05.
Yunjin estava tão perto que eu conseguia sentir seu hálito de menta em mim.
Eu tentei agir como se não estivesse assustada, mas não estava funcionando.
Senti um medo na minha pele como nunca antes senti, e suponho que Yunjin sabia porque ela estava sorrindo para mim como uma louca.
Parecia que ela podia ler a minha mente e meu corpo.
Ela ergueu seu braço em minha direção e eu me encolhi por reflexo.
Senti seus dedos se movendo lentamente pelo meu braço de uma forma provocativa.
— O que você está fazendo? — Eu perguntei-lhe.
— Você tem medo de mim, não tem?
— Não, eu não tenho medo de você.
Yunjin riu. — Você não parece certa sobre isso.
— Se você tentar fazer algo, Yunjin. Qualquer coisa, eu vou gritar.
Ela se aproximou, não deixando espaço entre nós.
Nossos corpos se pressionaram um contra o outro.
Eu tinha a saída atrás de mim, mas eu não conseguia me mover. Eu me sentia pequena comparando com ela.
Yunjin olhou diretamente nos meus olhos e eu continuei olhando para outro lado.
Yunjin segurou meu rosto, seus dedos cravando em meu queixo. — Se você gritar, enfermeira Chaewon, meus dentes vão ficar presos na sua pele mais rápido do que qualquer médico poderia conseguir chegar aqui. Você entende o que eu estou dizendo? — Ela não estava mais sorrindo, e pelo seu olhar, ela também não estava blefando.
— Você não faria isso. O segurança está lá fora. — Eu disse, mais tentando me tranquilizar do que assustá-la.
Ela puxou uma pequena mecha de cabelo solto atrás de minha orelha.
Um arrepio percorreu meu corpo.
— Sabe, Algodão Doce, o meu quarto é à prova de som porque eles não gostavam dos meus gritos durante a noite, o que significa que ninguém consegue te escutar.
Engoli seco.
Eu sabia que Yunjin não estava mentindo.
— O que você quer?
Ela riu. — Eu gosto dessa pergunta. O que eu quero? Parece que ninguém se importa comigo o suficiente aqui para perguntar isso. No entanto, você é a primeira a fazê-lo.
— Se você for me pedir para te deixar sair daqui, isso não vai acontecer. — Eu disse.
— Oh, claro que não, enfermeira Chaewon. Eu não me atreveria a perguntar isso, não quando existem câmeras de segurança nos corredores e um grupo de seguranças que não conseguem lidar com uma mulher louca. — Ela riu. — Acredite em mim, se eu quisesse sair daqui, eu já estaria fora daqui.
— Então o que você quer?
— Dra. Pham deixa as enfermeiras levarem seus pacientes para fora por um dia se a enfermeira relata sobre o bom comportamento dos pacientes. Eu quero um dia inteiro fora da porra desse lugar, e você, Algodão Doce, você vai me ajudar com isso.
— E você acha que me agarrar e ameaçar me machucar é um bom comportamento?
Ela se afastou de mim, me dando algum espaço, o que significava que ela confiava em mim o suficiente que eu não iria fugir do quarto.
— Bom, não haverá ameaças se você cooperar. — Ela disse, se sentando no sofá de couro e cruzando suas pernas.
— Você praticamente mordeu e arrancou um pedaço de uma pessoa. Ele ainda está em choque e não disse uma palavra. Como você espera que eu coopere e consiga um dia lá fora? E porque eu deveria confiar em você?
— Você vai cooperar comigo ou não? — Ela perguntou.
— Coma o seu jantar. — Respondi, deixando algumas pílulas em sua mesa com um copo de água. — E depois de terminar, tome isso.
— Enfermeira Chaewon, você vai cooperar ou não? — Repetiu.
— Eu não vou. Eu simplesmente não consigo. — Eu disse de forma firme.
De repente, a felicidade de Yunjin desapareceu como se ela tivesse sido abraçada por uma nuvem escura.
Sem mais nenhuma palavra, ela pegou nas pílulas e as amassou.
Eu pensei que aquela era uma forma incomum de tomar os medicamentos.
Em seguida, ela estava na minha frente. Segurou no meu rosto firmemente pela mandíbula, apertando minhas bochechas com força.
— Eu não costumo perguntar pela segunda vez, mas fiz uma exceção.
Foi tudo muito imprevisível, e eu não tive nem tempo de reagir.
Quando abri minha boca para gritar, ela colocou o pó de sua medicação e, enquanto eu tentava cuspir, ela fechou a minha boca firmemente. Eu não tive outra escolha a não ser engolir.
Meus olhos se encheram de lágrimas quando ela me soltou.
Ela riu. — Algodão Doce, você não deveria tomar minha medicação. O que aconteceria se a Dra. Aeri Uchinga descobrisse?
Eu tossi e tentei respirar.
Eu acabei de engolir a medicação de Yunjin.
A medicação psicótica de Yunjin!
— Porra, sua vadia! — Gritei.
— Oh, tome cuidado com o que você diz, Algodão Doce. — Ela riu como uma maníaca e sentou em sua cadeira que rodava, dando pequenos rodopios.
Tinha um sorriso macabro no rosto.
Eu corri para fora daquele quarto e o tranquei.
O segurança olhou para mim de cima a baixo. — Você está bem?
— Sim, estou ótima.
Eu não estava.
Eu corri para o banheiro em menos de um minuto.
Eu coloquei meus dedos na minha garganta e vomitei toda a medicação que Yunjin me forçou a tomar.
Numa situação comum, eu teria reclamado para Hanni sobre o assunto, e depois seria a enfermeira que não aguentava Yunjin, o que seria um bom motivo para me dar outro paciente, deixando Yunjin para aterrorizar outra pessoa.
Mas adivinha só, Huh?
Eu não desisto sem lutar primeiro.
Eu não poderia dar-lhe o que ela queria, mas eu poderia fingir que estava seguindo suas regras. Ela não conseguiria ler minha mente.
Eu faria qualquer coisa que ela quisesse e manteria minha sanidade mental em retorno.
Eu tinha de fazer regras simples.
Yunjin precisava saber que ela já não era a que mandava aqui.
Me senti enjoada novamente e vomitei pela segunda vez.
Minha cabeça começou a girar por causa das pílulas que eu engoli, e eu sabia que eu ia adormecer a qualquer momento.
Encontrei uma sala vazia e deitei na cama, meus olhos se fecharam e eu finalmente adormeci.
— Enfermeira Chaewon...
Alguém estava me chamando no meu sonho.
— Enfermeira Chaewon, acorde.
A voz parecia bem distante.
— Chaewon!
Eu tossi, meus olhos ainda estavam pesados, mas eu consegui mantê-los abertos e vi uma figura feminina ali.
Me levantei e olhei à minha volta.
Dra. Aeri estava me encarando, carrancuda. — Enfermeira Chaewon, você entende que isto é um hospital onde é suposto você trabalhar ao invés de tirar pequenas sonecas na cama de um paciente? Você quer que eu conte para Jimin?
— Minha cabeça dói. — Eu disse.
— Essa é uma desculpa bem convincente para dormir, eu diria. Fingir uma dor de cabeça.
Aeri continua. — Eu não sei o que você anda fazendo pela Dra. Pham, mas por mim, eu não me permito cair no seu papo de boa garotinha.
Minhas mãos se fecharam com força. — Que porra você quer dizer com isso?
Aeri não esperou por responder e saiu da sala.
Depois de me acalmar um pouco, decidi ir para casa.
Meu turno já havia acabado, então tecnicamente, não haveria nada que Aeri pudesse fazer para comprometer o meu trabalho.
Vá para o inferno, Aeri.
As nuvens ficaram escuras, um trovão soou e pingas de chuva começaram a cair. Felizmente, eu havia trazido meu guarda chuva.
Eu me sentia desconfortável, como se estivesse sendo observada, então olhei para cima e encontrei uma Yunjin encostada em sua janela, seus dedos rodeando as barras de ferro, com um sorriso que parecia normal desenhado em seu rosto.
Ela me disse adeus, mas eu a ignorei e continuei caminhando para a frente.
Eu mal conseguia abrir meus olhos, então peguei um táxi até casa.
Eu poderia deixar meu carro no estacionamento de funcionários e trazê-lo amanhã depois de meu turno. Chamei um táxi.
Eu estava tão desnorteada que nem troquei de roupa para minha roupa normal.
Antes de entrar no carro, um papel bem dobrado caiu do meu bolso no chão.
Eu o peguei e entrei no táxi.
Dei as indicações ao motorista e abri o pequeno papel.
Numa letra cursiva bem trabalhada, dizia:
Me desculpa!
Vamos ser amigas, Algodão Doce :)
Y.
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