Capítulo V
- Comam meus amores!
Juliette pediu aos filhos vendo que eles não haviam tocado em nada da comida em seus pratos.
Estavam apenas os três a mesa, pois Sarah ficou no quarto e não quis sair de lá para almoçar. A mulher alegou que não tinha fome, mas a verdade é que ela tinha medo de sair do cômodo onde estava e encarar aquelas pessoas desconhecidas com quem dividia o mesmo teto.
- Estou sem fome mãe.
Beatriz fez uma careta e empurrou o prato de comida.
- Eu também, mãe!
O pequeno Thomás imitou a irmã mais velha.
- Não podem ficar sem comer nada, vai fazer mal a vocês. Comam só um pouquinho, por favor. Estou pedindo pra vocês!
A mulher empurrou o prato de volta para os dois filhos.
Bia e Thomás se entreolharam para em seguida atenderam ao pedido da mãe e devagar foram comendo a refeição posta em seus pratos.
O silêncio na mesa era enorme e só era quebrado vez outra pelo som dos talheres, quando batiam nos pratos.
Aquela, sem dúvida, foi a primeira vez que durante uma refeição na casa Andrade Freire nenhuma palavra foi proferida enquanto estavam a mesa, algo raro de acontecer, diga-se de passagem.
Enquanto isso no andar superior da casa, Sarah que havia se enclausurado no quarto, estava sentada no chão do cômodo com as costas apoiadas a lateral da cama e tendo a sua frente um chão repleto de fotografias espalhadas. A mulher tentava em vão achar algo que a levasse a lembrar-se de alguma coisa, a mínima que fosse.
De maneira cuidadosa, ela pôs-se a olhar de novo todas as fotografias que havia tirado dos álbuns. Ela reviu as fotos de seu primeiro casamento com Sarah onde se via claramente a felicidade estampada em seu rosto e no de Juliette; depois viu as fotografias da cerimônia de renovação de votos. A emoção genuína estava explícita nos olhos de ambas; viu então as fotos das duas épocas em que ficou grávida, bem como do nascimento dos filhos e também do crescimento deles; férias; passeios; viagens; festas em família; com os amigos; outras dela só com Juliette ou só com os filhos e muitas tantas mais. Sentia uma dor dentro de si ao olhar que tudo, absolutamente tudo aquilo, todos aqueles momentos felizes e todos aqueles rostos felizes eternizados nas fotos, haviam sido apagados de sua cabeça.
Seus olhos verdes se fecharam e aquela vontade de deixar cair as lágrimas que tanto segurava, veio com uma força descomunal que foi inevitável continuar segurando-as mais. E outra vez, ela chorou naquele dia e naquele quarto. Chorou por tudo que havia perdido com aquela maldita amnésia repentina; chorou por medo de ficar assim para sempre; chorou pela tristeza que estava causando a seus filhos e a sua esposa ao não lembrar-se deles; chorou de raiva, desespero, angústia, medo; chorou feito uma garota assustada que tem pavor do monstro malvado que vem lhe assombrar de madrugada; chorou até conseguir colocar para fora toda aquela dor que sentia dentro de seu peito; chorou por longos e intermináveis minutos; chorou e chorou...
❤️❤️❤️
- Mãe como vão ser as coisas agora com o mamãe assim?
Beatriz enxugava as poucas louças do almoço enquanto Juliette as lavava. Só estavam as duas na cozinha, já que Thomás se encontrava na sala vendo TV como a mãe havia pedido que ele fizesse, para tentar distraí-lo um pouco.
- Sinceramente, eu não sei, filha! Tudo ainda parece tão inacreditável.
A mulher suspirou com pesar e tristeza.
- Ainda não consigo entender como a mamãe vai dormir e acorda desmemoriada desse jeito.
Aquilo realmente estava difícil de entender, por mais que houvesse uma explicação lógica.
- E o trabalho dela como vai ficar?
- Daqui a pouco vou ligar para o escritório para falar com o chefe dela. Não vou contar ainda o que houve, mas direi que amanhã vou lá conversar pessoalmente com ele para explicar a situação em que a Sarah se encontra e pedir que antecipe as férias dela, rezando que essa amnésia se cure antes que as férias terminem.
- Vai avisar o padrinho?
Gilberto, melhor amigo de Sarah e padrinho de Beatriz, teria que ser informado daquilo que houve com a loira, assim como os outros amigos mais chegados do trabalho dela. E Juliette tinha quase certeza de que o pessoal ia levar um susto tão grande quanto ela levou com o que ocorreu com Sarah.
- Depois que ligar para o escritório ligo para o Gil. Mas também não pretendo contar nada por telefone. Acho mais prudente pedir que ele e os outros venham aqui amanhã à tarde e aí, conto o que está acontecendo. Uma coisa dessas não se fala por telefone.
As duas acabaram o que faziam e Juliette pediu à filha que fosse dar uma olhada no irmão, enquanto ela ia só acabar de arrumar umas coisas ali e depois se juntaria à eles. A adolescente foi para a sala e encontrou seu irmãozinho sentado no sofá, segurando uma nave espacial de pelúcia a qual Sarah havia lhe dado no último Natal. A carinha de Thomás era triste e ele mal prestava atenção em seu desenho preferido que passava na TV.
Bia devagar se aproximou e sentou-se ao lado do garotinho.
- Ei, astronauta!
Ela passou a mão pelos cabelinhos finos e lisos dele, atraindo a atenção de Thomás.
- Bia, a mamãe vai ficar sem lembrar da gente pra sempre?
Sua pergunta saiu em um fio de voz que deu dó de ouvir. Se para ela que era uma adolescente e entendia mais a situação, já estava sendo complicado aquilo, imagina para o seu irmão que era apenas uma criança.
- Claro que não, astronauta! Vai ver como logo, logo, a mamãe vai lembrar da gente. Mas temos que ajudá-la como a mãe disse lá no quarto, tá legal?
Ele apenas assentiu em resposta.
- Agora vem cá!
A adolescente o chamou para que ele se sentasse em seu colo e ele veio feito um gatinho manhoso. Os dois irmãos apesar da diferença de idade se davam muito bem e dificilmente brigavam ou ficavam implicando um com o outro.
Bia por ser a mais velha tinha um cuidado e carinho enorme pelo irmão caçula e o pequeno também era muito apegado a irmã. Essa relação harmoniosa deles era motivo de orgulho para as mães, pois geralmente irmãos com a diferença de idade que eles tinham, tendiam na maioria das vezes, a viver brigando e se estranhando, feito cão e gato, o que não era o caso dos irmãos Andrade Freire.
- Não fica assim, tá bom? Ela vai lembrar da mãe, de mim e de você, o pequeno astronauta dela!
Da porta da cozinha Juliette suspirou, observando à cena dos dois filhos com olhos cheios d'água. Se não fosse aqueles dois ali para lhe manter firme diante do que houve, ela provavelmente já teria se desesperado muito mais do que tinha acontecido. Por eles estava tentando se manter lúcida e forte.
Quase no fim da tarde, Juliette ligou para o trabalho de Sarah a fim de falar com Dilson, o Diretor do setor Financeiro. Assim que a ligação foi transferida para a sala do homem, a primeira coisa que o sujeito quis saber era por quê Sarah não tinha parecido para trabalhar e muito menos entrado em contato avisando sobre sua ausência. Sem entrar em detalhes, Juliette apenas disse que sua esposa teve um problema sério de saúde. Dilson não se contentou com aquela resposta rasa e quis saber mais detalhes. Só que Juliette não estava disposta a revelar aquilo por telefone. Avisou que amanhã iria ao escritório para conversar com Dilson e lhe contar pessoalmente qual era o problema de saúde que Sarah tinha, já que era algo um tanto delicado demais para se contar por telefone. O homem ficou intrigado com aquilo e afirmou que a esperaria amanhã. Após isso, eles se despediram e desligaram.
❤️❤️❤️
Aproveitando o quase fim de turno de trabalho, alguns integrantes do financeiro estavam reunidos na copa para um cafézinho e também fofocar. Por ali se encontravam Filipe Galvão (Auxiliar Financeiro), Carla Diaz (Analista Fiscal) e Kerline Cardoso (Analista Financeira), o trio fazia conjecturas sobre o motivo da colega e chefe deles Sarah Andrade não ter dado o ar de sua graça aquele dia no serviço, quando viram o Supervisor Financeiro Gilberto Nogueira entrar na copa carregando uma expressão nada boa.
- Gil que cara é essa?
- Ai, Fiuk, aconteceu alguma coisa séria com a Sarah. - falou nervoso o homem enquanto seguia até a cafeteira para se servir da bebida quente.
- Estávamos falando agora mesmo dela. - comentou Kerline.
- Por que acha que aconteceu alguma coisa séria com a nossa 'Deusa do Financeiro', Gil? - Carla indagou antes de levar sua xícara de café a boca e solver um gole da bebida.
Virando-se para os amigos, Gilberto contou sobre a ligação que havia recebido minutos atrás.
- Juliette me ligou muita estranha pedindo pra amanhã a tarde todos nós, incluindo o Caio, irmos à casa dela, porque quer conversar conosco sobre a Sarah. Eu pedi pra ela adiantar o assunto da conversa, mas ela se negou. E quando eu questionei a razão de Sarah não ter vindo, ela disse que amanhã contaria tudo. Isso não é estranho?
Filipe, Carla e Kerline se olharam e com um meneio de cabeça concordaram com o supervisor.
- Será que a Sarah sofreu algum acidente e foi hospitalizada?
Fiuk supôs.
- Não, isso não foi. Porque perguntei a ela pela Sarah e a Juliette disse que a esposa estava no quarto.
- Bom, então o que deve ser?
- Pelo tom de voz que a Juliette estava ao telefone é algo sério, muito sério, Ker!
Um silêncio se fez entre o quarteto. Cada um tentando supor em pensamento o que teria acontecido com a Deusa do financeiro, como a chefe fora carinhosamente apelidada pelos subordinados e amigos. Porém as suposições de nenhum deles chegava perto do que realmente havia acontecido. Após certo tempo de silêncio, Gil aconselhou que voltassem para seus afazeres, porque ainda faltava meia hora para o turno acabar e se Dilson aparecesse ali e os visse de papo chamaria a atenção deles. E assim cada um pegou seu caminho de volta a suas tarefas do dia, sem deixarem de pensar no que Juliette queria conversar com eles.
Na casa Freire as risadas outrora tão comuns ali, foram substituídas pelo silêncio quase sepulcral. Já passava um pouco das nove da noite e Sarah continuava sem sair do quarto. Havia passado o dia inteiro enclausurada no cômodo.
Enquanto isso, Juliette colocava Thomás para dormir, pois já tinha passado da hora do menino ir para a cama e amanhã ele ainda tinha de ir à escolinha. Como era muito manhoso para acordar, sempre dormia cedo para acordar cedo, mas hoje com aquela confusão com Sarah, ele havia passado do horário de dormir.
- Mãe fica aqui até eu dormir? - pediu se ajeitando na cama agarrado a sua inseparável nave de pelúcia, enquanto Juliette ajeitava em cima do menino a coberta com desenhos de lua e estrelas. Ao ouvir o pedido do filho, ela o olhou com carinho e viu seus olhinhos verdes tristes.
- Fico sim, meu amor! - ela se sentou ao lado do menino após tê-lo coberto. - Agora feche os olhinhos e durma! - acariciou seu rosto.
Assim ele fez e em poucos instantes já havia pego no sono profundamente. Juliette lhe deu um beijo na testa e antes de sair do quarto desligou a luz e acendeu a luminária com desenhos de estrelas, para que seu quarto não ficasse totalmente no escuro, pois o pequeno tinha medo de dormir na escuridão.
Ao sair do cômodo de Thomás, a mulher resolveu dar uma passada no quarto da filha mais velha. Encontrou a adolescente pensativa, sentada na cama com as pernas cruzadas em posição de ioga e um olhar fixo em um ponto qualquer do quarto. Beatriz estava tão compenetrada no que pensava, que nem viu a mãe entrar e se aproximar dela. Só percebeu sua presença ali quando Juliette chamou seu nome ao mesmo tempo que tocava seu ombro.
- Desculpe se te assustei.
- Tudo bem, mãe.
- Posso saber no que estava pensando tão compenetrada?
Juliette sentou-se ao lado da filha na cama.
A garota a olhou por alguns segundos e depois desviou o olhar da mãe para encarar as próprias mãos que descansavam em seu colo.
- Pensava na mamãe. Tenho tanto medo dela ficar assim pra sempre. - confessou a garota mexendo as mãos de maneira nervosa. - Disse ao Thomás que ela ia lembrar da gente, mas tô com medo que isso não aconteça, mãe. - a adolescente ergueu o rosto para encarar Juliette com os olhos cheios d'água.
A mulher mais velha colocou um travesseiro em sua perna e fez sinal para que a filha deitasse a cabeça ali. E quando Beatriz se acomodou como a mãe pediu, Juliette começo a deslizar uma das mãos pelos sedosos cabelos escuros da garota enquanto a outra mão alisava o braço dela.
- Sabe, Bia... - iniciou Juliette após uns segundos em silêncio. - Eu também tenho esse mesmo medo, filha. Mas temos que ter fé e pensar positivo. Sarah vai lembrar de nós, vai ver! Não tenha medo, está bem?
- Tá! - garota respondeu de olhos fechados.
Por minutos que Juliette não soube precisar ao certo, ela ficou ali acariciando os cabelos da filha em silêncio, até notar que Beatriz havia pego no sono. Devagar para não acordar Bia, Juliette se levantou, cobriu a filha, beijou sua testa e depois saiu do quarto da adolescente, porém permaneceu escorada a porta do cômodo até criar coragem de ir para seu próprio quarto.
Longos minutos depois, a mulher entrava com cuidado no cômodo escuro. Ligou a luz e acabou encontrando Sarah deitada na cama dormindo serenamente. Aproximou-se dela e viu um papel sob sua mão direita, que repousava sobre o peito. Bem devagar conseguiu tirar o papel da mulher sem acordá-la e pôde ver o que ela segurava. Tratava-se de uma foto delas duas com os filhos.
Juliette se lembrou perfeitamente quando tiraram aquela foto. Foi há duas semanas, quando Sarah estava de folga e elas tinham ido ao cinema do shopping com os filhos. Uma moça que vendia chaveiros personalizados se aproximou delas e perguntou se não queriam tirar uma foto da família para colocar em um chaveiro. Sarah aceitou de pronto e elas tiraram a foto. A economista havia gostado tanto da foto que perguntou se a moça não podia imprimi-la em um tamanho maior e adiantou que pagaria pela fotografia. A moça disse que faria isso, porém Sarah não precisava pagar nada, já que havia encomendado quatro chaveiros. Desse modo a foto sairia como um brinde. E assim, elas saíram com a fotografia e os quatro chaveiros com a mesma foto.
Juliette pegou a foto e guardou-a na caixa juntamente com as demais espalhadas pela cama. Levou a caixa até o guarda-roupa e devolveu-a ao seu devido lugar. Após fechar o guarda-roupa e se virar, a morena encontrou Sarah desperta.
- Desculpa. Te acordei né?
- Não tem problema.
- Como se sente? - indagou se aproximando da cama.
- Ainda confusa e sem lembrar de nada. - respondeu a loira ao se sentar na cama.
Um pequeno silêncio se fez entre elas. Naquele instante elas pareciam duas estranhas ao invés de um casal outrora apaixonado e feliz. Coube a Juliette romper o silêncio entre elas ao indagar a esposa sobre ela querer jantar.
- Não. Eu estou sem fome.
- Você não comeu nada o dia todo, Sarah. Ficar sem comer não vai te fazer bem. Vou lá na cozinha preparar um sanduíche pra você. Já volto.
Antes que Sarah pudesse rejeitar a oferta, alegando que não queria dar trabalho a Juliette, a mulher já havia saído do quarto. Sarah até fez menção de ir atrás da esposa, mas desistiu. Ficou ali no quarto, aguardando o retorno de Juliette. Coisa de quinze minutos a porta do cômodo se abria e uma Juliette equilibrando uma bandeja, entrava no quarto.
- Aqui... - ela depositou a bandeja de madeira com pés no colo de Sarah. - Fiz dois sanduíches de peito de peru que você adora e suco de laranja. Coma tudo.
Sarah olhou para a bandeja por alguns segundos e depois encarou Juliette de pé diante de si. Ela parecia ser uma boa mulher, pena não lembrar-se dela.
- Não precisava se incomodar. Mas agradeço por isso. - apontou para a bandeja.
- De nada! - sorriu ao ver a esposa levar o sanduíche a boca e tirar um pedaço dele. - Eu vou tomar um banho enquanto você come.
Sarah apenas assentiu, mastigando seu sanduíche.
Juliette apanhou seu pijama e a toalha, e seguiu sob o olhar atento de Sarah ao banheiro anexo ao quarto afim de tomar um bom banho quente. Dez minutos depois já saía do banheiro de banho tomado e vestida com um conjunto de seda na cor azul, notou que Sarah havia terminado de comer os dois sanduíches que trouxe para ela e sorriu contente.
- Muito bom. Comeu tudo.
- Mais uma vez obrigada pelos sanduíches. - agradeceu com certo acanhamento. Bastou a primeira mordida no lanche feito pela esposa, para Sarah se dar conta do quanto estava com fome mesmo. Comeu tudo muito rápido.
- Não precisa me agradecer, Sarah. Agora, me dê essa bandeja pra eu levar pra cozinha.
Sarah estendeu a bandeja para Juliette que apanhou o objeto e saiu do quarto com ele. Sozinha naquele cômodo a economista suspirou um tanto inquieta. Momentos atrás enquanto comia, ela se pegou pensando sobre dormir naquele mesmo cômodo com Juliette. Não se sentiria nenhum pouco confortável em dividir aquele espaço e tampouco aquela cama com uma estranha, mesmo ela não sendo isso já que Juliette era sua esposa.
Será que há um quarto de hóspedes onde eu possa dormir?
Teria que perguntar a Juliette isto quando ela retornasse da cozinha. Não precisou esperar muitos minutos mais para vê-la entrar ali no quarto.
- Você quer que eu te espere tomar banho pra gente dormir?
- Na verdade... - Sarah engoliu em seco e se levantou da cama, pois não pretendia dormir na companhia da esposa e precisava contar isto a ela naquele momento. -... Juliette, me desculpe, mas... Não vou me sentir bem dormindo com você. - revelou, encarando o chão por não ter coragem para encarar a esposa nos olhos ao contar aquilo.
Juliette quase quis chorar ao ouvir aquelas últimas palavras saindo da boca da esposa. Contudo respirou fundo e segurou as lágrimas.
- Nunca pensei que um dia fosse ouvir de você que não se sentiria bem em dormir comigo.
Sua voz saiu um tanto magoada e Sarah percebeu.
- Perdão. - pediu, erguendo os olhos para a esposa. - Mas você é uma estranha pra mim e...
- Tudo bem, Sarah! - cortou a explicação da outra mulher ao mesmo tempo em que erguia a mão direita. - No fim do corredor à direita, tem o quarto de hóspede. Você pode dormir lá.
Juliette pegou um lençol e o travesseiro da esposa, estendendo ambos a Sarah.
Meio sem jeito com aquela situação criada, Sarah pegou o que Juliette lhe estendeu.
- Boa noite, Sarah! - Juliette disse já se ajeitando sob as cobertas da cama e de costas para a esposa, para que a outra não visse seus olhos cheios d'água.
- Julie...
- Quando sair desligue a luz, por favor! - ela não deixou a esposa prosseguir no que quer que fosse a sua fala. Só queria que ela saísse dali logo para que pudesse chorar.
Vendo que Juliette não queria mais papo com ela, Sarah apenas murmurou um tímido “boa noite” a esposa antes de se virar e seguir até a porta de saída do quarto. Desligou a luz como Juliette havia pedido e deixou o cômodo. Minutos mais tarde estava deitada na cama do quarto de hóspedes, sentindo-se péssima por ver que mais uma vez magoou a esposa com sua atitude.
Em seu quarto, Juliette deixou algumas lágrimas rolarem enquanto se mexia inquieta na cama, que parecia tão enorme e fria sem Sarah ali.
O sono custou a vir e a mulher se virou de um lado para o outro por diversas vezes, na vã tentativa de achar uma posição para dormir. Olhou para o teto e se perguntou até onde aquela situação toda iria. Foi só depois de muitos e muitos minutos, que ela conseguiu pegar no sono.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top