Capítulo 10 - final
Já haviam se passado duas semanas desde o término com Gustavo e minha sessão de tatuagem com Jonas já estava marcada. Eu precisava daquilo, tinha que vê-lo, saber se toda aquela troca de mensagens era real e que ele era exatamente do jeito que me mostrava em suas palavras.
Convidei Julia para me acompanhar, achando que seria no mínimo estranho me deparar com o rapaz para quem já havia destrinchando minha vida sentimental através da internet.
Nossas conversas inicialmente eram apenas superficiais. Falávamos sobre séries, filmes, futebol, livros e música, muita música. Nossos gostos se mostravam cada vez mais parecidos e eu mal podia crer em tantas coincidência que nos rodeavam, mas foi quando começamos a falar de nossos relacionamentos, família e escolhas comportamentais que tudo pareceu ainda mais perfeito.
Havíamos passado por muita coisa e a cada história contada, ficavamos mais íntimos e o sentimento de urgência em se ver crescia.
No dia em questão, Julia e eu almoçamos juntas no centro da cidade e em seguida partimos para o estúdio. Meu coração parecia querer saltar pela boca e era nítido o meu nervosismo em vê-lo.
Depois de muito procurar por referências legais, acabei optando por uma tatuagem em homenagem a minha banda nacional favorita, a Fresno. O desenho era o logo inicial da banda, que consiste em um círculo negro que eu troquei por um em efeito galáxia, com uma árvore estilo bonsai vazada, no centro e a frase "E não há nada após o fim, só cinzas das melhores intenções", logo acima ao desenho.
Essa frase faz parte de umas das canções da banda, de nome Crocodilia, do álbum Cemitério das boas intenções e é uma das minhas favoritas entre todas as que compõe o ep.
Assim que chegamos ao local, abri a porta de vidro e olhei para ele, no instante em que os olhos dele encontraram os meus, as borboletas acordaram e passaram a voar de uma maneira ainda mais intensa do que da primeira vez.
— Oi, meninas! — cumprimentou ele.
Sorrimos e nos sentamos, também cumprimentando o dono do estúdio e os clientes que ele já tatuava. Conversamos entre nós duas, bem baixinho para não atrapalhar, enquanto Jonas preparava as coisas para começarmos a tatuar.
Depois de algumas sugestões, decidimos que o desenho ficaria bem legal na parte de trás do braço, acima do cotovelo e lá fui eu para a dor eminente.
Como minhas outras tatuagens eram bem pequenas, eu estava um pouco apreensiva com o fato de essa ser um pouco maior, mas mesmo assim encarei normalmente. Só o que me importava era a presença e o toque dele.
Conversamos normalmente, como fazíamos já a algum tempo pela rede social e Julia parecia extasiada, cada vez que trocávamos um olhar cúmplice.
Jonas e eu havíamos decidido tomar um café após o término da tatuagem, com a intenção de ficarmos a sós e embora fosse isso que eu mais queria já a algum tempo, meu coração dava sinais de apreensão.
Eu parecia uma menina de doze anos em contado com o seu primeiro amor e aquilo era algo que eu já não sentia a um bom tempo. Era mágico, gostoso e diferente de qualquer relacionamento inicial que eu já havia tido até aquele momento.
Quase no final da tatuagem, Julia ligou para Fernando e ele apareceu para buscá-la e os minutos seguintes foram só meus e de Jonas. Era como se o resto das pessoas alí presentes não importassem nenhum pouco para a gente.
Terminamos tudo e claro, eu dei aquela analisada em meu braço diante do espelho. Era inacreditável, mas o trabalho dele estava outra vez impecável.
— Tarus, eu vou só tomar um café e volto logo — disse ele, retirando seu avental e terminando de organizar as coisas sobre sua estação de tatuagem e voltou-se para mim em seguida — Vamos?
O colega assentiu e eu fiz o mesmo, saindo em sua frente e já descendo os primeiros degraus da escadaria que dava acesso ao lado de fora do prédio, quando senti seu braço em torno de minha cintura e em segundos nossas bocas estavam coladas, desfrutando do momento mais aguardado em semanas.
Nossos lábios pareciam se encaixar com perfeição, nossas línguas seguiam o mesmo ritmo e a respiração ofegante não nos impedia de curtir cada parte daquele beijo incrivelmente apaixonante.
Era surreal a simetria que existia entre nós dois, aquele toque doce de lábios representava o mais puro e sincero sentimento de um novo amor que surgia em nossas almas e corações.
Os braços dele eram aconchegantes e mesmo sabendo que o ar pedia passagem e que precisávamos nos desprender pelo menos por um instante, a vontade era de permanecer pra sempre ali, no lugar mais calma e sereno que eu poderia querer.
— Agora podemos ir! — ele sorriu e eu o que restava inteiro em mim foi se derretendo por completo — Você não tem noção do quanto eu queria fazer isso.
— Eu também!
Demos as mãos e saímos de lá, em direção a cafeteira, mas com a mais absoluta certeza de que nunca mais nos separariamos, que nossa união era pra sempre e que mesmo que não tenhamos dado ouvidos ao que o destino nos dizia logo de cara, ele tratou de nós mostrar, com ainda mais sinais claros, que o amor é mais forte do que a razão, que uma vez marcado, ele é feito tatuagem, não se apaga nunca mais!
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