Capítulo 12

Atenção

Esse capitulo contem temas, que podem ser sensíveis para algumas pessoas, como por exemplo: menção a morte, doença, abuso psicológico, e uso de drogas, por favor se responsável, se achares que tens alguma sensibilidade com esses temas citados acima por favor não leia.

(3/3)

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"Existem muitas coisas que eu
Gostaria de dizer para você
Mas eu não sei como
Porque talvez
Você vai ser aquela que me salvará
E no final das contas
Você é minha protetora"

—Oasis

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Sven

—Você por acaso está chorando?—me pergunta—Você é um fraco, homens de verdade não choram—grita batendo na porta

E como se isso fosse um clique as lágrimas descem com mais força, me sinto débil por estar nessa situação, em poucos segundos escuto um estrondo no quarto e levanto a cabeça lentamente, e o primeiro que vejo são seus sapatos pretos, e o segundo sinto um impacto forte no meu rosto, prontamente sinto o sabor metálico de sangue na minha boca

—Você é a pior coisa que aconteceu na minha vida—diz dando outro soco no rosto

—Pelo menos nisso concordamos—digo em um sussurro

Abaixo a minha cabeça de modo que seus golpes peguem mais no meu corpo, e me odeio por isso, odeio por ser o que ele diz, me odeio mais ainda por não acabar com esse sofrimento como penso cada vez que me deito na almofada, odeio não ter morrido naquela overdose, sinto que meu corpo se treme pela dor, espero meu pai descarregar toda sua raiva em mim através do seu cinto, ou dos seus socos e quando ele está ofegante, ele para e descansa

—Você é uma rata—diz levantando meu rosto—Isso é para você aprender a não sair sem minha permissão você está na minha casa e eu mando em você, já disse se quiser ir embora você será mais que bem-vindo, te odeio desde que você roubou minha mulher, você matou a Dulce—grita e cospe no meu rosto

Sinto o cheiro de álcool através do seu hálito, meus olhos picam, e tento segurar as lágrimas, ele olha nos meus olhos por alguns segundos e depois solta meu rosto bruscamente, escuto seus passos irem em direção a saída do meu quarto, ele fecha a porta com tanta força que meus ouvidos ficam com um zumbido, tento me levantar mais não consigo sinto como meu corpo dói por completo.

—Aí—reclamo

Olho para a pequena cômoda que tenho do lado da cama e me arrasto até ele, abro a primeira gaveta e procuro por um objeto em formato de cilindro de cor laranja, quando encontro, esvazio o conteúdo na minha mão, olho para as pílulas de dormi e penso de que não tem sentido continuar vivendo, não se sempre é esta tortura, já faz tempo que não encontro um sentido para continuar aqui, dói muito viver quero descansar estar em paz e quem saber poder ver minha mãe, quero estar em seus braços, olho para o teto do meu quarto e respiro com dificuldades.

—Merda será que dessa vez quebrei alguma costela?—falo tentando me sentar no chão

Quando estou a ponto de pôr os comprimidos na boca, lembro de uns pares de olhos acinzentados, e do seu sorriso, não sei por que mais estranhamente o rosto de Ellie vem nos meus pensamentos, penso nos pequenos momentos que estivemos juntos e o como ela me fazia me sentir melhor, como se quando eu estivesse com ela estivéssemos em um lugar paralelo onde só pensasse em coisas boas.

Devolvo os comprimidos para o frasco e suspiro cansado, passo a mão no rosto caminho devagar para o banheiro, levanto a blusa na frente do espelho, vejo como minha barriga e minhas costas estão vermelhas, e já sei que amanhã vai estar  uma marca roxa, ponho um analgésico na boca e abro a torneira do lavatório e me aproximo bebendo um pouco de água, saio do banheiro e pego o portátil me sento em uma cadeira, tentando ficar o mais confortável possível.

Navego um pouco na internet, tentando me distrair, já que sei que não vou conseguir dormi por hoje, pego o café que o Mark me deu mais cedo e bebo enquanto como a rosquinha de canela, fico assim até amanhecer, vejo como o céu está clareando me sinto como a própria merda, porque raios inventei de voltar a escola justo hoje passo a mão no rosto e limpo os olhos que estão sujos vejo como tenho olheiras por não ter dormido, me banho rapidamente e busco uma roupa que seja confortável e que não apertem os machucados, visto um suéter preto que tem uma caveira no meio e umas calças de ganga na cor preta, os sapatos são brancos, passo a mão por meu cabelo desarrumando um pouco.

Ponho uns anéis de prata que tenho nos dedos, e pego a mochila tentando não fazer muita força no meu abdômen, já que meu corpo está todo dolorido por conta dos golpes de ontem, olho em direção a porta do quarto do meu pai e está fechada aproveito para descer as escadas rapidamente antes que ele se levante para ir trabalhar, se é que ele trabalha já que passa mais tempo bêbado que sóbrio, vejo como o televisão está no chão novamente a diferença é que dessa vez a tela está rachada, caminho a passos largos em direção ao meu carro, uma vez que entro me sento bruscamente no assento e me queixo mentalmente, por ter esquecido como meu corpo está todo ferrado.

—Estupido—penso

Dirijo rumo a escola, que não está tão longe de onde moro, dez minutos depois estaciono o carro, e come se estivéssemos combinado vejo o carro do Tom estacionando do meu lado, e como me olha incrédulo, tento sorrir para ele mais desisto quando sinto meu maxilar inferior dolorido

—Sério tio?— fala duvidoso— Nem acredito que você está aqui, e tudo por causa de uma garota—fala divertido e mexe as sobrancelhas divertido

—Não tem garota nenhuma estupido—digo descendo do carro

—Como não, e aquela belezura de olhos azuis

Olho para ele com cara de poucos amigos e vejo como abre um sorriso malicioso

—Sim, ela estava muito gata, e aquele biquín...

—Cala boca imbecil—digo e dou um pequeno empurrão nele

—Você devia ter visto sua cara—diz o desgraçado sorrindo

—Na verdade deveríamos falar de você com aquele vestido ridículo—digo sorrindo e ele me dá um empurrão

—Eu estava brincando idiota—diz Tom irritado

Caminhamos ao pátio, e vejo como alguns olhos se direcionam na minha direção, não sei se me olham pelo garoto que sumiu a séculos da escola ou, pelo garoto do pai alcoólatra que todos conhecem, ficamos praticamente no final do pátio apoiados em uma parede, lembro que tenho que falar com a senhora Jones a respeito da minha matrícula, Tom parece que engoliu um rádio não para de falar um segundo e me sinto um péssimo amigo por não prestar-lhe atenção, lembro do cigarro que Matthew me deu e apalpo meu bolso e sinto que estar comigo e suspiro aliviado

Sinto como meu corpo transpira pedindo um pouco de fumo, tiro o capuz e coloco uns fones de ouvidos já que meu amigo parece entender que não estou muito para conversas, sinto uma sensação estranha como se estivessem me observando, tento não prestar atenção já que me observam desde que cheguei, mas me sinto um pouco incomodo  quando percebo que me olham fixamente, levanto a cabeça e olho na direção que estão me observado sinto como meu coração acelera, como se eu fosse um pré-adolescente

Vejo como ela desvia o olhar envergonhada por ter sido pega, dou um sorriso malicioso e me pergunto se ela se lembra de mim da festa ou de quando éramos crianças, embora ela gostasse daquele idiota do Matthew, contínuo observando-a ela está linda que antes usa roupas confortáveis, veste um suéter bege com listras na cor caramelo que daria duas dela dentro, usa uma calça que modela suas pernas, seu rosto se vê fresco e natural é a garota mais bonita que meus olhos podem contemplar

Passa alguns minutos em que a observo descaradamente, e acredito que não me cansaria de olha-la, sinto como se estivesse a séculos sem vê-la, quando na verdade nos vimos uns dias atras, me sinto estranho talvez esteja doente e não saiba, ela me observa novamente, e só para irritá-la passo a mão no canto da boca como se estivesse enxugando saliva, e lhe dou um sorriso malicioso, ela revira os olhos e cruza os braços, vejo como fala qualquer coisa com seu amigo e me sinto vitorioso.

O sinal toca mandando-nos entrar nas salas de aulas, como tenho que falar sobre a minha matrícula e pegar meus horários, me despeço do Tom e caminho em direção a coordenação, paro para descansar um pouco já que minhas costas doem sinto que preciso fumar como se minha vida dependesse disso.

Chego à coordenação e fico de frente a senhora Jones que me pediu para esperar uns minutos já que está em uma ligação, olho em volta e tremenda surpresa tenho quando vejo uma garota distraída olhando as fotos dos jogadores, nem preciso que era vire para saber de quem se trata, acho que a reconheceria até disfarçada

—Sven—diz a senhora Jones me trazendo a realidade

—Senhora Jones

—Que gosto vê-lo novamente por aqui—diz animada e me dá um abraço

Sinto como um grito quer escapar da minha boca, em troca sai pequenos gemidos de dor, ela parece perceber e prontamente se desculpa se desfazendo do abraço

—Você quer seus horários certo céu?—diz indo para atrás do seu escritório digita algumas coisas no seu computador e em poucos segundos se ouve o barulho da impressora—Aqui está filho o seu horário—fala mostrando o papel—Sua aula primeira aula é filosofia

—Senhora Jones—nos interrompe uma voz doce e calma— Peço desculpa, me distrair olhando os troféus— fala e vejo como suas bochechas ficam vermelhas

—Não passa nada—responde, a senhora Jones —Estava mostrando o horário a este rapazinho—fala e espero que ela olhe na minha direção

Ela levanta a cabeça lentamente me fazendo sentir um pouco nervoso e ansioso, confesso que não sei o que passa quando estou perto dela, não é como se eu morresse de amor por ela já que faz muito tempo que não sei nada dela, de facto eu gostava dela, mais isso foi a muito tempo, era uma paixonite idiota não?! além do mais é óbvio que ela não faz o meu tipo, finalmente a descarada termina seu recorrido e olha diretamente nos meu olhos.

Sinto como se ela olhasse através dos meus olhos, como se tivéssemos uma conexão, a olho com a mesmo intensidade escuto como a senhora Jones pergunta algo para Ellie me trazendo de volta a realidade

—Senhorita Payet, se sente bem?

—Eh...ajam o que disse? —pergunta gaguejando e vejo como se ruboriza, solto uma risota

—Patética

—Desculpa? —pergunta com raiva—O que você disse?

—E ainda por cima surda—digo irritado e reviro os olhos

—Sven filho onde estão seus modos? —fala a senhora Jones— A senhorita Payet é um exemplo de aluna, exijo respeito para com seus colegas de classe

—Puff—suspiro e pego meu horário—Me largo daqui

—Não tão rápido—diz a miss perfeita com raiva, e fica na minha frente—Peça desculpa—fala cruzando os braços

E maldigo por ela estar tão próximo, sinto como seu perfume viaja na minha direção, é um aroma doce não sei se é porque é ela quem usa, mais não é um doce sufocante é doce na medida certa igual a dona

—Merda o que me passa hoje—penso

—Que, quantos anos tens? cinco? —digo cruzando os braços—Olha garota, não tenho tempo para tuas malcriações, e crises existenciais por favor procura outra pessoa para encher o saco—falo e aponto de mim para ela—Eu vou fazer algo que realmente importa—respondo e dou as costas e começo a andar em direção a saída

—Sven a senhorita Payet poderia lhe mostrar as instalações do colégio—diz a senhora Jones

E automaticamente a olho incrédulo, é que não está vendo como ela é irritante, ela parecia ser mais legal bêbada

—Eu—fala praticamente gritando—Infelizmente tenho que passar essa grandiosa oferta senhora Jones, tenho aula mesmo agora—diz com sarcasmo e olha para atrás e gira na minha direção, e com um sorriso falso—Foi um prazer conhecê-lo senhor Sven—diz com a boca praticamente fechada—Espero que goste da nossa escola, seja muito bem-vindo

Conclui e acho engraçada sua reação, se não estivesse tão aflito para fumar, adoraria irritá-la um pouco mais, ela estende a mão em forma de cumprimento e esta fica estendida por alguns segundos, me debato se devo apertar sua mão ou não, já que me sinto extremamente nervoso a sua frente, ela ao ver minha demora pensa que não vou cumprimentá-la começa a abaixar o braço, e quando este, está quase ao lado do seu corpo, pego na sua mão

Sinto como minha mão é quase duas da sua, sua mão é pequena e frágil, seu tacto é quente e delicado, sinto uma sensação de calidez e familiaridade, vejo como ela me observa e percebo que o que quer que tenha sido isso ela também sentiu e prontamente soltamos nossas mãos e nos olhamos um tanto incômodos

—Eh...bom obrigado Senhora Jones nos vemos por aí—digo ignorando a Ellie e saio da diretoria

—Disponha Sven—diz  Ellie com sarcasmo

Sigo meu caminho, sinto que respiro com um pouco de dificuldade por conta dos golpes do meu pai, na verdade não sei o que de fato me dói mais se os seus golpes ou suas palavras duras, eu queria apenas que ele se sentisse orgulhoso de mim, e me amasse a final sou seu filho não?! é obvio que não sou perfeito, mais afinal quem é?

Ponho a mão no bolso, enquanto caminho, e debato qual a probabilidade que eu assista merda de aula de Filosofia

—Nenhuma—diz a voz irritante na minha cabeça

Começo a me questionar que raios faço aqui, resolvo ir a meu lugar favorito e secreto, já que tecnicamente é proibido subir aqui, ainda mais se meu horario diz que não tenho aula por aqui, mais como nunca fui muito bom em seguir regras, chego cuidadosamente  perto das oficinas de atividades, e observo por ambos lados para se vem alguém, quando vejo que o caminho esta livre dou um pequeno empurrão na porta, que abre sem grande dificuldades e entro em uma sala totalmente escura, olho em direção onde escapam pequenos pontos de luzes e sei que deve ser a janela, minhas fossas nasais são atacadas por uma aroma que é muito melhor que um perfume ou de um livro novo, são de tinta fresca.

Acendo a lanterna do meu celular e vejo que estou rodeado de telas recém pintadas, me aproximo a uma que tem um degrade de cores que vai do azul claro, azul escuro e termina em um tom escuro que parece preto, retrata um céu estrelado, não sei como, mais olhar o céu ao anoitecer tem uma magia que não consigo descreve-la é como se fosse uma poesia pintada, talvez um poeta seria capaz de descrever com tamanha grandeza os sentimentos ou a sensação que sentimos quando olhamos as estrelas, me sinto fascinado e lembro da ultima tela que fiz, a pintura se vê divina

Sigo meu caminho e subo por uma antiga escada de emergência, ja em cima tenho a vista privilegiada da cidade, mais essa não é o que me fascina olhar aqui de cima, dou a volta e me sento quase no final do telhado, fecho os olhos quando sinto o vento frio do inverno batendo no meu rosto, quando abro os olhos vejo um grande lago de águas esverdeadas, as arvores ao redor contemplam a beleza do rio, a essa alturas suas folhas estão todas no chão, deixando apenas os galhos secos, e escondido entre as arvores se vê tímido sol.

Ponho os fones de ouvidos e coloco uma playlist de rock, já se passou algumas horas, mais para mim parece que passaram apenas uns minutos, decido ir embora já que o vento está mais forte aqui em cima, desço a escada e vejo como tem bastante gente pelos corredores, e percebo que estamos no horario do intervalo, vou em direção a cantina pegar uma bebida para me aquecer um pouco quando estou a poucos metros da maquina de bebidas vejo que a Ellie também esta na pegando uma bebida, dou um sorriso malicioso quando lembro do vídeo que me enviaram mais cedo e tendo em conta o quanto ela é devagar não deve entender o por que a escola inteira olha para ela de forma divertida, mas antes que me aproximo dela ela vira sorrindo, me deixando em curto-circuito, não sei o que ela faz para parecer sempre tão bonita, balanço a cabeça quando vejo que meus pensamentos me traem

—Sven—diz ela me trazendo a realidade

—Menina da fogueira—digo divertido—Que? —falo desconfiado ao ver seu sorriso

—Nada—diz sorrindo ainda mais que antes e desvio o olhar

—Vai demorar muito? —pergunto quando a vejo distraída

—É...não—responde colocando as moedas na máquina

—Malteada, sério?—falo para irritá-la já que sei que é sua bebida favorita desde que era uma menina

—Que?! —fala na defensiva—Malteada é a melhor bebida—diz cruzando os braços

—Sim, claro—digo revirando os olhos

Ficamos um momento em silêncio esperando a máquina terminar de preparar a sua bebida

—É...então, como foi teu dia? —pergunta

E a olho sem entender já que claramente ela não se lembra que me conhece, tudo bem que a primeira vez que nos conhecemos ela era uma criança, e a segunda ela estava tão bêbada que duvido que saberia dizer seu próprio nome, e devido ao meu histórico com ela, não quero que minha cabeça crie expectativas onde sei que jamais daria certo, não quero uma decepção a mais, não sei se resistiria a um coração partido.

—Não—digo bruscamente, e me arrependo automaticamente de ter falado assim com ela

—Não o que? —pergunta confusa

—Não faça essa merda de linha de amigos, como se fôssemos conhecidos não quero e nem estou interessado

—Puff... você é sempre assim? —responde irritada

E eu levanto os ombros dando pouca importância ao assunto, coloco as mãos dentro do bolso da calça, esperando que a máquina termine sua bebida, ou terminarei congelado já que estou com frio, ela ao ver que não direi uma palavra pega sua bebida e apoia numa mesa ao lado, enquanto peço a minha bebida.

—Café—fala divertida—Que previsível senhor Sven

—Que? —digo irritado—Café é a melhor bebida—imito suas palavras—É bebida para pessoas inteligentes, as de crianças são bebidas açucaradas—respondo e penso numa forma de irritá-la ainda mais—Tipo maltada—digo com um sorriso malicioso

Ela vira as costas e começa andar na direção que suponho que estão seus amigos, pego minha bebida e dou um pequeno gole na bebida quente, e acompanho com o olhar a dona da voz mais irritante que conheci, vejo como procura seus amigos, e os observa com cara preocupada, vejo como se forma uma ligeira ruga na sua testa ao olhar para eles, dou outro gole no meu café que esta amargo já que não ponho açúcar, depois de ficar olhando meu antigo amor platônico, decido ir para um lugar mais calmo já que meu corpo pede por um descanso, decido ir para o campo já que provavelmente não terá ninguém por ali, e posso fumar em paz.

Ponho as mãos no bolso em busca do isqueiro e do cartela de cigarro, quando cai no chão cigarro que o Matthew tinha me dado outro dia, olho para ele penso em que de nada adianta me manter sóbrio se nada que eu faço dá certo, sinto como minha vida desmorona cada dia, olho ao meu redor e não entendo o que eu faço aqui, lembro de cada noite quando volto para casa, de cada golpe, odeio me sentir débil, talvez eu seja todas essas palavras que meu pai tanto diz, talvez eu seja uma escoria, não sei por que luto com isso se no fim de cada briga, cada golpe em sempre volto para isso para essa merda de vicio, eu queria ser forte mais sou um fraco, acendo o cigarro e sinto como as dores do meu corpo desaparecem, como me sinto mais leve como se não estivesse aqui, como se não estivesse nesse corpo inútil

Fecho os olhos por um instante e tento relaxar, sinto o sol aquecer minha pele, ao som de Boulevard of Broken Dreams, de Green Day, quando de repente tudo se torna escuridão e se não fosse por esse perfume que me atormenta desde o dia que a reencontrei na festa, estaria chutando essa pessoa da minha frente, odeio como me apego a ela como se fosse minha maldita ancora, abro os olhos e me encontro com esses olhos azuis, não sei se ela tem noção do quando ela me fascina, e não é por que ela tem um corpão já que é magra, muito menos por ser a mais inteligente

—Sai da frente—digo com voz ligeiramente roca

—Você fede a cigarro—diz fazendo uma careta

—Ninguém te pergunto menina da fogueira—digo com um sorriso malicioso

—Esse título não vale para você—fala cruzando os braços

—Por que não? —pergunto curioso

—Não é Obvio? —responde e revira os olhos— Não faça essa merda de linha de amigos, como se fôssemos conhecidos não quero e nem estou interessado—diz imitando minhas palavras

—Touche—digo com um largo sorriso

Ficamos uns minutos em silencio, e aproveito para detalhá-la já que nunca estive tão próximo a ela, percebo que toda vez que ficamos em silencio ela tenta preencher com alguma pergunta me pergunto em quantos minutos me bombardeará com a suas palavras, confesso que se tratara de outra pessoa já teria mandado para o quinto dos infernos, não entendo por que de ainda não ter mandado ela calar a boca

—Você é de onde? —pergunta curiosa

—Por que você deduziu que não sou daqui? —digo confuso

—Por que se fosse claramente, teria te conhecido—responde e coloca uma mecha de cabelo atras da orelha

—Ajam—digo incrédulo

Coloco o cigarro na boca e olho para o céu, sinto como ela me observa e isso me deixa um pouco inseguro já que nunca se sabe o que passa na cabeça de outra pessoa

—Em sério, você deveria parar com isso—reclama

—Ellie, cala a boca—digo impaciente cansando das suas queixas

Olho em sua direção quando vejo que se aproxima demasiado a ponto que nossas pernas se encostam, e tento disfarçar para que não veja o quanto me sinto nervoso do seu lado, ela coloca um lado do meu fone no seu ouvido

—O que é isso?

—Isso é rock—respondo revirando os olhos

—Por que eles gritam tanto? —pergunta confusa—Acredito que perdi sessenta por cento da audição—diz coçando o ouvido

—Eles não gritam, você é que não sabe apreciar uma boa música—respondo ofendido—Quer saber, me dá teu celular—digo estendendo a mão

—Deveria saber que você não era perfeita Ellie—penso

—Que, por quê? —questiona

—Que me dê a droga do telefone—respondo irritado

—Isso, é algum tipo de assalto? —pergunta receosa

—Que, claro que não—falo como se fosse óbvio—Te assaltar deve ser a coisa mais fácil do mundo, do jeito que você é distraída, a pessoa roubaria tua roupa e você nem perceberia

—Claro que não—diz colocando a mão no peito como se estivesse se sentindo ofendida por minhas palavras— E outra, você nem me conhece para  falar isso—diz entregando o telefone de má vontade

—Você me conhece pequena idiota, mais você não lembra, não te culpo quem iria se importar com o garoto desengonçado que se sentava no final da sala—penso

—Acredita, que pelo pouco tempo que te conheço, já sei por onde o caminho termina—digo divertido

—Icriditi, qui pili pici timpi qui ti cinhiçi ji si pir indi i ciminhi tirmini—repete o que eu digo e não acredito que a pessoa que eu gostava é super infantil

Pego seu celular e vejo como esta distraída olhando para o gramado abro sua galeria de fotos, clico em uma foto aleatória, em que ela aparece com um blusão preto folgado e o cabelo preso tem qualquer coisa verde na cara lembrando a Fiona do Shrek, a foto estaria perfeita se do lado dela não estivesse nada mais nada menos que o Matthew, sinto uma pressão no peito que não consigo entender, vejo quando ela se aproxima e tento disfarçar com um sorriso

—Ei, não olhe as minhas fotos, idiota—diz com raiva

—Ok, peço desculpas—respondo divertido

—Você é um imbecil—diz com raiva cruzando os braços

—Mas nunca disse que não fosse—digo como se fosse obvio

Abro a aplicação de música e o desgosto se vê estampado no meu rosto, acredito se o desgosto fosse uma pessoa com certeza seria como eu nesse momento

—Que? —pergunta curiosa ao ver minha reação

—Isso é o que você escuta? —pergunto incrédulo enquanto deslizo a tela do aparelho

—Se está aí, é por algum motivo—diz elevando os ombros dando pouca importância a pergunta

—Em sério, Justin Bieber?! —digo surpreso—Isso nem é música—falo com cara de nojo

— Cala boca que a minutos atras quase perco a audição por teu bom gosto musical—diz com ênfase ao bom gosto musical

—Pinguini Tattici Nucleari, isso é uma marca?

—Que, claro que não, é uma banda italiana—fala como se fosse obvio

—Você fala italiano? —pergunto curioso —Hai gli occhi più belli che i've seen***

*** Você tem os olhos mais bonitos que eu já vi***

Olho para ela e sua cara de não entendi uma merda do que você disse, é hilaria me seguro para não sorrir da sua cara, de verdade que parece bastante terna

—Espera, o que você disse?

—Você não fala italiano ne? —digo sorrindo

—Claro que sim—fala convencida—Faço Duolingo todo dia—diz orgulhosa

—O que você disse? —digo tentando disfarçar uma gargalhada—Duo o quê?

—Sim, faço Duolingo—diz envergonhada e vejo como suas bochechas ficam rosadas

—Tudo bem—digo me aproximando e sutilmente coloco a teimosa mecha de cabelo atras da sua orelha, vejo como ela me olha e sinto como meu coração acelera—Essas aplicações existem para ajudar

—O que você disse em italiano? —pergunta curiosa

—Que você é uma pequena idiota—digo tão próximo a sua boca que me resulta impossível não olhar para aquela região e imaginar como se sentiria estar entre aqueles lábios que sempre tive vontade de beijar—Nos vemos por aí—digo cortando o que quer que seja isso e pegando minhas coisas

Ando em direção a saída do campo, penso em como por pouco beijei a Ellie, não sei que merda estou fazendo já que ela jamais estaria com alguém como eu, me ferve o sangue só de pensar ela nos braços do Matthew, de fato eu não a mereço mais e ele?, hoje o que aconteceu com a Ellie ficou claro que não está tão no passado assim, não acredito como depois de tantos anos incluso sem saber nada dela, e do nada simplesmente ao tê-la por perto sinto como toda minha base se treme, a forma como ela aparece nas horas que mais preciso de alguém me aferra uma pequena esperança em que algum dia possa ter uma vida melhor.

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Olá terráqueos 🌏  :) Como estão?

Bom... hoje foi o último capítulo da maratona do Sven, espero que tenhas conhecido um pouco do menino Sven de seus medos, suas inseguridades e todo o que passa em sua vida, acredito que se pode tirar uma pequena lição de não jugar antes de conhecer quem quer que seja, OLHO que não  estou em sua defesa, não nego que me cai bem o rapaz, mas sou parcial em relação a isso, ou ao menos tento. Hahaha

Agora vamos falar sobre o capítulo

Sven não caio ele se jogou 😆 nosso menino esta apaixonadíssimo

Imaginavam que Ellie e Sven se conheciam?

Imaginavam que MATTHEW vendia drogas?

É sério o menino bonzinho vende drogas de verdade que não esperava, a verdade é que sim já que sou a escritora, mas como leitora não esperava fiquei tipo :O , não sei se me explico. Hahaha

E Sobre o pai de Sven o que acham desse senhor?

Eu prefiro nem comentar

O que vocês opinam?

Bommm...gostariam que Sven venha fazer mais uma aparição por aqui? me deixem saber com seus votos ou comentários.

Também venho agradecer a vocês por lerem a historia de Sven e Ellie, de verdade que me emociona muitíssimo o vosso apoio ❤️❤️❤️❤️ obrigado pelos 500 lidos.

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