Capítulo 03
Voltando ao meu passado, que já está mais do que enterrado, preciso dizer a vocês que todos os meus relacionamentos passados tiveram fins traumáticos.
Minha primeira relação séria foi com um garoto bem mais velho. Enquanto eu tinha apenas quatorze anos, ele já tinha dezenove e o ciúme e insegurança que eu sentia e que depois ele também veio a ter, acabaram com qualquer coisa boa que pudesse existir entre nós.
O segundo teve seu final após apenas um ano e meio, me fazendo crer que talvez eu fosse o problema. Depois de curtir uma intensa fossa, consegui me reencontrar com a ajuda de um grupo nas redes sociais, conheci pessoas de outras cidade e até de estados diferente, o que me fez ver que, de fato, eu não estava sozinha.
Depois disso vieram apenas algumas paqueras, nada de muito sério. Mas foi quando esbarrei em um antigo colega de escola em um encontro anual dos ex alunos, que as coisas ficaram ainda piores, quanto a relacionamentos.
Não preciso nem dizer que tudo chegou ao fim de um jeito horrível e que meu conto de fadas durou apenas alguns meses. Ou preciso? Esse havia sido o meu último relacionamento, a mais ou menos dois anos e desde então, eu estive levando a vida sozinha, sem romances e de coração vazio.
Enfim, esse tal namoro não tivera um final lá muito agradável e agora, parando para analisar, foram poucos os momentos bons, já que ele era um homem bastante possessivo e que adorava me por para baixo.
Como já mencionei, nunca fui considerada uma menina feia, longe disso, mas esse cara conseguiu destruir com minha auto estima. Ele se julgava superior a todos os homens com quem eu já havia tido um relacionamento e também aqueles que me cercavam, me fazendo acreditar que era uma verdadeira sortuda por namorá-lo.
O fim foi traumático e por muito tempo eu acreditei que ninguém mais olharia para mim, que eu era uma pessoa desinteressante e que talvez devesse me acostumar a viver sozinha.
Mas por ironia do destino, alguns meses depois, foi justamente ele quem precisou de mim e não por que eu ainda nutrisse algum sentimento, mas sim por me sentir outra vez confiante comigo mesma, eu o ajudei. Foi alí, depois de uma série de tentativas de reaproximação da parte dele, que eu soube que eu merecia algo muito, mas muito melhor.
Voltei a sair, curtir a vida e ser eu mesma depois de tanto tempo, o que era libertador. Eu tinha alguns amigos de fora da cidade, que moravam próximos a capital e nos finais de semana, nosso ponto de encontro era um lugar chamado "cidade baixa", um bairro boêmio de Porto Alegre e repleto de bares e festas, na sua grande maioria voltados para os apreciadores do bom e velho rock'n' roll.
Nessa mesma época, minha melhor amiga Julia, também se encontrava em um relacionamento nada saudável e mesmo já tendo tentado alertá-la por diversas vezes, nada parecia surtir efeito e ela continuava estagnada naquela relação tóxica.
O namoro deles se estendia já a uns oito anos e era visível o quanto os dois estavam em sintonias diferentes. Ela procurava estudar, trabalhar e conquistar coisas futuras, enquanto ele era apenas um vagabundo, mulherengo e sem nenhuma responsabilidade.
Nós somos amigas desde quando eu tinha doze anos de idade e ela nove, éramos vizinhas e a amizade só fez crescer desde então. Contamos tudo uma para a outra e claro, ela sabia perfeitamente o que eu achava do seu então namorado.
Apesar de também ser amiga dele a muitos anos, eu achava que ela merecia algo melhor, uma pessoa que a respeitasse e que quisesse constituir uma família ao lado dela, como eu sabia que ela sonhava.
Foi um verdadeiro aliviar quando descobri que finalmente Julia havia tomado coragem e posto um ponto final na relação de tantos anos com aquele traste e já estava até de olho em um novo crush.
Bom, voltando ao motivo de eu estar escrevendo esse livro, como eu disse no último capítulo, eu precisava cumprir minha promessa, já havia feito as doações de natal e encontrado o estúdio perfeito para fazer a tatuagem.
Decidi convidar Julia para ir comigo, mas como a sessão estava marcada para uma segunda-feira, ela não poderia deixar o trabalho, mas acabou me contando que sairia no final de semana, pela terceira vez, com o tal rapaz, que havia conhecido através das redes sociais e que queria que eu conhecesse um primo dele.
Apesar de ser mais velho, ele era um cara tímido e de família religiosa, o que estava dificultando um pouco o contato físico entre eles. Eu confesso que não estava nenhum pouco afim de um encontro às escuras, mas Julia estava visivelmente balançada e afim de desistir, mas como eu sabia que se ela não tentasse, acabaria voltando para o cômodo e desgastado namoro, decidi ajudar.
No sábado a noite, depois de ver algumas poucas fotos nas redes sociais do tal primo, Julia e eu nos arrumamos para esperar que eles nos buscassem.
Já fazia algum tempo que eu não saía pelos pontos de diversão da minha própria cidade, já que não fazem muito meu estilo e quando soube que iriamos em um lugar com música ao vivo e a atração era uma dupla sertaneja de doer os tímpanos, comecei a me arrepender de ter concordado com aquilo.
Levei quase duas hora para escolher uma roupa que não me deixasse parecendo a Taylor Momsen depois de Gossip Girl, já que minhas roupas não eram lá muito condizentes com o lugar que iriamos. Enfim eles chegaram e após breve comprimento, saímos rumo ao bendito pub.
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