Capítulo XV
Juliette ainda não queria que Sarah soubesse daquilo, mas se foi assim... Então que fosse!
Voltando seu olhar para Lumena, a morena pediu gentilmente à outra mulher que lhe deixasse a sós com a esposa para que pudessem conversar sobre o que ela ouviu.
Lumena assentiu e lhe cochichou que aproveitaria para ir rápido a farmácia comprar o tal teste. Juliette se limitou a apenas assentir e viu sua ajudante sair do quarto deixando-a sozinha com Sarah como havia sido pedido.
- Então é por isso que vinha passando mal? Você está... grávida?
Sarah pronunciou a última palavra de maneira lenta, tentando digeri-la da melhor forma possível enquanto se aproximava vagarosamente da esposa, que naquele momento havia se sentado na beirada da cama.
- Ainda não está confirmado nada... mas é MUITO provável que seja por causa dela os meus mal-estares mesmo, Sarah! - replicou a outra mulher encarando as próprias mãos descansando em seu colo, já que não tinha coragem de encarar a esposa para contar aquilo. - Semanas antes de você perder a memória nós procuramos uma ginecologista especialista em reprodução humana, a mesma que fomos quando decidimos dar um irmãozinho a Bia e desta vez, a pediu seu eu fiz o procedimento para engravidar. - explicou.
- Grávida! - sentou-se ao lado da esposa.
Aquela novidade pegou Sarah totalmente de surpresa. Um bebê vindo no meio daquela confusão toda que virou sua vida com a perda de memória. A gravidez não lhe pareceu a melhor notícia, posto que o momento era o mais inoportuno para acontecer. Ela estava começando um processo de adaptação, tentando reconectar laços com a família que foram perdidos pela amnésia, tentando se descobrir e se conhecer. Sem contar que havia a incerteza de seu quadro se reverter e recuperar as lembranças perdidas. Portanto, definitivamente, aquele não era o cenário mais apropriado para a vinda de uma criança. Só que ainda assim... Lá no fundo... Foi impossível não se deixar ficar feliz e emocionada com a gravidez de Juliette, já que era um filho delas que viria.
- Eu vou ser mãe de novo?! - com um tímido sorriso murmurou ainda atônita com a recente descoberta.
- Tudo leva a crer que sim! - retrucou a outra mantendo seu olhar nas mãos e por conta disto, perdendo o sorriso da esposa.
Os olhos de Sarah se fixaram em um ponto qualquer daquele quarto e foi como se a economista se desligasse do mundo. Assim como acontecia com Juliette acomodada ao seu lado.
Um bebê!
Como ia ser agora?
Esta questão pairava sobre a cabeça tanto de Sarah quanto de Juliette ao mesmo tempo enquanto o casal se encontrava lado a lado e em completo silêncio desde a última fala da morena.
Sarah ainda sequer se lembrava dos filhos que já tinha com Juliette e agora ainda viria mais um. No entanto com este podia ser diferente, pois ela construiria lembranças com essa criança. Talvez fosse mais fácil! Ou não! Mas ainda assim estava confusa, com medo e cheia de sentimentos distintos, que agora lhe causavam um caos interno. Precisaria de um tempo para pôr tudo em ordem.
De volta a órbita, Sarah olhou de soslaio para esposa sem saber o que falar e muito menos o que fazer. Preferiu manter-se calada até encontrar as palavras certas para dizer a Juliette, as quais nem mesmo ela sabia quais fossem.
Ao seu lado Juliette que havia tirado os olhos das mãos e agora encarava Sarah, tentava decifrar através da expressão que via no rosto de perfil da esposa, o que ela estaria pensando e achando daquela situação. Mas o semblante de Sarah não lhe deixava nenhuma margem para isso. Sua esposa aos seus olhos parecia uma incógnita perfeita e isso estava matando.Juliette por dentro. Se fosse a "sua Sarah", ela certamente saberia lê-la e saberia que aquela altura, depois da descoberta da gravidez, sua amada estaria lhe rodopiando pelo quarto, feliz da vida pela notícia de que a tentativa delas em aumentar a família foi bem sucedida. Mas ela sabia que não podia esperar nada disso vindo dessa Sarah desmemoriada.
Foi só depois de mais alguns minutos que Juliette ouviu a esposa lhe questionar em um tom sério de voz e sem sequer olhá-la:
- Por que não me contou nada disso antes, Juliette?
Passado o momento de ficar feliz com aquilo, agora, Sarah caiu na real e foi tomada por um ressentimento da esposa. Aquela omissão dela sobre a gravidez estava lhe fazendo sentir certa raiva de Juliette.
Como ela podia ter omitido uma coisa daquelas vendo o quão preocupada e até mesmo angustiada, vinha se mostrando acerca de seu estado de saúde nos últimos dias por conta desses seus constantes mal-estares? Juliette não podia ter feito isso com ela!
Sentindo o peso do ressentimento explícito na voz e na pergunta da esposa, Juliette se pronunciou para tentar explicar-se.
- Sarah... Eu não te contei antes porque... - ela mesma se interrompeu e ficou muda. Como contar que esqueceu do procedimento que fez, sem receber olhares duvidosos e recriminatórios da esposa?
- Por quê? - cobrou Sarah olhando por fim para a esposa.
O que Juliette viu nos olhos de Sarah lhe fez engolir em seco. A esposa estava com raiva e a morena bem sabia que aquela raiva era com ela.
- Eu tinha esquecido e depois fiquei sem coragem quando me lembrei. - revelou, baixando os olhos.
- Esqueceu? Essa é boa! - não havia um pingo de humor no pequeno riso que lhe escapou, muito pelo contrário. - Como você pode simplesmente esquecer uma coisas dessas, Juliette?
A outra ergueu os olhos para encarar a esposa.
- Eu não sei. - sua voz saiu trêmula. - Talvez os últimos acontecimentos como, por exemplo, a sua amnésia tenham simplesmente bloqueado esse fato da minha mente, Sarah.
- Então a culpa é minha pelo seu esquecimento?
Juliette teve que respirar bem fundo para não perder o controle.
- Não foi isso que quis dizer.
- Mas foi o que soou. - rebateu Sarah. - Você viu o quão preocupada eu estava com você, podia ter me partilhado a verdade depois que supostamente lembrou, Juliette. Mas não fez isso. Por que? - tornou a cobrar.
- Supostamente? Está duvidando que eu esqueci? Pois escute bem... você não foi a única a ter se esquecido das coisas. Eu, ao contrário de você, posso não ter perdido toda a memória, mas esqueci, sim, de ter feito esse procedimento, ainda que não acredite.
- Quando lembrou então?
- Eu não me recordo bem agora. - mentiu. Tinha certeza que disse que isso aconteceu há muitos dias, Sarah era capaz de se irritar mais do que se mostrava.
Sarah suspirou e apoiando os cotovelos nas coxas, cobriu o rosto com ambas as mãos. Juliette bem que podia ter sido sincera com ela quando se lembrou. Só que não fez isso. Ficou lhe escondendo aquela situação. Se não tivesse escutado sem querer sua conversa com Lumena, era bem provável que Juliette ainda continuasse a lhe esconder aquela possível gravidez.
- Até quando ia continuar omitindo isso de mim, Juliette? - a questão saiu abafada por conta das mãos que ainda mantinha sobre o rosto, mas ainda assim foi ouvida com perfeição por Juliette.
A morena quando escutou mais aquela pergunta, não aguentou mais tantos questionamentos em tons de cobranças vindos da esposa.
- Por favor, já chega. Pare de ficar me bombardeando com perguntas, que na verdade são duras cobranças. - pediu com a voz embargada.
Ao ouví-la, Sarah retirou a mão do rosto e fitou a esposa. Encontrou-a com os olhos marejados.
- Você não faz idéia de como estou me sentindo com essa situação toda! - parecia que as coisas resolveram cair em cima dela tudo de uma vez. Primeiro, a amnésia de Sarah. E, agora essa gravidez (que já dava quase como certa). - Se eu pudesse prever que a nossa vida ia virar de ponta a cabeça e você, o amor da minha vida simplesmente fosse perder a memória... Pode ter certeza que, certamente, essa gravidez não viria, tá bom? Não nesse momento. Porém aconteceu e não posso fazer nada. Nós escolhemos isso antes de você esquecer de tudo, droga! Então, pare com esses questionamentos e cobranças em cima de mim, por favor. - ela começou a derramar as lágrimas que tanto vinha bravamente segurando.
Ver aquelas lágrimas em Juliette desarmaram Sarah e fizeram algo dentro dela doer. Sentiu-se mal, porque em vez de perguntar a esposa como ela estava se sentindo com aquela notícia de uma possível gravidez, Sarah só lhe fez cobranças. De maneira bem egoísta viu apenas o seu próprio lado de não ter sido informada antes pela esposa daquela situação, não sendo nenhum pouco compreensível e prestativa, como Juliette foi e vinha sendo com ela e seu problema de amnésia.
Idiota!, Xingou a si mesma em pensamento.
Em um único movimento, a economista se arrastou para perto da esposa a ponto de suas coxas se tocarem. Timidamente, esticou sua mão direita e tomou a esquerda de Juliette na sua, entrelaçando os dedos de ambas.
A outra mulher lhe olhou com novas lágrimas se acumulando nos olhos.
- Me desculpa! - pediu Sarah com um nó se formando na garganta. Parecia ser sua sina desde que despertou desmemoriada, viver pedindo desculpas a esposa, pois vire-mexe estava fazendo besteira à ela. Felizmente, Juliette era compreensiva demais e aceitava todas as suas desculpas. Sarah esperava que mais uma vez a esposa fizesse isso também.
Com os olhos embaçados pelas lágrimas, Juliette observou a sua mão agarrada a de Sarah, seus dedos entrelaçados aos dela como tantas vezes ela já tinha visto no passado. Sua esposa segurava em sua mão de forma carinhosa, a mesma forma que costumava fazer antes de perder a memória.
Voltando o olhar para a esposa mais uma vez, Juliette encarou o rosto da mulher que era sua vida, assim como eram os filhos que tinham juntas.
- Com certeza, você já deve estar cansada de ouvir meus pedidos de desculpas... - Sarah voltou a se pronunciar diante do silêncio da esposa. -..., já que não têm um dia em que eu não o faça a você desde que acordei desmemoriada. Mas de verdade... - ela acariciou as costas da mão da esposa com seu polegar. Outro gesto corriqueiro dela de antes de perder a memória. E tal gesto arrancou um melancólico sorriso da esposa. - Me desculpe, Juliette. Eu fui uma insensível em ficar te enchendo de questionamentos e cobranças em vez de me preocupar em saber como está se sentindo com tudo isso. Não era a minha intenção te cobrar, mas sem querer acabei fazendo isso e de forma dura, a qual você não merecia.
Sarah viu novas lágrimas escorrerem pelo rosto da esposa.
- Não, não chore, por favor!
Sem conseguir se conter a loira levou as mãos a face da esposa, e com os polegares de ambas enxugou as lágrimas de Juliette.
Foi natural e instintiva a reação de Juliette em fechar os olhos ao sentir o toque de Sarah. Era difícil para ela lidar com a falta que sentia dos carinhos da esposa, ainda mais em momentos como aquele. E seu pequeno gesto de lhe tocar o rosto foi como um alento enorme para a alma fragilidade da morena.
- Será que pode me desculpar mais uma vez, Juliette?
Sarah usou um tom de voz sereno e amável enquanto delicadamente tirava as mãos do rosto da esposa, fazendo-a abrir os olhos e fitá-lo.
Em resposta Juliette assentiu enquanto era tomada pelo súbito desejo de se atirar nos braços de Sarah e ficar agarrada à ela por horas a fio, porque não havia lugar melhor do mundo, no qual se sentia mais protegida e segura do que nos braços da esposa, ouvindo as batidas cadenciada de seu coração que quase sempre lhe acalmavam em horas de vulnerabilidade como naquele instante. Sentia falta de sua Sarah. Precisava tanto dela, mais ainda nesse momento!
E apesar de se sentir mais próxima daquela Sarah desmemoriada do que no começo da amnésia dela, onde já vinham tendo um convívio melhor e até dormiam no mesmo quarto e na mesma cama, Juliette ainda assim sentia que elas estavam tão distantes uma da outra.
A esposa até era preocupada e cuidadosa com ela da mesma forma que era, quando não havia amnésia alguma. Mas para Juliette faltava o principal: O amor e o carinho, que Sarah nunca lhe deixou faltar em momento algum, nesses quinze anos que estão juntas, mas que com a amnésia acabou por se apagar dela.
- Posso te abraçar?... Eu preciso tanto de um abraço seu agora. - Juliette pediu com a voz embargada.
A necessidade em ter aquele contato físico com Sarah, ainda que fosse por breves segundos, bastava para Juliette no momento. Ela queria muito aquilo! Ou melhor, precisa muito naquele momento dos braços de sua mulher entorno de seu corpo para sentir que apesar de tudo, das dificuldades todas, as coisas no final dariam certo porque ela tinha Sarah ao seu lado lhe passando segurança e proteção através de um simples abraço.
Meio pega de surpresa e totalmente sem jeito, Sarah levou alguns segundos para que com um balançar positivo com a cabeça concedesse com certa hesitação, aquele pedido à esposa. Sentiu os braços de Juliette abraçando-a pela cintura, enquanto a cabeça da esposa repousava em seu ombro direito e o rosto se escondia em seu pescoço.
Sarah passou seus braços por cima dos ombros da esposa retribuindo o abraço de maneira desengonçada e com certa dificuldade, já que estavam sentadas na cama.
Ao ter a esposa em seus braços, Sarah sentiu uma onda de eletricidade varrer seu corpo por inteiro. Seu coração até acelerou, parecendo uma locomotiva sem freio. O abraço permitia mais uma vez que Sarah sentisse de pertinho o perfume delicioso de flores da esposa. O aroma delicado lhe rendeu um fechar de olhos e uma viagem para algum lugar qualquer. A economista podia jurar que não queria mais se desprender da esposa, algo compartilhado em segredo também por Juliette.
Para a morena estar outra vez nos braços de Sarah, sentindo seu cheiro bom era como uma viagem ao tempo em que não havia amnésia e que aquela Sarah que lhe abraçava com carinho, era a sua Sarará... Seu amor, que lhe acalentava daquela mesma maneira a qual sempre fez desde que se conheceram.
Como ela sentia falta de ficar assim com a mulher de sua vida!
Não era fácil para Juliette, uma mulher apaixonada pela esposa, ter que conviver com o distanciamento da mesma, porque Sarah não se lembrava de como era seu amor por ela.
- Eu te amo. - cochichou.
Outra vez ouvia aquelas palavras de Juliette, mas agora a outra sabia que a economista estava bem acordada e consciente de que tinha ouvido sua declaração E, provavelmente, esperava alguma resposta de Sarah.
- Eu espero que um dia, Juliette... Um dia bem próximo... Eu possa te amar como você me ama.
- Você já me amou uma vez, Sarah. Vai conseguir isso de novo. Eu sei que vai, meu amor. - rebateu apertando os braços em torno da esposa.
De olhos fechados, a morena tinha o coração cheio de esperanças de que suas palavras fossem as mais assertivas de sua vida. Sarah já lhe amou uma vez. E tinha fé de que a esposa ia se apaixonar e lhe amar outra vez.
Após a fala de Juliette, o casal permaneceu por um longo tempo abraçadas, como se tivessem sido congeladas naquela posição. Foi então que em algum momento dali, Sarah tentou afastar Juliette um pouco para poder desfazer o abraço, só que Juliette a impediu se agarrando mais a esposa enquanto lhe pedia que não lhe largasse ainda, e que elas ficassem só mais um pouco abraçadas.
A morena queria aproveitar aquele momento ao máximo. Não sabia se Sarah em sua atual situação de desmemoriada lhe daria outra brecha para tal gesto entre elas.
Mais uma vez Sarah resolveu atender ao novo pedido da esposa. Até porque tê-la em seus braços estava sendo a melhor coisa do mundo.
Elas ficaram abraçados por mais um bom tempo. E nem sequer perceberam que da porta do quarto eram observadas por seus dois filhos e por Lumena.
❤️❤️❤️
- E então, o que deu?
Levantando-se da cama Sarah não tardou a questionar a esposa assim que ela saiu do banheiro onde tinha se metido para fazer o teste de gravidez, que Lumena tinha comprado.
- Positivo!
A voz de Juliette não denotava um pingo de animação pela notícia. Se fosse em outra ocasião que não a atual, estaria exultante com a notícia. Rindo, chorando e sendo, certamente, abraçada por uma efusiva e tão alegre e emocionada Sarah.
A economista por sinal ficou sem fala por uns instantes após a revelação de Juliette. Um misto de sentimentos que ela não sabia distinguir, faziam um rebuliço dentro de si.
Será que havia sentido aquilo também quando soube das outras vezes em que Juliette lhe contou que estava grávida?
Droga!
Como era horrível não se lembrar disso e de tudo mais que fazia e faz parte de sua vida. Sentir-se uma perdida completa.
- Eu não sei o que dizer! - conseguiu falar após um breve tempo em silêncio. Mas ela dentro de si estava contente com a confirmação daquela notícia. Só não sabia expressar aquilo.
- Não tem problema. - Juliette tentou livrá-la daquela situação.
- E agora o que vai fazer?
Juliette se dirigiu a cama onde se sentou, sendo imitada em seguida por Sarah.
- Vou a médica. Com certeza, ela vai me pedir pra fazer outro teste de gravidez.
- Mas por que outro? Esse não está confirmando.
- É um teste de sangue, Sarah. Um procedimento padrão. Depois que eu fizer isso, vamos começar a cuidar da gravidez com consultas periódicas.
- Ah, sim... - sibilou a outra mulher com sutil meneio com a cabeça.
Um breve instante de silêncio e a economista já ia pronunciar algo, mas a batida na porta do quarto a impediu de tal ato.
- Dona Juliette e aí qual foi o resultado? - parada na soleira da porta entreaberta, Lumena era o poço da curiosidade. Ela estava torcendo para vir um bebê, pois a seu ver aquilo traria um novo ânimo a casa.
- Eu estou grávida mesmo, Lu!
- Ai, meu Deus! Meus parabéns, senhora! - a ajudante sorriu entusiasmada para Juliette. Estava realmente contente pela notícia ao contrário do que demonstrava sua patroa.
- Obrigada! - Juliette forçou um sorriso ao agradecer. A mulher queria muito estar feliz com aquela notícia, de verdade. Mas por hora não conseguia e provavelmente, precisaria de um pouco de tempo para isso.
Lumena deu animadas e alegres felicitações a Sarah também, e esta apenas se limitou a balançar a cabeça. Depois disso a ajudante saiu dizendo que ia preparar o lanche da tarde.
- Você pretende contar agora ao Thomás e a Beatriz sobre o bebê?
- Ainda não, só depois que for a médica.
- Certo!
Ela meneou de maneira positiva.
- E quando pretende ir a médica?
- Vou ligar primeiro e agendar uma consulta para o mais logo possível.
- Quero ir com você! Estar ao seu lado nessa consulta, já que sempre me acompanha e está ao meu lado quando tenho que ir as minhas consultas.
- Tudo bem. - ela aceitou, olhando para a esposa. Preferia que Sarah tivesse dado outra razão para lhe acompanhar ao médico e não aquela, mas não podia esperar coisas que somente viriam da outra Sarah, a sua Sarah.
A economista se chegou mais para perto da esposa.
- Juliette... eu sei que não estou em meu melhor estado por conta dessa maldita amnésia, mas pode ter certeza que no que for preciso vou te ajudar e te apoiar assim como tem feito comigo... Eu vou estar aqui com você, Juliette.
- É bom saber disso, Sarah! - sorriu timidamente.
❤️❤️❤️
Alguns dias depois e Juliette estava se consultando com Marcela e tendo Sarah de acompanhante. A gravidez foi confirmada. Seis semanas de gestação!
A médica recomendou a Juliette uma bateria de exames para saber como o bebê estava e ela também, já que notou que sua paciente andava muito pálida e visivelmente abatida.
Saíram dali com a próxima consulta agendada para daqui a uma semana que era o tempo que os exames que ela faria ficariam prontos.
Assim que chegaram em casa Juliette resolveu contar logo aos filhos sobre a vinda do novo bebê. Ela tinha decidido esperar a confirmação médica para só então revelar aos filhos sobre eles ganharem uma irmã(o).
Bia quando soube da notícia vibrou de felicidade. Já Thomás de primeira não gostou nada dessa história de novo bebê. Mas foi só Lumena dizer de um jeito todo especial que esse bebê que viria, seria um companheiro(a) para brincar com o pequeno, que o menino aceitou melhor a idéia de ter mais um irmãozinho.
Já a noite acomodadas na cama, Sarah notou Juliette bastante pensativa e com um olhar longe, sem contar que ela estava em silêncio desde que se acomodaram ali há alguns minutos.
- Algum problema?
A pergunta da economista atraiu a atenção da outra mulher, que virou o rosto para olhá-la.
- Não. Só estou pensando em como terei que me desdobrar em sei lá quantas, pra conseguir dar conta dessa gravidez, da casa, das crianças, do meu trabalho quando voltar a ele e de te ajudar. Acho que não vou dar conta disso tudo. É muita coisa para uma pessoa só.
- Ei! - deitando-se de lado para olhar Juliette melhor, Sarah repousou sua mão sobre a da esposa que descansava ao lado do corpo dela. - Eu disse a você que vou estar aqui pra te ajudar, então não se preocupe vai dar tudo certo!
A outra deu um meio sorriso.
- Era eu quem devia estar dizendo isso pra você, não o contrário!
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