CAPITULO BONUS PELAS 1000 LEITURAS!!!

Pessoal!!!! Chegamos hoje a 1000 leituras!!!!!! Eu e LazMorcega agradecemos!!!!
Obrigado!!!!

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Após o incidente da fogueira, Barakj e Lira se veem obrigados a fugir do vilarejo de Werzov.

A vida de Lira está repleta de novidades, afinal, ter seu avô consigo é uma experiência nova.

Barakj, como já vimos, é um homem intimidador. Com grande estatura, músculos rígidos feito aço, cicatrizes de batalha e cara fechada, o homem é capaz de espantar com apenas um olhar.

É num vilarejo, já distante de Werzov, que acontece uma das aventuras dos Merak.

— Lira — Barakj, balançando elegantemente seu corpo, com o trote do cavalo — vejamos o que comercializam neste lugar, você precisa de provimentos.

Lira olha para o avô, incrédula, pois é a terceira vez que ele resolve parar para fazer compras.

— Vovô, eu já disse que não preciso de mais vestidos e essas coisas todas que o senhor compra. — Lira acena para os dois cavalos extras que seu avô foi obrigado a adquirir a fim de carregar a carga dos pertences. — Olha para os pobres cavalos... Parecem duas luas amarradas pelas cinturas.

Há mais comida e brinquedos do que roupas, na verdade. É exatamente isso que também a incomoda: Ser tratada como uma criança.

— Lira, não se preocupe, seu avô pode realizar seus desejos.— Barakj diz enquanto desce de seu enorme cavalo branco, depois pega um saco cheio de moedas e balança enquanto assiste a neta descer do arreio. Seu animal é negro como a mais profunda noite.

Já no chão, Lira alisa o vestido e ajeita o cabelo enquanto repreende o avô.

— Os animais não suportarão tanto peso, vovô. Toda quinquilharia que te vendem o senhor compra.

— Não vejo problemas em comprar outro animal tão forte quanto estes para fazer o mesmo serviço que eles. — Diz enquanto alisa o queixo quadrado forrado por uma barba que desponta.

— Vovô! — Lira bate um pé no chão e o ato faz o homem sorrir. — Ainda não entendo como você se tornou um general perigoso e temido. "Seus inimigos caíam diante de sua fúria" — Lira arremeda uma velha conhecida de Barakj que encontraram pelos caminhos. — E agora quer viajar com tantos cavalos quanto um trupe de bobos.

— Você não quis a carruagem. — Barakj olha nos arredores à procura de algum jovem que cuide dos cavalos.

Lira observa o avô, incrédula, enquanto amarra no queixo de seu chapéu, uma fita azul como céu.

— Uma carruagem gigante que atrasaria nossa viagem, vovô. Esquece que seus inimigos são muitos e eles não dão tréguas. — Reclama.

O avô não responde. Não há o que dizer. A notícia de uma Bruja já se espalha pelos quatro ventos e não são apenas os inimigos de Barakj que os caçam dia e noite.

Sua neta também tem inimigos e não sabe se defender, por isso Barakj a está levando para O Pomar.

Ele vê um rapaz, de cerca de vinte e quatro anos, escorado na parede de uma estalagem e assovia para chamá-lo.

A neta não percebe o jovem, pois ele se aproxima pelo outro lado do cavalo de seu avô.

Barakj paga algumas moedas para que o rapaz cuide dos animais.

Lira pega em seu alforge uma das bolsas que o avô lhe comprou, e, de costas, não percebe os olhos do rapaz sobre si.

— Boa tarde, Senhor. — O rapaz cumprimenta enquanto analisa a neta de Barakj da cabeça aos pés. — Posso ser mais útil!

Barakj chega mais perto do rapaz e capta sua atenção total.

— Não vai me servir se continuar a devorar minha neta com estes malditos olhos de cobiça, pois enfiarei seu pinto na sua garganta. — A ameaça de cara amarrada, é feita enquanto se curva sobre o jovem de um modo que o intimida.

O rapaz acena com a cabeça em concordância. Pingos já correm pela sua testa.

Quando Lira finalmente se vira, encontra o jovem tenso, parado ao lado de seu avô.

Ela o acha atraente, apesar de velho para ela, e lhe sorri, apenas como uma vaidade de moça.

Ele engole seco.

Além de não responder do jeito que ela imaginou. Ele se engasga com a propria saliva e começa a tossir sem parar, enquanto Barakj olha para o céu e assovia uma canção milenar.

Lira, percebe que o avô fizera algo, então fecha-lhe a cara!

Barakj sorri sem peso na consciência e depois fala com voz inocente:

— Vamos, querida... comprar mais uma boneca para você. — A menina lança um olhar mordaz para seu avô, que sente os pêlos no pescoço esquentarem estranhamente.

Naquele dia em especial, Lira se sente inchada e com algumas dores pelo corpo.

Está irritada com o avô que quer por tudo lhe comprar mais uma boneca vista em certa vitrine.

Durante o almoço, achou a comida com gosto ruim e acabou afastando o prato, o que rendeu uma entrevista com o cozinheiro a quem Barakj exigiu melhor tempero na refeição.

Lira quer dizer a verdade sobre o que sente, mas tem vergonha, pois nunca falou disso com um homem.

Entende que seu avô tem feito o que imagina ser o melhor para ela, mas está sem paciência para lidar com tanta atenção.

Quando eles atravessam uma das ruas, que cortam na diagonal, o avô avista um pequeno estabelecimento comercial de roupas e tecidos.

— Ali está, um lugar onde você pode comprar uma roupa típica daqui. O que me dizes?

— Roupas são todas iguais. — Lira fala com a voz cansada. — Eu não preciso de mais roupas.

— Ora, vamos, será divertido. Você pode escolher roupas para este velho. Que tal?

Lira sorri. Seus olhos ficam repentinamente vibrantes... Poderia se vingar da vergonha que passara mais cedo escolhendo algo que o avô não goste.

Barakj é um homem discreto nas vestimentas. Gosta de cores escuras, sem brilhos, rendas e bordados muito chamativos.

— Adorarei, vovô. — Sorri maliciosa imaginando quantos tons de seda amarela a velha costureira pode ter. Seu avô fica horrível vestido em amarelo, como uma gema de ovo muito desenvolvida e atropelada por uma charrete.

Perdida em pensamentos, de repente Lira já não sente o chão sob seus pés. Seu avô a joga sobre os ombros em uma brincadeira comum para crianças. Mas, para o desespero da menina, suas pernas ficam desalinhadas e ela sente um líquido escorrer quente pelas coxas.

"NÃO!" — grita em pensamento. Todavia é tarde demais.

O sangue já vaza o tecido do vestido branco.

Barakj sente o cheiro e olha.

Sem saber o que fazer, corre na direção de uma botica, chuta a porta e empurra os clientes para colocar a neta sobre o balcão.

— Ela está sangrando! — Ele grita e acena apavorado, chamando atenção do boticário e dos clientes que olham com curiosidade. — Por favor precisamos de ajuda!

O homem se curva acima do balcão e sacode o boticário que está assustado.

Lira de boca aberta não acredita pelo que está passando.

— Oh Altíssimo! O que fiz? Por quê levas minha família assim? — Barakj clama em desespero enquanto olha para o teto.

O homem está à beira das lágrimas, pois conheceu muitas mulheres que morreram de hemorragia.

O sangue ensopa a saia de Lira, que desce do balcão com rapidez e corre porta afora, em direção à loja da costureira.

Barakj faz menção de seguí-la, mas o boticário o segura pela capa de viagem.

— Não! — O homem o detém. — Espere.

— O que deseja?! Não vê que minha neta está morrendo? — Fala o homem exasperado.

— Ela não está morrendo... — o velho boticário fala, um pouco temeroso. — Ela só está...

Barakj arregala os olhos, atento.

— Está...? — Incita o homem a continuar.

— Ela está... bem... naqueles dias. — Diz, quase sussurrando.

— Oi? Que dias? Fale logo, homem!

— Aqueles dias, sabe... — o homem faz gestos circulares na frente da barriga.

— Oh, não pode ser! — Barakj coloca as duas mãos na cabeça, em pleno desespero. — Ela está grávida!? O bebê, ela está perdendo o bebê! Como não vi? — Ele vira-se e segura o boticário pela lapela da roupa.

— Não seu ogro! — o boticário grita e interrompe o surto de Barakj, que o olha de maneira mortal.

— Ela está... — O homem limpa a garganta. — "Incomodada" — diz enquanto bate as costas da mão esquerda na palma da mão direita de maneira frenética.

Barakj coloca uma mão sobre a boca, estupefato.

— Não pode ser! — Conclui. — Como ela conseguiu isso debaixo de meus olhos vigilantes? — Os olhos de Barakj estão mais arregalados que o normal.

O boticário o fita em expressão de dúvida, começando a achar que o velho está senil.

— Minha, Lira... Se tornou mulher e eu a fiz galopar em viagem.— Barakj uniu as mãos como se fosse iniciar uma oração. — Pobrezinha, sou um grosso. Não acredito que levaram sua pureza debaixo de meu nariz e eu não percebi.

Um cliente, ainda presente na loja, sufoca o riso que nasce ao ver o equívoco do homenzarrão.

O boticário, de repente, percebeu o que Barakj havia entendido.

— Não! Não! Não é isso! — intervém. — Sua neta está sangrando! — Diz. — Sangrando, como as mulheres sempre sangram. — Esclarece meio que com um sorriso nos lábios.

Barakj congela enquanto olha para a parede à sua frente.

Claro, agora tudo fazia sentido. O comportamento irritadiço, o sangue... ele simplesmente se esquecera, que mulheres sangram.

O boticário não diz mais palavra alguma. Apenas entrega para o homem um embrulho com ervas e ele reconhece o cheiro de um passado distante.

Olhando para o chão e com os olhos perdidos no tempo, Lira não pára de falar:

— E então ele me colocou sobre o balcão...

Lira está desabafando com Senhora Elli, a costureira que, felizmente, tinha roupas prontas que serviram na menina

A menina "recém quebrada o pote", entrou ali aos prantos.

A mulher estava sozinha e no susto, pegou uma vassoura cujo cabo usaria como arma em sua defesa. Para alívio da solteirona, era apenas uma mocinha irritada.

Antes de a menina contar o ocorrido, foi preciso que tomasse um banho morno e trocasse de roupa.

Agora tudo está tranquilo na loja de Elli e Lira desabafa, mas é interrompida quando uma presença enorme passa pela porta de batente baixo e adentra a loja com cara de cachorro maltratatado.

O homem olha para os lados como se tudo estivesse bem, enquanto a mulher e a menina o encaram.

A menina está furiosa.

A mulher, está... admirando cada centímetro daquele corpo alto e forte enquanto imagina perder sua pureza deslizando em suas curvas.

Elli já consegue pensar que ambos estão em uma campina sob a luz do luar. Ele, deitado debaixo de suas pernas abertas enquanto ela uiva como uma loba, lançando os cabelos soltos de um lado para o outro de maneira selvagem.

Infelizmente e felizmente seus devaneios são interrompidos pela voz grave que preenche todo o ambiente.

— Excelente qualidade. — O homem segura um tecido verde escuro vindo do oeste distante.

Lira deposita a xícara sobre uma mesinha, cruza os braços e bufa.

Barakj olha de soslaio para a neta.

Os cabelos estão molhados e seus olhos conservam uma ira muda.

Ele assovia nervoso, enquanto, distraído, pega um chapéuzinho vermelho com apliques de ramalhetes de flores cor de rosa e amarra na cabeça.

A neta ainda está irada e a mulher de seios grandes e face enrugada olha para ele de um jeito cômico.

O homem limpa a garganta e toma coragem para falar com a menina que não tem um metro e sessenta de altura ainda, mas exala a presença de um dragão de fogo, pois o ambiente parece mais quente desde que Barakj chegou.

— Lira meu amor... — Ele se ajoelha na frente da neta e a Senhora Elli solta um suspiro indiscreto. — Perdoe seu avô, já fazia muito tempo que eu não... ham...

A velha atrás de Lira está atenta às palavras, seu bigode sua pelo calor e pela curiosidade.

Precisa estar atenta, mesmo que em futuros mexericos vá aumentar a história... Apenas alguns detalhes, claro, como um beijo em sua mão, em sua testa ou em sua boca.

— Vovô, aquilo foi muito humilhante! — A menina corta. Impiedosa. O coração está fechado para as desculpas do avô.

— Você precisa entender que o Drake não passava por esses períodos, Lira. — Ele se defende.

— O Drake não é mulher, vovô! — Reclama.

— Sim, isto que quero dizer, Lira. Eu perdi a prática de convivência com huma... — Barakj se cala. Percebe que a velha costureira está de orelhas em pé, atenta à conversa. Além de não tirar os olhos dele.

Lira lança um olhar incendiário. Está dolorida demais para tentar entender o avô.

Barakj suspira e tira uma boneca de dentro de um bolso interno da capa.

Estende para Lira na esperança de se reconciliar.

A menina pega o brinquedo.

Ela está irritada.

Não quer mais ser tratada como uma criança e toda a desventura do dia começou com o assunto da boneca.

Se sente tão revoltada que o calor em seu interior cresce.

Cresce...

Cresce, e...

Cresce tanto que... a boneca na mão de Lira pega fogo.

Sem explicação, a boneca em um segundo entra em combustão!

A velha senhora Elli se levanta aos pulinhos, apavorada, enquanto reza fervorosamente em voz alta e pede perdão por seus pensamentos pecaminosos.

Os detalhes sórdidos irritam Lira ainda mais e o fogo aumenta.

No primeiro instante Barakj fica sem ação, mas em seguida vê um vaso de flores cheio de água e no desespero, se levanta, pega o vaso e lança a água na neta, que fica ensopada.

Os cabelos de Lira, parecem ganhar vida.

A água evapora-se num abrir e piscar de olhos!

O fogo se torna uma labareda ainda mais alta.

Barakj pega a boneca em chamas da mão da neta, abre a porta da loja e sai correndo pela rua em direção ao coche de água dos cavalos.

Lira, desconcertada, observa o avô correr pela rua com o chapéuzinho vermelho amarrado na cabeça, a boneca em chamas na mão e ar esbaforido.

A senhora Elli desmaia.

Apesar de ser grata, Lira acha melhor correr atrás do avô.

Barakj joga a boneca na água do coche, mas o fogo não apaga, então ele tira a boneca da água, joga no chão e se põe a sapatear em sobre ela.

Lira acha a cena engraçada, assim como os demais que passavam por ali.

Ela começa a rir enquanto o fogo se apaga aos poucos e não percebe quando um homem chega por trás de si e coloca uma faca em seu pescoço.

O homem atrás de Lira chama pelo nome de Barakj.

O avô de Lira o reconhece. O nome dele é Tubal, O Esfolador.

— O que você deseja?

— O que você acha que eu quero? — Tubal, volta a pergunta chicoteando a língua fora da boca.

— O que você deseja não vai conseguir, e sabe muito bem disso!

— Há varias formas de matar o homem... Uma delas é negando-lhe a descendência. — Barakj sabe que Tubal foi contratado a peso de ouro para matar sua neta.

— Tubal, você sabe que não vai gastar sequer uma moeda de prata.

— Eu já gastei... Por que sei que vou morrer, mas cumprirei meu acordo com A Megera, matando sua neta.

Barakj, ao escutar o nome "Megera", tem os batimentos cardíacos acelerados.

A Megera, são pessoas contrárias à Ordem do Dragão, e que adoram a Fúria, possuidora do mesmo nome.

Esse grupo, quase foi dizimado por Barakj e Vlad Tepes, no início das Guerras Draconianas.

Agora, o velho general, sabe que Tubal, um assassino de aluguel, está ali, pronto para matar sua neta.

Ele levanta a faca, tendo como platéia os olhos aterrorizados do avô de Lira.

— SALVE A MEGERA!

Barakj se lança na direção dos dois. Seus olhos vão acompanhando o movimento elíptico da faca, sob o seu sonoro "Não!" que parece interminável.

Tubal puxa Lira para sua esquerda e perde o equilíbrio, os dois caem no chão, e Barakj passa batido, errando o ataque.

O avô, de joelhos, vê a menina no chão sendo agredida com a faca que está na mão direita de Tubal.

O assassino levanta-se.

Barakj grita!

A menina está imóvel!

Lira está lavada com sangue.

Tubal também lavado de sangue, vira-se para Barakj e cai de joelhos. Morto.

O avô de Lira percebe a luz vermelha, circular, que tem três vezes o tamanho amuleto que Lira está usando, sumir para dentro dele.

A jóia dada por Drake a Barakj, a qual está sendo usada por sua neta, fez com que o assassino se auto-mutilasse, esfaqueando-se várias vezes, ao invés da menina.

Barakj, junta-se à sua neta, que está ainda sem entender o que aconteceu.

— Vovô o que aconteceu? — Ela pergunta chorando e com voz trêmula.

Lira, recebe um forte abraço. Depois Barakj vai olhando o vestido da menina, procurando algum ferimento.

Mas, todo o sangue sobre Lira, é de Tubal.

Os dois se abraçam novamente.

As pessoas, estão sem entender nada... Apenas falam uma com as outras, que o homem de feições do leste europeu, jogou-se sobre a menina a golpeando... Porém a menina não foi apunhalada nenhuma vez, e o homem está todo furado, por ele mesmo.

— Meu amor, pelos céus... Eu, pensei que havia perdido você!

Lira abraça o avô.

— Eu estou com medo!

— Eu sei minha criança. — Barakj pega a neta nos braços, a carrega de volta ao estabelecimento da senhora Elli. A mulher os deixa entrar sem perguntar nada e eles são convidados a passar a noite ali, em sua modesta residência que fica nos fundos da loja.

Ao nascer do sol, o avô e a neta saem apressadamente... agora Barakj sabe que há mais um inimigo à procura deles: A Megera.

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