Capítulo XXXVI

Último capítulo, minha gente ☹️

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''Amor só é amor, se não se dobra a obstáculos e não se curva à vicissitudes ... É uma marca eterna ... Que sofre tempestades sem nunca se abalar. ''

William Shakespeare.

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A neurologista tranquilizou Juliette e os demais dizendo que estava tudo bem com Sarah. Contou que a operação tinha sido um sucesso, o que fez Juliette respirar aliviada e feliz por tudo ter dado certo. Camilla ainda disse que na cirurgia havia sido implantado um Stent na véia entupida e que após todo o procedimento cirúrgico, o sangue voltou a circular sem problema algum.

Também disse que Sarah já fora encaminhada para um quarto, mas como estava bem sedada, só acordaria no outro dia, pela manhã. Desse modo, a médica avisou que não havia necessidade de todos os presentes ali, ficarem no hospital, apenas uma pessoa poderia permanecer para servir como acompanhante de Sarah e passar a noite no hospital.

Imediatamente Juliette falou que ela ficaria, só que Gilberto tratou logo de intervir nisso, dizendo que nem em sonho a amiga grávida ia passar a noite num hospital.

- Mas Gil... - Juliette tentou argumentar, porém nem bem abriu a boca para começar seu ''argumento'' e seu amigo a interrompeu nisso.

- Sem ''mas'', Juliette. Tenho certeza que a Sarah não ia aprovar nada essa sua ideia de passar a noite aqui no hospital, grávida como está.

A morena fez uma cara de insatisfação e bufou de raiva fazendo com que os outros que ali estavam, rissem disfarçadamente dela.

- Você vai dormir na sua casa com seus filhos e ... Doutora, que horas ela pode vir amanhã pra ver a Sarah?

O homem se dirigiu a Camilla que se divertia com a cena do amigo de Sarah ralhando com a esposa da mesma.

- Às oito da manhã. - a médica respondeu. - Acredito que a essa hora ela já tenha acordado.

- Então amanhã a essa hora você vem, Ju.

- E quem é que vai passar a noite aqui com a minha esposa. Posso saber, Gilberto?

- Eu passo, Juliette. - Kerline se pronunciou. A mulher falou que seria sua folga no dia seguinte e que não teria problema algum em ficar ali de acompanhante de Sarah.

- Está aí, Ker, vai ficar com a Sarah. Satisfeita?

- Não! EU quem queria ficar com a minha mulher. - retrucou a morena visivelmente desgostosa com aquela situação.

- Se você não estivesse com sua gravidez avançada, poderia ficar sem problema algum. Só que assim, com essa barriga já grandinha, é melhor não. Vai ser desconfortável tanto pra você quanto para os bebês passar a noite aqui. Seja sensata, Ju, pense nesses dois aqui! - Gil passou a mão sobre a barriga de Juliette.

- Seu amigo está certo, Juliette. Passar a noite em um hospital não vai ser nada confortável pra você. - Camilla resolveu ajudar Gilberto a persuadir Juliette da idéia dela de passar a noite ali no hospital.

Depois da médica foi a vez dos demais fazerem o mesmo e se vendo sem saída, Juliette então acatou a muito contragosto diga-se de passagem, o que todos disseram.

- Será que pelo menos eu posso ver a Sarah antes de ir pra casa ou isso vocês não vão deixar também? - ela questionou emburrada olhando para cada um dos que estavam ali e fixando seu olhar por fim em Gilberto.

- Por que está me olhando desse jeito? - o homem segurava a vontade de rir da insatisfação da amiga. - Tem que olhar para a médica da sua mulher para saber se ela deixa. Ela pode ver a Sarah, doutora?

- Pode sim, mas só por alguns minutos! - a médica respondeu. -... Venha, Juliette. Eu a levo até o quarto para o qual a Sarah foi levada.

- Ela não gostou nada de não ter podido ficar aqui com a Sarah.

- Mas é para o bem dela e dos bebês, Fiuk. - Gil retrucou vendo Juliette ir com a médica de Sarah.

Logo Juliette se encontrava diante da porta do quarto onde a esposa estava. Camilla a deixou ali e saiu.

A professora entrou no quarto e a visão que teve de sua mulher com a cabeça toda enfaixada e ligada a uma diversidade de aparelhos foi um baque que fez doer seu coração. Jamais pensou em vê-la em tal semelhante situação.

Devagar Juliette foi se aproximando. Assim que estava ao seu lado, ela acariciou o rosto da esposa com carinho para depois segurar uma de suas mãos.

- Eu disse a você que ia dar tudo certo... E deu!

Seus olhos castanhos fitavam sua mulher com tanta ternura e amor, um amor que ela sabia ... Era forte o suficiente para ultrapassar qualquer obstáculo que se pusesse entre elas, como foi com sua amnésia.

Em uma fração de segundos, enquanto estava ali olhando para Sarah, Juliette teve sua mente invadida pelas lembranças de tudo o que passou nesses últimos meses desde que a esposa perdeu a memória. Dessas lembranças só queria guarda as boas, as ditas ''ruins'', ela iria deixar para trás, ou melhor, esquecer. O que passou, passou! E que venham agora só coisas boas e alegres na vida delas e de sua família!

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Alguns meses depois, o casal se encontrava novamente no mesmo hospital em que Sarah havia se operado, mas dessa vez a razão de estarem ali, era por conta do nascimento dos gêmeos que havia se dado algumas horas atrás.

- Como se sente? - sentada ao lado da esposa na cama do hospital, Sarah passava carinhosamente a mão pelos cabelos castanhos de Juliette.

- Cansada ... Dolorida, mas imensamente feliz. - ela lhe sorriu e deitou a cabeça no ombro da outra.

Depois de viver alguns meses atrás de tormenta, Juliette e a família, agora viviam o oposto de tudo o que passaram.

O problema enfrentado por Sarah fez com que o amor entre ela e a esposa se fortalecesse mais ainda e também fez com que a família delas, que já era bastante unida, se tornasse mais unida ainda!

Muitas horas mais tarde, com os gêmeos já no quarto e os outros dois filhos do casal que ali estavam, após serem trazidos por Lumena depois de eles chegarem da escola, a família recebeu a visita dos amigos que vieram conhecer os mais novos integrantes daquela enorme família a qual todos eles se consideravam parte. Camilla também fez questão de dá uma passada para conhecer os bebês e também dá os parabéns ao casal de amigas, por quem tinha criado grande apreço e amizade ao longo desses meses em que tratou de Sarah.

Dois dias depois Juliette recebia alta e ia para casa com os gêmeos, Luna e Henrique.

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- Ansiosa para voltar a trabalhar? - Juliette se aproximou da esposa e a ajudou a terminar de abotoar sua camisa de seda na cor azul marinho.

Depois de mais de um ano afastada do escritório por conta do que lhe aconteceu, da cirurgia que fizera e também do nascimento dos gêmeos, Sarah hoje, retornaria ao trabalho.

- Um pouco.

- Aposto que o pessoal deve estar empolvoroso e contando os minutos para ter novamente a chefe deles.

- Você acha?

- Tenho certeza. - ela bicou seus lábios ao terminar de abotoar sua camisa. - Está linda com essa camisa! - confessou após olhá-la bem.

- Obrigada! - meio sem jeito ela agradeceu.

- Acho que assim que você sair, vou ligar para a Carla.

- Para quê?

- Para pedir à ela que fique de olho em você e não deixe aquelas assanhadas do escritório ficarem se engraçando para o seu lado, porque tenho certeza que linda como está elas vão ficar com assanhamento para cima de você, senhora Andrade.

A outra riu e agarrou a cintura da esposa

- E acha que vou dar confiança para elas?

- Creio que não, mas vai saber...

Elas sorriram e trocaram outro beijo para logo depois Sarah anunciar que já tinha que ir.

Juliette saiu com ela do quarto e antes de descer para sala, Sarah passou no quarto dos gêmeos e deu um beijo em cada um dos filhos que dormiam quietos e tranquilamente.

- Comportem-se e não dêem muito trabalho pra mãe, está bem? - ela murmurou aos dois.

Depois Sarah seguiu com Juliette para sala  onde se despediu dos outros dois filhos que estavam a espera da van escolar busca-los. Na porta foi a vez de se despedir da esposa.

- Bom trabalho! - Juliette lhe desejou após trocarem um beijo.

- Obrigada!

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Assim que entrou em na recepção do escritório, ela foi saudada com um enxurrada de palmas e ganhou vários abraços de sua equipe, dos funcionários de outros departamentos do escritório e também de Dílson, que apesar de ter suas desavenças com a gerente, estava feliz por seu retorno, pois sabia o quão boa profissional ela era e fazia falta ali no escritório. Todos estavam ali para lhe desejar as boas vindas.

Sarah ficou emocionada com toda aquela recepção, não esperava que fosse ser tão bem recebida com tantos abraços assim. Agradeceu a cada um por aquilo e também pela preocupação que demonstraram com ela ao longo desse tempo em que estivera ausente.

Sua esposa havia lhe contado que todos do escritório que a conheciam e trabalhavam com ela, sempre ligavam para casa delas afim de saber de seu estado e desejar melhoras a ela. Isso lhe deixou tocada, pois não imaginava que todos ali, se preocupavam com ela daquela forma.

Em sua concepção, a gerente achava que somente sua equipe do financeiro iria se preocupar e se importar com o que lhe aconteceu, mas não foi. Todos sem excessão, se preocuparam e se importaram. Cada um torcia e muito por sua recuperação. Ela não tinha idéia do quão querida e bem quista era por todos, só foi ter essa dimensão quando Juliette lhe contou aquilo.

Após toda aquela recepção e os agradecimentos feitos por ela, era hora de começar o trabalho.

Alguns funcionários dos outros departamentos seguiram para seus postos e Dílson para sua sala, sobrando assim na recepção, somente Sarah, sua equipe e Caio.

- Pronta pra voltar a ativa, chefe?

- Com certeza, Carla!

- Então faça as honras da casa, amiga. - Gilberto lhe uma pasta com relatórios.

Das mãos do amigo a gerente pegou a pasta.

- Você não se importa de ter perdido seu posto de gerente?

- Esse posto não era meu e sim, seu, Sarah. Eu só estava temporariamente nele. Só o aceitei pelo pessoal. - ele apontou os amigos.

- Juliette e todos nós ... - Ker fez um gesto com a mão apontando ela, Carla e Fiuk. - ... Pedimos e insistimos muito para que Gilberto assumisse seu posto, porque não queríamos alguém estranho no comando. - explicou.

- Agora que voltou, assuma novamente as rédias dessas suas crianças, porque elas dão muito trabalho, viu amiga?! - Gilberto comentou, rindo e fazendo todos ali rirem.

- Bom... sendo assim... ao trabalho, crianças! - ordenou ela.

Ao longo daquele dia, ela trabalhou reunida diretamente com Gilberto para ser posta a par de como andava as finanças da empresa na sua ausência. Pode constar que seu amigo Gil havia feito um ótimo trabalho na gerência. A saúde financeira da empresa estava impecável.

❤️❤️❤️

Era pouco mais das nove da noite quando ela entrou em casa após um happy hour que os amigos a levaram depois do expediente de serviço, com o intuito de comemorar a volta ao trabalho. Visivelmente esgotada, ela suspirou ao estar em seu lar doce lar. Esse mais de um ano parada a deixou claramente desacostumada e desabituada com o ritmo frenético de seu trabalho. Sentia um sono absurdo e um cansaço extremo, precisaria de uns dias para voltar a aguentar aquela jornada maçante de trabalho que antes estava muito bem habituada a seguir.

Não deixou de notar o quão silenciosa sua casa estava. Provavelmente Tom já estaria dormindo e os gêmeos também.

Largou sobre o braço do sofá, suas pastas e o blazer bonito que acabava de tirar e, seguiu para as escadas que levavam para seu quarto. Assim que ela entrou no cômodo, sorriu ao ver dormindo em sua cama espaçosa, seus quatro filhos. Bia dormia numa extremidade, Tom em outra com alguns travesseiros atrás de si para evitar que caísse da cama, e entre os dois filhos mais velhos, se encontravam Luna e Henrique, dormindo quietinhos.

Era a cena mais linda para ela aquela!

E ela ficou tão perdida e encantada admirando bobamente seus filhos que nem percebeu que a esposa que tinha saído da suíte do quarto, a observava há alguns segundos. Foi só quando Juliette pigarreou de leve que Sarah virou-se e a viu escorada ao batente da porta da suíte. Ela estava de braços cruzados lhe olhando com carinho e tinha um sorriso tão bobo quanto o que a loira direcionava aos filhos enquanto os admirava quase com adoração.

A economista estendeu o braço a esposa e com um gesto de mão a chamou. Juliette veio e elas trocaram um abraço e um beijo demorado.

- Já viu que nossa cama está tomada por esses pequenos ''intrusos''? - Juliette usou um tom baixo para falar com a esposa e não acordar os filhos.

- Vi, sim! ... Que milagre esse da Bia está dormindo cedo assim? - ela questionou no mesmo tom que a esposa havia falado.

- Enxaqueca. Ela tomou um remédio e acabou dormindo.

- A gente precisa levá-la ao médico, Ju, pra ver essas crises dela de enxaqueca. Podemos marcar com a Camilla.

- Sim. Eu ia falar com você sobre isso mesmo.

- Essa semana a gente vê isso.

- Sim, senhora.

Ela riu e a outra também.

- Ainda bem que nossa cama é bem espaçosa.

- Ainda bem mesmo!

Elas sorriram baixinho e depois Sarah ficou séria.

- O que foi, amor?

- Às vezes ainda custo a crer que esqueci de tudo isso que temos ... Construímos ... E vivemos. De toda a minha vida, minha história, nossa história, tudo, absolutamente tudo, esquecido assim do nada! ... Por que será que isso aconteceu comigo, Ju?

Ela já havia se feito essa pergunta centenas de vezes desde que recuperara a memória e em nenhuma vez achou uma resposta para essa sua pergunta.

Juliette tentou encontrar uma resposta satisfatória para aquela pergunta da esposa, mas também não encontrou. Aquilo era uma incógnita tanto para ela quanto para a médica de sua mulher, que até hoje tentava achar algo que explicasse o que levou uma mulher com boa saúde e sem problema algum, acordar numa bela manhã sem lembrar-se de nada de sua vida!

- Acredito que talvez nunca saíbamos o porquê disso, amor. Camilla mesmo até hoje ainda não chegou a algo que explique o que aconteceu.

- É verdade!

- E pra ser sincera nem me interessa saber disso.

- Não??

- Uhum! ... Você já está recuperada e isso é o que importa. O ''por quê" de ter lhe acontecido o que aconteceu, é o que menos me importa, pois isso já passou, ficou pra trás. Eu penso que aquilo tudo que vivemos durante meses por conta da sua amnésia, não passou de mais uma, das muitas barreiras que tivemos que superar e ultrapassar, ao longo desses anos todos que nos conhecemos. Tudo isso só serviu pra fortalecer mais ainda nossa família.

- E me fazer ver o quanto eu sou uma mulher de sorte por ter você e aquele ''grupinho'' na minha vida ... E espero nunca ... Nunca ... Nunca mais me esquecer de vocês de novo!

- Eu também espero que isso não aconteça de novo. Mas ''se'' acontecer, eu e o grupinho ali, estaremos aqui do seu lado pra te ajudar e te fazer lembrar que somos sua família e te amamos incondicionalmente.

Sarah sorriu e colou sua testa na da esposa.

- Eu amo vocês, Ju!

- E nós te amamos ... Muito, Sara! - sussurrou antes de beijar a outra.

FIM

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Com um misto de alegria e tristeza chegamos ao final dessa história. Só tenho a agradecer a cada uma de vocês por terem me acompanhado até aqui. Muito obrigada do fundo do coração pelos views, comentários e estrelinhas que deixaram. Foi muito bom ter a companhia de vocês por aqui. 😘🥰❤️

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