos terei aula de literatura, olho a hora no telefone e maldigo porque já estou atrasada dez minutos esse professor e muito rígido principalmente no quesito horário, começo a correr como se minha vida dependesse disso tentando não cair no meio do caminho, já em frente a porta suspiro e toco esperando o professor abrir
—Sim, senhorita Payet—me diz com um suspiro pesado, e olha o relógio que leva no pulso
—Peço permissão para assistir a aula senhor Neumann—digo fazendo olhos de cachorrinho
—Esta atrasada quinze minutos senhorita, e sabe que não gosto que me interrompam quando estou dando aula—me diz e abre um espaço entre ele e a porta permitindo assim minha entrada na aula
—Obrigado, senhor Neumann e peço desculpa pelo horário—digo e ele me faz um gesto sem importância com a mão
Olho a sala em busca do meu amigo, quando o encontro caminho em sua direção já que tem uma cadeira vazia do seu lado, a sala esta dividida em duplas, meu amigo assim que me ver abri um largo sorriso a qual correspondo, quando estou próximo o suficiente ponho minha bolsa em cima da mesa e quando estou dando a volta para me sentar na cadeira escuto o professor Neumann dizer alguma coisa com meu nome e viro ficando de frente
—Senhorita, preciso continuar minha aula—me fala impaciente—E sentada aí, sei que não vou conseguir já que vocês dois não calam a boca—me diz cruzando os braços
Suspiro cansada, pensando em como meu dia parece que tem dois, volto a olhar para a sala novamente e percebo que só há uma cadeira vazia apenas, olho para a pessoa com quem vou ter que dividir a mesa e olho para o professor
—Prometo ficar calada—digo juntando as mãos pedindo por favor
—Se não quiser uma anotação na agenda, ou sair da sala—me olha e dá um falso sorriso—Acredito que você saberá escolher a melhor opção—me diz girando os olhos
Meus colegas de classe estão adorando a situação, todos me olhão esperando minha decisão que é obvia, tendo em conta que sair da sala e anotação na agenda não é nenhuma opção, a não ser que eu queira ficar de castigo, envergonhada com toda a situação levanto de má vontade e me sento ao lado da pessoa indesejada, ponho minha bolsa na mesa e dou a volta para finalmente me sentar, sinto seus olhos raivosos na minha direção, mas não dou a mínima
—Obrigado, senhorita Payet agora posso finalmente retomar de onde parei—diz dando as costas e escrevendo no quadro—Abram o livro na página quarenta e cinco, vamos responder algumas questões e debater sobre o tema
E assim a aula foi retomada estou abrindo a bolsa para pegar os materiais da aula quando sinto que se aproximam de mim e me falam baixo no ouvido
—Para que fique claro, eu tão pouco queria me sentar contigo—fala uma Louise raivosa
—Pouco me importa—digo e volto a prestar atenção na aula.
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